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Leia abaixo a íntegra de artigo do músico e ativista político Anti-Sionista Gilad Atzmon sobre recentes estudos históricos a respeito da origem e da história do povo Judeu.
 
Gilad Atzmon (Hebraico: ???? ??????, nasceu em 9 de Junho de 1963 em Tel Aviv, em uma família Israelense laica) atualmente mora em Londres. Estudou na Rubin Academy of Music em Jerusalém. Durante seu serviço militar no Exército Israelense convenceu-se de que Israel havia se tornado um Estado Militarista controlado por extremistas religiosos. Em 1994 Atzmon emigrou de Israel para Londres, onde estudou filosofia.

Ele toca o sax alto, tenor e barítono, bem como clarineta, sol, zuma e flauta. Seu estilo de jazz é classificado como free jazz e swing, inspirado por John Coltrane e Miles Davis. Sua música também explora os sons do Oriente Médio, África do Norte e Europa Oriental.

É também romancista, com livros traduzidos em 22 línguas. Seu primeiro romance, A Guide to the Perplexed, publicado em 2001, se passa em um futuro próximo em que Israel deixou de existir. Atzmon denuncia a "comercialização do Holocausto" e diz que "o Holocausto é usado como uma propaganda refletora para proteger o Estado Sionista de responsabilidade em qualquer transgressão contra os Palestinos". O livro foi descrito como "uma sátira vividamente escrita, imbuída de um picaresco senso de humor e uma crítica implacável do caldeirão político do Oriente Médio". A versão original em Hebraico foi indicada para o Prêmio Geffen de 2003 em Ficção Científica em Israel.

Seu segundo romance foi My One and Only Love publicado em 2005.

Atzmon é um Anti-Sionista que critica as questões relativas à Identidade Judaica e apóia o Direito Palestino ao Retorno e o estabelecimento de um único Estado em Israel/Palestina. Entre as publicações onde seus artigos políticos são publicados estão Counterpunch, Al Jazeera, Uruknet, Middle East On Line, Dissident Voice. Vários de seus artigos podem ser encontrados em seu site. Vale a pena visitar, lá você ouve ele tocando, lê seus artigos, e o conhece melhor.

É co-fundador e contribuidor do site Palestine Think Tank, lançado em Maio de 2008. O site publica artigos e vídeos defendendo a idéia de que "Sionismo é Errado. Sionismo é racismo. Se o Sionismo prevalecer, isto significa a limpeza étnica do povo nativo da Palestina".

Em seu artigo para CounterPunch em 2003 intitulado "Collective Self-Deception: The Most Common Mistakes of Israelis" Atzmon mostra em detalhe dez conceitos que considera "erros graves, e fatais". Ele diferencia os Judeus que rejeitaram estes conceitos nacionalistas dos "Israelenses" que cegamente aceitam "uma das visões do mundo mais chauvinistas" e que acredita "faz com que os Israelenses sejam um impossível candidato a qualquer forma de negociação pacífica". Assim, propõe um movimento gradual de boicotes e pressões.

Ele recomenda que os Estados que "proíbem anti-Semitismo, propaganda neo-Nazista e qualquer outra forma de atividade racista" deveriam considerar "adicionar atividades Sionistas a sua lista de atividades proibidas".

Em Outubro de 2008 Atzmon escreveu um artigo a fim de "mostrar o horroroso complô tribal que acidentalmente levou à destruição do Império Americano de da hegemonia financeira Ocidental".

Relata diversas "Operações políticas tribais Judaicas" e conclui: "Pode-se questionar a esta altura se vejo a crise de crédito como um complô Sionista. Na verdade é o oposto. É um acidente Sionista. O paciente não sobreviveu até o final. Este acidente Sionista é uma fresta na sinistra agenda do Sionismo Político. Este acidente Sionista nos dá a oportunidade de ver que no que se refere à miséria, estamos junto com os Palestinos, os Iraquianos e os Afegãos. Temos um inimigo comum" .


Gilad Atzmon - O Mito do Judeu Errante

O historiador Shlomo Sand, professor da Universidade de Tel-Aviv, inicia seu brilhante estudo do nacionalismo Judeu citando Karl W. Deutsch: "Uma nação é um grupo unido por um erro comum sobre sua origem e uma hostilidade coletiva para com seus vizinhos" [1].

Por mais simples ou simplista que pareça, essa citação resume com eloqüência a distorção da realidade que se encontra emaranhada no nacionalismo Judeu moderno e, sobretudo, no conceito de identidade Judaica. É claro que mostra o erro coletivo que os Judeus tendem a cometer cada vez que se referem a seu "ilusório passado coletivo" e a sua "origem coletiva". Ao mesmo tempo, a leitura que Deutsch faz do nacionalismo traz à tona a hostilidade que, infelizmente, está incorporada em quase todos os grupos Judeus com respeito à realidade que os rodeia, social ou territorial.

