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Extraído da Edição 262 - fev/2009 da Revista Superinteressante

Roberto Saviano contou 3600 pessoas mortas nos últimos 30 anos pela Camorra – a máfia de Nápoles. E, desde que publicou seu livro Gomorra, sobre o grupo criminoso, o jovem escritor de 29 anos tem se escondido para não entrar na lista.

E foi nessa condição que ele viu Gomorra se tornar um Best seller mundial. O sucesso,, aliás, não é só por a Camorra ser a maior organização criminosa da Europa, mas também por ela representar a nova estrutura do crime organizado. Sabe a hierarquia da Cosa Nostra, dos poderosos chefões que mandam em tudo? Ela não tem mais vez. A Camorra cresceu aberta a receber mais e mais clãs. O Crime Companhia Limitada virou Crime Sociedade Anônima. Eis a receita das máfias de hoje.

Essa transformação tem a ver com o que aconteceu no mundo no fim do século 20. A URSS ruiu e o liberalismo derrubou fronteiras. As comunicações ficaram mais fáceis. As viagens, mais baratas. O comércio internacional cresceu US$ 3,7 trilhões em 1993 para US$ 13,6 trilhões em 2007. E o alcance de suas atividades estendeu-se também. Mas com ele também foi globalizada a criminalidade. Nunca o crime organizado atravessou tantas fronteiras nem movimentou tanto dinheiro – 20% da economia mundial, segundo o venezuelano Moisés Naím, ex-diretor do Banco Mundial e autor do livro Ilícito. “Quando um traficante de drogas nepalês opera na Tailândia em nome de grupos nigerianos que refinam um produto em Lagos antes de exportá-lo para os EUA em bagagens de mulheres europeias, é quase certo que alguns dos envolvidos nessa seqüência estejam igualmente negociando outros bens – talvez peles de animais exóticos do Sudeste Asiático, cd’s piratas ou mão-de-obra infantil”, escreve Naím.

A desregulamentação do comércio não apenas fortaleceu os criminosos como enfraqueceu os que deveriam combatê-los. O lado B do fim da Guerra Fria são o tráfico de seres humanos, o de drogas e o de armas. As máfias do século 21 lucram com a ecologia, removendo lixo tóxico de indústrias, só que de um jeito especial. Saúde pública está no pacote. E a venda de armas, outro serviço do crime, dá mais lucros do que nunca – e permitiu uma aberração: um país oficialmente governado pela máfia.

Mas o crime organizado foi além do submundo e se infiltrou na economia legal. Seja numa roupa de grife, num cigarro, num xarope contra tosse, seja num caminhão de lixo, a Máfia S.A. já pode ter chegado até você.

ECOMÁFIA

O Triângulo da Morte está há poucos quilômetros de Nápoles. Lá, meninas menstruam aos 7 anos, ovelhas nascem com olhos abaixo da boca e as taxas de câncer são as mais altas da Itália. Graças à indústria do lixo industrial, dominada pela Camorra. Em 1988, a máfia forçou pela primeira vez caminhoneiros, que transportavam lixo tóxico a Nápoles, a pagar por proteção. Bom lucro, mas logo a Camorra sacou que ganharia muito mais controlando esse setor do que o extorquindo. Então abriu empresas de lixo. Enquanto uma de verdade cobrava US$ 1 para coletar cada quilo de tóxico, a máfia, mascarada com nomes como Ecoverde, cobraria apenas US$ 0,10. Ela só não precisaria informar que o caminhão ficaria numa usina de tratamento apenas o tempo suficiente para falsificar documentos. E logo despejaria o lixo como não-tóxico em aterros sanitários – ou no mar, rios e campos próximos a plantações e pastos. Bom para a indústria, bom para a máfia – mas péssimo para quem come a mussarela de búfala. Depois de pastarem em áreas contaminadas com dioxina, búfalas produzem leite tóxico. O consumo de queijo caiu 40% na Itália e países como Japão e Coréia do Sul barraram sua importação.

