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    Os celtas, povo que vivia no norte da Europa, consideravam a natureza como a expressão máxima da Deusa Mãe (Dana). Ela era a divindade máxima cuja manifestação em nosso mundo físico seria a natureza. Os celtas entendiam que a Terra se comporta como um autêntico ser vivo e, através de seus rituais, sabiam como controlar a energia do planeta em beneficio da vida, das colheitas e da saúde. A realização dos festivais celtas não se prendia somente à localização, mas também estava relacionada com a época do ano, por isto ocorriam em datas precisas.

    Na realidade não se pode falar de religião celta sem se falar da religião druídica, dos Druidas. Os Druidas eram os conselheiros, juízes, professores e embaixadores da sociedade celta, enquanto os rituais eram sempre oficiados por sacerdotisas celtas. Os celtas sabiam que a energia telúrica sofria reflexões e refrações ao tocar coisas materiais, por isto eles praticavam seus rituais religiosos totalmente despidos. Isto não tinha qualquer conotação erótica, mas, antes, era um modo para a energia não ser impedida ou desviada pelas vestimentas, durante seus rituais.

    O lado mágico dos Celtas (que tinham controle sobre os fenômenos da Natureza) e, mais ainda, o exercício de rituais com os participantes despidos foram motivo de escândalo para os católicos quando os viram pela primeira vez. O catolicismo apagou tudo o que lhe foi possível apagar no que diz respeito aos rituais célticos, catalogando-os de paganismo, de cultos imorais e tendo como objetivo a adoração do demônio. Na realidade, os celtas cultuavam o Deus único na sua forma de Mãe Natureza.

    O dia 31 de outubro (término oficial do verão) marcava o início do ano celta, que era comemorado com um festival conhecido como Samhaim (que significa "sem sol", referindo-se ao tempo de inverno). Os celtas acreditavam que nesse dia todas as leis de tempo e espaço ficavam suspensas e uma série de outros mundos (Avalon ou Annwn; Carbonek o castelo do Graal; o país das sombras; o reino dos Tuatha de Danann – deuses filhos da Deusa Mãe; a terra de Donn – o deus dos mortos, etc.), domínios invisíveis de deuses e espíritos da natureza, estariam acessíveis – os mundos interiores. Para os celtas, nesse dia era permitido a proximidade dos espíritos com os vivos.

    É como se, com o tempo parado e os véus entre as dimensões abertos, Donn (ou Samhan), o guardião dos mortos e da escuridão, chamasse todos os espíritos desencarnados de todos aqueles que morreram no decorrer do ano. Eles voltavam na busca de corpos de pessoas vivas para neles habitar (panati) durante o ano que se iniciava. Acreditava-se que essa era a única esperança de vida após a morte.

    Naturalmente, os que estavam vivos não queriam ser possuídos pelos espíritos dos mortos. Então, na noite de 31 de outubro, os habitantes dos vilarejos apagavam os fogos em suas casas, para torná-las frias e indesejáveis. Eles então se vestiam com roupas fantasmagóricas e realizavam desfiles barulhentos pela vizinhança, sendo tão destrutivos quanto possível, de maneira a assustar e amedrontar os espíritos que estavam a procura de corpos para possuí-los.

    Com a dominação romana, eles adotaram as práticas celtas como se fossem suas, mas, na medida em que a crença na possessão foi perdendo terreno, a prática de se vestir como espantalhos, fantasmas e bruxas foi transformada de uma crença religiosa para um cerimonial para agradecer a "estação do sol" nesta data. Eles dançavam ao redor de fogueiras e poderiam até oferecer sacrifícios de animais.

    Depois de muitos anos, os Romanos cristianizaram o festival chamando de "Dia de Todos os Santos" ao dia 1º de novembro e "Dia dos Mortos ou Finados" ao dia 2 de novembro. Mas o povo do Norte Europeu não esqueceu de seus festivais e continuou a celebrar o 1º de Novembro, apesar de muitos costumes terem se misturado.  O 31 de outubro ficou, então, conhecido como “All Hallow Eve” (véspera de Todos os Santos), depois “All Hallow's eve”, até chegar a “Hallowe'em” e então finalmente Halloween.