Embora a brutalidade com que os Israelenses tratam os palestinos é algo já fartamente conhecido, o áspero tratamento que os Israelenses reservam para sua "terra prometida" e sua paisagem só agora começa a se revelar. O desastre ecológico que os atuais Israelenses vão deixar será a causa do sofrimento de muitas gerações futuras. Deixando de lado o muro megalomaníaco que divide a Terra Santa em enclaves de degradação e fome, Israel conseguiu contaminar seus principais rios e riachos com resíduos nucleares e químicos.

When And How the Jewish People Was Invented [Quando e como foi inventado o povo Judeu] é um estudo acadêmico escrito pelo professor Shlomo Sand, um historiador Israelense. Trata-se da análise mais séria já publicada sobre o nacionalismo Judeu e, de longe, o estudo mais corajoso do discurso histórico Judaico.

Em seu livro, Sand consegue provar que o povo Judeu nunca existiu como "raça-nação" e nunca compartilhou uma origem comum. Pelo contrário, constituem uma colorida mistura de grupos que em várias etapas da história adotaram a religião Judaica.

O leitor então se pergunta: "Quando foi inventado o povo Judeu?" e a resposta de Sand é bastante simples: "Em algum momento do século 19, alguns intelectuais de origem Judaica na Alemanha, influenciados pelo caráter mítico do nacionalismo alemão, assumiram a tarefa de inventar "retrospectivamente" um povo, ansiosos por criar um povo Judeu moderno" [2].

Assim, o "povo Judeu" é uma noção artificial formada por um passado fictício e imaginário com muito pouca substância que o respalde sob o ponto de vista antropológico, histórico ou documental... Além disso, Sand – que utilizou fontes primordiais da antiguidade – chega à conclusão de que o exílio Judeu é também um mito e de que é muito mais provável que os palestinos atuais sejam os descendentes do antigo povo semita da Judéia/Canaã, do que a multidão de Asquenazes de origem Kazar à qual ele reconhece pertencer.

O surpreendente é que, apesar de Sand desmontar a noção de "povo Judeu", destruir a noção de "passado coletivo Judeu" e ridicularizar o ímpeto chauvinista nacional Judeu, seu livro é um best-seller em Israel. Este fato mostra que aqueles que chamam a si próprios "Povo Do Livro" estão começando a se dar conta das filosofias e ideologias enganosas e devastadoras que os converteram no que Khalid Amayreh e muitos outros consideram como os "Nazistas De Nosso Tempo".


Hitler triunfou

Freqüentemente, quando se pergunta a um Judeu "laico" e "cosmopolita" o que é que o faz Judeu, se recebe uma resposta simplória: "Foi Hitler que me fez Judeu". Mesmo o Judeu "cosmopolita", internacionalista, que critica as inclinações nacionalistas de outros povos, insiste em manter seu próprio direito à "autodeterminação".

E, no entanto, na verdade não é ele que se encontra no centro desta exigência ímpar de uma orientação nacional, e sim o diabo, o Arqui-Monstro anti-semita, Hitler. Aparentemente, o Judeu cosmopolita celebra seu direito ao nacionalismo enquanto pode transferir a culpa a Hitler.

No que concerne ao Judeu laico cosmopolita, afinal Hitler triunfou. Sand consegue realçar este paradoxo. Com perspicácia sugere que "enquanto que no século 19, referir-se aos Judeus como "uma identidade racial diferente" era um sinal de anti-semitismo, no Estado Judeu esta mesma filosofia está mental e intelectualmente enraizada [3].

Em Israel, os Judeus celebram sua diferença e suas condições únicas. Além do mais, diz Sand, "houve momentos na Europa em que era possível ser tachado de anti-semita por dizer que todos os Judeus pertencem a uma nação diferente. Hoje em dia, afirmar que os Judeus nunca foram e nem são um povo ou uma nação fará com que você seja acusado de ódio aos Judeus." [4]

É surpreendente que o único povo que conseguiu manter e preservar uma identidade nacional racialmente orientada, expansionista e genocida, que não se diferencia em nada da ideologia étnica Nazista, sejam os Judeus, que foram, entre outros, as principais vítimas da ideologia e da prática Nazistas.

Nacionalismo em geral e nacionalismo Judeu em particular Louis-Ferdinand Celine mencionou que durante a Idade Média, durante os intervalos entre as guerras, os cavaleiros cobravam um alto preço por estar dispostos a morrer em nome de seus reinos, enquanto que no século 20 os jovens não hesitam em morrer em massa, e sem pedir nada em troca. Para entender esta mudança na consciência de massas é necessário um modelo metodológico eloqüente que nos permita entender em que consiste o nacionalismo.

Da mesma forma que Karl Deutsch, Sand considera a nacionalidade como um discurso ilusório. É um fato estabelecido que os estudos antropológicos e históricos das origens de diferentes "povos" e "nações" conduzem à embaraçosa desintegração de qualquer etnia ou identidade étnica. É interessante constatar que os Judeus tendem a levar muito a sério seu próprio mito étnico. A explicação pode ser simples, como Benjamin Beit Halachmi mostrou há anos. O Sionismo permite transformar a Bíblia de um texto espiritual a ser um "Escritura de Terras". Assim, a verdade da Bíblia ou de qualquer outro elemento da narrativa histórica Judaica tem pouca relevância, contanto que não interfira com a causa ou com a prática política nacional Judaica.

