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Para enriquecer este trabalho, além da tradução do livro O Vôo da Serpente Emplumada, resolvi publicar textos e algumas fotos referentes a cultura Maya, para que saibam como viviam e um  pouco de seus costumes. Esse povo Místico, Extremamente Sábio, parece querer ensinar aos homens deste Katun, como chegar a Sabedoria.

É importante salientarmos que os historiadores não conheceram a Autêntica Civilização dos Mayas, refiro-me a Civilização Serpentina, ou aos que viveram em Mayab. Conheceram apenas uma civilização em declínio, já exposta e entregue aos Dzules do seu tempo,  portanto as informações históricas precisam ser compreendidas como apenas a visão que os historiadores tiveram, o que é diferente da realidade.

Os maias não chegaram a formar um império unificado. Existiram em diversos centros praticamente independentes (com alguns costumes em comum), cada um dos quais tendo o seu crescimento, apogeu e decadência. Isoladas e distantes da influência européia, as cidades maias cresceram e sua cultura teve um grande desenvolvimento. A decadência dos maias aconteceu por volta do século XIII, bem antes da invasão espanhola, que ocorreu no final do século XV. Dentre as culturas pré-colombianas, a dos maias foi a que mais se desenvolveu em vários campos: arte, educação, comércio, arquitetura, matemática e astronomia. Como curiosidades, confira o esporte nacional.

 


 

A sociedade

 

Tendo em vista a natureza dos documentos analisados pelos arqueólogos não é fácil recompor em detalhe a organização da sociedade maia. De qualquer forma, sabe-se que apresentava grupos sociais com características bem definidas indicando estratificação social.

Os maias dividiam-se em províncias autônomas que eram verdadeiras cidades-Estado (como nos informa Alberto R. Lhuillier). Nelas a maior autoridade era o halach uinic. Ele desenvolvia funções religiosas e políticas sendo o seu cargo de natureza hereditária. As propriedades comunais, forneciam alimentos para a família dos camponeses e também para os sacerdotes e nobres. A eles cabia também trabalhar nas construções dos centros cerimoniais, transportando pedras com as quais erguiam pirâmides, faziam terraços, campos de pelota e templos.

Muitos desenhos representam nativos sem que se possa saber com segurança se seriam sacrificados ou escravizados. "Os cronistas da época da conquista deixaram algumas informações em seus escritos. Eles informam que a condição de escravo podia ser resultado de uma pena (adultério ou homicídio), por nascimento (pais escravos), prisioneiro de guerra, órfão destinado ao sacrifício pelo seu tutor ou ter sido comprado por um comerciante."

A civilização maia passou por tantos períodos, por tantas transformações; sofreu inúmeras interferências de outras tradições indígenas, que fica difícil pensar não ter sofrido a sociedade maia grandes alterações na sua forma de organização social. Acredita-se, por exemplo, que num primeiro momento da vida em Tikal, as tarefas eram distribuídas de maneira pouco rígida permitindo mobilidade entre os afazeres necessários à vida do grupo.

Provavelmente em Chichén Itzá na sua fase marcada pela presença tolteca a situação tenha sido diferente, a sociedade bem mais estratificada e, provavelmente, com menor mobilidade. 



Costumes e vestuário

A roupa dos sacerdotes era rica. Usavam peles de jaguar, mantos vermelhos, plumas e adornos incrustados com jade. O uso do ornamento era tão freqüente, que entre a nobreza era costume o uso de pedras semi-preciososas nos dentes.


As Cidades 

 

Os maias habitaram uma área que compreende hoje parte do México (os estados de Yucatán, Campeche, Tabasco e Chiapas), a Guatemala e Honduras. Calcula-se que 15 milhões de habitantes viviam em uma área de aproximadamente 325 000 quilômetros quadrados tendo como eixo a península de Yucatán.

A região é comumente dividida em: Terras Altas (Guatemala e faixa úmida do Pacífico até El Salvador) e Terras Baixas que se dividem em Terras Baixas do Sul (Tabasco no golfo do México, Honduras no litoral do Caribe), tendo como expoente em Petén, onde se concentraram o mundo Maya e as Terras Baixas do Norte que correspondem à península do Yucatán.

As primeiras aldeias em território maia datam de de 1500 a.C. Nas regiões de Chiapas e Guatemala encontramos uma cerâmica rica em ornamentação. Mas é por volta de 800 a.C. que vemos um povoamento mais intenso nas Terra Baixas.