520 empresas na Itália mandam seu lixo tóxico para a máfia. Seis mil vacas foram sacrificadas na região italiana dea Campânia, em 2003, porque seu leite estava tóxico. Os pastos ficavam próximos a aterros clandestinos dominados pela máfia. A máfia trouxe tanto lixo do resto da Europa que, no natal de 2007, Nápoles declarou seus aterros sanitários cheios. Cem toneladas dos restos das déias de Natal e do Ano Novo viraram por semanas banquete fétido para ratos e insetos nas ruas da cidade.

Outra máfia do sul da Itália, a ‘Nidrangheta’, foi acusada em 2007 de traficar lixo nuclear de Itália, Suiça, França, Alemanha e EUA, nos anos 80 e 90. Por amor a sua terra, os mafiosos teriam preferido enviar o lixo para a Somália a enterrar na Calábria. Segundo o Programa Ambiental da ONU, são inúmeros  os carregamentos de lixo tóxico e nuclear que as praias da Somália recebem. E os barris enferrujados expõem o povo à radiação.

O SINISTRO PAÍS DOS GÂNGSTERS

Alguns países exportam petróleo, outros bananas. Já a Transnístria é especializada em bombas, metralhadoras, lançadores de foguetes, minas, mísseis anti-aéreos – alguns remanescentes dos tempos soviéticos, outros produzidos localmente por fábricas sem fiscalização. Após a queda da URSS, o 14º Exército russo permaneceu como uma força de paz na Transnístria – uma estreita faixa industrializada da miserável Moldávia, localizada ao longo da fronteira com a Ucrânia. Em 1992, ela se autodeclarou independente, e mesmo sem ser reconhecida por país algum, a protorrepública se apoderou de 42 mil peças do armamento soviético. Na Transnístria, “o Estado é a empresa criminosa, e vice-versa”, diz Naím. O presidente do lugar, Igor Smirnoff, está no cargo desde a independência, enquanto seu filho, Vladimir Smirnoff, fundou o principal time de futebol da Moldávia, o Scheriff FC. Para ele, bancou dois luxos: um belo estádio mais 3 jogadores brasileiros.

XAROPE DE RADIADOR DE CARRO

Outra ocasião em que o crime afetou a saúde pública foi em 2006 e 2007, quando 120 pessoas morreram no Panamá, depois de tomar xarope contra tosse. Tudo porque a Fábrica de Glicerina Taixing, localizada na China, vendia como glicerina uma solução de dietileno glicol, solvente industrial tóxico utilizado como anticongelante em automóveis. Enquanto a glicerina custava cerca de US$ 1.800, a solução adulterada saía por US$ 800. E foi ela que serviu de base para o xarope.

A venda de remédios falsos é responsável por 1% das vendas, nos países desenvolvidos, 10% nos países em desenvolvimento, 20% nos países da ex-URSS, 30% nos subdesenvolvidos e 50% na internet. A venda de remédios falsos deve render US$ 75 bilhões em 2010, o dobro de 2005.

O SENHOR DAS ARMAS

Viktor Bout é o típico empresário bem sucedido da globalização. Nascido no Tajiquistão (parte da ex-URSS), fala inglês, francês, português, uzbeque e várias línguas africanas – e sabe aproveitar oportunidades quando lhe aparecem. Seu ramo? Entregas. Era o mais versátil Office-boy do mundo. Frango congelado, tanques de guerra, flores, ajuda humanitária e fuzis Kalashnikovs. A oferta desses fuzis cresceu tanto que seu preço baixou de 15 vacas (cobrado há 20 anos atrás) para apenas 4 vacas.

Sua rede logística, com traficantes, empresas de transporte, financiadores e produtores de armas, que abasteceu guerras das selvas colombianas até o Iraque, rendeu a Bout centenas de milhões de dólares por mais de 15 anos, até ele ser preso na Tailândia.

Essa história tinha começado em 1991, quando Bout, formado em letras, foi parar em Angola como tradutor do Exército soviético. No mesmo ano, a URSS entrou em colapso e ele ficou desempregado, mas por pouco tempo. Ainda aos 25 anos, arranjou seus primeiros aviões de carga – 3 Antonovs velhos. O antigo bloco soviético estava cheio de arsenais abandonados, prontos para ele comprar e revender a governos instáveis, ditadores e gierrilhas pelo mundo.

