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Sabemos que o corpo humano é formado de cerca de 75 trilhões de células. Tendo agora consciência de que essas células, constituídas de moléculas e átomos (os quais são “ilusórios”), são formas advindas do vazio energético de seus campos quânticos. Resumidamente, o nosso corpo físico é energia pura, transformada em matéria celular. Temos também um princípio emocional e um princípio mental, responsáveis por nossos pensamentos e emoções. Embora se diga que o cérebro é o responsável por eles, até hoje se descobriu apenas que determinadas áreas do cérebro são acionadas quando se tem determinados pensamentos ou surgem determinadas emoções. As emoções e os pensamentos ativam o cérebro ou este dá origem a aqueles? A neurociência não consegue descartar nenhuma dessas hipóteses.

 

O nosso corpo físico tem a capacidade de reagir e interagir com o mundo à sua volta, de forma a se ajustar ao meio-ambiente e sobreviver (instinto de sobrevivência ou autopreservação). Essa capacidade é uma herança advinda de nosso passado unicelular, reflexo de algumas propriedades das células: a irritabilidade, a condutibilidade e a contratilidade. Essas três propriedades possibilitam à célula reagir a um estímulo (irritabilidade), conduzi-lo através de seu citoplasma (condutibilidade) e ocasionar uma resposta, como por exemplo um encurtamento de si mesma (contratilidade).

Com o aparecimento dos metazoários, as células especializadas na contratilidade foram para a face interna, sem contato com o meio-ambiente, e as células especializadas em irritabilidade e condutibilidade foram para a face externa, em interação com o meio-ambiente. Essas células externas, nos celenterados, formaram os primeiros neurônios. Esses neurônios, antes espalhados, foram reunidos em grupos, num sistema nervoso central, como parte da evolução dos platelmintos e anelídeos (minhoca). No ser humano essa especialização chegou na sua mais alta forma conhecida. Nele existe um Sistema Nervoso Central (SNC) um Sistema Nervoso Periférico (nervos, gânglios e terminações nervosas). Funcionalmente, o SNC apresenta, incluído na sua função básica de relação com o meio externo, um sistema nervoso emocional e um sistema nervoso mental, associado com os pensamentos, raciocínios e lembranças. e

Escondido em algum local de nosso corpo, temos ativos nossos instintos de sobrevivência (que despertam nossa fome, sede e apetite sexual), os quais são influenciados por uma área do cérebro chamada de hipotálamo. Esse instinto básico de sobrevivência, nossa herança unicelular, psicologicamente nos liga à existência terrena e a todos os aspectos relacionados com a sobrevivência (autopreservação), como a necessidade de alimento, ar e água, necessidade de trabalho e necessidades financeiras, independência econômica, capacidade de luta e desejo de realização de ideais.

Todos os estímulos físicos geram respostas na forma de sensações. A maioria dos estímulos geram sensações neutras, mas alguns deles, quando confrontadas com nosso centro de sobrevivência, geram as sensações de “agradável” ou “desagradável”. Ambas as sensações, “agradáveis” e “desagradáveis”, geram respostas físicas, emocionais e mentais. Cada sensação geralmente dá origem a uma percepção e a essa percepção dá-se o nome de “sentimento de prazer”, se for uma sensação agradável, ou “sentimento de dor”, se for desagradável. Sensações e pensamentos, em última instância, são formas de energia.

A percepção e o sentimento de dor geram reações energéticas de raiva e/ou de medo, se a sobrevivência nos é ameaçada. Se não há ameaça à sobrevivência, a percepção e os sentimentos de dor e de prazer, com o tempo, condicionam a existência de outras formas de energia: as energias do apego e da repulsa (o desejo de repetir a sensação e o desejo de não repetir a sensação). Assim, os desejos (apego e repulsa) envolvem a utilização e o processamento da memória, em busca de sensações agradáveis e desagradáveis já sentidas, que vêm ao consciente através do Sistema Nervoso Mental. As energias dos sentimentos de prazer ou de dor ocasionam desejos de experimentar esse prazer novamente, ou de evitar a dor, que surgem somente após o término da experiência ou na eminência de seu início.