Pode-se imaginar que a ausência de uma clara origem étnica não impede que se tenha um sentido de pertinência étnica ou nacional. O fato de os Judeus estarem longe de ser um Povo e da Bíblia ser um texto muito limitado em relação à verdade histórica não impede que gerações de Israelenses e Judeus se identifiquem com o rei David ou com o gigante Sansão. Evidentemente a ausência de uma origem étnica inequívoca não impede que as pessoas se considerem parte de um povo. De forma análoga, não impede que o Judeu nacionalista tenha a sensação de pertencer a uma grande coletividade abstrata.

Nos anos setenta, Shlomo Artzi, na época um jovem cantor Israelense que se tornaria a maior estrela de rock de Israel, gravou uma canção que se tornou sucesso retumbante em poucas horas. Eis aqui os primeiros versos:

De repente

Um homem desperta

Pela manhã

Sente que é povo

E começa a andar

E a todos que encontra

Ele diz Shalom

Até certo ponto Artzi expressa inocentemente em seus versos como foi brusca e quase eventual a transformação dos Judeus em um povo. Mas ao mesmo tempo Artzi contribuiu para a ilusão do mito nacional da nação que busca a paz. Artzi já deveria saber que o nacionalismo Judeu era uma ação colonialista à custa do povo autóctone palestino.

O nacionalismo, a pertinência nacional e o nacionalismo Judaico em especial tornam-se um importante desafio intelectual. É interessante que os primeiros a analisar teórica e metodicamente as questões relativas ao nacionalismo foram os ideólogos Marxistas. Embora o próprio Marx não tenha conseguido tratar o assunto adequadamente, os movimentos revolucionários do começo do século 20 com suas reivindicações nacionalistas na Europa Oriental e Central apanharam Lênin e Stalin despreparados.

A contribuição marxista para o estudo do nacionalismo pode ser considerada como o foco da enorme correlação entre o crescimento da economia liberal e a evolução do estado nacional [5]. Stalin conseguiu resumir a posição marxista: "A nação", disse, "é uma sólida colaboração entre seres, criada historicamente e formada segundo quatro fenômenos significativos: uma mesma língua, um mesmo território, uma mesma economia e uma mesma interpretação psíquica..." [6].

Como seria de esperar, a tentativa materialista marxista de compreender o nacionalismo carece de uma visão histórica adequada. Na ausência desta se baseia na luta de classes. Por razões óbvias, esta visão foi muito popular entre aqueles que crêem no "socialismo de uma nação", entre os quais podemos incluir os adeptos de um ramo esquerdista do Sionismo.

Para Sand, o nacionalismo evoluiu devido ao "arrebatamento criado pela modernidade que afastou as pessoas de seu passado imediato" [7]. A mobilidade criada pela urbanização e pela industrialização pulverizou o sistema hierárquico social, bem como a continuidade entre passado, presente e futuro. Sand assinala que antes da industrialização o camponês feudal não sentia obrigatoriamente a necessidade de um discurso histórico de impérios e reinos. O homem feudal não necessitava de um abstrato discurso histórico sobre grandes coletividades, que tinham muito pouca importância para suas necessidades existenciais imediatas e concretas. "Sem uma percepção de progressão social, eles se contentavam com um relato religioso imaginário que continha um mosaico de histórias sem dimensão real de tempo em progressão.

O 'fim' era o princípio e a eternidade ligava a vida e a morte" [8]. No mundo urbano moderno e laico, o "tempo" tornara-se o principal veiculo da vida para ilustrar um sentido simbólico imaginário. O tempo histórico coletivo havia se convertido no ingrediente elementar do pessoal e do íntimo. O discurso coletivo dá forma à significação pessoal e ao que parece ser "real". Por mais que mentes simplórias ainda insistam que "o pessoal é também político", seria muito mais inteligível afirmar que na prática ocorre exatamente o contrário. Na condição pós-moderna, o político é pessoal e o sujeito é falado, em vez de falar por si mesmo. A autenticidade é um mito que reproduz a si mesmo sob a forma de um identificante simbólico.

A leitura feita por Sand do nacionalismo como produto da industrialização, da urbanização e da laicidade tem muito sentido se consideramos a sugestão de Uri Slezkin, de que os Judeus são os "apóstolos da modernidade", da laicidade e da urbanização. Se os Judeus se vêem no centro da urbanização e da laicidade, não deveria ser surpresa que os Sionistas fossem tão criativos como outros ao inventar seu próprio relato coletivo imaginário. No entanto, ao insistir em seu direito de ser "como qualquer outro povo", os Sionistas conseguiram transformar seu passado coletivo imaginário num programa global, expansionista e impiedoso, e na maior ameaça para a paz mundial.