Só na África, forneceria armas para, pelo menos, 15 países. Na guerra civil de Angola, o fato de ser aliado do governo não o impediu de entregar 20 mil bombas, 6.300 foguetes antitanques, 790 AK-47, 1.000 lançadores de foguetes  e 15 milhões de cartuchos de munição aos rebeldes da UNITA. Já no ex-Zaire, mandou um avião resgatar o ditador Mobutu Sese Seko, que fugia de rebeldes armados pelo próprio Bout.  Mas espera aí: se o contrabando sempre fez parte do mundo das armas, o que há de novo nisso? Tudo, afirma Moisés Naím: “o comércio de armamentos antes era dominado por governos que compravam de outros governos. Agora é dirigido por diversas redes de intermediários. Não se trata mais de um pequeno clube de trapaceiros, mas de uma ampla comunidade global”.

CIGARROS

Nenhum produto de consumo é mais contrabandeado que o cigarro, segundo a OMS. É fácil de transportar, tem custo de produção baixo e a maior parte do preço de venda é de impostos. É só tirar o governo da parada para ganhar uma fortuna. No Reino Unido, onde um maço custa aproximadamente US$ 10, contrabandistas ganham US$ 2 milhões a cada contêiner que entra no país.

O tráfico de cigarro surgiu como uma das atividades ilegais mais lucrativas e generalizadas nos países da ex-Iugoslávia nos anos 90. Fábricas legais nos EUA ou EU fabricavam cigarros para exportação – logo, sem pagar os altos impostos. De lá, iam a zonas de livre comércio na Holanda oou na Suíça. Lá eram vendidos a países com altos níveis de corrupção, como o Egito e o Uzbequistão, de onde sindicatos distribuíam a outras regiões.

Para abastecer o mercado europeu, aviões traziam o produto até Montenegro. Do porto de Bar, no sul do país balcânico, partiam todas as noites centenas de lanchas carregadas com cartelas de cigarros até Bari, no sul da Itália, onde a máfia continuava com a distribuição local. Mesmo com cada atravessador ganhando uma fatia do preço, os pacotes chegavam ao mercado negro europeu 50% mais baratos que os que pagavam impostos. Esse esquema chegou a ser responsável por 60% do PIB de Montenegro nos anos 90. O contrabando de cigarro pode parecer café pequeno, comparado ao tráfico de drogas, mas quase 700 zonas de livre comércio do mundo são usadas como portos seguros para o armazenamento e transporte de cigarros contrabandeados. E, uma vez que a rota é estabelecida (com os devidos subornos já acertados com as autoridades locais), as portas ficam escancaradas para outras atividades. Em 2007, por exemplo, a polícia da Macedônia encontrou 483 quilos de cocaína pura num caminhão que cruzava a fronteira com Kosovo. Vindo da Venezuela, o pó tinha entrado nos Balcãs pelo porto de Bar, em Montenegro, e seguiria até a Grécia para ganhar o mercado da União Europeia. Na Sérvia, a empresa proprietária desses caminhões era fornecedora de cigarro e álcool para lojas duty-free.

COCAÍNA

Na década de 1980, os jovens americanos que passaram seus 20 anos protestando contra a Guerra no Vietnã, deram um chega prá lá no paz e amor e tomaram gosto pelo dinheiro. Eram os yuppies – executivos cheios de grana que deixaram de ter filhos para dirigir sedãs alemães e viver à noite o glamour regado a champanhe – e polvilhado a cocaína, antes exclusiva aos obscenamente ricos.

Com vizinhos produtores tradicionais de coca, conhecimento técnico para processá-la em cocaína e redes de distribuição estabelecidas (fornecia maconha antes de os americanos começarem a produzir a sua própria nos anos 60), a Colômbia viu nessa demanda estratosférica uma oportunidade de ouro. Formaram-se dois cartéis em Medellín e outro em Cali que, em 1982, se reuniram e dividiram o mercado americano entre si: Nova York era dos irmãos Rodríguez Orejuela (Cali), enquanto Los Angeles era de Ochoas e Miami de Pablo Escobar, ambos de Medellín.

