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Yoga S?tra

 

Veja aqui o texto integral em devanagari e sânscrito

 


Sobre a superconsciência

O que é Yoga?

(I-1) Agora você está pronto para conhecer Deus.
(I-2) Conhecê-lo implica cessar todo o nosso barulho interno.  
(I-3) e nos estabelecermos em nossa própria Natureza Divina.
(I-4) Pois de outra forma, nos identificaremos com o próprio barulho.

Modificações da mente

(I-5) Nosso barulho interno vem de cinco fontes, dolorosas e indolores:
(I-6) do nosso conhecimento correto, nossos enganos, nossa imaginação, nosso sono sem sonhos e nossa memória.
(I-7) Nosso conhecimento correto provém daquilo que captamos com os sentidos, de nossa lógica racional e do testemunho de outros.
(I-8) Nossos enganos provêm de nossa relação com as aparências das coisas.
(I-9) Nossas imaginações são barulhos que não se baseiam em nada objetivo.
(I-10) A própria sensação de ausência de conteúdo mental é o barulho mental próprio do sono sem sonhos.
(I-11) E nossa memória é o barulho interno proveniente daquilo que retemos após contato com o externo.

Prática perseverante e desapego

(I-12) Mas só nos desidentificaremos desses barulhos se formos perseverantes e desapegados.
(I-13) A perseverança é o esforço constante de se permanecer imerso no Vazio do Silêncio interior,
(I-14) um esforço duradouro, apropriado e ininterrupto,
(I-15) e o desapego é o autodomínio da ausência de desejos conscientes por qualquer coisa, percebida ou não.
(I-16) Mas o verdadeiro desapego só surge quando conhecemos Deus, através da ampliação de nossa consciência.

Tipos de interiorização

(I-17) Ampliar nossa consciência é, partindo desse confuso barulho, perceber a verdadeira compreensão das coisas, alcançar a plenitude no vazio e atingir a percepção de nossa verdadeira Natureza Divina.
(I-18) Mas para isso, temos que suprimir tudo o que surgir em nossa tela mental para se poder perceber nossos próprios condicionamentos.

O esforço na prática

(I-19) Para alguns seres da natureza, essa percepção já é presente,
(I-20) mas nós necessitamos de auto-entrega, suficiente energia e registros pessoais de experiências e conhecimentos transcendentes.
(I-21) Alcançar a supressão das imagens em nossa tela mental implica numa prática intensiva,
(I-22) pois há uma diferença de conquistas entre quem mantém um suave, médio ou intenso esforço,

Via direta mediante a devoção

(I-23) e quem se entrega totalmente ao Senhor:
(I-24) Aquele que age incólume aos efeitos de suas ações,
(I-25) Aquele que é a Suprema Energia Onisciente,
(I-26) Mestre dos mestres, não limitado pelo tempo e
(I-27) cuja Voz ecoa no Vazio como o divino Som criador.
(I-28) Quando se mantém o foco mental Nele e em Seu divino Som,
(I-29) obtém-se a remoção de todas as distrações que nos impedem a interiorização no Silêncio.

Os obstáculos e soluções

(I-30) As distrações que podem assim serem vencidas são: a doença, a apatia, a dúvida, a falta de entusiasmo, a preguiça, a busca pelo mundano, a confusão mental, a não-conquista ou a instabilidade na conquista de uma etapa de interiorização.
(I-31) Insatisfações, depressões, nervosismos e alterações respiratórias são sintomas causados por essas distrações.
(I-32) A fim de cessar esses sintomas e serenizar a mente, para conseguir se manter o foco mental Nele, deve-se manter o foco em um único dos seguintes princípios:

Pacificação da mente

(I-33) cultivar atitudes de cordialidade perante sintomas agradáveis, de compaixão perante sintomas dolorosos, alegria perante o virtuoso e equanimidade perante o injusto;
(I-34) expirar e manter-se relaxado e confortável na ausência de respiração; ou
(I-35) permanecer no presente, mantendo-se um foco mental e inibindo-se a atividade discriminativa e associativa da mente.
(I-36) Esse foco mental pode ser qualquer percepção interior, indolor ou luminosa,
(I-37) ou a lembrança de seres livres do apego,
(I-38) ou de conhecimentos oníricos,
(I-39) ou, enfim, a prática meditativa que se desejar.