Não existe uma história Judaica

É um fato estabelecido que entre o século 1 e o início do século 19 não se escreveu sequer um único texto histórico Judaico. O fato de que o Judaísmo se baseia em um mito histórico religioso pode ter algo a ver com isto. A tradição Rabínica nunca se preocupou em investigar adequadamente o passado Judaico. É provável que uma das razões seja a ausência de necessidade em empreender tal esforço metódico. Para os Judeus que viviam na Antiguidade e na Idade Média, a Bíblia era suficiente para responder às perguntas mais relevantes para a vida diária, o significado e o destino Judaico. Como assinala Shlomo Sand, "o tempo cronológico laico era alheio ao 'tempo da Diáspora', determinado pela espera da chegada do Messias".

No entanto, à luz da laicidade, da urbanização e da emancipação alemãs, e devido à redução da autoridade dos líderes Rabínicos, surgiu a necessidade de uma causa alternativa entre a nascente intelectualidade Judaica. O Judeu emancipado se perguntava quem era de onde vinha. Também começou a especular sobre seu papel numa sociedade Européia cada vez mais aberta.

Em 1820, o historiador Judeu alemão Isaak Markus Jost (1793 – 1860) publicou a primeira obra histórica séria sobre os Judeus, intitulada "The History of the Israelites". Jost evitou os tempos Bíblicos, e preferiu iniciar sua viagem com o Reino da Judéia, e também coletou uma narrativa histórica para as diversas comunidades Judaicas no mundo. Jost percebeu que os Judeus de sua época não formavam uma continuidade étnica. Viu que os Israelitas de diversos lugares eram diferentes. Então achou Daí que não haveria nada que pudesse impedir a total assimilação dos Judeus. Jost acreditava que conforme os princípios do Iluminismo, tanto os alemães como os Judeus dariam as costas à opressiva instituição religiosa e formariam uma saudável nação baseada num crescente sentido de pertinência orientado geograficamente.

Embora Jost soubesse da evolução do nacionalismo Europeu, seus discípulos Judeus ficaram bastante descontentes com sua otimista leitura liberal do futuro Judaico. "A partir do historiador Henrich Graetz, os historiadores Judeus começaram a mostrar a história do Judaísmo como a de uma nação que havia sido um 'reino', expulsa para o 'exílio', que se converteu em um povo errante e finalmente regressavam a sua terra natal" [9].

Para o falecido Moses Hess o que definiria a forma de Europa seria uma luta racial e não uma luta de classes. Então, os Judeus deveriam refletir sobre sua herança cultural e sua origem étnica. Para Hess, o conflito entre Judeus e gentios era o produto da diferenciação racial, ou seja, algo inevitável.

O caminho ideológico que vai da orientação racista pseudo-científica de Hess até o historicismo Sionista é bastante óbvio. Se os Judeus formam uma entidade racial diferente (como acreditavam Hess, Jabotinsky e outros), devem então buscar sua pátria natural, e esta não é outra que Eretz Yizrael. É claro que o raciocínio de Hess sobre uma continuidade não era aprovado cientificamente. A fim de manter o nascente discurso imaginário, era necessário erguer um mecanismo de negação bem orquestrado a fim de assegurar que alguns fatos embaraçosos não interferissem com a emergente criação nacional.

Sand sugere que o mecanismo de negação foi algo orquestrado e muito bem planejado. A decisão da Universidade Hebraica, nos anos trinta, de separar História Judaica da História Geral, em dois departamentos diferentes, foi mais que uma questão de conveniência. O princípio na base desta divisão é realçar a auto-realização Judaica. Para os acadêmicos Judeus, a condição e a psique Judaicas eram algo único que deveria ser estudado separadamente. Aparentemente, mesmo no interior do meio acadêmico Judaico, os Judeus, sua história e a percepção de si mesmos têm um status supremo. Como Sand assinala de forma perspicaz, nos departamentos de Estudos Judeus o pesquisador fica disperso entre o mitológico e o científico, enquanto o mito mantém sua primazia. Mas freqüentemente acaba em um dilema provocado por "pequenos fatos tortuosos".


O novo Israelense, a Bíblia e a Arqueologia

Na Palestina, os novos Judeus, mais tarde Israelenses, estavam determinados a usar o Antigo Testamento e transformá-lo no código unificado do futuro Judeu. A "nacionalização" da Bíblia iria implantar nos jovens Judeus a idéia de que são os descendentes diretos de seus grandes antepassados da Antiguidade. Levando em conta que o nacionalismo era um movimento principalmente laico, se extirpou o significado espiritual e religioso da Bíblia. Ela passou a ser considerada como um texto histórico que descrevia uma cadeia real de acontecimentos no passado.

Os Judeus que haviam conseguido matar o seu Deus aprenderam a crer em si mesmos. Massada, Sansão e Bar Kochva tornaram-se grandes narrativas suicidas. À luz de seus heróicos antepassados, os Judeus aprenderam a amar a si mesmos tanto como a odiar os outros, mas agora possuíam a capacidade militar de infligir uma dor real aos seus vizinhos. Mais preocupante era o fato de que em lugar de uma entidade sobrenatural – ou seja, Deus – que lhes ordenava invadir um território, levar a cabo um genocídio e roubar a "Terra Prometida" a seus habitantes autóctones, em seu renascido projeto nacional eram eles mesmos, Herzl, Jabotinsky, Weitzman, Ben Gurion, Sharon, Peres, Barak, que decidiam expulsar, destruir e matar. Em vez de Deus, eram os Judeus que matavam em nome do povo Judeu. Fizeram-no com símbolos Judeus decorando seus aviões e seus tanques. Cumpriram ordens que lhes davam na língua de seus antepassados recentemente restaurada.

