Artigos de Yoga

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(1.909-1.969)

(Caio Miranda)

 

Caio Miranda

O General Caio Miranda era oficial e, no final da década de 1.950, era membro da Sociedade Teosófica no Brasil. Militar de personalidade forte e controvertida, também era, ao mesmo tempo, muito carismático e suave. Nessa época, como literatura teosófica, lia muito sobre filosofia, ocultismo e Yoga. Fazia parte da Escola Esotérica (Escola Interna da Sociedade Teosófica) e tinha um Mestre Espiritual, o qual denominava Ad.B. Como autodidata, começou a se interessar pelo Raja Yoga após ler um livro de Ramacharaca denominado "As 14 Lições da Filosofia Yogi".

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(1.939- )

(Maria José Marinho)

Maria José Marinho

Maria José Marinho, era bem casada, tinha três filhos, mas era extremamente infeliz, com sérios problemas de angústia e depressão. Tinha 24 anos, em 1.963, quando em uma viagem ao Rio de Janeiro, foi levada por uma amiga a um Instituto de Yoga, conhecendo pessoalmente o Professor Caio Miranda.

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(1.922 - 1.999)

(Georg Kritikós)

  Sarvananda

Svami Sarvananda era o nome místico do Sr. Georg Kritikós, nascido em Rupea, Transilvânia (Romênia), em 22 de junho de 1.922, e falecido em 18 de abril de 1.999 em Curitiba (PR). Filho de pai grego e mãe romena, aos 22 meses sofreu pneumonia dupla, tendo sido desenganado pelos médicos. Naquele momento recebeu a visita de um Mestre que condicionou a continuação de sua vida à promessa de dedicá-la aos seus semelhantes, ele aceitou e obteve a cura.

A facilidade das línguas, herdada do pai, permitiu falar três idiomas usados na região: romeno, húngaro e o alemão, o que o ajudou a se adaptar mais facilmente aos países pelos quais passou e viveu.

Logo depois da Segunda Guerra, foi trazido pela tia materna para o Uruguai, onde se reencontrou com seu Mestre e amigo, ?r? Sevananda Svami, tornando-se seu discípulo e recebendo dele a iniciação transmitida pelo adepto egípcio RA MAK HOTEP.Sarvananda

Com seu Mestre, participou ativamente da fundação do “Monastério Essênio e Ashram de Sarva Yoga” em Resende (RJ), durante o período de 1.953 e 1.960. Em 22 de junho de 1.957, foi ordenado membro dos swamis de SRI SHANKARACHARYA, por seu mestre. Na ocasião recebeu a bengala dos sanyasins sarvas e recebeu o nome místico de SWAMI SARVANANDA.

Em 7 de dezembro de 1.957, foi unido em matrimônio “dentro do serviço”, com a residente Daya. Neste Ashram, ?r? Sevananda Svami desenvolveu vários trabalhos de diferentes escolas iniciáticas do Ocidente e do Oriente, incluindo a Ordem Martinista, da qual era o Presidente para a América do Sul.

Em 20 de setembro de 1.958 foi escolhido por ?r? Sevananda Svami como seu sucessor e sarvayogacharya da Ordem dos Sarvas Swamis.

Em 1.958, fundaram, Sarvananda e Daya, sob a orientação do seu mestre, o Instituto Juvenil de Yoga, dentro das terras do Ashram de Rezende, onde passaram a cuidar e educar crianças abandonadas, até o fim das atividades do mesmo em 1.960.

Nasce, em 13 de setembro de 1.960, no Monastério, Maria Stella, elo de união entre passado e futuro, filha de Sarvananda e Daya. Em junho de 1.961, dissolve-se o Monastério de Resende e cada um toma seu caminho próprio. ?r? Sevananda Svami, com parte dos residentes, vai para Lajes (SC), onde surge a Obra ” O Mestre Philippe de Lyon”, e Sarvananda, Daya e Stella vão para Minas, onde continuam o trabalho.Sarvananda

Instala em Belo Horizonte, no ano de 1.960, o primeiro Núcleo de Yoga Integral e o Instituto Arjuna de Yogaterapia, inicialmente na Rua Tupinambás e um ano depois se transfere para a Rua Goitacazes 43, onde permaneceu até 1.996.

