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Ontem, às 21h35 começou o eclipse de nossas paixões, representado por nosso satélite iluminado (nossa lua). Das 0h01 às 0h51 nosso satélite esteve totalmente sob a sombra de nosso planeta (umbra do eclipse total) para permanecer em eclipse parcial (umbra parcial) até às 2h09 e terminar o fenômeno (saída total da penumbra da terra) às 3h17.

 

Mais ou menos nesse momento (às 3h), também saía da penumbra para a luz nossa irmã Iracema, desprendendo totalmente sua psique de seu corpo, agora já bastante enfraquecido e não mais comportando toda a sua luz: sua Consciência alçou novamente vôo do conhecido ao desconhecido em busca de outras paragens para brilhar livremente.

E o mistério se nos apresenta novamente: o que é Vida, o que é Nascimento e o que é Morte? Nesse momento, nossa tristeza cobre com seu véu nossas mais profundas angústias e medos e transborda poeticamente em lágrimas, lavando nossa alma, como se quisesse apagar o fogo que nos arde por dentro, nossa saudade, nossa falta, nossos apegos, nossas incertezas...

 

“E a Vida, diga lá o que é meu irmão?” pergunta o poeta Gonzaguinha... “Ela é a batida de um coração,ou ela é uma doce ilusão? eh oh...”

 

Embora não saibamos conscientemente, nascemos para apreender esse mistério, jogar a Luz da Consciência sobre o mistério da Vida. Nascemos e morremos para aprender a viver conscientemente. É um ciclo que se repete até que adquirimos a plena consciência de todo o processo que se desenrola entre nascimento e morte e entre morte e nascimento, e possamos, finalmente, conhecer o mistério da Vida, que é justamente esse movimento eterno do vir-a-ser.

Olhando o chão, vi a vida no movimento dos grilos, cachorros d’água e pequenos insetos que se infiltravam na grama, ávidos pelo prana que ora se desprendia do chão... Olhando o céu, vi morcegos que, cegos, se deslocavam em movimentos circulares e em espiral, festejando a noite que vencia temporariamente a luz do dia...

Olhei para mim, e vi uma profunda tristeza velando e “re”-velando o meu estar humano, o ser humano que agora se manifesta em mim...

Penumbras, umbras, eclipses, noites, trevas e véus... Momentos que antecedem o renascer da luz e o desfazer de véus...

A vida é o movimento, é a dança do vir-a-ser, a impermanência e a ilusão. Somente está morto o que não mais de move e, estático, se cristaliza em sua própria inércia. Festejar a Vida é festejar o Movimento! Festejar a Vida é tomar plena consciência de sua impermanência! Festejar a Vida é festejar o desabrochar de uma flor, sentir a fragrância dela emanada, vê-la lentamente murchar e deixar a lição final da vida quando cai de seu talo. 

Festejar a Vida é festeja o Nascimento e a Morte... Viver plenamente é nos unir nesse movimento, na dança cósmica da eterna transformação seguir o fluxo... Com um sorriso apenas seguir, desbravar, criar, se encantar, descobrir, aprender, se embevecer, louvar e agradecer pela dádiva que é viver...

 

Simplesmente viver...

Simplesmente se mover...

Dançar e criar...

Dançar e amar...

Categoria: Cláudio Azevedo

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