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Dia primeiro de maio. No mundo ocidental se comemora o Dia Internacional do Trabalho desde 1890, data escolhida pela Internacional Socialista (federação de sindicatos e partidos socialistas), para lembrar um massacre de operários realizado pela polícia de Chicago, em 1889, em repressão a uma manifestação trabalhista. Mas essa data é também uma importante festa celta conhecida como Beltane, em honra ao deus Bel, deus relacionado com o Sol. Essa festa era marcada por milhares de fogueiras (os fogos de Bel, simbolizando os raios do Sol) e por cerimônias em honra à fertilidade da Natureza (deusa Aine).

 

O Sol é a fonte da vida em nosso planeta, que é mantida às custas do trabalho da Mãe Natureza. Pode-se dizer que o Sol é o nosso Pai e a Natureza é a nossa Mãe, a qual toma e utiliza a energia do Pai para transformar-se e dar origem à vida em nosso planeta, embora permaneça sempre imaculada e pronta a dar à Luz seus filhos. E toda a criação trabalha para fazer a vida circular e evoluir em formas e complexidades.

Os feriados deveriam ser dias para reflexão, mas normalmente são dias de alienação em que se busca o prazer pelo prazer. Nada contra um merecido descanso, à sombra de um coqueiro, com uma linda companheira, filhos, pais, amigos, degustando alimentos cheios de radicais livres e bebendo substâncias que alteram nosso nível de consciência, deprimindo-o. Estamos fugindo de quê?

Não queremos refletir sobre o trabalho simplesmente porque fugimos dele. Fugimos até da lembrança de que trabalhamos. Procuramos pela linda ilusão de que podemos desfrutar prazeres temporários sem pensar no dia de amanhã. Por que será que, em geral, não gostamos de trabalhar? Será que estamos no ofício que deveríamos estar, de acordo com nossos talentos e vocação, ou procuramos trabalhar como uma forma de auferir lucros pessoais para satisfazer nossa sede consumista? Somos joguetes de um sistema que faz com que tenhamos necessidades desnecessárias, para que ele próprio sobreviva sugando-nos uma energia importantíssima que deveria estar sendo utilizada para motivos mais nobres. Em vez de buscar a nossa felicidade no trabalho, como forma de realização pessoal, buscamos a felicidade em locais ilusórios, apontados pelo sistema. Raramente nos lembramos de dedicar a Deus o nosso trabalho e todos os frutos dele.

A família é base de nossa organização, aonde deveríamos aprender noções de convívio e cooperação mútuos que deveriam ser aplicados no ambiente de trabalho. Os colegas de trabalho são a nossa segunda família, fazem parte de nossa teia de inter-relações. É aonde se testa o aprendido na família, longe dos laços de consangüinidade. É a forma divina de fazer o bem ao próximo, naquilo que ele necessita, seja nos relacionamentos, seja nos frutos da própria atividade exercida. O verdadeiro trabalho é somente aquele que contribui ao bem estar da humanidade e que fomenta a vida em seus mais diversos aspectos: físico, emocional, mental, social e espiritual.

Mas há um trabalho, fundamental e mais importante que qualquer outro, que a grande maioria da humanidade relega ao esquecimento. Se, normalmente, sempre desejamos avidamente pelas nossas férias, desse outro trabalho estamos de férias quase permanentes. Estamos conscientes de nosso trabalho externo, que deveria ser executado em prol da humanidade, mas estamos quase totalmente inconscientes da necessidade premente de nosso trabalho interno, do trabalho em prol da própria vida interna: emocional, mental e espiritual.

Fugimos, esquecemos, deixamos para depois, evitamos. Fugimos da nossa Fonte interna de felicidade, fugimos de nossa Fonte externa de felicidade e depositamos toda a nossa vida em fontes ilusórias e impermanentes de felicidade. Fugimos de nosso mais importante e verdadeiro trabalho: o trabalho interior de reconhecimento e transformação das negatividades e dos maus hábitos, e o trabalho exterior de compaixão pelos seres e preservação e promoção da vida na Natureza. Fazemos parte da Natureza, somos uma criação dela e qualquer trabalho que não promova a vida tirará a nossa vida.

Deixamos a decisão de nossas vidas para os outros, para Deus ou para o “acaso”. Que tal começarmos a tomar a nossa vida para nós, assumir a responsabilidade pela sua construção, assumir nosso papel na humanidade, papel que nascemos para realizar. Que tal, enfim, começarmos realmente a buscar a Felicidade???... Seria a maior demonstração de amor ao nosso Pai e à nossa Mãe.

Categoria: Cláudio Azevedo