Ao longo desses 36 anos dedicados ao yoga em Minas, desenvolveu várias pesquisas em yogaterapia, beneficiando inúmeras pessoas, inclusive dependentes de drogas. Formou várias turmas de professores de yoga, muitos deles continuam em atividade atualmente espalhados pelo Brasil.

A convite do professor Daniel Antipoff e sua esposa Dª Otília Antipoff, assumiu a tarefa de preparar e orientar professoras de yoga na área de recuperação de excepcionais, dentro do Instituto de Psicologia Aplicada de Minas Gerais (IPAMIG), com excelentes resultados, durante o período de 1960 a 1966.

Após a morte de ?r? Sevananda Svami, em 1.970, Sarvananda, discípulo e auxiliar de ?r? Sevananda Svami durante 40 anos consecutivos, e seu sucessor na Ordem dos Sarvas e na Suddha Dharma Mandalam, deu continuidade ao desenvolvimento e divulgação das doutrinas Orientais e à Sarva Yoga, iniciada pelo seu Mestre e amigo. No Martinismo realizou seu trabalho na OMS. Sarvananda toma contato com praticamente todas as organizações de cunho espiritual e social da época.

Aos 51 anos, em fins de 1.973, viajou em peregrinação à Índia, reencontrando, em Benares e Sarnath, seu próprio passado. Em Calcutá teve a revelação do rumo de sua vida, assumindo assim um novo posicionamento interior. Continuando sua viagem, partiu para o Japão, onde fez estágio no Zen Yoga Dojo, do se nsei Oki Masahiro, recebendo valiosos baseamentos do sensei, que o nomeou seu representante no Brasil. Sarvananda

De volta ao Brasil, em março de 1.974, iniciou imediatamente as pesquisas e práticas do que bem mais tarde se transformou no TB (Trabalho Básico). No TB ele reuniu a experiência do Ashram de Rezende com ?r? Sevananda Svami, as técnicas e filosofias de Gurdjieff e os subsídios trazidos do Dojo, do sensei Oki Masahiro. De tudo isso resultou um método poderoso de impulsionar os interessados a se colocarem frente a frente a si mesmos, para uma maior autoconsciência e aspiração transcendental.

Em 1.975 fundou, próximo a Belo Horizonte, a Comunidade Rural e Alternativa Mãe D´água, reconhecida como de utilidade pública estadual e registrada como Refúgio de animais silvestres e Reserva Biológica, no INCRA.

Desenvolveu na Mãe D´água, junto aos companheiros e residentes, atividades diversas como agricultura, horticultura e fruticultura naturais. Muitos dependentes de drogas e álcool foram completamente recuperados com a vida rigorosa e sadia que se levava na Mãe D´água, onde os residentes recebiam instrução de Sarva Yoga e técnicas de meditação, na tentativa de neles instalar um maior teor de autoconsciência. A Mãe D´água fechou suas portas em meados de 1.986.

Em fins de 1.987, e por convite, transfere-se com a família para Curitiba, onde instalou, na Faculdade de Ciências Biopsíquicas da Fundação Espírita, um Núcleo de Formação de Sarva Yoga.

Retornando a Belo Horizonte, em junho de 1.991, o TB (Trabalho Básico), foi instalado com vigor, tendo como conseqüência o ingresso de membros na OSA, entre os quais alguns Cavaleiros, representando a ala ocidental, e a ordenação de dois swamis, sua esposa, Swamini Daya e o jovem Satyananda.

