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Princípios Harmoniosos para a Vida Humana

(Extraído de uma palestra na Estação de Rádio KPFK, Los Angeles).


http://www.peacepilgrim.org/FoPP/htm/port.htm

A Peregrina da Paz dedica esta obra, com amor, a todos os que buscam a paz.

Muito cedo em minha vida, eu fiz duas descobertas importantes: Em primeiro lugar, descobri que era fácil ganhar dinheiro. Em segundo lugar, que ganhar dinheiro e gastá-lo levianamente não fazia qualquer sentido. Eu sabia que não era para fazer tal coisa que eu estava neste mundo, embora, naquela época, eu não sabia exatamente porque eu viera ao mundo. Foi através de uma intensa busca de modo de vida significativo e após caminhar uma noite inteira pela floresta, que eu cheguei a algo que hoje percebo ter sido um importante salto psicológico. Senti-me completamente disposta, sem reserva alguma, a dar minha vida, a dedicar minha vida ao serviço dos outros. De fato, este é um ponto sem volta. Depois disto, você nunca poderá voltar a uma vida completamente centrada em si mesmo.

E, assim, passei à segunda fase de minha vida. Comecei a viver para dar tudo o que eu pudesse, em vez de viver para ter tudo o que eu pudesse, e entrei num mundo novo e maravilhoso. Minha vida começou a ganhar sentido. Recebi a grande graça da boa saúde; desde então nunca mais tive um resfriado ou senti uma dor de cabeça. (A maioria das doenças são psicologicamente induzidas.) Desde então, eu compreendi que minha tarefa nesta vida seria trabalhar pela paz; e este cobriria todo o quadro: paz entre nações, grupos e indivíduos, além da tão importante paz interior. Todavia, há uma grande diferença entre estar disposto a dar sua vida e efetivamente doar sua vida, e no meu caso, passaram-se quinze anos de preparação e busca interior entre os dois estágios.

Durante esse tempo, tomei conhecimento daquilo que os psicólogos chamam de Ego e Consciência. Comecei a compreender que é como se tivéssemos dois eus, duas naturezas, ou duas vontades com dois diferentes pontos de vista. E, por serem tão diferentes, senti, ao longo desse período, uma luta entre meus dois diferentes eus. Assim é que houve colinas e vales, muitas colinas e vales. Até que no meio desta luta, ocorreu-me uma experiência extraordinária e, pela primeira vez, conheci a paz interior. Senti uma unidade com meus semelhantes, unidade com toda a criação. Desde então, nunca mais me senti à parte. Eu podia regressar àquele pico maravilhoso e lá permanecer por períodos cada vez mais prolongados e só escorregar de vez em quando. Então, veio uma maravilhosa manhã quando eu acordei e sabia que eu nunca mais teria que descer ao vale. Eu sabia que minha luta terminara e eu estava pronta a dar minha vida e encontrar a paz interior. Novamente, este é um ponto irreversível. Você não poderá voltar à luta. A luta acabou porque você quer fazer a coisa certa sem que alguém precise pressioná-lo.

Entretanto, o progresso não terminou ali. Um grande progresso tem ocorrido nesta terceira fase em minha vida, mas é como se a figura central do quebra-cabeça de sua vida estivesse completa, clara e imutável, enquanto em volta das margens, outras peças vão se encaixando. Sempre há uma margem crescendo, mas o progresso é harmonioso. Há uma sensação de estar-se sempre cercada de coisas boas, tais como amor, paz e alegria. É como se uma atmosfera protetora lhe cercasse, absolutamente firme, conduzindo-lhe através de qualquer situação que você tenha que enfrentar.

O mundo pode olhar para você e acreditar que você enfrenta grandes problemas, mas haverá sempre recursos interiores para você facilmente superar estes problemas. Nada parece difícil. Há calma, serenidade e nenhuma pressa, nenhum esforço ou ansiedade a respeito de coisa alguma. A vida é plena, a vida é boa e nunca mais estará sobrecarregada. Isto é algo muito importante que aprendi: se sua vida está em harmonia com sua parte no Plano da Vida e se você é obediente às leis que governam este universo, então sua vida é plena, boa e nunca sobrecarregada. Se está sobrecarregada, você está fazendo mais do deve fazer, mais do que é sua tarefa no esquema total das coisas.