    No século IX, vigorava um costume europeu chamado souling: no dia 2 de Novembro, Dia de Todas as Almas ou Dia dos Mortos, os cristãos andavam de Vila em Vila para ganharem as chamadas “Soul Cakes”, ou tortas feitas com pedaços quadrados de pão e groselha. Quanto mais tortas recebiam, mais orações eles prometiam em memória dos parentes mortos daqueles que doavam as tortas. Acreditava-se que os mortos permaneciam num limbo por um período de tempo após a morte e, através de orações, mesmo de estranhos, aconteceria a passagem do limbo para o céu.

    A “abóbora-lanterna”, (em inglês Jack-o-lantern) tem origem no folclore irlandês. Segundo a lenda, um homem chamado Jack, que era um notório beberrão e trapaceiro, notou a presença do Diabo em cima de uma árvore e esculpiu a imagem de uma cruz no tronco da árvore, como uma armadilha para prender o Diabo onde estava. Então fez um trato com o Diabo: se ele nunca o tentasse ou atormentasse, Jack apagaria a cruz e o deixaria descer da árvore. De acordo com a lenda, depois que Jack morreu, sua entrada no céu foi negada por causa do seu trato com o Diabo, mas também lhe foi negada a sua entrada no inferno porque ele enganou o Diabo. Então o Diabo deu-lhe uma vela para iluminar o seu caminho através da fria escuridão e Jack colocou a vela dentro de um grande nabo, para mantê-la acesa por mais tempo. O nabo foi esculpido para ficar oco e com buracos para dar passagem a claridade emitida pela luz da vela.

    Originalmente os irlandeses usavam nabos para fazerem suas “Lanternas de Jack”, mas quando os imigrantes irlandeses chegaram aos Estados Unidos, na década de 1840, eles encontraram as abóboras, muito mais adequadas do que os nabos e, até hoje, é o símbolo mais marcante do evento. Hoje, o Halloween é celebrado misturando-se todas essas influências. O Halloween não se popularizou por ser uma festa celta, mas por ser um costume norte-americano.

    Os herdeiros da tradição celta pertencem hoje à tradição WICCA (abreviação de “Witchcraft” – bruxaria em Inglês). Os wiccas praticam os seus rituais sozinhos (bruxos solitários) ou em pequenos grupos de pessoas denominados coven. Um coven possui 13 membros (na maioria das tradições existentes admite-se 14 membros, sendo o décimo quarto o mais novo do grupo, responsável por preparar os incensos, acender o fogo, colher ervas e outras pequenas tarefas), cada qual representando um mês do ano do calendário lunar de 13 meses de 28 dias, mais um dia (365 dias, no total). O coven é dirigido por uma Alta Sacerdotisa e/ou um Alto Sacerdote que gerenciam os trabalhos de adoração à Deusa, os trabalhos mágicos e cerimônias como os sabás e esbás..

    Esbá é uma reunião mensal que se realiza treze vezes ao ano durante a lua cheia. Geralmente no esbá trocam-se idéias, realizam-se rituais especiais, agradecem-se a Deusa e ao Deus, realizam-se trabalhos de cura e proteção. Já os sabás são oito por ano, realizados nas transições entre as estações. Os quatro grandes sabás são Candlemas (Festa do Fogo ou Noite de Brigit - 2 de fevereiro), Beltane (A Fogueira de Belenos, Festa da Primavera - 1º de maio), Lammas (Lughnasad ou Festa da Colheita - 1º de Agosto) e Samhain (Halloween ou Dia das Bruxas - 31 de outubro), e os menores são comemorados no Equinócio da Primavera (Ostara - 21 de março), Equinócio do Outono (Mabon - 21 de setembro), Solstício de Verão (Litha - 21 de junho) e Solstício de Inverno (Yule - 21 de Dezembro). Os sabás têm por objetivo sincronizar a nossa energia com as estações do ano, ou seja, com os ciclos do planeta Terra e do Universo.

    No solstício de inverno ocorre o nascimento/renascimento do Deus; nos sabás da primavera, do verão e do outono, Ele tem o Seu crescimento, puberdade e maturidade; e morre no sabá de Samhain. Após a morte ele retorna ao ventre da Deusa Mãe até o solstício do inverno seguinte, quando renasce. Este é o ciclo mítico do nascimento-morte-renascimento que se repete em todos nós todos os anos.

Categoria: Cláudio Azevedo