Resultados da serenização mental

(I-40) A serenidade mental assim obtida nos dá o controle desde o micro até o macrocosmo.
(I-41) À medida que o barulho mental se enfraquece, da mesma forma que uma jóia transparente assume a cor do que está em seu íntimo, o eu inferior paulatinamente toma a forma do Eu Superior.
(I-42) No estágio inicial de ampliação da consciência, os nomes, os objetos e sua verdadeira compreensão mental são indistinguíveis.
(I-43) Quando a mente associativa se esvazia de suas crenças e “pré-conceitos”, atinge-se um novo estágio mais puro de consciência, onde se inicia a compreensão da Verdade.
(I-44) E essa compreensão da Verdade também deve ser esvaziada e purificada de nossas crenças e “pré-conceitos”,
(I-45) até que se atinja a percepção da mais sutil e indeterminada manifestação objetiva das coisas.
(I-46) Todo esse processo de ampliação da consciência descrito, se limita ao universo manifestado.
(I-47) Nesse segundo estado ampliado de consciência percebe-se, em nosso íntimo, a claridade de nosso Ser Interior, da Presença,
(I-48) e se conhece a Verdade.
(I-49) O conhecimento da Verdade difere de qualquer conhecimento que um dia tenhamos tido,
(I-50) e o registro na memória desse conhecimento inibirá quaisquer outros registros,
(I-51) até que se consiga inibir até esse último barulho mental, entrando para sempre no reino do Imanifesto, na morada do Pai-Mãe.

Sobre a prática

Atenuação das causas de aflição

(II-1)  Até agora, a sua prática foi de esforço sobre si próprio, autoconhecimento e abertura aos insights de sua natureza intuitiva.
(II-2) O objetivo dessas ações foi ampliar a sua consciência e atenuar os obstáculos à compreensão da Verdade.
(II-3) Esses obstáculos eram o desconhecimento, a atividade egóica com seus apegos (paixões e repulsas) e o seu medo de extinção.
(II-4) O desconhecimento é o terreno de onde brotaram todos os outros obstáculos, sejam eles obstáculos inativos, já controlados, em processo de controle ou ainda totalmente ativos e sem controle.
(II-5) Desconhecimento é tomar como permanente o impermanente, como puro e claro o impuro e turvo, como agradável o desagradável; enfim, é tomar como nossa própria Natureza Divina o que não o é.
(II-6) A atividade egóica surge pela identificação entre a Percepção Pura e o ato de perceber, entre o Percebedor e o perceptível.
(II-7) A paixão é o apego proveniente do prazer, e
(II-8) a repulsa é o apego proveniente da dor.
(II-9) Já o apego à vida é inato até ao maior sábio.

Causas sutis de aflição

(II-10) As manifestações sutis desses obstáculos podem ser evitadas pela análise de suas causas, e
(II-11) o barulho mental por elas provocado deve ser evitado pela meditação.

Rompendo o ciclo das ações

(II-12) Esses obstáculos são a fonte de todos os nossos condiciona-mentos, registrados em nosso mais profundo inconsciente, causas de todas as nossas experiências presentes ou passadas e futuras.
(II-13) Enquanto existirem esses obstáculos existirá, como conseqüência, o renascimento nas mais diversas formas de experiência,
(II-14) de forma que experiências alegres ou tristes são conseqüências de ações meritórias ou não aceitáveis.
(II-15) Isso continuará até que vocês desenvolvam o discernimento de perceber que tudo isso é fonte de dor, por causa da impermanência e das ansiedades da vida, de seus condicionamentos e dos conflitos entre seu caráter e o mundo à sua volta.
(II-16) Só então vocês perceberão que todo sofrimento pode e deve ser evitado,
(II-17) através da separação Daquele que vê daquilo que é visto.
(II-18) O Universo manifestado tomou sua forma, através de sua inércia, atividade e harmonia, somente para nos proporcionar experiências e liberação,
(II-19) através de quatro níveis fundamentais de manifestação: o particular concreto, o abstrato universal, o todo diferenciável e o todo indiferenciado.
(II-20) O Ser, que é a Pura Observação, apesar de puro, só percebe através de imagens mentais,
(II-21) captadas pela sua parte manifestada, que só deveria existir para essa função de fornecer imagens mentais.
(II-22) Mesmo que a realidade manifestada desapareça para Aquele que percebeu seu significado e função, continuará existindo em função dos outros que ainda não perceberam.
(II-23) A natureza da manifestação e seus poderes inerentes só surgem mediante essa união entre o perceptível e o Percebedor,
(II-24) que surge devido à falta de percepção do Ser, de sua própria natureza.
(II-25) Somente quando some essa falta de percepção é que some definitivamente aquela união, no mais alto estado de ampliação da consciência em Pura Observação.