É surpreendente que Sand, sem dúvida alguma um lúcido historiador, não menciona que o seqüestro Sionista da Bíblia foi na verdade uma desesperada resposta Judaica ao inicio do Romantismo Alemão. No entanto, por mais que os filósofos, poetas, arquitetos e artistas alemães estivessem estética e ideologicamente excitados pela Grécia pré-socrática, sabiam muito bem que não eram exatamente filhos e filhas do Helenismo. O nacionalista Judeu deu um passo além, integrou-se numa cadeia sangüínea imaginária com seus míticos antepassados, e logo havia ressuscitado sua antiga língua. Em lugar de ser uma língua sagrada, o Hebraico havia se convertido em uma língua falada. O Romantismo Alemão nunca chegou tão longe.

Os intelectuais alemães durante o século 19 estavam perfeitamente conscientes da distinção entre Atenas e Jerusalém. Para eles, Atenas era o universal, o capítulo épico da humanidade e do humanismo. Jerusalém era, pelo contrário, o grande capítulo da barbárie tribal. Jerusalém era a representação de um Deus banal, não-universal, monoteísta e impiedoso, capaz de matar velhos e crianças. A era do Romantismo Alemão nos legou Hegel, Nietzsche, Fichte e Heidegger e uns poucos Judeus que odiavam a si mesmos, o mais importante sendo Otto Weininger. Os Jerusalenistas não nos legaram um só pensador ideológico importante. Alguns acadêmicos Judeus Alemães de segunda categoria tentaram pregar Jerusalém na Academia germânica, entre eles Herman Cohen, Franz Rosenzveig e Ernst Bloch. Obviamente, não notaram que eram exatamente os traços de Jerusalém no Cristianismo que os Românticos Alemães desprezavam.

Em seu esforço por ressuscitar "Jerusalém", a arqueologia foi usada para proporcionar a necessária base "científica" ao Épico Sionista. A arqueologia unificava os tempos Bíblicos com o momento da restauração. É provável que o momento mais surpreendente dessa estranha tendência ocorreu em 1982 com a "cerimônia do enterro militar" dos ossos de Shimon Bar Kochva, um rebelde Judeu que havia morrido 2000 anos antes. Dirigido pelo Rabino Militar Chefe, realizou-se o enterro militar televisionado de alguns ossos encontrados numa caverna próxima ao Mar Morto. Na prática, os supostos restos de um rebelde Judeu do século I foram tratados como se fosse uma baixa do Exército Israelense. Ficou claro que a arqueologia tinha uma função nacional, era usada para consolidar o passado e o presente, deixando fora o Galut, o exílio Judeu.

O surpreendente é que não passou muito tempo antes que as coisas mudassem completamente. À medida que a investigação arqueológica foi se tornando independente do dogma Sionista, a embaraçosa verdade apareceu. Era impossível demonstrar a veracidade do relato bíblico com descobertas arqueológicas. Na verdade, a arqueologia refuta a historicidade do relato bíblico. As escavações revelaram este incômodo fato. A Bíblia é um compêndio de criativa literatura de ficção. Como Sand assinala, a história bíblica Antiga está cheia de Filisteus, Arameus e camelos. O embaraçoso é que as escavações demonstram que os Filisteus não apareceram na região antes do século XII A.C.; os Arameus, um século depois e os camelos não mostraram suas caras joviais antes do século 8. Estes fatos científicos levaram os pesquisadores Sionistas a uma enorme confusão. No entanto, para alguns acadêmicos não Judeus, como Thomas Thompson, estava bastante claro que a Bíblia é "um compêndio posterior de literatura criativa escrita por um talentoso teólogo" [10]. A Bíblia parece ser um texto ideológico destinado a servir uma causa social e política.

O pior é que no Sinai não foi possível encontrar muitas provas que confirmassem a história do lendário Êxodo Egípcio, em que uns três milhões de homens, mulheres e crianças Hebreus vagaram no deserto durante 40 anos sem deixar nenhum vestígio. Nem sequer uma mísera Matzá, o pão ázimo Judeu – comportamento muito não-Judaico, pode-se dizer. A história do reassentamento Bíblico e do genocídio dos Cananeus, que os Israelitas contemporâneos imitam com tanto êxito, é outro mito. Jericó, a cidade fortificada que foi destruída pelo toque de trombetas com a intervenção sobrenatural do altíssimo, era apenas um pequeno povoado no século 13 A.C.

