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Nastika dar?anas

Embora, originalmente, tanto o budismo (filósofos sv?bh?vikas) quanto o jainismo fossem ateístas, no sentido de não considerarem a existência de um Ser Absoluto em seus ensinamentos (por acharem insensato especular sobre tal Ser), seus pensamentos passaram a incorporar conceitos teísticos com o passar do tempo. Diferentemente, a escola C?rv?ka, baseada no B?haspati S?tra, permaneceu com o mesmo ponto de vista até sua extinção, enquanto escola formal de pensamento, por volta do ano 1.400, não tendo sido preservado dela nenhum texto original.

C?rv?ka significa algo como doces (c?ri) sussurros (v?k) emitidos pela boca humana, escola que, provavelmente em tempos pré-vêdicos, era também conhecida como Lok?yata, cujo nome denota o ponto de vista prevalente e sem restrições (ayata) no mundo (loka), antes da chegada do Conhecimento (Veda). Defendia a concepção de que este é o único mundo existente e não há nenhuma forma de vida após a morte, pois não existe algo que possa ser chamado de alma.

Embora não rejeitasse completamente a inferência (anum?na pram??a?) como fonte de conhecimento, considerava a percepção direta (pratyak?a pram??a?) como essencial para o acesso à Verdade. Assim, subestimava a verdadeira natureza da realidade e acreditava apenas na existência das alegrias do mundo material, acessíveis à percepção dos órgãos dos sentidos. O verso mais famoso, atribuído ao B?haspati S?tra, é:

 

Yavajjivet sukham jivet

Rinam kritv? g?htam pibet

Bhasmibhutasya dehasya

Punar?gamanam kuta?

Durante toda a sua vida, viva com prazer

Peça emprestado e beba o gh?.

Depois que o corpo se reduzir a pó

Quem poderá retornar?

 

Embora pareça ser uma apologia ao desejo (k?ma) aos objetos dos sentidos (artha), como um extremo hedonismo, ironicamente, esse mesmo verso é usado pelas outras escolas para rebater o ponto de vista materialista da escola C?rv?ka, pois gh? (manteiga clarificada, largamente utilizada na culinária indiana) é considerada uma bebida divina que é oferecida ritualisticamente nas cerimônias hindus de sacrifício ao fogo. Na medicina ?yurveda existe a seguinte máxima: gh? é vida (?yurgh?tam).

O que é Vida? Vive-se realmente após se ter nascido? O que vive e o que morre? Para essa escola, viver seria uma forma de percepção enquanto morrer seria um fato. Assim, deveríamos experimentar todas as coisas do mundo tridimensional, enquanto tivéssemos oportunidade, como forma de exercitar a capacidade de percepção da consciência, treinando-a e ampliando-a progressivamente para que possa perceber sensações cada vez mais sutis.

Assim, até se obter uma ampliação da percepção que traga a constatação da insuficiência das coisas do mundo tridimensional em preencher as ânsias mais profundas do Eu, com o surgimento de outras formas de prazer e desejo mais sutis e profundos, o ser humano deve degustar os prazeres do mundo com sabedoria e temperança, à semelhança do que o filósofo grego Epicuro defendia:

“Se você não quebrar a lei, não perturbar a moral estabelecida, não prejudicar nenhum dos seus próximos, não prejudicar sua saúde nem desperdiçar seus recursos materiais, ceda aos seus desejos, se quiser. No entanto, você não pode ignorar os limites citados acima... [Entretanto,] se há uma intensa luta por causa daqueles desejos físicos cujo não-atendimento não causa dor, isso ocorre porque esses desejos surgem de idéias falsas. Tais desejos não persistem por sua própria natureza. Persistem por causa das fantasias e das ilusões dos seres humanos.”

O’Connor, Eugene; The Essential Epicurus, Prometheus Books, NY, 1993, pág. 82 e 74

Categoria: A Caminho no Ser

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