Agora se você vive para dar, não para receber, à medida em que se concentra em dar, você descobre que não pode receber sem dar, nem dar sem receber, mesmo as coisas mais maravilhosas, tais como saúde, felicidade e paz interior. Há uma sensação de energia inesgotável, que simplesmente, nunca se acaba, parece tão inesgotável como o ar. Você se sente como se estivesse ligado à fonte da energia universal.

Você tem agora o controle da sua vida. Veja, o ego nunca está em controle. O ego é controlado por desejos de conforto e conveniência por parte do corpo, por exigências da mente e por explosão de emoções. Mas, a natureza superior controla o corpo, a mente e as emoções. Eu posso dizer ao meu corpo: deite-se naquele chão de cimento e vá dormir" e ele obedece. Eu posso dizer à minha mente: "esqueça tudo o mais e concentre-se na tarefa à sua frente" e ela também obedece. Eu posso dizer às minhas emoções: "permaneçam calmas, mesmo diante desta terrível situação" e elas se acalmam. É um modo diferente de viver. O filósofo Thoreau escreveu: "Se um homem não marcha ao compasso de seus companheiros, talvez ele esteja seguindo um ritmo diferente, uma natureza superior, em vez de inferior."

Foi só, então, em 1953, que eu me senti motivada, guiada, chamada a começar minha peregrinação pela paz no mundo, uma jornada empreendida tradicionalmente. A peregrinação é, tradicionalmente, realizada a pé e no espírito de fé e oração, é como uma oportunidade de entrar em contato com as pessoas. Para tanto, eu uso uma túnica que leva à frente a inscrição: "Peregrina da Paz". Eu sinto que é este meu nome agora, enfatiza minha missão e não a mim mesma. Nas costas, diz: "25.000 Milhas a Pé pela Paz". O propósito da túnica é simplesmente, comunicar. Constantemente, enquanto caminho pelas estradas e através das cidades, pessoas se aproximam de mim e eu tenho a chance de conversar com elas sobre a paz.

Eu já caminhei 25.000 milhas como uma peregrina que não possui um centavo. Só possuo o que eu carrego nos meus pequenos bolsos. Não pertenço a qualquer organização. Eu tenho dito que eu caminharei até que me ofereçam abrigo e jejuarei até que me dêem comida, permanecendo errante até que a humanidade aprenda o caminho da paz. E eu posso afirmar honestamente que, sem jamais ter pedido coisa alguma, eu tenho recebido todos suprimentos necessários à minha viagem, o que mostra quão boas são as pessoas, realmente.

Sempre carrego comigo minha mensagem de paz: "Este é o caminho da paz: vença o mal com o bem, a falsidade com a verdade, o ódio com o amor". Não há nada de novo nesta mensagem, exceto sua prática. E é preciso praticá-la, não só no plano internacional, mas também no pessoal. Eu acredito que a situação do mundo é um reflexo de nossa própria imaturidade. Se fôssemos pessoas maduras, harmoniosas, a guerra não seria problema, seria impossível.

Todos nós podemos trabalhar pela paz. Podemos trabalhar exatamente, onde estamos, dentro de nós mesmos, pois, quanto mais paz tenhamos dentro de nossas vidas, mais paz refletimos na realidade exterior. De fato, eu acredito que a vontade de sobreviver nos empurrará até algum tipo de incômoda paz mundial a qual, se quiser, perdurar, deverá ser apoiada por um grande despertar interior. Eu acredito que nos interessamos em uma nova era quando descobrirmos a energia nuclear, e esta nova era clama por um nova renascimento para elevar-nos a um patamar mais alto de compreensão, para que sejamos capazes de fazer frente aos problemas desta nova era. Assim, basicamente, meu lema é a paz interior como um passo em direção à paz mundial.

Agora, quando eu falo sobre os passos em direção à paz interior, eu me refiro a um esquema geral, mas não há nada arbitrário em termos do número de passos. Estes podem expandir-se ou reduzir-se e é importante observar: os passos em direção à paz interior não são realizados em qualquer ordem específica. O primeiro passo para um pode ser o último para outro. Assim, tome aqueles passos que pareçam mais fáceis para você e quando tomar uns poucos passos, será mais fácil tomar outros. Nesta área podemos, realmente, trocar experiências. É possível que nenhum de vocês se sinta guiado a empreender uma peregrinação, e eu não estou tentando induzí-los a fazer isto, mas, quanto ao modo de encontrar harmonia em nossas vidas, podemos compartilhar experiências. E eu tenho a impressão de que quando vocês me ouvirem contar alguns passos em direção à paz, vocês o reconhecerão como passos por vocês mesmos empreendidos.

