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          Todos sabem: vamos a um mesmo lugar que não sabemos quando e quanto tempo vai demorar para chegar lá, mas todos iremos infalivelmente. Nada permanece no mesmo lugar. Damos muitas voltas e voltas para chegar neste mesmo lugar. Trilhamos diversos caminhos que levam a este lugar que almejamos, desejamos e que não sabemos onde é e porque é.

          Não conhecemos e queremos conhecer a estrada que consideramos a única a nos levar neste lugar.

          Consideramo-nos senhores onipotentes da Ciência e da Religião que tratam estas coisas da Vida e da Morte da sua maneira e a sua maneira é a melhor e mais correta. Sofremos por isto, por vezes nos alegramos por isto especialmente quando “achamos o caminho certo” e que depois à frente parecerá equivocado e então continuamos procurando.

         Fazemos cursos, graduações, doutoramentos. Temos um nome a zelar, somos portadores de títulos a zelar, toda uma “reputação”. Estudantes com afinco, devotos de fato aos nossos Mestres e às Crenças que acreditamos. Temos Fé, Esperança e Vontade.

        Mas somos qual cachorro que tenta morder o rabo e que gira, gira e nunca alcança seu próprio rabo para poder morder.

        Somos qual macaco que pula de galho em galho com uma banana na mão a procura de mais bananas (Buda). Criamos e destruímos, amamos e não amamos, trocamos e destrocamos, fazemos muitas coisas e não fazemos nada.

        Queremos ganhar dinheiro e queremos ganhar “os céus”. Por isto não paramos. Não paramos de falar, de pensar, de querer, de ter e de poder, como não paramos de comer e beber água, porque se pararmos achamos que morreremos e o que podemos fazer se não haver mais nada para “achar”?

        A água límpida está abaixo de nós, talvez metros abaixo, mas cavamos um poço e impacientemente cavamos um outro e mais outro na busca da mesma água tão perto de nós e ao mesmo tempo tão longe pela nossa ignorância.

       E comparamos; julgamos; sentenciamos. Por vezes senhores da Vida e da Morte e achamos que sabemos sobre Vida e Morte! Por isto esta nossa “autoridade”!

      Quem não faz o que a gente faz pode ser até criticado e não merecedor das coisas que conseguimos e seguimos.

      O que verdadeiramente sabemos?

      Quem somos? Para onde vamos? Temos de fato tais respostas? Teimamos em querer saber. E consideramos esse o nosso Direito.

      Pagar para saber. Pagar para rir e até chorar. Neste mundo temos de pagar.

      Esquecemos de nós mesmos. Esquecemos de parar. Parar, fechar os olhos e olhar para si mesmos e perceber. Perceber que tudo está nós e por nós. Que tudo depende de nós.

      Que precisamos apenas silenciar verdadeiramente. Escutarmos a nossa respiração. Percebermos que inspiramos e expiramos. Que isto está além das técnicas, tradições e organizações.

      Percebermos que a respiração é o Fio Condutor da nossa vida, o nosso tesouro a qual não devemos nada, não pagamos nada, não pedimos nada. Só Observamos percebendo a Impermanência de tudo que nos cerca e nos restará percebermos a Essência de cada fato, de cada pessoa, de cada lugar e então perceberemos finalmente a Iluminação que há muito já estava dentro de nós e nem sequer percebíamos distraídos nos afazeres deste mundo.

      Mas na Natureza tudo tem o seu tempo e ainda acreditamos na existência do tempo. Como querer que “ele seja” ou “ela seja” ou “alguma coisa seja” se ainda não é o seu tempo? Como querer que algo seja assim ou assado se ainda não é o tempo? Como rasgar o casulo da lagarta para dali extrair a linda borboleta senão dali só extrair massa fétida e gosmenta?

      O Livre Arbítrio combina com este tempo. Então fiquemos um pouco mais com as nossas convicções e atribuições.  Fiquemos enquanto há tempo, pois quando o Tempo cessar o que será de nós que tanta importância outorgamos ao tempo?

      O que será de nós num Tempo sem corpo e sem nome. O que será num Tempo sem Tempo? Será a Essência o nosso legado. A Essência de nossa Memória. Nossa única Herança: A Essência de Tudo!

           Perdoar enquanto há tempo; ajudar enquanto há tempo; adicionar enquanto há tempo.

           Pensar ser este seu último minuto neste tempo e o que você faria neste último minuto. Quem você abraçaria, de quem você lembraria, a quem você presentearia? Pense! Viver este último minuto como o último minuto de suas vidas! (Buda). Viver o Presente, deixar o passado e o futuro: ambos ilusórios e inexistentes.

         Viver a respiração! Viver a beleza e a felicidade contida neste mundo.

         Parem e contemplem o que estiver diante dos seus olhos seja o que for e percebam a imagem e semelhança de Deus ali contida. Percebam a Perfeição além da imperfeição, o divino de cada um e de cada fato, o Amor dentro de cada um, de cada caso. Percebam que quando alguém fala, Deus fala para você. Quando alguém olha, Deus olha para você. Quando alguém faz, Deus faz para você, mas lembre-se: Deus está dentro de você! Também está fora. Está dentro e fora. Deus está em Tudo!

      Voltemo-nos pois a Natureza de onde viemos.

      Ame de fato além da aparência e da impermanência.

      Cultive a sua Compaixão por cada Ser seja quem for.

      Não espere resultados, não espere respostas, não espere!

      O Conhecimento já está dentro de você, basta acessá-lo. Parar, fechar os olhos e acessá-lo livrando-se de todo o preconceito.

      Observe e Aja com o seu Coração! Lembre-se: você é o seu Mestre!

 

                        Muita Paz a todos!

 

“Qual é, afinal, a vida humana? Uma comédia...

Para dizer a verdade tudo neste mundo não passa de uma sombra e de uma aparência,

mas o fato que esta grande e longa comédia não pode ser representada de uma outra forma”

(Erasmo de Rotterdam)

 

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