Por mais que Israel considere a si mesmo como a ressurreição do monumental Reino De David e Salomão, escavações feitas na Cidade Velha de Jerusalém durante a década de 1970 revelaram que o reino de David era apenas um pequeno agrupamento tribal. As provas que Yigal Yadim havia apresentado com respeito ao rei Salomão foram refutadas mais tarde com exames realizados empregando o carbono 14. O incômodo fato ficou cientificamente estabelecido. A Bíblia é um relato de ficção e não existe base alguma sobre a qual se possa basear qualquer gloriosa existência do povo Hebreu na Palestina em nenhum momento.


Quem inventou os Judeus?

Desde o início de seu texto, Sand faz as perguntas cruciais e provávelmente as mais relevantes. Quem são os Judeus? De onde vieram? Como é que em períodos históricos diferentes aparecem em lugares muito diferentes e remotos?

Embora a maioria dos Judeus contemporâneos esteja totalmente convencida de que seus antepassados são os Israelitas Bíblicos, que foram brutalmente exilados pelos Romanos, é preciso dizer a verdade. Os Judeus contemporâneos não têm nada a ver com os antigos Israelitas, que nunca foram enviados ao exílio, porque tal expulsão nunca ocorreu. O Exílio Romano é outro mito Judaico.

"Comecei a procurar estudos de investigação sobre o exílio", disse Sand numa entrevista concedida ao Haaretz [11], "mas descobri com surpresa que não existe nenhuma literatura a respeito. A razão é que ninguém exilou o povo deste país. Os Romanos não exilaram povos e não poderiam tê-lo feito, mesmo se tivessem desejado. Não tinham trens e caminhões para deportar populações inteiras. Este tipo de logística não existiu antes do século 20. Meu livro nasceu, efetivamente, de uma constatação: da certeza de que a sociedade Judaica não foi dispersa nem exilada".

Realmente, à luz da descoberta simples de Sand, a idéia do exílio Judeu chega a ser divertida. Pensar que a Armada Imperial Romana se dedicasse vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, a transportar com dificuldade Moishe'le e Yanka'le até Córdoba e Toledo sirva para que os Judeus se sintam importantes e transportáveis, porém o bom senso sugere que os Romanos tinham coisas mais importantes a fazer.

No entanto, muito mais interessante é o resultado lógico: se o povo de Israel não foi expulso, então os verdadeiros descendentes dos habitantes do reino de Judá devem ser os palestinos. "Nenhuma população permanece pura durante um período de milhares de anos", diz Sand [12]. "Porém a probabilidade de que os Palestinos sejam os descendentes do antigo povo Judaico é muito maior do que você ou eu sejamos seus descendentes.

Os primeiros Sionistas, até a Sublevação Árabe (1936 – 1939) sabiam que não tinha havido exílio e que os palestinos eram os descendentes dos habitantes do território. Sabiam que os camponeses não deixam suas terras a não ser que os expulsem. O próprio Yitzhak Ben-Zvi, segundo presidente do Estado de Israel, escreveu em 1929 que "a enorme maioria dos camponeses não descendem dos conquistadores Árabes, e sim dos que vieram antes, os agricultores Judeus, que eram numerosos e formavam uma maioria na construção do território".

Em seu livro, Sand vai ainda mais longe e sugere que até o Primeiro Levante Árabe (1929), os chamados líderes Sionistas de esquerda tendiam a acreditar que os camponeses palestinos, que são na realidade "Judeus de origem", se assimilariam no interior da emergente cultura Hebraica e eventualmente se uniriam ao movimento Sionista. Ben Borochov acreditava que "um falach (Camponês Palestino) se vestir-se como um Judeu e comportar-se como um Judeu da classe trabalhadora, não se diferenciará em nada dos Judeus".

Esta mesma idéia reapareceu no texto de Ben Gurion e Ben-Zvi em 1918. Ambos os líderes Sionistas se deram conta de que a cultura Palestina está impregnada de marcas bíblicas, tanto do ponto de vista lingüístico como geográfico (nomes de aldeias, povoados, rios e montanhas). Ben Gurion e Ben-Zvi, pelo menos no princípio, consideravam os palestinos nativos como parentes étnicos que permaneciam apegados à terra e eram irmãos potenciais. Também consideravam o Islã como uma amistosa "religião democrática". Claramente, depois de 1936, tanto Ben Gurion como Ben-Zvi diluíram seu entusiasmo "multicultural". No que diz respeito a Ben Gurion, a limpeza étnica dos palestinos lhe pareceu muito mais atraente.

Surge então a pergunta: se os palestinos são os autênticos Judeus, quem são esses que insistem em chamar-se a si mesmos Judeus?

A resposta de Sand é bastante simples, e cheia de lógica. "O povo não se disseminou, foi a religião Judaica a que se disseminou. O Judaísmo era uma religião de conversos. Contrariamente à opinião popular, o Judaísmo inicial adorava converter os demais." [13]

É evidente que as religiões monoteístas, ao serem menos tolerantes que as politeístas, têm em si um ímpeto de expansão. O expansionismo Judaico em seus primeiros dias não só era similar ao cristianismo, mas foi o expansionismo Judaico que plantou as sementes da "disseminação" no pensamento e na prática cristãs originais.