Enquanto Escobar, 7º homem mais rico do mundo em 1989, ficou conhecido por sua brutalidade, os irmãos Orejuela conseguiram transformar seu cartel numa atividade altamente profissional. Tinham 700 aeronaves, controlavam o aeroporto, a telefonia e os táxis de Cali, compravam bancos, proteção do governo e uma rede de farmácias inteira – Drogas La Rebaja – para poder adquirir produtos químicos usados no refino. Em 1993, Escobar foi morto por autoridades colombianas. Dois anos depois, sete chefes do cartel de Cali foram presos. Mas, acéfalos, esses cartéis se fragmentaram e deram espaço a outros menores. Com isso, o fornecimento se manteve e os preços caíram pela metade.

Sem conseguir combater o tráfico, os EUA decidiram atacar a produção. Entre 200 e 2006, gastaram US$ 5 bilhões  com o plano Colômbia, com o objetivo de reduzir pela metade a produção de narcóticos. Resultado? Ela cresceu 15% no período, justamente por causa da sofisticação do tráfico: hoje os colombianos usam minis-submarinos de 10 metros de comprimento, difíceis de serem detectados pelas guardas costeiras, cada um com capacidade para sete toneladas de cocaína. Enquanto a Colômbia responde por 50% da cocaína consumida mundialmente, 30% vem do Peru, 15% da Bolívia.

HEROÍNA

Um quilo de ópio vale US$ 82 para as 509 famílias camponesas do sul do Afeganistão, que produzem 92% dessa droga no mundo. Ela vai para a fabricação de heroína – que é basicamente ópio concentrado. Depois de ser processado em 100 gramas de heroína, atravessar o Irã, os Bálcãs e uma série de intermediários, aquele quilo de ópio chega à União Européia valendo US$ 25 mil. A droga é responsável por 57% do PIB do Afeganistão – enquanto a cocaína responde por 3% do PIB colombiano.

MACONHA

A maconha é a droga mais consumida, com 165,5 milhões de usuários, e a mais produzida, com 41,2 mil toneladas por ano. No entanto, com a produção pulverizada em 172 países que a distribuem localmente, ela não passa por rotas internacionais parecidas com as da cocaína e da heroína. A melhor maconha do mundo é a BC Bud, do Canadá, cuja produção move US$ 6 bilhões anuais e emprega 100 mil pessoas.

MERCADORIA VIVA

Oitocentos mil pessoas são traficadas por ano, rendendo US$ 31,7 bilhões no mundo todo, sendo que 43% do tráfico é para prostituição, 32% para trabalhos forçados e outros 25% para destinos diversos: remoção de órgãos e partes do corpo, casamento forçado, adoção ilícita, exploração no exército e conflitos armados.

A escravidão não acabou: mafiosos internacionais contrabandeiam mulheres e as forçam a trabalhar como prostitutas. O crime organizado globalizou a prostituição. Hoje, 80% das profissionais de Londres, por exemplo, foram trazidas do exterior por traficantes – parte delas, involuntariamente. E isso se repete por outras cidades de países desenvolvidos. A maioria das vítimas do tráfico de seres humanos é recrutada em países do ex-bloco soviético, África Ocidental e Sudeste Asiático. Lá são abordadas pessoalmente tanto em baladas e bares quanto por conhecidos da família ou de amigos, com promessas de trabalho em países ricos. Às vezes escondidas em porta-malas de carros e contêineres de navio, às vezes aportam ás claras mesmo, seja com documentos verdadeiros, seja com falsos. No país de destino, são vendidas à indústria da prostituição. Sem grana, documentos, parentes ou conhecimento da língua, endividadas e ameaçadas, as vítimas dependem completamente dos cafetões, que tiram de US$ 5 mil a US$ 10 mil mensais por mulher nos bordéis.

