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E quem é o seu grande amor? O seu instinto quer que você se una a quem? Onde está sua casa?

"Busquei o amor em muitas vidas. Para saber o que é o amor, derramei as lágrimas mais amargas de separação e arrependimento. Sacrifiquei tudo, todo o apego e toda a ilusão, para compreender, afinal, que estou apaixonado pelo AMOR apenas. ...

Muitas almas se perguntam, numa atitude triste e desamparada, por que o amor foge de um coração para o outro. ...

[Mas] o Senhor sempre vos sussurra em silêncio:

'Eu sou o AMOR. Porém, a fim de [que vós] experimenteis o ato de amar e a dádiva do amor, dividi-Me em três: o amor, o amante e o amado. ...'

Como pai, bebo o amor reverente do manancial do coração de meu filho. Em forma de mãe, bebo o néctar do amor incondicional do cálice da alma de meu bebezinho. Na criança, absorvo o amor protetor da razão justa do pai.Como infante, bebo o amor imotivado no santo graal da materna atração. Patrão, bebo o amor cheio de consideração que vem do frasco da amabilidade do servidor. Como servidor, sorvo o amor respeitoso no copo do apreço do patrão. ... Na forma de amigo, bebo dos mananciais borbulhantes do amor espontâneo.

Estou apaixonado somente pelo AMOR, mas me permito ser iludido quando, como pai e mãe, apenas penso no filho e me compadeço dele; quando, como amante, só me preocupo com a pessoa amada; quando, como servidor, vivo apenas para o patrão.

[Mas o Senhor sempre nos sussurra em silêncio]:

'É por essa razão que transfiro o pai para o mundo astral, quando ele se esquece que é o Meu AMOR, não o seu, que protege o filho. Arranco o bebê do seio da mãe, para que ela possa aprender que era o Meu AMOR que ela adorava nele. Arrebato o bem-amado daquela que o ama e que imagina ser ela a quem ele ama, em vez de ao Meu AMOR, que responde nela. ...

Os seres humanos importunam-se mutuamente: "Ama apenas a mim". Por isso, torno frios seus lábios e os cerro para sempre, para que não mais pronunciem essa inverdade. Visto que são todos Meus filhos, quero que aprendam a falar a verdade suprema: 'Ama o AMOR Uno em todos nós'. Dizerdes a outra pessoa: 'Eu te amo', é falso até que compreendais a verdade: 'Deus como amor em mim está apaixonado pelo amor que Ele tem em ti'.

A Lua se ri de milhões de amantes bem intencionados que, sem saber, mentiram aos seus entes queridos: 'Eu te amarei para sempre'. Suas caveiras estão disseminadas pelas areias da eternidade, varridas ao vento. Eles já não mais podem usar o alento para dizer: 'Eu te amo'. Não podem recordar nem cumprir sua promessa de se amarem para sempre. ...

Aqueles que Me amam na forma de uma única pessoa, ou que Me amam imperfeitamente em alguma pessoa, não sabem o que é o AMOR. Somente conhecem o AMOR, aqueles que Me amam com sabedoria... - aqueles que Me amam, perfeita e igualmente, em todas as pessoas, e que Me amam, perfeita e igualmente, como todas as pessoas'.

Paramahansa Yogananda

 

 Amante, amado e amor são apenas formas ilusórias de apresentação do AMOR, que se mostram àqueles ligados ao mundo físico ilusório. Estamos iludidos, quando confundimos amor com prazer. Prazer é uma ilusão dos sentidos. Ele tem uma raiz profunda em nosso instinto de sobrevivência, como personalidade, em que sentimos dor como reação sensitiva àquilo que nos ameaça a sobrevivência, e prazer àquilo que facilita a sobrevivência. E é esse prazer, que nos faz querer ficar junto do instrumento de prazer e usar a nossa mente racional lógica para descobrir meios de obter o intento de nossa personalidade. Instinto, sensação e razão.

E é embasado nesse tripé, que o homem normal institui o conceito de amor. Amo aquilo que satisfaz meus instintos, aquilo que satisfaz minhas sensações e aquilo que está de acordo com minha razão.

E o que é um homem normal. O normal é um conceito puramente estatístico. O normal é aquilo que está predominando no local e no momento da pesquisa. O normal, nesse nosso mundo ilusório, está ligado, logicamente, ao tempo e ao espaço. O que é normal na África do século II não é o mesmo do Brasil do século XXI. Então seria melhor chamar esse "normal" de "normótico". É normótico, em nosso atual tempo e espaço, subornar, invadir o espaço dos outros, vender, comprar, conspirar, manipular, mentir, etc.. É normótico, não normal. O homem normal ama aquilo que satisfaz seus instintos, aquilo que satisfaz suas sensações e aquilo que está de acordo com a sua razão.

Mas do mesmo modo como o espaço e o tempo, tudo o que for ligado a eles é relativo, e muda constantemente. A única coisa que não muda é o que está implícito, escondido além do mundo quântico. Nenhum clarão, túnel, alegria, tristeza, prazer ou dor irão nos levar a nada verdadeiro. Toda essa corrente de sensações e pensamentos, que ocorrem também no tempo e espaço, são relativos e mudam constantemente. Se os seguirmos seremos escravos deles e de suas mudanças. Ontem eu amei fulano, depois amei cicrano, mas hoje amo fulano novamente. Quem amarei amanhã? Ontem estava unido a fulano, e era verdadeiro. Mas descobri que era falso e me uni então a cicrano. Hoje sei que verdadeiro era mesmo o fulano, cicrano era uma ilusão. Todas os nossos instintos, as nossas sensações e as nossas elucubrações lógicas, presas como estão no nosso plano físico de tempo e espaço, são relativos, mudam e, portanto, são ilusões normóticas de uma pessoa normótica num mundo normótico.

E o que é se arriscar, o que é viver? Depende de que dimensão se esteja falando. Risco está intimamente ligado ao conceito filosófico de livre-arbítrio. Arriscar-se é exercer o direito filosófico de livre-arbitrar. O nosso livre-arbítrio pode nos levar a ficar preso a esse mundo normótico ou nos livrar dele. Presos ao mundo normótico poderemos experimentar sensações e pensamentos lógicos associados (bons ou ruins). Livres desse mundo, não há mais alegria ou tristeza, amor ou desamor, bom ou ruim, toda a dualidade desaparece e fica somente a Unidade. Essa Unidade que não traz sensações, pois sensações são fenômenos ligados ao plano físico, é conhecida como Bem-aventurança. O nosso arriscar-se deve se dirigir nesse caminho de viver.

Mas como precisamos de coisas palpáveis para exercer comparações, esse estado de Bem-aventurança pode ser muito imperfeitamente comparado à sensação física de Paz, interna e externa. A sensação física de Paz é a que mais se aproxima, nesse nosso mundo normótico, do estado final de Bem-aventurança de união com o divino. Se sentirmos paz em nossos instintos, sensações, sentimentos, pensamentos e ações, então valeu a pena "nos arriscarmos a viver". Se não sentimos ainda essa paz em todos esses planos, devemos mudar a nossa vida, tornar a nos arriscar e mudar.

 

Categoria: Cláudio Azevedo