Primeiramente, gostaria de mencionar algumas preparações que me foram exigidas. A primeira preparação é uma atitude correta diante da vida. Isto significa: pare de fugir! Pare de viver na superfície, apenas tocando a espuma das águas. Há milhões de pessoas que vivem assim e elas nunca encontrarão nada que valha a pena. Disponha-se a encarar a vida de frente e mergulhar para além da superfície da vida, onde as verdades e realidades podem ser encontradas. É isto o que estamos fazendo agora.

Há que se ter em conta a questão de assumir-se uma atitude positiva face aos problemas que a vida venha a lhe apresentar.

Se você pudesse ver o panorama completo, se você conhecesse a história toda, você compreenderia que nenhum problema virá a você se este não cumprir um propósito em relação à sua vida, não contribuir para o seu crescimento interior. Quando você perceber isto, você reconhecerá problemas como oportunidades disfarçadas. Se você não enfrentasse problemas, você, simplesmente, flutuaria vida afora sem nunca crescer interiormente. É solucionando problemas de acordo com a luz mais elevada que temos, que obteremos crescimento interior. Problemas coletivos devem ser resolvidos coletivamente, e ninguém encontrará a paz interior se evitar fazer sua parte quanto à resolução de problemas coletivos, como o desarmamento e a paz mundial. Assim, pensemos e discutamos juntos sobre esses problemas, trabalhando coletivamente com vistas à sua resolução.

A segunda preparação diz respeito a manter nossas vidas em harmonia com as leis que governam este universo. Não só os mundos e os seres foram criados, mas também as leis que os governam. Aplicáveis tanto no plano físico como no plano psicológico, estas leis governam a conduta humana. Na medida em que formos capazes de manter nossas vidas em harmonia com estas leis, nossas vidas serão harmônicas. Na medida em que desobedecemos estas leis, criamos dificuldades para nós, através de nossa desobediência. Nós somos os piores inimigos de nós mesmos. Se nós estamos em desarmonia por ignorância, nós sofremos de alguma maneira, mas se nós conhecemos estas leis e mesmo assim, estamos em desarmonia, então sofremos muito. Acredito que estas leis são bem conhecidas e acreditadas, por conseguinte, elas só precisam ser bem vividas.

Assim, eu ocupei-me com um projeto muito interessante: viver todas as coisas boas nas quais acreditava. Eu não me confundi tentando fazer tudo de uma vez, mas, pelo contrário, quando eu sentia estar fazendo algo que eu sabia não dever fazer, eu parava e sempre fazia uma rápida renúncia. Este é o caminho mais fácil. Renunciar aos poucos é duro e custoso. E, se eu não estava fazendo algo que eu sabia dever fazer, eu, imediatamente, disto me ocupava. Levou-me bastante tempo fazer a vida coincidir com a crença, mas, obviamente, isto é possível, e, agora, se acredito em algo, eu vivo aquilo em que acredito, De outra forma, a vida me seria completamente sem sentido. Quando comecei a viver de acordo com minhas luzes mais elevadas, descobri que outra luz me era concedida e que eu me abria para receber mais luz, à medida em que vivia a luz que já possuía.

Estas leis são as mesmas para todos nós e estas são as cousas sobre as quais podemos conversar e estudar juntos. Mas há ainda uma terceira preparação e que é algo único para cada vida humana, porque cada um de nós tem um lugar especial no plano de vida. Se você ainda não sabe qual seu lugar, sugiro que você o procure em silêncio receptivo. Eu costumava caminhar às belezas da natureza, simplesmente receptiva e silenciosa, e descobertas maravilhosas vinham a mim. Você começa a cumprir sua parte no plano de vida, realizando todas as coisas boas pelas quais você se sente motivado, mesmo que sejam só pequenas coisas, de início. Dê a estas coisas prioridade sobre aquelas coisas superficiais que costumeiramente enchem a vida das pessoas.