Os oito passos e o discernimento permanente

(II-26) Somente através do ininterrupto discernimento é que vocês destruirão o desconhecimento,
(II-27) através de sete estágios que conduzem à percepção direta da Realidade.
(II-28) A destruição das impurezas que velam o despertar da luz interior e a percepção direta da Realidade, é alcançada pela prática contínua do Yoga,
(II-29) constituída de oito itens: auto-restrições, auto-observâncias, imobilidade, ausência de respiração, abstração sensorial, concentração mental, meditação e ampliação da consciência (superconsciência).

Auto-restrições e observâncias

(II-30) As auto-restrições são a não-violência, não-mentira, não-roubo, não-desejo e não-posessividade,
(II-31) que constituem o Grande Voto, porque independem de costu-mes, convenções sociais, época, lugar ou ocasião, estendendo-se a todas as situações.
(II-32) As auto-observâncias são a auto-limpeza o contentamento, o auto-esforço, o auto-estudo e a auto-entrega.
(II-33) Para isso, a constante ponderação nos opostos e nas suas implicações é uma excelente ferramenta,
(II-34) principalmente quando surgirem pensamentos de violência direta, indireta (indulgência) ou conivente, causados por ganância, ira ou engano, de forma leve, moderada ou intensa, ou que resultem em dor ou ignorância.

Benefícios das auto-restrições e observâncias

(II-35) Pois quando se está estabelecido como não violento, some-se de nossa presença toda a hostilidade;
(II-36) quando estabelecido na veracidade, tudo dependerá somente da própria vontade;
(II-37) quando estabelecido na honestidade, todas as riquezas surgem;
(II-38) quando estabelecido na continência, adquire-se grande vitalidade;
(II-39) e quando estabelecido no correto possuir, conhece-se todos os “comos” e “porquês”.
(II-40) Quando estabelecido na pureza física, estabelece-se na busca do próprio íntimo, isolando-se socialmente,
(II-41) e adquirindo a pureza e o contentamento mental. Surge o controle dos sentidos e o foco mental em busca de nossa Natureza Divina.
(II-42) Pois através do contentamento se obtém uma felicidade insuperável,
(II-43) e a capacidade de se auto-superar, que leva à destruição de todas as impurezas restantes, adquirindo-se extraordinárias faculdades corporais e sensitivas.
(II-44) Quando profundamente estabelecido no auto-estudo conecta-se com a Presença,
(II-45) e quando profundamente entregue a essa Presença, obtém-se a superconsciência.

Postura

(II-46) A única postura física recomendada para se exercutar essa entrega é aquela estável e agradável,
(II-47) cuja perfeição se obtém mediante o relaxamento consciente e a completa absorção na espiral infinita.
(II-48) Somente assim estaremos protegidos de todas as polaridades.

O controle da energia respiratória

(II-49) Conseguido isso, poder-se-á obter o controle da energia respiratória,
(II-50) através de retenções externas, internas ou intermediárias, da visualização de seu fluxo por determinado tempo e número de repetições, e através da profundidade e sutileza da própria respiração,
(II-51) até que se transcenda o externo, o interno e o intermediário num quarto estado.
(II-52) É nesse estado de ausência de movimentos respiratórios, que se atenua o véu que encobre a luz da Verdade,
(II-53) e que a mente fica pronta para a concentração,

A abstração sensorial

(II-54) pois ela se retira dos sentidos para seu próprio seio,
(II-55) e obtém o supremo controle dos próprios sentidos.
 

Sobre as faculdades especiais 

Concentração, meditação e superconsciência

(III-1) Concentração é a perfeita percepção de um objeto, por uma mente abstraída dos sentidos.
(III-2) Nesse estado, quando a imagem mental permanecer continuamente a mesma, você estará em plena atenção. Você estará meditando.
(III-3) No momento em que você sumir no vazio, permanecendo apenas o objeto antes observado, você entrará na completa interiorização da superconsciência.

