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No princípio era o caos, não havia forma, apenas o vazio: “e Deus criou os céus e a terra... as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus se movia sobre as águas” (Gn 1:1s). O taoísmo afirma que o Tao (o Impronunciável) gerou o Um, o Eterno Masculino (Nara) do hinduísmo, o qual gerou o Dois taoísta. Aquele Espírito que se movia sobre as águas e existia junto com Deus (o PAI DO MUNDO) é o Dois do taoísmo: A MÃE DO MUNDO, o Eterno Feminino (Nari) do hinduísmo. Da Mãe do Mundo nasceu o Filho, o Verbo Criador.

 

Para a filosofia hermética do antigo Egito, esses princípios masculino e feminino estão presentes em tudo. Do masculino parte a energia para que o feminino ponha em atividade o seu processo de criar, produzir e gerar. O feminino tem a capacidade natural de buscar a união com o princípio masculino na busca de sua plenitude: GERAR. Para o taoísmo esses aspectos, presentes em todas as coisas existentes, são representados pelos conceitos de YIN e YANG. O Yin é o inverno frio e escuro, o receptivo, o feminino, o maternal, representado pela Terra, o repouso, a mente intuitiva e complexa, a tranqüilidade contemplativa do sábio, enquanto o Yang seria o verão claro e quente, o masculino, o poder criador associado ao Céu, o movimento, a mente racional e clara, a vigorosa ação criativa do rei.

Para os indianos, Deus tem a forma da Mãe, a Mãe Divina, enquanto para os cristãos Deus tem a forma de Pai, o “Pai nosso que estai no céu” (Mt 6:9). O Pai Celestial é o exemplo de sabedoria, justiça e proteção que está representado em todos os pais humanos. Todos os pais são representantes, aqui na Terra, do nosso Pai Celestial. Enquanto o amor materno é o amor incondicional, o amor paterno, nem sempre incondicional, é o disciplinador. Enquanto a mãe age pela intuição, o pai age pela sabedoria. É o pai que ensina a vida, como vivê-la, como sobrevivê-la, como agir com sabedoria e justiça.

É o pai o responsável pela individualização do filho, unido por um cordão umbilical invisível eterno com a sua mãe, imerso na unidade da vida. Só assim o filho pode seguir seu caminho individual de retorno à casa do Pai Celestial. É o pai que tem a função de diferenciar a criança de sua mãe, a função de lhe dar um nome, reconhecê-la como um indivíduo. Ser pai não é doar o líquido seminal. Ser pai é amar, instruir, disciplinar e dar um nome, uma posição definida na sociedade. Deus protege todos os seus filhos através dos pais humanos.

“Como instrumento do Ser Divino, o pai representa seu maior papel criativo quando implanta, em seus filhos, pensamentos que conduzirão à realização divina”.

Paramahansa Yogananda (1.893-1.952)

Em cada célula de nosso ser, nosso pai está presente e para ele somos uma extensão e uma continuidade sua, uma forma de imortalidade. Da mesma forma que Cristo disse: “Estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14:10s) e “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30), também nós somos um com nossos pais, tanto no plano físico como no plano espiritual. Essa unidade entre o Pai e o Filho pode ser percebida na correlação entre a palavra aramaica para Pai (Abwoon) e a hebraica para Filho (Amem). O Filho, o Verbo Criador (Viraj), é representado pelos hindus pela sílaba Aum (que se tornou o Hum tibetano, o Amin mulçumano e o Amem hebraico). Com quase a mesma pronúncia, isso indica a unidade entre Pai e Filho: Abwoon decide e Aum cria (Amem, a testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus - Ap 3:14).

Agimos na vida seguindo, consciente ou inconscientemente, o exemplo de nosso pai. Somos na vida o exemplo que nosso pai nos dá. Todo dia é dia dos pais. A todo o momento, a cada expiração exaltamos a Sua Presença:

Pai, como existirmos, se você não tivesse existido. Como crescermos, se você não tivesse nos instruído, como aprendermos, se você não tivesse nos disciplinado. Como sermos pessoas, se você não tivesse nos dado nossa individualidade.

Categoria: Cláudio Azevedo