Há aqueles que sabem e não fazem. Isto é muito triste; lembro que um dia enquanto eu andava ao longo de uma estrada, um bonito carro parou ao meu lado e o homem me disse: "que maravilhoso você seguir seu chamado!" Eu respondi: eu certamente creio que todos deveriam fazer aquilo que consideram ser correto. Ele então começou a me contar sobre suas próprias motivações. Entusiasmei-me bastante e tomei como certo que aquele homem, estava seguindo suas motivações. Disse, então: Que maravilha. Como você está se saindo com seu projeto? e ele contestou: "Oh, eu não o estou fazendo. Esse tipo de trabalho não paga nada!". Jamais esquecerei quão desesperadamente infeliz era esse homem. Mas, você sabe, nesta era materialista nós temos critérios muito falsos para medir o sucesso. Este é medido em termos de dólares, de bens materiais. Mas, felicidade e paz interior não vão nesta direção. Se você o sabe e não faz, você é, de fato, uma pessoa muito infeliz.

Há, ainda, uma quarta preparação e é a simplificação de vida para alcançar a harmonia entre o bem estar interior e o exterior, -- o psicológico e o material -- em sua vida. Isto tornou-se muito fácil para mim. Logo, após ter dedicado minha vida a servir, eu não mais pude aceitar mais do que eu precisava, enquanto outros no mundo tinham menos do que necessitavam.

Isto levou-me a trazer minha vida ao nível das necessidades básicas. Pensei que isto seria difícil. Que isto significaria muitas privações graves, mas eu estava muito equivocada. Agora que possuo apenas a roupa que visto e as coisas que carrego em meus bolsos, não me sinto privada de nada. Para mim, o que eu quero e o que necessito são, exatamente o mesmo e ninguém poderia dar-me qualquer coisa que eu não necessite.

Eu descobri esta grande verdade: as posses desnecessárias são cargas desnecessárias. Não estou querendo dizer que todas tenham as mesmas necessidades. As suas podem ser bem maiores que as minhas. Se, por exemplo, você tem uma família, você precisaria de estabilidade de um centro familiar para seus filhos. O que eu quero dizer, sim, é que qualquer coisa além do necessário -- e necessidade algumas vezes inclui coisas além das necessidades básicas -- qualquer coisa além do nível de necessidade tende a tornar-se uma carga.

Há uma grande liberdade na simplificação da vida e após descobrir isto, eu encontrei a harmonia na minha vida entre o bem estar interior e o exterior. De fato, há muito a ser dito a respeito desta harmonia, não somente para a vida individual, mas também para a vida de uma sociedade. E pelo fato da humanidade ter se afastado tanto da harmonia e se voltado tanto para o lado material, quando descobrimos algo como a energia nuclear, somos capazes de colocá-la numa bomba e usá-la para matar pessoas. Isto se deve a que nosso bem estar interior está muito atrasado em relação ao nosso bem estar exterior. A pesquisa válida para o futuro está no lado interior, no lado psicológico, a fim de que possamos equilibrar esses dois lados e assim saber como bem usar o bem estar exterior que já possuímos.

Então, eu descobri que havia algumas purificações que eram exigidas de mim! A primeira é algo tão simples: é a purificação do corpo. Isto tem a ver com seus hábitos físicos de vida. Você se alimenta de forma sensata, alimentando-se para viver? Conheço, de fato, pessoas que vivem para comer. Você sabe quando parar de comer? Isto é muito importante. Você tem hábitos de sono igualmente racionais? Eu tenho que ir para a cama cedo e garantir muitas horas de sono. Você recebe suficiente ar puro, sol, exercícios físicos e contato com a natureza? Poder-se-ia pensar que esta é a área mais fácil a ser atacada, mas, por experiência prática, descobri que, frequentemente, é a última, porque pode significar para as pessoas, livrarem-se de alguns maus hábitos aos quais nos aferramos tão tenazmente!

A segunda purificação não poderia ser enfatizada em demasia, pois é a purificação do pensamento. Se você compreendesse toda a força dos seus pensamentos, você nunca teria um pensamento negativo. Eles poderão ser uma poderosa influência para o bem quando estão no lado positivo, como também podem fazê-lo adoecer fisicamente, quando estão no lado negativo.