Em 1993 organizou o I Congresso de Yoga em Belo Horizonte. Participou de muitos congressos no Brasil e no exterior, com atuações muito marcantes. Ministrava aulas de yoga de uma forma bastante yang, daí os resultados terapêuticos conseguidos. Dava muita relevância à busca do silêncio mental, sendo isto a marca, o diferencial da Escola Sarva.Sarvananda

Severo, enérgico e sério, quando necessário, possuía o dom da gratidão. Era comum manifestar do fundo do coração, uma imensa gratidão por um simples ou pequeno fato, ato ou palavra recebida. No dia 5 de dezembro de 1.998, Sarvananda reuniu amigos e discípulos, fazendo sua despedida. Estava mais uma fez de partida para Curitiba. A palavra chave para a mudança era “Atividade”, prosseguir e intensificar “com entrega”, o trabalho.

Mas o destino reserva surpresas... No início de 1.999, após intensa atividade com seu trabalho, Sarvananda é levado ao médico por sua filha, e este prescreve cirurgia cardíaca (safena). No final de março é feita a cirurgia e, para grande surpresa de todos e principalmente dos médicos, surgiram complicações e após 21 dias, a maior parte deles com muito sofrimento na UTI do Hospital Cajuru, em Curitiba, deixou o corpo físico às 02:15 horas do dia 18 de Abril de 1.999.

Assim terminava uma vida carregada de intensidade e intrepidez, inteiramente dedicada ao próprio aprimoramento e ao desenvolvimento do ser humano, fiel à promessa que fizera no seu segundo ano de vida. Em 18 de março de 2.000, aconteceu o lançamento de sua obra póstuma “Memórias (1.922-1.960)”, no Museu Histórico Abílio Barreto, confirmando assim sua participação na história de Belo Horizonte.

Sarvananda publicou os seguintes livros:

  • Yoga para Crianças, excelente guia para professores de yoga que desejam trabalhar com crianças;

  • Yoga em Casa, um guia perfeito para professores e pessoas que em algum momento não podem freqüentar uma escola; e

  • Androgonia (O que o homem é), indispensável a todos que querem embasar seus conhecimentos rumo a autorealização.

Palavras do Mestre Sarvananda:

 

“Yoga é um modo de ser interior e somente sente quem o vive intensamente”.

“A verdadeira imortalidade se encontra na vida interior.”

“Sem a prática da meditação (Dhyana), não há realização, e sem o silêncio interior não há meditação.”

“O tempo real é medido pela intensidade”.

“Evoluir é viver intensamente, e a base dessa evolução está no coração .”

“Harmonia é Ser e não Ter, portanto, é um estado abstrato do homem.”

“O silêncio representa a paz: física, dos pensamentos e das ações”.

"Onde há silêncio, há paz: lá está Deus “.
 

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(1.921-)

(José Hermógenes de Andrade Filho)

 

 

Professor Hermógenes

José Hermógenes de Andrade Filho, nasceu em 9 de março de 1921, em Natal, no bairro do Tirol, Rio Grande do Norte, em uma família pobre. Por volta dos 10 anos, teve uma experiência que ele considerou como o primeiro contato com os princípios do yoga, e que futuramente regeria toda a sua vida. Ao se banhar na beira do mar, foi puxado pela correnteza e quase afogou-se, não sabia nadar. De repente, viu um rapaz nadando em sua direção. O salvador lhe disse: "Não tente me ajudar nem me segurar. Simplesmente amoleça". Ele obedeceu. Entregou-se à circunstância e se deixou salvar. Naquele instante, Hermógenes aprendeu a lição da entrega: "fui aprendendo de mansinho a viver de forma suave e a aceitar de forma positiva as dificuldades que a vida me impõe, para poder transformá-las em aprendizado".