A completa integração ou controle mental

(III-4) Concentração, meditação e superconsciência são as três fases progressivas do pleno controle mental.
(III-5) Pelo domínio do controle mental você alcançará a luz do conhecimento da Verdade,...
(III-6) de forma prática e progressiva.

O interno, na realidade, é externo

(III-7) Essas três fases são internas em relação às cinco precedentes,...
(III-8) mas, mesmo assim, são externas, em relação à completa absorção mental experimentada no reino do Imanifesto, na morada do Pai-Mãe.

Percebendo as mudanças sutis

(III-9) Entre uma impressão mental que é ativada e a sua completa inibição, pela ativação de uma outra impressão mental, existe um processo inibidor associado, ...
(III-10) que é a causa do fluxo ininterrupto de impressões mentais.
(III-11) No processo de ampliação da consciência, é essencial a eliminação de todas as distrações e o desenvolvimento da plena atenção,...
(III-12) que é o estado unidirecionado da mente onde a impressão mental que surge é a mesma que foi inibida momentos antes.
(III-13) E é justamente essa falta de unidirecionalidade que explica a mutabilidade da natureza e de nossa captação pelos nossos órgãos dos sentidos,...
(III-14) pois a verdadeira substância imutável é aquela que forma a base por onde fluem no tempo as suas impressões mentais,...
(III-15) e é esse fluxo quem determina os diferentes processos individuais existentes.

Alcance das aplicações do controle mental

(III-16) Assim, quando se aplicar esse pleno controle mental sobre o próprio processo de controle, surgirá todo o conhecimento das causas e efeitos em nossa vida;
(III-17) Aplicando-se esse controle mental sobre os sons emitidos por qualquer ser vivo, que é o conjunto de som, imagem mental e seu significado, obtêm-se o significado oculto deles;
(III-18) Aplicando-se o controle mental sobre qualquer hábito ou condicionamento obtém-se o conhecimento de sua causa, até obter-se a percepção de vidas pregressas;
(III-19) Aplicando-se o controle mental sobre a imagem mental de outrem, conhecer-se-á como, objetivamente, funciona a sua mente,...
(III-20) mas não o pensamento subjetivo em si;
(III-21) Aplicando-se o controle mental sobre o processo de reflexão da luz, que faz visível o próprio corpo, obtém-se o poder de desconectar a própria luz dos olhos dos observadores externos, tornando-se invisível;
(III-22) Da mesma forma se explica o desaparecimento dos próprios sons;
(III-23) Aplicando-se o controle mental sobre causas e efeitos, sejam eles imediatos ou tardios, obter-se-á o conhecimento até das causas da própria manifestação física, pressentir-se-á o momento o momento da própria extinção, pela percepção da extinção da sua causa;
(III-24) Aplicando-se o controle mental sobre qualquer qualidade, como a amizade, obter-se-á, em si mesmo, a própria qualidade,...
(III-25) assim, aplicando-se o controle mental, por exemplo, sobre a força de um elefante, obter-se-á a fortaleza correspondente;
(III-26) Aplicando-se o controle mental sobre as luzes extra-sensoriais percebidas em meditação, obter-se-á o conhecimento dos mundos sutis, do oculto e do distante;
(III-27) Aplicando-se o controle mental sobre o Sol, obter-se-á o conhecimento de sua dimensão mental;
(III-28) Aplicando-se o controle mental sobre a Lua, obter-se-á o conhecimento de sua dimensão transcendente intuitiva;
(III-29) Aplicando-se o controle mental sobre o centro da Galáxia, obter-se-á o conhecimento de toda a sua configuração;
(III-30) Aplicando-se o controle mental sobre o próprio centro energético, situado no umbigo, obtém-se o conhecimento de toda a organização corporal;
(III-31) Aplicando-se o controle mental sobre a garganta, inibe-se a percepção de fome e sede;
(III-32) Aplicando-se o controle mental sobre a traquéia retro-esternal, obtém-se estabilidade física, mental e emocional;
(III-33) Aplicando-se o controle mental sobre a Presença, sentida no topo da cabeça, obtém-se a visão sutil do próprio Mestre interior,...
(III-34) e uma clareza de percepção que traz o germe da onisciência;
(III-35) Aplicando-se o controle mental sobre o centro da alma, que habita no coração, obtém-se a compreensão de toda a extensão do próprio complexo mental;
(III-36) Quando não mais se percebe a diferença entre a Presença em si e o Si-mesmo e se aplica o controle mental sobre essa Presença, obtém-se o perfeito conhecimento da própria Essência,...
(III-37) gerando uma perfeição nas percepções através dos cinco sentidos;

Que fazer com as capacidades alcançadas?