Lembro-me de um homem que tinha 65 anos quando o conheci e que manifestava sintomas do que parecia ser uma doença crônica. Conversei com ele e percebi que havia uma amargura em sua vida, embora eu não conseguisse identificá-la exatamente, a princípio. Ele se relacionava bem com sua mulher e seus filhos crescidos, vivia bem em sua comunidade, mas a amargura estava lá. Eu acabei descobrindo que ele nutria uma amargura em relação a seu pai falecido há muito tempo, por ter seu pai educado seu irmão e não ele. Tão logo ele abriu mão de sua amargura, a tal doença crônica desapareceu.

Se você abriga o menor rancor contra alguém, ou quaisquer pensamentos negativos desagradáveis, você deve libertar-se disto imediatamente, isto não está causando mal a quem quer seja, exceto a você mesmo. É sabido que o ódio fere aquele que odeia, não aquele que é odiado. Não basta fazer ou dizer o que é correto, é preciso que se pense o que é correto, antes que sua vida possa harmonizar-se.

A terceira purificação é a purificação do desejo. Que coisas você deseja? Você deseja roupas novas ou prazeres, artigos, domésticos ou um carro novo? Você pode chegar ao ponto de ter um único desejo: conhecer e fazer sua parte no Plano da Vida. Pensando bem, há alguma outra coisa verdadeiramente importante a desejar-se?

Há mais uma purificação, que é a purificação das motivações. Quais são os seus motivos para o que quer que você esteja fazendo? Se se trata de pura ambição, egoísmo ou auto-glorificação, eu lhe diria: "Não faça isto". "Não faça qualquer coisa a partir de um tal motivo". Mas, isto não é tão fácil porque tendemos a agir com motivos mistos, boas e más motivações estão misturadas. Tomemos um homem de negócios: suas motivações podem não ser as mais elevadas, mas, somadas a estas, estão motivações relacionadas aos cuidados com sua família, e, talvez, traga algum bem à sua comunidade. Motivações mistas!

Sua motivação, para você encontrar a paz interior deve voltar-se para fora de você mesmo -- deve ser motivação para o serviço. Deve se dar, não receber. Conheci um homem que era um bom arquiteto. Este era, obviamente, o trabalho certo para ele, mas ele o fazia por motivos errôneos. Sua motivação era ganhar muito dinheiro e passar à frente dos "Silva". Ele trabalhou até contrair uma doença e foi logo depois disto que o conheci. Consegui que ele fizesse pequenas coisas para servir. Conversei com ele sobre a alegria de servir e sabia que depois desta experiência, ele jamais poderia voltar a viver egoisticamente. Correspondemo-nos um pouco depois disto. Em meu terceiro ano de peregrinação, passei por sua cidade e quase não o reconheci quando parei para visitá-lo. Ele era um outro homem! Mas, ainda era um arquiteto. Ele trabalhava em um projeto e me explicou: "Veja, estou fazendo uma planta que se adapte ao orçamento deles e também para que fique bem no terreno onde será construído". Seu motivo era servir às pessoas para quem faria os projetos. Ele estava radiante e completamente transformado! Sua esposa contou-me que seus negócios melhoravam porque agora pessoas vinham de bem longe para encomendar-lhe projetos para suas casas.

Conheci algumas pessoas que tiveram que mudar de emprego a fim de mudar suas vidas, mas conheci muitas outras que simplesmente tiveram que mudar suas motivações, direcionando-as para o serviço, a fim de mudar suas vidas.

Agora, a última parte: estas são as renúncias. Uma vez feita a primeira renúncia, você terá encontrado a paz interior, porque é a renúncia à sua vontade. Você pode praticar isto, abstendo-se de fazer algo que não seja bom, para que você se sinta motivado, mas nunca reprima! Se você sentir-se motivado para dizer ou fazer algo mau, pense em algo bom e, deliberadamente, use a mesma energia para fazer ou dizer algo bom. Isto funciona!

