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No princípio era o caos, não havia forma, apenas o vazio: “havia trevas sobre o abismo”. O espírito de Deus se movia sobre o abismo (Gn 1:2).  O taoísmo afirma que o Tao (o Impronunciável), gerou o Um e esse oscilava entre os seus dois aspectos: Não-Ser e Ser (Incriado e Criação). Aquele Espírito que se movia sobre o abismo e existia junto com Deus, é o Dois do taoísmo: A MÃE DO MUNDO, o Eterno Feminino (Nari) do hinduísmo. Da Mãe do Mundo nasceu o Filho, o Verbo Criador.

 

Para a filosofia hermética do antigo Egito, esses princípios masculino e feminino estão presentes em tudo. Do masculino parte a energia para que o feminino ponha em atividade o seu processo de criar, produzir e gerar. O feminino tem a capacidade natural de buscar a união com o princípio masculino na busca de sua plenitude: GERAR. Para o taoísmo esses aspectos, presentes em todas as coisas existentes, são representados pelos conceitos de YIN e YANG. O Yin é o inverno frio e escuro, o receptivo, o feminino, o maternal, representado pela Terra, o repouso, a mente intuitiva e complexa, a tranqüilidade contemplativa do sábio, enquanto o Yang seria o verão claro e quente, o masculino, o poder criador associado ao Céu, o movimento, a mente racional e clara, a vigorosa ação criativa do rei.

Para os indianos, Deus tem a forma da Mãe, a Mãe Divina. O amor incondicional é o amor materno. É a mãe quem gera, quem alimenta, quem cuida, quem cria, quem acolhe, quem perdoa incondicionalmente, quem ensina amorosamente. A mãe não castiga sem logo depois acolher, a mãe não condena, não maltrata, não despreza. Para a mãe, assim como para Deus, nós sempre seremos uma parte de seu ser, gerado e criado dentro de seu ventre, crescemos e tivemos consciência de que existíamos dentro dela e sempre faremos parte dela. Mãe e filho, unidos por um cordão umbilical invisível eterno, são uma coisa só. Definitivamente, para mim Deus não é Pai, Deus é Mãe.

A energia feminina do Universo, representada na figura da Mãe Divina, a Virgem Sagrada Shakti indiana, Tara budista, Santa Maria católica, a Mãe do Mundo taoísta, etc., representam o poder criador de Deus: “Estar unido a Shakti é ser cheio de poder”.

Que heresia termos um dia para nos lembrar de nossas mães, quando, na verdade, comemoramos a sua existência todos os dias, todas as horas, todos os momentos. Quando respiramos, a cada inspiração exaltamos e percebemos a Sua existência e a cada expiração devolvemos a Ela, com um profundo agradecimento, todas as qualidades por nós desenvolvidas.

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19:18, Mt 22:39, Mc 12:31 e Lc 10:27), disse o Cristo ser o segundo maior mandamento, abaixo apenas do amor a Deus. Essa frase condiciona o amor ao próximo ao amor a si próprio. Para amar o próximo devo amar primeiro a mim mesmo. Nossas mães nos ensinam o amor incondicional, a ver as belezas da vida. Ensinam-nos a ternura, a suavidade, nos ensinam a contemplar. Com elas aprendemos a ser receptivos e intuitivos, aprendemos a cuidar de nós mesmos, a amar-nos e a perdoar-nos a nós mesmos. Ensina-nos uma indulgência que não estraga por não ser excessiva, mas que enternece nossos corações para que possamos com benevolência libertar os outros de suas dificuldades usando de nossa ternura e amor. Dessa forma aprendemos como devemos amar ao próximo: da mesma forma como nossa mãe nos ama.

Amarás ao teu próximo da mesma forma como tua mãe ti ama, da mesma forma como tu ti amas, da mesma forma como a Mãe Divina te ama, da mesma forma como Deus te ama. O único referencial humano que temos da forma como Deus nos ama é o amor materno. Aproveitemo-lo, exaltemo-lo, louvemo-lo, imitemo-lo como um ideal de vida: AVE MÃE.

 

Categoria: Cláudio Azevedo