 

A língua Maya

São inúmeros os dialetos falados na área correspondente ao Yucatán, Guatemala, El Salvador e Belize. De qualquer forma, os lingüistas dividem-nos em dois grandes ramos: o huasteca e o maia. Este segundo ramo se subdividiu em outras línguas (como o Chol, Chintal, Mopan, etc).

A língua maia, falada no Yucatán, sofreu inúmeras transformações com as invasões toltecas e também devido às influência da língua nahuatl falada pelos astecas.

Em seus monumentos deixaram uma série de inscrições que até hoje não foram decifradas. Infelizmente muitos documentos maias foram destruídos chegando até nós apenas três livros. São eles o Códice de Dresde, o Códice de Madri e o Códice de Paris.

Os livros maias eram confeccionados em uma única folha que era dobrada como uma sanfona. O papel era feito com uma fibra vegetal coberta por uma fina camada de cal. O conteúdo desses livros são de natureza calendárica e ritual, servindo para adivinhações.

Um dos cronista que viveu na época da conquista, o Bispo Diego de Landa, refere-se aos livros que os maias utilizavam permitindo-lhes saber o que havia sucedido há muitos anos. Portanto, a escrita representava um elemento importante na preservação de suas tradições culturais. Mas, infelizmente grande parte deles foram destruídos como se pode constatar na afirmação do próprio bispo:

 

"...Encontramos um grande número de livros escritos nesses caracteres, e como nada tivesse a não ser flagrantes superstições e mentiras do demônio, nós os queimamos a todos".

 


Esporte Nacional

O jogo de pelota (pok ta pok), praticado por todas as civilizações pré-colombianas, era o esporte nacional maia, como provam as quadras construídas para esse fim. Para esse povo, o jogo tinha caráter sagrado e cósmico, simbolizando a luta da luz contra as sombras, através de seus deuses, e o movimento dos astros no firmamento.

Em um campo retangular de 70m de largura por 168m de comprimento, catorze jogadores arremessavam uma pesada bola de borracha através de anéis de pedra, fixados nos dois lados do campo. A bola só podia ser movimentada com a cabeça, braços e pernas, sendo proibido o toque de mãos.

 


Religião

Os sacerdotes eram responsáveis pelos sacrifícios, faziam oferendas, estudavam astronomia, faziam calendários e liam escritos, em suma, concentravam uma grande parcela do poder. Eram muito temidos sendo responsáveis pela imposição dos prêmios e castigos e, principalmente, pela transmissão das tradições.

Uma espécie de nobreza desfrutava de privilégios, atuava na administração da cidade. Possuíam terras e supõe-se que não pagavam tributos.

Muito abaixo dos sacerdotes estão os guerreiros, e artesãos que se dedicam à confecção de uma série de objetos muitos deles de uso ritual. Os comerciantes, se é que existiam como grupo social, não tinham expressão.

Nos inúmeros templos os sacerdotes realizavam cultos ligados à fertilidade do solo. Os centros rituais de maior importância eram muito freqüentados tanto por jovens que iriam ser sacerdotes, como por artífices que construíam monumentos, produziam cerâmica e teciam.

A vida dos maias era ritualizada e, neste sentido, é difícil separar o político e o econômico do religioso. Os rituais eram organizadores do cotidiano, da guerra e dos sacrifícios. Os maias sempre estavam preocupados com a presença dos seus deuses.

Sabemos da importância dos rituais, em primeiro lugar, a presença marcante de inúmeros centros cerimoniais é um forte indício. Ou seja, a freqüência, as dimensões e a localização desses centros são bastante significativas da importância que possuíam na vida daquela população. E, em segundo lugar, as pinturas murais, esculturas e decorações de vasos elucidam muitas questões sobre a vida dos antigos maias.

 


  

A arquitetura e o urbanismo

As pirâmides em geral estavam cobertas de vegetação sendo necessário que os arqueólogos abrissem clareiras para restaurá-las. Ao estudá-las descobriram que as primeiras pirâmides recobriam outras pirâmides. Esse costume de recobrir uma construção com outra corria também com relação aos pisos.

As casas construídas em grupo eram cobertas de sapé e sempre estavam próximas de plantações de milho. Inúmeros caminhos faziam a ligação entre as casas e um templo que poderia ser de pequenas dimensões. Em dias determinados, a população daquela região se encontrava para trocar produtos, fazer oferendas, e participar de cerimônias religiosas.

Os caminhos eram movimentados por homens que carregavam milho e outros produtos que poderiam ser trocados nas cidades. Mas o tráfico mais complicado era o de pedras necessárias as construções.