"Os Hasmoneus", diz Sand [14], "foram os primeiros a produzir grande número de Judeus através da conversão em massa, sob a influência do Helenismo. Foi esta tradição de conversões que preparou o terreno para a posterior disseminação em larga escala do Cristianismo. Após a vitória do Cristianismo no século 4, o movimento de conversão ao Judaísmo foi contido no mundo Cristão e houve uma grande diminuição no número de Judeus. É provável que muitos dos Judeus do entorno Mediterrâneo tenham se convertido em Cristãos. Mas então o Judaísmo começou a penetrar outras regiões pagãs, tais como o Iêmen e a África do Norte. Se o Judaísmo não houvesse continuado seu avanço naquele momento convertendo povos do mundo pagão, teria continuado a ser uma religião completamente marginal, no caso de haver sobrevivido."

Os Judeus da Espanha, que cremos estar relacionados por laços de sangue com os Israelitas Antigos, eram berberes convertidos. "Perguntei-me," diz Sand, "como foi que apareceram na Espanha comunidades Judaicas tão numerosas. Então vi que Tariq Ibn Ziyad, o Comandante Supremo dos muçulmanos que conquistaram a Espanha, era Berbere, e que a maior parte de seus soldados eram Berberes. O reino Berbere Judaico de Dahlia al-Kahima havia sido derrotado apenas 15 anos antes. E a verdade é que diversas fontes cristãs dizem que muitos dos conquistadores da Espanha eram Judeus conversos. A origem da grande comunidade Judaica da Espanha foram os soldados berberes que se converteram ao Judaísmo."

Como seria de esperar, Sand concorda com a hipótese amplamente aceita de que os Kazars Judaizados constituíram a principal origens das comunidades Judaicas da Europa do Leste, que ele denomina a Nação Iídiche. Quando lhe perguntaram como foi que chegaram a falar o Iídiche, que é considerado como um dialeto medieval alemão, ele respondeu: "Os Judeus eram um povo que dependia da burguesia alemã oriental, então adotaram palavras alemãs."

Em seu livro, Sand oferece uma descrição detalhada da saga Kazar na história Judaica. Explica o que foi que levou o reino Kazar à conversão. Lembrando que o nacionalismo Judeu é liderado principalmente por uma elite Kazar, talvez devamos expandir nosso conhecimento em detalhes deste grupo político tão único e influente. A tradução da obra de Sand para outras línguas é uma necessidade imediata (a tradução francesa está a ponto de aparecer, tal como diz Eric Rouleau em Are the Jews an invented people?)

E agora? O professor Sand nos deixa uma inevitável conclusão: os Judeus contemporâneos não têm uma origem comum e sua origem semita é um mito. De forma alguma os Judeus se originam na Palestina e, por tanto, seu denominado "retorno" à "terra prometida" deve ser considerado como uma invasão executada por um clã ideológico-tribal.

No entanto, embora os Judeus não constituam uma raça, por alguma razão eles têm uma orientação racial. Deve-se assinalar que muitos Judeus ainda consideram o casamento misto como a maior ameaça. Além disso, apesar da modernização e da laicidade, a grande maioria dos que se identificam como Judeus laicos continuam cedendo ao ritual de sangue, a circuncisão, um procedimento religioso único no qual um Mohel, o executor, chupa o sangue do circuncidado.

Sand defende que Israel deve se converter em "um Estado de seus cidadãos". Assim como ele, também compartilho a mesma visão utópica futurista. No entanto, diferente dele, considero que o Estado Judeu e os lobbies que o apóiam devem ser ideologicamente derrotados. Irmandade e reconciliação não fazem parte da visão do mundo tribal dos Judeus e não cabem no conceito de ressurgimento nacional Judeu.

Por mais terrível que soe, antes que os Israelenses possam adotar uma noção moderna e universal da vida civilizada, será necessário um processo de desjudaização. Não há dúvida de que Sand é um extraordinário intelectual, provavelmente o mais avançado pensador de esquerda Israelense.. Representa a forma mais elevada de pensamento que um Israelense laico pode alcançar antes de mudar de posição ou até desertar para o lado Palestino (o que ocorreu com poucos, incluindo a mim). Ofri Ilani, o entrevistador de Haaretz, disse que Sand, ao contrário de outros "novos historiadores" que têm tentado derrubar os princípios da historiografia Sionista, "não se contenta com retroceder a 1948 ou aos princípios do Sionismo, mas sim em retroceder milhares de anos".

Realmente, ao contrário dos "novos historiadores", que "revelam" uma verdade que qualquer criança Palestina conhece, ou seja, a verdade de que estão sendo objeto de uma limpeza étnica, Sand constrói uma obra de trabalho e pensamento que busca a compreensão do significado do nacionalismo Judeu e da identidade Judaica. Essa é a verdadeira essência da erudição. Mais que reunir fragmentos históricos esporádicos, Sand busca o significado da história. Mais do que um "novo historiador" que busca um novo fragmento, é um autêntico historiador motivado por uma tarefa humanista. Ao contrário de alguns dos historiadores Judeus que contribuem com o chamado discurso da esquerda, a credibilidade e o êxito de Sand se baseiam mais em seus argumentos do que em seus antecedentes familiares. Evita adornar seus argumentos com seus parentes que sobreviveram ao holocausto. Ao ler os ferozes argumentos de Sand, deve-se admitir que o Sionismo, com todos os seus defeitos, conseguiu erigir no interior de si mesmo um discurso orgulhoso e autônomo que é muito mais eloqüente e brutal que a totalidade do movimento anti-Sionista no mundo inteiro.