  D. Isaura (mãe), Hermógenes, Dorinha (irmã) e Moacir (irmão): 02/12/1944

D. Isaura (mãe), Hermógenes, Dorinha (irmã) e Moacir (irmão): 02/12/1944

Aos 20 anos, como não havia escolas superiores em Natal e não tinha recursos para estudar em outra cidade, Hermógenes decidiu fazer um curso na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde tinha hospedagem, estudo e alimentação. Casou-se Ione Maria. Em 1.945, já com duas filhas, Ana Lúcia e Ana Cristina, estava se preparando para ir à Itália, lutar na Segunda Guerra. Fazia parte da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Ele diz que sua mãe rezou tanto que a guerra acabou. Como tinha feito um curso de técnicas pedagógicas, começou a pensar em lecionar na Escola de Instrução Especial do Exército.

 

 Escola de Instrução Especial do Exército (Realengo - década de 1.940)

        Escola de Instrução Especial do Exército (Realengo - década de 1.940)

 

Entrou, então, na Escola Militar como Tenente da Cia. do 2º ano ginasial, professor de história e filósofo. Na mesma época, passou a vender seguros, como forma de ajudar na renda familiar. Era um buscador incessante da verdades mais profundas do Ser e algumas explicações em sua religião não o satisfaziam. Não conseguia abrandar a sua sede de compreender. Na década de 1.950, já capitão do Exército quase resignou-se a se contentar apenas com o aspecto litúrgico da religiosidade, procurando aceitar, sem no entanto compreender.

 

Professor Hermógenes

Então ele conheceu a Bhagavad G?t? e começou a perceber a Verdade: seu pedido estava sendo concedido. Na época, 1.955, publicou seu primeiro livro, "A Pergunta que Ensina", um método didático para ensinar História do Brasil. Todo o estresse que tinha tido com a preparação para a guerra, com a falta de dinheiro, com suas perguntas e angústias interiores... com tudo isso, começou a ter febrículas todo fim de tarde. Era 1.958 e ele tinha 35 anos. Sua voz também começou a desaparecer. Procurou um médico renomado, pagou caríssimo, e recebeu um diagnóstico errado.

Meses depois, seu dentista lhe mandou fazer um exame e uma radiografia para ver a possibilidade de tuberculose. Ainda era capitão do Exército quando, no fim dos anos 50, foi surpreendido por uma tuberculose, uma doença maldita naquela época... Seu médico lhe disse que seu pulmão estava todo comprometido! Teria de tomar medicamentos e iniciar o tratamento com injeções de ar no tórax, entre a massa pulmonar e a pleura: o pneumotórax.

A Bhagavad G?t? o deu tranqüilidade em relação às provações. Já estava praticando o Yoga espiritual e não sabia. Depois de uns dois anos, perguntou para seu médico quando poderia parar o pneumotórax. Ele não só lhe disse que estava longe da cura, mas que teria de fazer uma cirurgia! Fomos à cirurgia, num hospital em Jacarepaguá. O médico lhe comunicou que o procedimento, com entradas de catéteres no pulmão para cauterizar as feridas, teria de ser feito sem anestesia (na época feita com gases inflamáveis). Ele lhe disse que teria de suportar a dor sem gritar, sem se mover nem se defender. Teria de ficar imóvel.

Professor Hermógenes relata como foi:

"Fiquei segurando uma barra de ferro, enquanto ele furava minha caixa torácica dos dois lados. Uma dor terrível. O médico tinha me dito que iria demorar uns minutos, mas o tempo passava e não acabava. Senti um desejo enorme de morrer. Então, me lembrei do Bhagavad G?t?, que diz que nosso destino depois de deixar o corpo é determinado pelo nosso último pensamento. Aquelas pessoas que morrem dizendo o nome de  Deus vão para Deus. Comecei a falar o nome de Jesus. Nessa hora exata, o médico disse: 'Está terminado'. É nas horas de profundo sofrimento que você alcança a metanóia. Metanóia é uma palavra grega que significa 'mudar a direção da mente'”.

