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Liderança no Século XXI

 A menor distância entre duas pessoas é o riso e a lágrima e, às vezes, há determinados momentos onde o riso e a lágrima transcorrem ao mesmo tempo. Jung, chamaria de momentos numinosos que constelam a luz e a sombra. Parece-me que nós somos todos muito privilegiados em existir num tempo de passagem, num tempo numinoso, num tempo de tantos risos e de tantas lágrimas. Parece-me que é isso que mais pode nos aproximar e eu tenho aprendido ao longo da minha caminhada que ninguém transforma ninguém e ninguém se transforma sozinho, nós nos transformamos no encontro e sobretudo quando podemos dar expressão a essa alegria de existir, a essa biodança do universo; porém, ao mesmo tempo, quando podemos ter um coração suficientemente sensível para também chorar.

UMA CRISE ABENÇOADA: A CRISE DA CRISÁLIDA

Nós vivemos uma crise abençoada, é uma crise que nos desperta, graças a Deus e graças à dor. A crise tem uma dimensão instrutiva e é, sempre, uma oportunidade de aprendizagem, de evolução, de crescimento. Somos muito privilegiados porque essa é uma grande crise, talvez uma crise sem precedentes na história da humanidade conhecida. Eu não sei se vocês têm agradecido todos os dias por existir nesse momento: é um momento de passagem e aquilo que para algumas pessoas distraídas é a morte da lagarta, para as pessoas mais atentas é o nascimento da borboleta e é, por isso, que eu gosto de denominar essa crise de Crise da Crisálida. E, como diz um grande amigo e mestre, Jean Yves Leloup, 'não é esmagando a lagarta que faremos nascer a borboleta'. Nós somos transeuntes, passageiros de um tempo de transmutação, transmutação consciencial, transmutação dos nossos valores, dos nossos conceitos e das nossas atitudes. E todos nós somos convocados para ser aquilo que nós somos. Todos somos líderes natos; todas as pessoas que eu conheci na minha existência, todas, foram e são líderes. Pessoas que me chegaram às vezes com rótulos, esses rótulos que não servem para nada: esquizofrenia... Essas então, eu costumo dizer que nem todo mundo tem competência para enlouquecer. São as pessoas mais sensíveis, que sentem no seu coração, na sua alma, as contradições familiares, sociais, planetárias. São pessoas que sentem e que por sentir muito, muitas vezes naufragam porque não tem escuta. Nós vivemos num tempo absurdo onde nós perdemos a escuta.

Eu gosto de lembrar de uma passagem recente.  Alguém perguntou a um índio de 101 anos, um Xamã, um pagé americano: 

 

- “O que você faz?”
- Ele disse:
- “Eu ensino meu povo.”
- “O que você ensina?”
- “Quatro coisas”, ele respondeu. “primeiro, a escutar; segundo: que tudo está ligado com tudo; terceiro: que tudo está em transformação; quarto: que a terra não é nossa, nós é quem somos da terra.”

Tudo começa pela escuta. Se você não tem escuta, a crise o que é? É um azar! E você vai sucumbir porque a única crise intolerável é aquela para a qual você não tem nenhum sentido para dar; é aquela que você não interpretou e para interpretar é preciso de ter uma escuta. Quando Salomão podia ter pedido tudo, ele pediu um coração que escuta e tudo o mais lhe foi acrescentado. 'Eu ensino meu povo a escutar.' As escolas deixaram de ensinar os alunos/aprendizes a escutar. Isso é triste! Nestes tempos sombrios que nós vivemos, talvez esse seja o lado pelo menos que mais me leva a me indignar e, também, a chorar: saber que um pé de alface em qualquer horta é melhor tratado do que os meus filhos, os seus filhos estão sendo tratados nas escolas. Você pode imaginar um horticultor exigindo de todos os seus organismos vegetais o mesmo desempenho? Você pode imaginar um horticultor comparar um tomate com um pepino e desejar que um seja como o outro, apresente o mesmo resultado? Vocês podem imaginar um jardineiro exigir de todos os organismos da biodiversidade de um jardim o mesmo currículo? Isso é um absurdo. Vocês percebem onde nós jogamos na lata de lixo nosso potencial inato de liderança, de maestria?

Quando essas pessoas, muitas vezes rotuladas, me chegavam, e porque existiam uma escuta e em algum momento essas pessoas se transformaram em grandes líderes. Aqui em Brasília, quando eu tenho algum problema realmente difícil, procuro algumas pessoas que me foram indicadas com esses rótulos cruéis que não servem para nada. Porque o grande problema neste momento é o que nós na Unipaz chamamos de 'normose'.

Categoria: Filosofia

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