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(sugerido pelo texto de Mr. Sinnett sobre o mesmo assunto)

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Ao considerarmos esse assunto devemos antes de mais nada, tomarmos o cuidado de percebermos que os sete princípios no homem não são várias entidades, ou substâncias, que podem ser separadas e cada qual considerada como uma individualidade distinta, tendo características definidas, peculiares a cada uma. Em Sânscrito os diferentes princípios são chamados de upâdhis, i.e., as coberturas ou planos de diferentes estados de existência da Vida Una.

O apoio da consciência que dá origem ao sentimento de individualidade  e o sentido “eu sou eu” está no quinto princípio.

Se não existe quinto princípio, i.e., se não existe consciência da individualidade, todos os outros estados de existência são inexistentes, pois sem um ego que percebe não pode haver nem percepção ou qualquer outro objeto de percepção. Daí ser dito, que sem o filho (o germe de consciência no Logos que vem à atividade ao tempo da evolução Cósmica) não haver nem Pai nem Mãe. O Pai e o Espírito Santo vem à existência quando o Filho nasce, e isto é a verdadeira explicação ocultista da Trindade na Unidade e da Unidade na Trindade. Talvez possa se argumentar de que os animais tenham cognição da existência apesar de não terem o quinto princípio; mas a razão disto é que, apesar do quinto princípio não estar unido aos princípios inferiores dos animais, mesmo assim os sombreia. Daí, colocando com mais propriedade, é o quinto princípio apenas que executa uma parte proeminente nos vários estados do homem na vida e após a morte. Por sua associação (não importa como, no presente) com os princípios inferiores, gera tendências materiais e terrenas que o atraem para baixo. Ao mesmo tempo, sendo sombreado por seu pai, o sexto e sétimo princípios, gera aspirações elevadas que o atraem para cima.

Após a morte física, quando a entidade passa para o Kama - loka, a verdadeira luta fica confinada ao quinto princípio somente, isto é, à base da consciência, junto com as afinidades geradas durante sua encarnação terrena. No Kama-loka, portanto, o quarto princípio ou Kama-rûpa, que é o upâdhi, ou base, de todos os desejos terrenos e paixões, etc., atrai para si aquelas afinidades do quinto princípio que são de natureza material, enquanto as aspirações elevadas são atraídas em direção ao sexto e o sétimo princípios. A concepção se torna clara ao relembrar-nos de que o sétimo princípio é a fonte de energia, enquanto o sexto princípio é meramente a energia radiada pelo sétimo.

Os estados de existência do homem pode ser divididos em três que por sua vez podem ser divididos em sete. Os três primeiros são: vida física, astral, e espiritual. Os sete estados são: (1) vida física, (2) o estado entre vida física e astral, (3) vida astral, (4) o estado entre a vida astral e a vida espiritual e (5, 6, 7) os três estados da vida espiritual. Na vida física, todas as atividades físicas são fortes enquanto a vida astral é exibida na cessação temporária das funções das atividades físicas, como se dá no dormir, etc. Cada vida se manifesta apenas naquelas esferas para as quais sua organização está adaptada. Assim para a manifestação neste mundo físico um organismo físico é indispensável, e sem sua ajuda nenhuma atividade pode se manifestar nesta esfera. Nesta vida temos, como foi, trazida conosco uma agregação de princípios produzidos por efeitos de causas geradas numa incarnação prévia. Ao mesmo tempo temos uma organização que nos dá condições de gerarmos novas causas. Quando o corpo físico desgastou-se pelas atividades manifestadas através dele, a força coesiva que mantêm suas partículas juntas se torna cada vez mais fraca até que a morte física acontece. Nós não morremos assim de repente (exceto em casos de morte súbita causada por acidente, etc.), mas estamos morrendo gradualmente a cada minuto de nossas vidas. O princípio vital, achando seu Sthulashariram atual sem condições de ser habitado, o deixa, para animar algum outro. O terceiro princípio, que é a aglomeração das emanações do corpo físico, pode apenas morrer pela morte deste. O quarto princípio, entretanto, pelo seu contato com o terceiro na vida física, juntou em volta de si alguma de sua essência. Mas essa essência é como o perfume de uma rosa, que permanece por um tempo apenas depois da rosa ser destruída.