"Senti que uma provação daquele tamanho só poderia ser uma característica do esforço da volta. Voltei para casa, um calor tremendo na Tijuca. Resolvi me deitar em uma esteira velha no quintal. Só que não percebi que a esteira estava cheia de ácaros. Imagina? Comecei a espirrar. Não sabia se estava espirrando pelo nariz ou pela ferida no tórax. Caí de cama de novo. Quando levantei, dias depois, e passei diante do espelho, vi que estava adernado feito a Torre de Pisa. O médico me disse que era pleurisia, água no pulmão. Quando fiquei bom da pleurisia, tive de voltar ao tratamento com pneumotórax".

Teria que recomeçar novamente com as injeções de ar, mas quando compareceu para a primeira sessão e o médico enfiou a agulha, olhou estranhamente e disse que faria outra tentativa. No final o médico disse que tinha feito tantas investidas porque ele não poderia estar curado, pois ainda era cedo para isso. Mas ele estava curado! A explicação médica é que o líquido da pleurisia havia sarado a ferida no pulmão.

Sobre essa época Hermógenes conta:

"Meus pulmões pareciam casas de abelhas. Me atacou a laringe a ponto de me deixar afônico. Como o tratamento era à base de muita alimentação e muito repouso, quando terminou eu estava envelhecido e obeso, apesar de ainda estar na faixa dos 35 anos. O pior era o bloqueio psicológico e social que o médico me impôs. 'Você não pode ficar no sol, pegar sereno, ir à praia, fazer ginástica' e por aí afora. Até propôs que eu me aposentasse porque minha vida estava comprometida"...

"Quando saí da infecção, estava doente, em decorrência do tratamento: gordo, balofo, envelhecido, sem flexibilidade e, o pior, cheio de limitações. Não podia tomar chuva, nem tomar Sol, cuidado com isso, cuidado com aquilo.. cheguei à conclusão de que não era mais viver, era um semiviver, sem graça..."

Hermógenes no Exército

Hermógenes já era Major e se reformou como Tenente-coronel. Foi aí que ganhou um livro de Hatha Yoga (Yoga and Sports, de Elizabeth Haich e Selvarajan Yesudian), que ensinava uma série de posturas para melhorar a saúde física e espiritual. Com um autor indiano (Selvajaran Yesudian) e escrito em francês, o livro foi um manual "sem mestre", pois era extremamente claro. Assim, ele começou a praticar Hatha Yoga, como experiência, em silêncio e escondido, no chão frio do banheiro, pois assim ninguém o desaprovaria

Pensou: “Ou fico bom ou morro logo. A transformação em poucos meses foi tão espetacular que surgiu um novo ser daquela ruína. Senti o compromisso de dedicar o resto da minha vida a mostrar o mapa da mina aos outros". 

 

Professor Hermógenes

Aos poucos, Hermógenes começou a experimentar os efeitos benéficos da prática diária e, em alguns meses, sentiu-se renascido. Sua força e disposição retornaram, aumentava a amplitude de sua respiração, suas roupas já não serviam de tão frouxas e a boa cor retornava ao seu rosto: "descobri que o corpo não pode ser visto como outra coisa senão como um meio para se chegar a uma sabedoria maior".

Começou, então a dar aulas na garagem de uma aluna, devido ao crescente interesse em sua cura e rebilitação. Mergulhou nos livros de filosofia para, em 1.960, publicar um livro revolucionário para a época, o primeiro compêndio em português de Hatha Yoga: "Autoperfeição com Hatha Yoga", o primeiro manual do tipo publicado em língua portuguesa. Foi nessa época que conheceu Caio Miranda.

“Estudei muito para escrever. Não queria que o livro virasse objeto de riso dos profissionais, dos médicos... Ninguém falava em Yoga no Brasil. Eu estava sozinho nessa aventura fantástica”.

O livro causou rebuliço e Hermógenes começou a receber cartas de pessoas que insistiam para ele ampliar as suas aulas. Isso implicaria em sair da garagem de sua aluna e ter que cobrar pelas aulas. Ele diz que relutou muito, pois não queria "vender o Yoga".