Dor, prazer, apego e repulsa, medo e raiva se mesclam. O apego aos objetos de prazer gera dor ou prazer se os perdemos ou ganhamos, respectivamente. A repulsa aos objetos de dor gera mais dor ou prazer se entramos ou não em contato com eles, respectivamente. A possibilidade, ou de perder os objetos de prazer e não reavê-los ou de encontrar objetos de dor, leva ao medo e as suas ocorrências levam à raiva. Já o prazer de ganhar um objeto de apego gera mais prazer e apego e a dor de entrar em contato com objetos de repulsa gera mais dor e repulsa, num ciclo vicioso que aprisiona mais e mais energia em nossa musculatura, que se manifesta fisicamente na forma de dores e contraturas musculares.

E é esse sofrimento psíquico o caos interno responsável pela mudança ou pela autodestruição. A busca pelo prazer está profundamente incrustada no ser humano e a ignorância da irrealidade da matéria faz com que o homem procure o prazer e a felicidade em coisas impermanentes e ilusórias do mundo material, e, pior ainda, se apegue a elas aumentando seu sofrimento. Assim, algumas pessoas, nesses momentos de crise, procuram a espiritualidade e outras procuram o vício, e todas têm o livre-arbítrio de fazer o que quiserem de suas próprias vidas.

A quase totalidade da humanidade está viciada. Vamos considerar a seguinte situação hipotética, mas não longe da realidade de nossa humanidade: a mãe, envolvida em sérios problemas conjugais e, por isso alcoolista e fumante inveterada, descobre, no quarto do filho, cigarros de maconha. Desesperada, por mais um problema a encarar, corre chorando ao seu quarto em busca de seus tranqüilizantes. O pai, autoritário e dominador, ao chegar em casa e saber da notícia, explode de raiva e culpa a mãe pela situação. Como de costume impõe medo e dominação na família deixando todos em polvorosa. A filha obesa, vendo a situação, sai de casa e vai para o apartamento de um grupo de amigas, garotas de programa por opção. O filho não volta mais para casa...

Quem é o viciado?? O filho em maconha, a mãe em álcool, cigarro e tranqüilizantes, a filha em comida e sexo ou o pai vampiro de energia psíquica de sua própria família. Em geral todo vício é uma busca de compensação pela falta de prazer na vida e até pela falta de um sentido à vida. E qual o sentido da vida? Será que nascemos simplesmente para fazer sexo, comer, beber e usar muletas psicoativas que alterem a nossa consciência? Nascemos para adquirir bens materiais? O atual Dalai Lama afirma categoricamente que nascemos para sermos felizes, mas onde está a verdadeira felicidade?

Depressão, pânico, distúrbios da atenção, ansiedade, estresse estão invariavelmente presentes em todos os que procuram essas muletas (drogas, sexo, comida, etc.), aliás, em quase toda a humanidade. E por que será que somente alguns procuram essas muletas, e mais ainda, por que será que somente alguns que experimentam essas muletas se tornarão viciadas nelas? Em geral, a dificuldade em sentir prazer e alegria na própria vida faz com que se busque esses artifícios de se obter uma fonte instantânea de prazer, em detrimento de outros mecanismos saudáveis de alterar a própria consciência, como os esportes, os estudos, as atividades artísticas e a espiritualidade em geral.

Mas não se deve confundir espiritualidade com religião. A termo espiritualidade denota um contato profundo com sentimentos nobres de bondade, caridade, devoção, amor, criatividade, etc., sentimentos esses que não tem relação com a aquisição de bens ou a simples incorporação de substâncias químicas. O corpo humano tem as suas próprias substâncias de prazer, que o contato com esses sentimentos faz serem produzidas. Técnicas milenares, como a meditação, são um exemplo. A meditação, além de produzir efeitos químicos e biológicos benéficos, nos leva a uma outra dimensão da existência onde experimentamos aquele vazio quântico, repleto de energia e bem-aventurança.

Diferentemente das muletas, a meditação é uma fonte eterna de prazer, mas de um prazer sadio, pois está baseada em uma fonte inesgotável, a qual as diversas tradições atribuem a Algo divino. Resolver os problemas psicológicos com um bom psicoterapeuta pode ser de grande ajuda, mas se chegará em um ponto que, para avançar, se necessita alçar vôo para outras dimensões, além da esfera psíquica.

 

Categoria: Cláudio Azevedo