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“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente... E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudante idônea para ele”.

 

 

E que ajudante! Para o homem, glória e perdição. Joguete de seus hormônios e de suas percepções, mais aguçadas que as do homem, experimenta tudo antes que o homem, descobre tudo antes que ele e vive tudo primeiro. Sua sensibilidade é excepcional. Por causa disso já foi bruxa e assim foi queimada. Sua sensualidade, temida, já fez com que fosse considerada artífice do mal. Por isso reprimida e oprimida. Anjo e demônio, fada e bruxa. Fria e calculista, o é melhor que o homem. Não fira nunca uma mulher, pois ela sabe como revidar, conhece as fraquezas do homem e se vinga de uma forma magistral. Não as fira nunca... Não sabe você do que uma mulher ferida é capaz.

Entre alegrias, dores e sangue leva a sua vida, experimentam as mudanças, seus ritos de passagem. “Bicho esquisito, todo mês sangra”. Como fada e mágica, com um beijo e um afago curam todas as dores, ou pelo menos nos fazem esquecer delas temporariamente, até que nos levem a um médico. São agentes de cura incansáveis, sempre cuidando, sempre observando, sempre olhando. Cuidam dos pais, cuidam dos filhos, cuidam dos amigos, cuidam das relações, cuidam, cuidam, cuidam... Mas não as fira nunca...

São extremamente frágeis. Gostam de ser protegidas, gostam de ser cuidadas, gostam de falar e serem ouvidas, gostam de ser consideradas. Adoram quando seus parceiros são firmes, adoram quando seus parceiros lhe roubam um beijo e se desmancham quando acariciadas e tocadas. São pétalas delicadas e como tais devem ser tratadas, pois só assim serão fiéis ajudantes. Mas necessitam crescer, sentirem-se independentes e livres. Não suportam opressão e muito menos controle. Não as fira nunca...

Frágeis? Paradoxalmente frágeis em sua resistência, com forças que vencem a todos, com coragem suficiente para descobrir o novo, rompem paradigmas e sempre estão por trás de todos os supostos grandes homens. Os homens não têm idéia do que ela é capaz de suportar ou conquistar. Ela é a única que suporta viver de sobras: sobras de amor, sobras de comida, sobras de vida... e seguem trabalhando, donas da vida e escravas dela. São antes de tudo fiéis, mas não as fira nunca...

Seu poder está, amiúde, em sua lágrima. Instrumento divino, anúncio da dor, do medo, da incerteza, do desapontamento, da solidão, do arrependimento, do desespero, da tristeza, do remorso, da culpa, do abandono, do luto, da renúncia e da humildade. Grito do amor, a lágrima é a prova de alegria que brota do coração feminino, de seu prazer, de sua felicidade, de suas conquistas e de seu orgulho. Só com lágrimas consegue suportar as ofensas, a calúnia, a traição, a maldade, a inveja e o ódio. Chorar é coisa de mulher, sua força... Mas não as fira nunca...

E que força! Suportam as dificuldades com um sorriso, até alegres ficam. “Amélia...” Sorriem quando querem gritar, sorriem quando nervosas e cantam quando querem chorar. Mas quando choram ganham novas forças e combatem as injustiças e os “nãos” inaceitáveis dados como resposta. Trazem força nova, compaixão, alegria e esperança em novos ideais. E assim apóiam a todos, têm prazer com o sucesso dos amigos, choram pelo sucesso dos filhos. Toleram. E como são tolerantes. Mas não as fira nunca...

São capazes de amar incondicionalmente, aliás, é o seu coração que move o mundo. Não pensam, não precisam muito da lógica, pois têm um instrumento de percepção muito superior: sua intuição. Agem guiadas por ela, sentem por ela: sabem tudo. Mas freqüentemente esquecem-se de si mesmas. Mas não as fira nunca...

Não bata nunca nelas, nem com uma flor. São como cristais, uma vez partidos nunca serão mais as mesmas. De suas feridas brotam espinhos. De seus medos surgem amarguras. Suas defesas são ataques. Seu amor vira ciúme. Sua abertura vira controle. O incondicional se condiciona. Então se pintam para a guerra, e que guerreiras... Têm que morrer e renascer e assim brotam novas e imaculadas e rejeitam tudo o que for velho e ultrapassado. Não as fira nunca, nem com uma flor. A mulher: para o homem a sua maior glória, mas se não for capaz de tê-la, será a sua maior perdição.

Não as fira nunca...

 

Categoria: Cláudio Azevedo