Palenque é uma cidade localizada na serra de Chiapas. Sua arquitetura e escultura são surpreendentes. Por exemplo: a água que chega até a cidade foi canalizada em alguns lugares através de aquedutos subterrâneos. Embora algumas soluções possam surpreender, não devemos olhar isoladamente cada um dos elementos arquitetônicos desta cidade.

A renovação está presente no aspecto geral da cidade no que se refere à em leveza e harmonia de proporções. Em suma, cidades como Tikal, Cópan, Quiriguá, Pedras Negras, Uaxactum, Palenque, Yaxchilan, situadas no sul do México, Guatemala e Honduras, caracterizam a região maia marcada pela presença de grandes centros urbanos.

Feitas estas observações de caráter mais geral podemos penetrar no universo maia analisando suas formas de organização social, política e religiosa. Como conseguiram leveza arquitetônica nas construções? Aumentar os espaços interiores, e criando aberturas em forma de "T", que permitiram a entrada de luz. Entre as construções importantes vale a pena mencionar o chamado "palácio" com sua torre de observação, o templo das Inscrições e o mais fantástico túmulo real conhecido no mundo maia.

Copán ao lado de Tikal e Palenque compõem os maiores expoentes da civilização maia, reunindo os elementos culturais que são o seu cerne: arquitetura e escultura. Do ponto de vista científico, coube a Copán o mais perfeito domínio da astronomia.

 


Atividades agrícolas e comerciais

  Os Maias cultivavam o milho (três espécies), algodão, tomate, cacau, batata e frutas. Domesticaram o peru e a abelha que serviam para enriquecer sua dieta, à qual somavam também a caça e a pesca.

É importante observar que por serem os recursos naturais escassos não lhes garantindo o excedente que necessitavam a tendência foi desenvolverem técnicas agrícolas, como terraços, por exemplo, para vencer a erosão. Os pântanos foram drenados para se obter condições adequadas ao plantio.

Ao lado desses progressos técnicos, observamos que o cultivo de milho se prendia ao uso das queimadas. Durante os meses da seca, limpavam o terreno, deixando apenas as árvores mais frondosas. Em seguida, ateavam fogo para limpá-lo deixando o campo em condições de ser semeado. Com um bastão faziam buracos onde se colocavam as sementes.

Dada a forma com que era realizado o cultivo a produção se mantinha por apenas dois ou três anos consecutivos.

Com o desgaste certo do solo, o agricultor era obrigado a procurar novas terras. Ainda hoje a técnica da queimada, apesar de prejudicar o solo, é utilizada em diversas regiões do continente americano.

As Terras Baixas concentraram uma população densa em áreas pouco férteis. Com produção pequena para as necessidades da população, foi necessário não apenas inovar em termos de técnicas agrícolas, como também importar de outras regiões produtos como o milho, por exemplo.

O comércio era dinamizado com produtos como o jade, plumas, tecidos, cerâmicas, mel, cacau e escravos, através das estradas ou de canoas.

 


Calendário

A precisão do calendário maia é muito grande, e que nos conduz a uma reflexão sobre conhecimento científico propriamente dito. Em torno da precisão do calendário maia poderemos fazer inúmeras perguntas. Por exemplo: como elaboraram cálculos tão gigantescos e complexos? Como desenvolveram em tão alto nível o conhecimento matemático necessário à astronomia? Poderemos saber o grau de precisão dos maias ao construir o calendário, mas não podemos demonstrar os caminhos seguidos para chegar até ele.

O ponto de partida, sem dúvida alguma, são as estações do ano responsáveis pelo ciclo da vida. E, como tais alterações estão vinculadas a fenômenos celestes, os astrônomos maias passaram a especular o cosmo. Através de investigações puderam conhecer o movimento dos astros montando dois calendários: um de significado ritual de 260 dias dividido em 13 grupos de 20 dias e um calendário solar de 365 dias com 18 grupos de 20 dias mais cinco dias. ( O erro maya é de 1 seg a cada 6 mil anos!)

Os dois calendários acabavam por se encontrar a cada 52 anos quando começava um outro ciclo. A estes dados acrescentaram outros referentes a Vênus, as fases lunares e eclipses conseguindo com todo esse esforço, cálculos bastante precisos.

Para construir todo este quadro de reflexão eram indispensáveis os cálculos. E, para realizá-los, produziram um sistema numérico. Assim, os maias conceberam um sistema que tinha como base 20. Os símbolos utilizados eram uma barra para indicar 5, um ponto para indicar a unidade e uma espécie de concha alongada para indicar o zero.

As inscrições glíficas que dizem respeito a números foram interpretadas faltando ser decifrado o "glifo-emblema". Provavelmente caracteres gravados referem-se a certas festas e profecias relacionadas com as datas, as quais se constituem em presença constante nos monumentos.

