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Introdução

Vinte e seis séculos nos separam da época em que os ensinamentos budistas sugiram da ação iluminada do Buda Sakiamuni na Índia. Quinhentos grandes discípulos teve o Buda e deles sucederam-se linhagens, ensinamentos e comentários às palavras do mestre original. Se pensarmos que toda esta ação iluminada que por gerações e gerações têm preservado a essência dos ensinamentos originou-se da energia compassiva impessoal que movimenta todos os mestres, entenderemos que suas abordagens necessariamente foram distintas na forma ainda que unas na essência. Distintas na forma porque distintas são as necessidades e as linguagens culturais dos seres a serem beneficiados. Unas na essência porque brotam da mesma fonte que é a experiência da liberdade original, terreno primordial que todos os budas e bodisatvas habitam e, por isso mesmo são budas e bodisatvas.

Ao longo do tempo estas diferenças de forma se traduziram no surgimento de diferentes linhagens e tradições. Linhagens e tradições que comprovadamente mostraram-se úteis no mundo prático da roda da vida e por isto mesmo foram preservadas pelo carinho dos seres que se sentiram beneficiados. Hoje, no Ocidente, vemos estas várias linhagens presentes na mesma região onde vivemos e podemos ouvir as várias recomendações sobre as práticas que são prioritárias e como devemos nos comportar como budistas.

Tantas e variadas são estas abordagens e recomendações que permitem até mesmo alguma confusão entre os praticantes. Estas palavras iniciais têm por motivação oferecer um referencial geral que nos permita superar estas discrepâncias e incompreensões de modo que possamos entender as diferenças como riqueza e possamos aprecia-las. Um referencial que permita desenvolver a genuína aspiração de aprender e sermos capazes de girar a roda do Darma segunda cada uma delas sem ver contradições e dificuldades nesta diversidade.

Como apresentadas aqui, as várias abordagens no Budismo podem ser reconhecidas na literatura budista em geral e nos ensinamentos dos mestres e o fato de conhecê-las irá nos permitir, facilmente, identificar e compreender que classe de ensinamentos estamos ouvindo e como este ensinamento se harmoniza com os demais ensinamentos com os quais já tomamos contato e quais seus méritos fundamentais e limites.

Quando na Física estudamos o eletromagnetismo, a mecânica ou a mecânica relativística, por exemplo, na verdade estamos estudando partes da Física, abordagens específicas. Caso não tenhamos esta visão, facilmente podemos cair na ingenuidade de tomar cada parte como se fosse a Física como um todo. Do mesmo modo, dominados por uma visão estreita, podemos pensar que o Budismo se restringe apenas àquilo que nós conhecemos ou praticamos, negando a validade e utilidade das outras abordagens e também desconhecendo as limitações da abordagem a qual estamos vinculados. Por essa razão, vamos hoje estudar um referencial de harmonização para as várias formas possíveis de apresentar, explicar e praticar os ensinamentos do Buda.

Ainda que exista uma aparente divisão, há de fato uma harmonia profunda entre todas as abordagens, elas convergem umas nas outras pelo esforço dos praticantes em utilizar seus métodos e superar suas dificuldades. É possível transitar entre todas elas sem qualquer dificuldade, porque não há consistência real nessa divisão, o que vemos é apenas uma progressiva sofisticação da abordagem que vêm das necessidades mais e mais sofisticadas e profundas dos praticantes para superar suas próprias obscuridades. Isso já não ocorre, por exemplo, nas diversas disciplinas da ciência, como na Física, em que não é possível converter a Ótica Geométrica na Ótica Física, pois elas são disciplinas paralelas. Já no Budismo essa convergência de uma abordagem na outra é perfeitamente possível.

 Os ensinamentos budistas podem ser apresentados a partir de seis abordagens. A primeira delas, o bom coração, a princípio, não precisaria sequer estar conectada ao Budismo, seria uma abordagem comum a muitas tradições espirituais e filosóficas. Já as demais vão tratar, respectivamente, da purificação da motivação e das ações no mundo; da possibilidade de trazer benefício aos seres; da estabilidade e compreensão da vacuidade; da perfeição da natureza incessante e presente em todas as manifestações, e por último, como a culminância de todas as abordagens, aquela que vai tratar da ação dos Budas e Bodisatvas no mundo. Cada uma dessas abordagens, por sua vez, pode ser vista relacionada às etapas do Nobre Caminho Óctuplo, o ensinamento central dado pelo próprio Buda.

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