"Uma amiga me disse que eu não vivia em uma caverna na Índia, logo teria de cobrar pelas aulas para pagar o aluguel e as despesas da escola."

 

Professor Hermógenes

Teve que ceder aos pedidos, pois o número de alunos não mais cabia na garagem. Então, um dia, um amigo lhe fez uma surpresa: o levou para conhecer um espaço no centro do Rio de Janeiro e comprometeu-se a pagar a mensalidade se o professor não conseguisse alunos (o que nunca foi preciso). Surgiu aí a Academia Hermógenes de Yoga, fundada em 1.962, que permanece até hoje no mesmo endereço, sem ter filiais ou propaganda.

Nessa época, Hermógenes conheceu Maria Bicalho, que viria a ser sua segunda esposa, e entrou em contato com os ensinamentos de Paramahansa Yogananda, autor do livro "Autobiography of a Yogi" (Autobiografia de Um Iogue). O livro foi originalmente lançado em 1.946 nos Estados Unidos e aqui no Brasil na década de 1.960 pela editora Sumus Editorial. Entretanto, a vendagem do livro no Brasil sempre foi  inexpressiva, não alcançando a 200 exemplares por ano, pois esse autor indiano tinha muito pouca divulgação no país. Incansável buscador, Professor Hermógenes se tornou kriyaban, recebendo iniciação na técnica de Kriya Yoga de Paramahansa Yogananda.

Professor Hermógenes

Aula Filosófica, nos jardins da Granja do Torto, Brasília, década de 1.970

Continuando sua busca e estudos, aprofundando seu conhecimento sobre o  San?tana Dharma (a Lei Eterna), e conheceu a Teosofia de Helena Petrovna Blavatsky. Sempre admirou a qualidade das traduções das escrituras indianas e da interpretação dada por autores teosóficos e acabou vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil, em 1.975: “Entendo a Teosofia pelo seu conceito original, essencial e verdadeiro. Vejo que ela é a mesma coisa que San?tana Dharma (ou Pr?jña). É a Lei Eterna, a sabedoria que liberta. A Teosofia arrumou minha cabeça e me ensinou a viver, simultaneamente, o Hinduísmo, o Budismo e o Cristianismo. Isso me facilitou a entender que as religiões são ramos diferentes de uma só árvore, que se alimenta de uma mesma seiva”.

 

 

Casamento Professor Hermógenes

Em 1.979 casa-se com Maria Bicalho, companheira inseparável, que passou a acompanhá-lo onde quer que fosse. Devota de Sathya Sai Baba, com ela viajou inúmeras vezes à Índia, onde teve a oportunidade de conhecer o mestre indiano.

Foi um dos primeiros a trazer a mensagem de Sathya Sai Baba para o Brasil e, posteriormente, traduzir três de seus livros ("O Homem dos Milagres"; "O Fluir da Canção do Senhor (Gita Vahini) e "SADHANA, o Caminho Interior") e fundar o primeiro centro dedicado ao mestre no Brasil. A sua aconteceu no dia 27 de junho em 1.987 e foi denominado Centro Bhagavan Sri Sathya Sai Baba do Rio de Janeiro. Mas apesar de seu nome oficial, acabou ficando informalmente conhecido como Centro Sathya Sai de Vila Isabel, devido ao bairro de sua localização. Em 1.993, numa de suas viagens para a Índia, Maria foi atropelada por um caminhão e, após o acidente, ficou com seqüelas neurológicas sérias.

Professor Hermógenes

Maria, minha esposa, é devota de Sai Baba, e, de fato, foi atropelada em frente ao ??ram. Onde está a proteção? Esse questionamento surge nas pessoas, naturalmente… 'Então Deus não tem poder ou não quer proteger uma devota?', indagam. Vejo que a maioria das pessoas está enganada supondo que de Deus só temos que receber benesses, benevolência, a mãozinha pelo cabelo, coisas boas. Não. Nós é que criamos nossas próprias dores e Deus, por misericórdia, nos deu a Lei do Karma, e não interfere nessa lei, a não ser para aliviar a dor de quem está sofrendo. Jesus Cristo foi muito claro ao dizer que o caminho é estreito. São Paulo disse que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus..."