Daí é por isso que o corpo astral pode ser visto ao longe por  amigos ou parentes de um homem agonizando. O pensamento concentrado, um intenso desejo de ver um amigo, etc., se armazena no quarto princípio, que, pela essência do terceiro acrescentada em torno de si, o torna objetivo para um amigo distante. E tal manifestação é possível, apenas no tempo em que essa essência for retida. Esta é a razão do costume Hindu de queimar os mortos, pois quando o corpo é queimado, não mais a essência astral pode sair dele. Mas um corpo enterrado, mesmo em processo de decomposição, ainda anima a aura, o quão fraca esteja, pela qual a entidade morta acha-se em condição de se manifestar. Num homem agonizante a luta entre o homem físico e astral continua até terminar na morte física. Este resultado produz um choque ao homem astral que passa para um estado de sono inconsciente até que acorda no Kama-loka. Este sono é o segundo estado de existência. Então se tornará claro porque são essas “aparições” vistas na hora da morte. Acontece algumas vezes que essa “aparições” são vistas algum tempo após a suposta morte do homem. Mas em exame atento achar-se-á que o homem apenas aparentava estar morto; e apesar da medicina não ser capaz de detectar nenhum sinal de vida nele, ainda assim, na realidade, a luta entre o homem físico e astral ainda não está terminada.

É por causa desta luta estar silenciosamente acontecendo que os antigos buscavam o silêncio na terrível presença da morte. Quando o homem acorda no Kama-loka, inicia seu terceiro estado de existência. A organização física, que por si condiz o homem a produzir causas, não está aí, e ele se preocupa, como se preocupava, apenas com aquelas afinidades que já havia engendrado. Enquanto esta luta no quinto princípio está acontecendo, é quase impossível para a entidade de manifestar-se na terra. E quando um ser vivente deste mundo tenta estabelecer a conexão com aquela entidade, ele apenas perturba a sua paz. Daí porque os antigos proibiam essas práticas, que davam o nome de necromancia, como um pecado mortal.

A natureza da luta depende das tendências engendradas pelo indivíduo em sua vida física. Se ele era materialista, muito grosseiro, muito sensual e a se tinha raramente alguma aspiração espiritual, então a atração para baixo das afinidades inferiores causa uma assimilação da consciência inferior com o quarto princípio. O homem então se torna um tipo de animal astral, e continua neste estado até que, no processo do tempo, a entidade astral seja desintegrada. As poucas aspirações espirituais que possa ter tido são transferidas para a mônada; mas a consciência separada sendo atraída para a alma animal, morre com ela e sua personalidade é assim aniquilada. Se um homem, por outro lado, é  medianamente espiritual, como o é a maioria dos homens, então a luta no Kama-loka varia de acordo com a natureza de suas afinidades; até que a consciência se encontre ligada aos níveis superiores e inteiramente separada do “cascão astral,” e esteja pronta a ir para o Devachan.

Pode então se ver que em qualquer caso, relacionamento com as entidades do Kama-loka, é prejudicial ao progresso dessas entidades e também injurioso a todas as pessoas que entram nessa relação. Essa interrupção é tão ruim, ou até pior do que aquela perturbação na câmara mortuária neste plano físico. Quando lembramos que o quarto princípio através de seu contato com o quinto assimilou a essência deste, se torna assunto fácil o que diz respeito àqueles raros fenômenos nos quais um grau superior de inteligência é exibido pelas entidades do Kama-loka trazidas às sessões mediúnicas. De fato existem casos em que um “cascão astral” atua meramente como um espelho no qual a inteligência de um “medium” se reflete, como há outros em que os “elementais” fazem uso destes “cascões astrais”. Mas naqueles casos onde as entidades do Kama-loka aparecem e exibem uma rara inteligência, é devido à essência absorvida pelo quarto princípio durante sua conexão com o quinto. Existem ainda casos nos quais as entidades “suicidas” do Kama Loka e de pessoas que morrem não naturalmente e de mortes acidentais, podem aparecer e exibir rara inteligência, porque estas entidades tem que viver no Kama Loka pelo período que teriam passado na terra se esses acidentes não as tivessem levado - antes que a luta entre as afinidades astral e espiritual começasse. As causas engendradas por elas durante a vida terrena não estão ainda maduras para frutificarem e devem esperar o tempo devido. Mas para chamá-las em círculos “mediúnicos” é igualmente perigoso como nos casos acima mencionados, e pelas mesmas razões. Pode não ser positivamente injurioso em todos os casos, mas de qualquer maneira o processo está repleto de perigo e não deve ser realizado por pessoas inexperientes.