Se Sand estiver certo, e estou convencido de que está, os Judeus não são uma raça e sim um coletivo de muitos povos que foram arregimentados por um movimento nacionalista imaginário recente. Se os Judeus não são uma raça, não formam um grupo racial e não têm nada a ver com o Semitismo, o Anti-Semitismo é, categoricamente, um significante vazio. Claramente se refere a um significante que não existe. Em outras palavras, nossa crítica do nacionalismo Judeu, dos lobbies Judaicos e do poder Judeu só se podem conceber como uma crítica legítima da ideologia e da prática.

Repito novamente, não estamos e nunca estivemos contra os Judeus (o povo), nem contra o Judaísmo (a religião); estamos contra uma filosofia coletiva de claros interesses globais. Alguns podem preferir chamá-la Sionismo, mas prefiro não fazê-lo. O Sionismo é um significante por demais vago para compreender a complexidade do nacionalismo Judeu, sua brutalidade, sua ideologia e sua prática. O nacionalismo Judeu é um espírito e os espíritos não têm fronteiras bem delimitadas. Na verdade, nenhum de nós sabe exatamente onde termina o Judaísmo e onde começa o Sionismo, da mesma maneira que não sabemos onde terminam os interesses Israelenses e onde começam os interesses dos Neocons de Bush.

No que diz respeito à causa Palestina, a mensagem é devastadora. Nossos irmãos e irmãs Palestinos estão na vanguarda de uma luta contra uma filosofia devastadora. Mas está claro que não só os Israelenses, os quais enfrentam com valente pragmatismo, que iniciam conflitos globais em escala gigantesca. Trata-se de uma prática tribal que busca a influência nos corredores do poder e principalmente do superpoder. O American Jewish Committee insiste em uma guerra contra o Irã. Por precaução, David Abrahams, um "Amigo Trabalhista De Israel", doa dinheiro através de intermediários ao Partido Trabalhista. Enquanto isso, dois milhões de Iraquianos morrem em uma guerra ilegal planejada por alguém chamado Wolfowitz. Enquanto tudo isto ocorre, milhões de Palestinos passam fome em campos de concentração e Gaza está à beira de uma crise humanitária. Judeus "anti-Sionistas" e Judeus de esquerda (incluindo Chomsky) insistem em neutralizar as eloqüentes críticas contra o AIPAC, o Lobby Judeu e o poder Judeu mostrado por Mearcheimer e Walt [15].

Será apenas Israel? Será realmente o Sionismo? Ou devemos admitir que é algo muito maior do que podemos contemplar dentro das fronteiras intelectuais que impomos a nós mesmos? No momento, não temos a coragem intelectual para enfrentarmos o projeto nacional Judeu e seus muitos mensageiros em todo o mundo. No entanto, como tudo é questão de mudar consciências, haverá em breve uma mudança. Na verdade, este texto foi escrito para provar que já está mudando.

Defender os palestinos é salvar o mundo, mas para fazê-lo temos de ter suficiente coragem para admitir que não se trata meramente de uma batalha política. Não é apenas Israel, seu exército ou seus líderes; nem apenas Dershowitz, Foxman e suas organizações silenciadoras. Trata-se de uma guerra contra um espírito canceroso que seqüestrou o Ocidente e, ao menos no momento, o desviou de sua inclinação humanista e de suas aspirações Atenienses. Lutar contra um espírito é muito mais difícil que lutar contra povos, precisamente porque talvez seja necessário lutar primeiro contra suas marcas dentro de nós mesmos. Se quisermos lutar contra Jerusalém, primeiro teremos que confrontar a Jerusalém que levamos dentro. Pode ser que tenhamos que nos colocar diante do espelho e olhar ao redor. Pode ser que tenhamos que buscar a empatia em nosso interior, se é que ainda permanece alguma.


Notas

[1] When And How The Jewish People Was Invented?, Shlomo Sand, Resling 2008, p. 11.

[2] http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html

[3] When And How The Jewish People Was Invented?, Shlomo Sand, Resling 2008, p. 31.

[4] Ibid, p. 31.

[5] Ibid, p. 42.

[6] Ibid.

[7] Ibid, p. 62.

[8] Ibid.

[9] http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html

[10] When And How The Jewish People Was Invented?, Shlomo Sand, Resling 2008, p. 117.

[11] http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html

[12] Ibid.

[13] Ibid.

[14] Ibid.

[15] http://www.lrb.co.uk/v28/n06/mear01_.html

Fonte:

http://palestinethinktank.com/2008/09/02/gilad-atzmon-the-wandering-who/