Mas a prostituição é apenas uma das faces do comércio de seres humanos. Há também o contrabando de imigrantes ilegais, em que o cliente paga o contrabandista por sua travessia. Ao fim da jornada, pode passar um período de servidão para acertar sua dívida. É o trabalho dos shetou (cabeças de serpente) chineses, que cobram em média US$ 20 mil para trazer um camponês da China a cidades como Londres e Nova York. Não pense nos mafiosos dos filmes de Hong Kong, mas, sim, em agentes de viagem que incluem no serviço a entrada ilegal no país de destino. Para milhares de chineses que lotam cidades da Europa e da América do Norte, esses contrabandistas não são bandidos, mas heróis.

COMÉRCIO DE ÓRGÃOS

Em 2003, o vigilante recifense Alberty J. da Silva, então com 38 anos, desempregado, morador de favela e filho de ‘uma mulher que vendia sua carne’, foi parar na África do Sul para comercializar um de seus rins por US$ 6 mil. Quem o abordou foram Gedalya Tauber, ex-policial israelense, e Ivan Bonifácio da Silva, ex-capitão da PM de Pernambuco, que pagaram exames médicos, arranjaram passaportes e compraram passagens aéreas. Enquanto isso, em Nova York, o marido de uma mulher de 48 anos – 15 deles fazendo hemodiálise – entrava em contato com amigos de Israel que lhe falaram de um grupo que traficava rins. Comandado por Irlan Peri, o grupo já tinha organizado a transferência de órgãos para pelo menos 100 israelenses. A coisa soava estranha, mas era a única saída para sua mulher.

Alberty da Silva e a paciente encontraram-se no Hospital St. Augustine, em Durban, África do Sul. Ele só sacou que havia algo de ilegal quando assinou um papel dizendo que seu rim iria para um primo. “A maioria das vítimas de tráfico de rins é coagida pela necessidade, e não pela força física”, dia a antropóloga Nancy Scheper-Hughes, uma especialista no assunto da universidade da Califórnia. Pacientes compram órgãos de doadores desesperadamente miseráveis. O receptor paga uma fortuna (até US$ 200 mil) e o doador recebe uma mixaria (US$ 5 mil). A diferença de preços alimenta redes internacionais que envolvem não só criminosos profissionais, mas também médicos, administradores de hospitais e agentes de viagem.

Mas o que há de errado nisso? Em geral, as vítimas desse tipo de tráfico doam os órgãos com consentimento. Essa foi a justificativa do governo chinês quando a Sociedade Britânica de Transplantes denunciou a venda de órgãos de milhares de presos executados na China (antes de morrer, eles teriam permitido a remoção, diz o governo). Só que tem um problema: os traficantes não avisam sobre as conseqüências da falta do órgão, claro.

TARANTELA GLOBAL

Os mafiosos italianos estão ligados mais pelo dinheiro que por laços familiares. Como diz Roberto Saviano: “em vez de alianças diplomáticas e pactos estáveis, como antes, os clãs operam agora mais como comitês de negócios”. As máfias continuam concentradas no sul do país, embora 35% dos italianos morem lá, a região recebe apenas 0,7% dos investimentos externos da nação. Ainda assim, o lugar está superconectado com o mundo – o mundo do crime. A Camorra domina o Porto de Nápoles, onde entram 1,6 milhão de toneladas de mercadorias chinesas registradas – e outro milhão de não registradas, que se espalham depois pelo resto da Europa. Até na alta-costura ela está metida. A China pode ter acabado com a competitividade em mercadorias de qualidade média e baixa, mas no mundo do luxo não há concorrência para os italianos. A moda desenhada em Milão muitas vezes é costurada em oficinas de 10 pessoas na pobre Nápoles, com salários entre € 500 e € 900. E a Camorra logo sacou que poderia usar essa indústria para lucrar. Ela trouxe para seu lado costureiros e negociadores de tecidos que passaram toda a vida trabalhando para as grandes marcas. Com os mesmo materiais e a mesma mão-de-obra, a máfia pôde produzir roupas idênticas às das marcas, mas sem seus gastos com marketing e impostos. Usando suas rotas de distribuição de drogas e comprando lojas, dominou a cadeia de produção e venda de falsificações perfeitas.

 

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