No que diz respeito as boas pessoas, que, é entendido, possam devido à algum desejo insatisfeito estarem ligadas a terra, os Hindus tem um costume peculiar que é geralmente relegado ao limbo de superstições explosivas, porque sua racionalidade científica não é propriamente compreendida. Se o desejo é de natureza espiritual, então de fato, ele apenas diz respeito às afinidades espirituais colocadas em Manas. Mas se for de natureza material, tal como um ato a ser feito para o bem estar de um amigo ou família, etc., apenas necessita ser levado em conta. Nos antigos tempos, um iniciado ou adepto estava sempre presente na câmara mortuária, e respondiam as condições necessárias então libertando o homem que morria de suas atrações terrenas. Essa é a real origem da “extrema unção” da Igreja Católica Romana e o costume, em outras religiões, de ter um padre perto do homem que morria. Gradualmente como a tendência materialista passou a se firmar, os Hindus inventaram uma cerimônia que era a melhor coisa que podiam fazer sob aquelas circunstâncias. É crença geral entre eles que após a morte física, a entidade se prende à terra por um período de dez dias antes de passar para um outro estado de existência. Durante esse período eles realizavam regularmente ao dia uma cerimônia onde preparavam bolas de arroz e as colocavam diante de corvos. A crença é de que os corvos são tão sensíveis que detectam qualquer figura astral que vêem. Se o homem morre, tendo algum desejo insatisfeito, então sua figura astral cobrirá as bolas de arroz que  os corvos não tocarão. Se as bolas forem imediatamente tocadas, conclui-se que o homem não tendo desejo insatisfeito não está mais ligado à terra. Mas se tal não for, então os parentes do morto irão discorrer todos os desejos deste que possam lembrar, prometendo ao mesmo tempo de preenchê-los. Quando a coisa certa é atingida, acredita-se que a entidade imediatamente vai embora para sua esfera, e os corvos tocam as bolas. Qualquer que seja a razão, os Hindus tem horror a esses elementares, e invés de trazê-los às séances tentam por qualquer meio possível libertá-los da atmosfera terrestre.

Quando a luta entre as afinidades inferiores e as altas inspirações do homem terminar no Kama Loka, dá-se então a morte astral nesta esfera como acontece com a morte física na terra. O choque da morte mais uma vez joga a entidade num estado de inconsciência antes da passagem para o Devachan. A “concha” deixada atras pode se manifestar até se desintegrar, mas não é o real homem espiritual; e a rara inteligência exibida por ela, ocasionalmente, é a radiação da aura presa à ela durante sua conexão com a individualidade espiritual. De seu quarto estado de existência ela re-desperta no Devachan, cujas condições de acordo com os livros Hindus são, salokata, samipata, e sayujyata. No estado inferior, i.e., do salokata, a entidade encontra-se apenas sob a influência do sexto princípio e do sétimo, enquanto que no segundo estado, i.e., samipata, é totalmente coberta pelo último. É apenas o estado sayujyata que ela imerge totalmente no Logos para ser atirada de novo à reencarnação quando já digeriu totalmente os efeitos das aspirações espirituais por ela criadas. São apenas as altamente espiritualizadas entidades que atingem este mais alto estado do Devachan. De fato, o caso dos Adeptos é aqui inteiramente deixado fora de cogitação, pois como o Bhagavad-gita diz, o jñani atinge o estado do qual não existe renascimento e que é chamado Moksha ou Mukti. O período de gestação entre a condição Devacanica e o renascimento físico pode ser chamado de oitavo estado; mas nos livros Hindus a vida física sendo a base dos sete pós estados, não está incluída na categoria dos sapta mais altos lokas, tal como nos princípios septenários o Parabrahman não é levado em conta pela mesma razão. Do ponto de vista subjetivo, o Parabrahman, e do ponto de vista objetivo o Sthulashariram, não são incluídos na divisão septenária, pois esse último é a base sobre a qual toda a estrutura é construída.            

 

Categoria: Escola Esotérica

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