"A primeira coisa que fiz foi entregar minha mulher a Deus. Segue este esquema: entrego, confio, aceito e agradeço. E entrei em estado de tranqüilidade. Se eu entrasse em pânico, o hospital iria tratar de dois, pois aos quase 72 anos eu poderia ter tido um enfarte, e outras tantas coisas. O fato ocorreu em janeiro e até agora não tive nada. Continuo administrando meu estresse, pois ela ainda está em recuperação. O pânico é o limite do estresse.

Maria teve mal de Alzheimer e morreu em fevereiro de 2.002, 8 anos e 8 dias após o acidente. Hermógenes dedicou os livros "Iniciação ao Yoga" e "Superação à Mulher", com essa frase que sempre usa em momentos difíceis: "entrego, confio, aceito e agradeço". E completa: "Maria a mim não pertencia, logo não a perdi. Temos mania de achar que possuímos as coisas e as pessoas. Uma tremenda ilusão. Quando percebemos isso, a vida fica mais leve"

 

Professor Hermógenes

Hoje, com seis netos e três bisnetos, o professor que começou escrevendo livros didáticos, em 1.955, tem um conjunto literário que já conta com mais de 30 livros, alguns editados no exterior, além da tradução de seis volumes de cunho filosófico e espiritualista. Publicou, entre outros, "Saúde na Terceira Idade" e "Yoga para Nervosos". Já perdeu a conta de seminários, aulas e palestras que fez no Brasil, em Portugal e na Argentina, onde, aliás, goza de um prestígio que julga maior do que em nosso país.

 

Professor Hermógenes

O professor Hermógenes recebeu a Medalha de Integração Nacional de Ciências da Saúde e o Diploma d'Onore no IX Congresso Internacional de Parapsicologia, Psicotrônica e Psiquiatria (Milão, 1.977), foi escolhido o Cidadão da Paz do Rio de Janeiro, em 1.988 e recebeu a Medalha Tiradentes em 8 de maio de 2.000, premiação conferida pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, pelo bem-estar e benefícios à saúde que as obras de José Hermógenes de Andrade Filho trouxeram para os brasileiros. O professor divide seu tempo entre a publicação de livros, a produção de artigos para a imprensa e teses para congressos científicos, e suas aulas, seja na forma de cursos ou seminários.

José Hermógenes de Andrade Filho é considerado o pioneiro em medicina holística no Brasil, com mais de 42 anos de prática e ensino de Yoga. Filósofo, poeta, escritor e terapeuta, o professor Hermógenes costuma dizer que se sente mais jovem hoje, aos 85 anos, do que se sentia aos 35. Doutor em Yogaterapia, título concedido pelo World Development Parliament, da Índia, é o criador do treinamento anti-stress.

 

Professor Hermógenes

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(1.924-)

(Jean Pierre Bastiou)

 

Jean Pierre  Bastiou

Jean Pierre Bastiou (Vasudev) nasceu em Paris, em 13 de março de 1.924. Seu pai Yves era amigo do brasileiro Santos Dumont. Graduou-se em Educação Física e em 1950 obteve o 4º Lugar no concurso de Mister Universo. Em 1.952, chega ao Brasil com algum conhecimento do Yoga dado por um indiano franzino que o procurara, na França, querendo pagar as aulas de fisicultura com aulas de Yoga. Abre uma academia de fisicultura e, anos depois, entra como monge no mosteiro Amo-Pax, fundado por ?r? Sevananda Svami, recebendo o nome de Hridayadasa. Lá recebeu uma vasta orientação espiritual, numa mescla de esoterismo, rosacrucionismo, teosofia, martinismo e Yoga.

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