Todo esse universo lógico marcado pelos cálculos se fazia acompanhar por uma leitura do "mapa celeste do nascimento". De acordo com a data do nascimento, era previsto o "destino" do recém-nascido. Se o dia não era de bom agouro, cabia ao sacerdote encontrar maneiras de ultrapassar aquela dificuldade. Neste sentido, o sacerdote possuía a chave do tempo com a qual construiu uma filosofia fatalista. O mundo podia ser destruído porque seria recomposto mantendo-se assim uma perspectiva cíclica que marcava o ritmo da história. O interesse em confeccionar um calendário vinculava-se também a uma necessidade de definir datas.

Todos os acontecimentos que lhes pareciam importantes tinham suas datas fixadas em relevo numa pedra. Apesar desta preocupação constante com a cronologia predominava entre os maias a busca infindável de suas origens míticas que se sobrepunha à realidade.

Evidentemente, os arqueólogos, preocupados em datar objetos e culturas, tentaram estabelecer uma relação entre a cronologia maia e a cronologia cristã. As conclusões são discutíveis. Neste sentido, para não nos confundirmos, é melhor tomar a data de 2 600 a.C. como uma data inicial a partir da qual se iniciaria a longa trajetória dos maias. Esse pressuposto é apenas uma hipótese didática e não possui comprovação prática.

Evidentemente, os arqueólogos, preocupados em datar objetos e culturas, tentaram estabelecer uma relação entre a cronologia maia e a cronologia cristã. As conclusões são discutíveis. Neste sentido, para não nos confundirmos, é melhor tomar a data de 2 600 a.C. como uma data inicial a partir da qual se iniciaria a longa trajetória dos maias. Esse pressuposto é apenas uma hipótese didática e não possui comprovação prática.

 

Cronologia Maia

 

  • 3113 a. C. Criação do mundo. ( 30 a 40 mil anos)
  • 2600 a. C Migração p/ Mesoamérica.
  • 2000 a. C Ascensão da civilização olmeca
  • 1200 a C. Início da fase áurea da civilização olmeca (até 600 a C.)
  • 700 aC. A escrita
  • 400 a C. Calendários solares esculpidos.
  • 300a.c Sociedade hierárquica: reis e nobres
  • 100 a C. Teotihuacán é Fundada (comércio, religião)
  • 50 a C. Cerros construída ( jogo de bola, cem anos depois é abandonada)
  • 400 d.C. Domínio de Teotihuacán e algumas regiões desintegram lingua e cultura
  • 500 Tikal torna-se a 1a.grande cidade Maya.
  • 600 Império de Teotihuacán é destruído de maneira desconhecida. Tikal, a maior cidade estado 500 mil habitantes.
  • 683 Morre o imperador Pacal.
  • 751 Diminui o comércio entre as cidade-estado.
  • 869 Cessa a construção de monumentos públicos.
  • 899 Tikal é abandonada.
  • 900 Colapso das cidades meridionais, mas ao norte, em Yucatán, as cidades prosperam
  • 1200 As cidades mayas no Yucatán começam a ser abandonadas.
  • 1224 A cidade de Chichen é abandonada pelos toltecas um povo conhecido como Uicil-abnal adotou o nome itzá e se estabelece na cidade
  • 1244 Chichen itzá é novamente abandonada.
  • 1263 O povo itzá começa a construir a cidade de Mayapán
  • 1283 Mayapán torna-se a capital de Yucatán.
  • 1441 Revolta e a cidade é abandonada, degenera em 16 estados rivais
  • 1517 Espanhóis chegam a Yucatán ( em 1 século 90% da população estaria morta)
  • 1542 Os espanhóis fazem da cidade de Mérida a capital de Yucatán.
  • 1695 As ruínas de Tikal são descobertas por um padre espanhol e seus companheiros.
  • 1712 Os mayas de Chiapas se revoltam contra o governo mexicano
  • 1821 O México se torna independente da Espanha.
  • 1822 Um relatório das explorações que Antonio del Rios é publicado em Londres.
  • 1839 John Lloyd Stephens e Frederick Catherwood começam a explorar e revelar pela primeira vez ao mundo todo o esplendor da civilização Maya.
  • 1910 Revolução mexicana
  • 1952 A tumba do rei Pacal é descoberta por Alberto Ruz.
  • 1962 Os hieróglifos são catalogados pela 1a. Vez.
  • 2012 Fim desta era na visão maya.

 

"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"

Categoria: Jane Eyre de Melo