A segunda renúncia é a renúncia à sensação de isolamento. Começamos a sentir-nos à parte e julgar tudo à nossa volta como se fôssemos o centro do universo. Mesmo após adquirirmos um melhor conhecimento intelectual, continuamos, ainda assim, a julgar as coisas dessa maneira. De fato, somos todos células no corpo da humanidade. Não somos separados dos outros seres humanos. Trata-se de uma totalidade. É somente desta perspectiva mais elevada que você poderá saber o que significa amar seu próximo como a si mesmo. Desse ponto de vista mais elevado emerge uma só maneira realística de se trabalhar e esta será para o bem, você será uma célula contra todas as outras e estará, assim, em desarmonia. Mas, tão logo você comece a trabalhar para o bem do todo, você se encontrará em harmonia com todos os outros seres humanos. Esta é maneira fácil e harmoniosa de viver.

Há, ainda, uma terceira renúncia: a renúncia a todos os apegos. As coisas materiais devem ser postas em seus devidos lugares. Estão ali para serem usadas e está correto usá-las, para isto foram feitas. Mas, quando perderem sua utilidade você deve estar pronto a renunciar a elas e talvez, passá-las a alguém que as necessite. Qualquer coisa à qual você não consegue renunciar após perder suas utilidade, passa a lhe possuir, e nestes tempos materialistas, muitos de nós somos possuídos por nossas posses materiais. Não somos livres.

Existe outro tipo de possessividade. Você não possui qualquer outro ser humano, não importa quão próxima seja sua relação com ele. Nenhum marido possui sua mulher; nenhuma esposa possui seu marido; nenhum pai possui seus filhos. Quando acreditamos possuir as pessoas tendemos a dirigir suas vidas e daí surge uma situação de extrema desarmonia. Só quando damos conta de que não as possuímos, que elas devem viver de acordo com suas próprias motivações interiores, é que deixamos de tentar dirigir suas vidas e então descobrimos que somos capazes de viver em harmonia com elas.

Agora, a última: a renúncia a todos os sentimentos negativos. Quero mencionar apenas um sentimento negativo: é a preocupação. Preocupar-se é diferente de ocupar-se o que lhe obrigaria a fazer o possível para resolver uma situação. Preocupar-se é, inutilmente, remoer-se coisas que não podemos mudar. Vou mencionar apenas uma técnica. Raramente, preocupamo-nos acerca do momento presente, o que, de maneira geral, está aqui. Se você se preocupa, você sofre pelo passado que deveria ter esquecido há muito tempo, ou fica apreensivo pelo futuro que nem sequer está aqui, ainda. Tendemos a passar por cima do momento presente. Uma vez que este é o único momento que pode ser vivido, se você não o vive agora, você jamais chegará a vivê-lo. Se, de fato, você vive o momento presente, tenderá a não se preocupar. Para mim, cada momento é uma nova oportunidade de prestar serviço.

Um último comentário acerca dos sentimentos negativos, algo que me ajudou muitíssimo em uma ocasião e que tem ajudado outras pessoas. Nenhuma coisa exterior, nada ou ninguém pode ferir-me internamente, psicologicamente. Eu só posso ser ferida psicologicamente por minhas próprias ações errôneas e sobre as quais eu tenho controle: ou por minhas próprias reações equivocadas, as quais são sutis e enganosas, mas também podem ser por mim controladas; ou por minha própria passividade em algumas situações, como por exemplo, a atual situação mundial, a qual precisa de minha ação. Quando tomei consciência de tudo isto, que livre me senti! E simplesmente deixei de magoar-me. Agora, alguém poderia me fazer o pior mal e eu sinto apenas a mais profunda compaixão por esta pessoa tão em desarmonia, esta pessoa tão doente psicologicamente, que é capaz de fazer coisas tão perversas. Eu, certamente, não me magoaria através de uma reação errônea de amargura ou rancor. Você tem controle absoluto sobre ferir-se ou não, psicologicamente, e você pode parar de magoar-se a qualquer momento que você assim o queira.

Estes são os passos em direção à paz interior que eu desejava compartilhar com você. Não há nada de novo nisto. É a verdade universal. Eu apenas conversei sobre isto com minhas próprias palavras em termos da minha própria experiência pessoal. As leis que governam este universo operam para o bem tão logo as obedecemos, e qualquer coisa contrária a essas leis não perdurará, pois contém dentro de si os germes da sua própria destruição. O bom em cada vida humana torna possível a nós a obediência a essas leis. Nós temos livre arbítrio e, assim, depende apenas de nós quão cedo passamos a obedecer a estas leis e encontrar a harmonia, tanto dentro de nós como no mundo.

Categoria: Paz e Ecologia

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