(III-38) Mas todas essas conquistas são meros obstáculos à ampliação interna da consciência, pois são capacidades que mantém a mente voltada para o exterior;

Mais coisas sobre as aplicações do controle mental

(III-39) Somente pelo completo desapego ao próprio corpo e psique é que surgirá a verdadeira ampliação da consciência, que faculta o vaguear da mesma, podendo-se até penetrar em outros corpos e psiques;
(III-40) Pelo domínio da energia sutil ascendente, obtém-se a capacidade de levitar e caminhar pelas águas, espinhos, etc.;
(III-41) Pelo domínio da energia sutil metabolizadora (digestiva), irradia-se uma luminosidade sutil;
(III-42) Aplicando-se o controle mental sobre o som do vazio, obtém-se a ampliação das capacidades auditivas para além do plano físico;
(III-43) Enquanto se percebe o próprio vazio, aplicando o controle mental na sensação de leveza, conseguir-se-á viajar pelo espaço sutil.
(III-44) Nesse profundo e incompreensível estado mental, fora do corpo e da psique, desaparecem todos os véus que encobrem a verdadeira luz da consciência.
(III-45) Então, poder-se-á aplicar o controle mental sobre as finalidades da própria manifestação física, manifestação sutil e suas interconexões com a própria natureza essencial, e obter-se o completo domínio do plano físico e sutil;
(III-46) Somente assim é que surgirão outras capacidades como reduzir ou ampliar o tamanho dos objetos, imprimir leveza ou peso nos objetos, ir a todos os lugares, criar e controlar todas as coisas, realizar todos os desejos, inclusive a perfeição corporal,...
(III-47) perfeição corporal esta que se manifesta como beleza, graciosidade, força e resistência, e...
(III-48) se poderá aplicar o controle mental sobre o processo de percepção mais profundo, buscando a finalidade do senso de individualidade e a interconexão dele com a própria natureza essencial. Dessa forma se obterá o domínio sobre os sentidos e sobre o poder de ação, que...
(III-49) facultará a obtenção da cognição instantânea, que independe dos sentidos, e um completo domínio sobre as forças da natureza;

Renúncia e Emancipação (Libertação)

(III-50) Somente quando for clara a distinção entre a individualidade e o Si-mesmo essencial é que se obterá a suprema onipotência e onisciência, mas...
(III-51) será preciso o desapego até mesmo a isso, para se destruir a própria semente da imperfeição e se obter a Emancipação final, pois...
(III-52) surgirão visões místicas de seres luminosos demonstrando respeito por suas conquistas, o que trará consigo inclinações indesejáveis de apego e orgulho;

O discernimento mais elevado

(III-53) Quando se obtiver a capacidade de dintinguir, através do controle mental, o mínimo instante de tempo e o instante seguinte, se obterá um conhecimento...
(III-54) que facultará a percepção da diferença entre objetos similares que normalmente não podem ser distinguidos, seja no tempo ou no espaço, e...
(III-55) essa percepção transcendente, inclui todos os objetos e condições, independe do tempo;
(III-56) Somente então se poderá levar a individualidade ao mesmo grau de pureza do Si-mesmo essencial, e se obter a Emancipação final.
 

Sobre a Emancipação

Meios para se obter a superconsciência

(IV-1) Pode-se nascer capacidades transcendentes ou obtê-las através do uso de drogas, pela entoação de sons sagrados, pela própria auto-superação ou através da ampliação da consciência;
(IV-2) Mas é somente pela ampliação da consciência que se podem transformar os objetos e condições pela reorientação de natureza potencial,...
(IV-3) pela escolha de um caminho e remoção dos obstáculos, como um agricultor arando a terra;

