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Complicada questão filosófico-religiosa. Desde que desenvolveu o pensamento racional e buscou respostas a questões essenciais, o homem persegue o entender do mundo que o cerca. Porque as coisas acontecem? Evoluções históricas à parte, o homem tem três formas de pensar acerca dessa pergunta: afirmar que as coisas acontecem ao acaso, afirmar que há uma lei que determina os acontecimentos ou afirmar que “temos as rédeas na mão”.

Por séculos a ciência se dividiu nas duas primeiras formas de pensar que se desenvolveram independentemente em dois ramos bastante sólidos: a estatística e a matemática. O pensamento ocidental conciliava perfeitamente o que é estatístico (entregue ao acaso) e o que é matemático (entregue a leis) até que a descoberta do comportamento da subpartículas incluiu a mente humana como um fator influenciador dos eventos quânticos (veja na entrevista de Amit Goswami).

No mundo quântico vemos que todas as partículas estão interligadas de uma forma tal, que a alteração em qualquer uma delas determina algum tipo de mudança em todas as outras. Assim vemos que tudo o que acontece está regido por uma espécie de Lei de Causa e Efeito. Os hindus chamam a essa lei de Lei do Carma. Mas a causa primeira, que determina a mudança inicial estava ligada ao campo das probabilidades até então. Discussões famosas entre Albert Einstein e Niels Bohr deixaram famosas frases como a de Einstein: “definitivamente Deus não joga dados com o Universo...”.

Einstein acreditava que os eventos quânticos não eram puramente aleatórios, mas que as partículas surgiriam em determinados locais devido a razões ocultas que ainda iríamos descobrir, e a ciência afirma hoje que a mente ocupa um lugar de destaque na seleção do local de surgimento das partículas e postula que, uma vez determinado o evento, todas as outras possibilidades ocorreriam em outros Universos inteiramente diferentes. Matematicamente, já é possível a existência de até 11 dimensões extras (veja em Scientific American Brasil de janeiro de 2.004).

A mecânica quântica usa o acaso quântico para chegar a leis determinísticas, mas a influência da mente humana como co-participante do experimento, e não como mero observador, gera um grande fator complicador nas experiências. Até que ponto nós temos o poder de influenciar os eventos quânticos? E quando não influenciamos, quem ou o que influencia? Aquilo que não observamos existe mesmo, ou tem apenas uma probabilidade de existir, passando a existir somente depois de observado pela mente humana? Ou é a mente que cria a observação?

Esses questionamentos, longe de serem apenas questões acadêmicas, ocorrem em nossa vida diária. Existe algo como destino, algo como a predestinação, ou temos o poder de mudar o destino? Dois argumentos surgem dessas questões. Se o nosso destino foi irremediavelmente traçado pelo evento do Big-Bang (que gerou um Universo de partículas interligadas pelo seu efeito  - teorema de Bell), quem, ou o que, desencadeou essa explosão? Se podemos mudar o nosso futuro, pois ele é apenas uma possibilidade e não tem existência absoluta, poderemos também mudar o nosso passado, que não tem também uma existência absoluta (veja também na entrevista de Amit Goswami)?

No campo religioso, dogmas inflexíveis separam as doutrinas que pregam a predestinação absoluta do homem ou a sua salvação através de seu livre-arbítrio ou pela graça de um Ser superior. Mas da mesma forma que os estados de matéria e energia, como pólos opostos da subpartícula, são verdadeiros, todos os pólos opostos também são verdadeiros e plenamente reconciliáveis. Parece haver algo como uma “Mente” ou “Consciência Universal” responsável pela Criação, que quando sintonizada pela mente humana, em estados alterados de consciência, faculta ao homem o poder de modificar a matéria no tempo e no espaço. Se a única coisa real que existe é o “aqui e agora”, temos o poder de modificar a nós mesmos e, conseqüentemente, pelo teorema de Bell, todo o Universo sincronizado conosco.

Temos o poder de realizar e mudar o estado das coisas, mas para isso necessitamos sintonizar o nosso “rádio mental” (parafraseando Paramahansa Yogananda) no canal divino da “Consciência Cósmica”. Enquanto estivermos sintonizados com o nosso mundo finito de pensamentos e emoções, não experimentaremos nenhuma mudança substancial em nós mesmos e muito menos no Universo a nossa volta. Sintonizar o nosso “rádio mental” no silêncio que está além de nossos pensamentos, emoções e sensações é experimentar o vazio da meditação. É no vazio físico que todas as partículas surgem e desaparecem, e é no vazio mental que as transformações pessoais ocorrem. Somente quando a nossa mente está vazia é que a voz do silêncio de nossa intuição consegue se fazer audível na forma de insights ou de impulsos criativos e artísticos.

Esse estado mental é descrito em todas as tradições místico-religiosas: o pangree africano, o Samadhi hindu, o Sanmai zen-budista, o êxtase contemplativo cristão (contemplação infusa), o nirvana budista, o fanan muçulmano, a superconsciência de Sri Aurobindo (1.872-1.950), a supra-consciência de Paramahansa Yogananda (1.893-1.952), a Grande Imobilidade dos  taoístas, etc..

Nos resta apenas trabalhar e buscar o vazio dentro de nós, única oportunidade teórica de mudança, demonstrada na prática na vida de todos as pessoas consideradas santas, ou espiritualizadas, que viveram ou que ainda vivem entre nós. Então mãos a obra, vamos juntos ajudar a mudar o mundo, mudando a nós mesmos. Somos todos predestinados...

Categoria: Cláudio Azevedo

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