Domínio dos estados mentais

(IV-4) Dessa forma, podem-se criar, conscientemente, diferentes mentes artificiais, a partir do próprio senso de individualidade,...
(IV-5) dirigindo a todas, em suas diferentes atividades e percepções,...
(IV-6) mas é somente aquela, nascida da meditação, que estará livre de condicionamentos e motivações;

As ações

(IV-7) Esse praticante avançado age sem desejo pessoal, diferente dos outros, ligados ao certo ou ao errado,...
(IV-8) que agem de acordo com suas motivações e condicionamentos, que despertam quando as condições apropriadas surgem;

As impressões subliminares

(IV-9) Existe uma relação de causa e efeito ininterrupta, entre os condicionamentos subliminares e as ações executadas, mesmo separadas em seus tipos ou no espaço-tempo, porque estão todas registradas na memória...
(IV-10) com suas origens perdidas no tempo, pois eterno é o desejo de viver, e...
(IV-11) como estão interligadas como causa e efeito, os efeitos só desapareceram quando suas causas subjacentes sumirem;
(IV-12) Passado e futuro são tão reais, como caminhos próprios, quanto o presente e obedecem a suas próprias leis.

Os constituintes fundamentais

(IV-13) Todas essas formas de tempo também se compõem de constituintes fundamentais...
(IV-14) da mesma forma que a essência de toda a matéria consiste na harmonia do processo de constante transformação de seus constituintes fundamentais;

A mente que percebe

(IV-15) Apesar de todos os objetos serem únicos, cada um, individualmente, é múltiplo, dado a diversidade de mentes que o percebem...
(IV-16) mas a existência do objeto independe de todas elas, senão o que seria dele se não fosse percebido?
(IV-17) A qualidade do conhecimento sobre cada objeto depende de como ele modifica a mente que o percebe...

Iluminação da mente

(IV-18) e essa percepção mental é feita pelo dono da mente: o Si-mesmo imutável,...
(IV-19) pois a mente, sendo observável, não pode observar a si mesma,...
(IV-20) nem pode, ao mesmo tempo, perceber e ser percebida.
(IV-21) Se existisse um nível mental superior que observasse um inferior, haveria infinitos níveis sucessivos de observadores e uma confusão de memórias.

O Observador e a Libertação

(IV-22) Somente um nível mental imutável pode identificar todos os níveis mutáveis da mente e ao Observador em si mesmo.
(IV-23) A observação mental de qualquer objeto, necessita tanto da luz emitida pelo objeto quanto da existência de um Observador iluminado pela luz da Consciência,...
(IV-24) aliás, a verdadeira função da mente não é reagir a seus diversos impulsos potenciais e condicionamentos, mas agir em associação com o Observador Consciente, e
(IV-25) investigar a própria natureza até perceber a distinção entre si mesma e o Observador Consciente,
(IV-26) obtendo discernimento suficiente e inclinando-se à Emancipação.

Distúrbios próximo à Libertação

(IV-27) Mas durante essa investigação, são comuns as distrações, devido a hábitos e condicionamentos prévios,...
(IV-28) que são removidas da mesma forma que se removeram as causas de aflição, obstáculos à compreensão da Verdade.

A Libertação

(IV-29) A percepção direta da Realidade, obtida no mais alto nível de superconsciência, só é alcançada pelo mais completo desinteresse e desapego, até em relação a esse mais alto nível de superconsciência,...
(IV-30) somente assim cessarão todas as ações baseadas naqueles obstáculos e causas de aflição, e...

A pobreza dos conhecimentos obtidos até então

(IV-31) se obterá o Conhecimento Infinito, incomparável defronte ao pouco de conhecimento que se detinha até então.

Os elementos fundamentais da natureza depois da Libertação

(IV-32) Cumprida a sua verdadeira razão de ser, com essa ampliação de consciência obtida, percebe-se e transcende-se o processo de constante transformação dos constituintes fundamentais da matéria e...
(IV-33) percebe-se o processo de transformação existente nas dimensões do tempo do processo mental. Ou seja,...
(IV-34) agora estabelecido em sua própria natureza essencial e fundamental, que é Consciência e Poder, some da percepção todo o processo de constante transformação dos constituintes fundamentais da matéria, por não haver mais nenhum sentido na sua existência.

BIBLIOGRAFIA

1. Azevedo, Cláudio; Yoga S?tra de Pat?ñjal?, Editora Órion, Fortaleza, 2.006;
Categoria: Cláudio Azevedo