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Os dogon de Mali – uma tribo que vive em uma remota região no interior da África Oriental – são apenas 200 mil. Ainda que não possam ser chamados de “primitivos”, porque possuem um estilo de vida muito complexo, os dogon não são excelentes candidatos a possuir conhecimentos astronômicos. Contudo, possuem um conhecimento muito preciso do sistema estelar Sírio (incluída pelo menos uma estrela que ainda não foi identificada pelos astrônomos) e dos seus períodos orbitais. Os sacerdotes dogon dizem que sabem destes detalhes, transmitidos oralmente, há muitos séculos antes dos astrônomos. 

 

Estes conhecimentos já foram publicados, desde 1950, quando antropólogos haviam convivido com os dogon no final dos anos 40. Para os dogon, toda a criação está vinculada à estrela que eles chama de Po Tolo, que significa “estrela semente”. Esse nome vem de uma minúscula semente que os dogon referem-se ao inicio de todas as coisas. Segundo eles, a criação começou nessa estrela, qualificada pela astronomia como anã branca e que os astrônomos modernos chamam de Sírio B, a companheira muito menor da brilhante Sírio A, da constelação Cão Maior. Sírio é a estrela mais notável da constelação Cão Maior. Mesmo que seja apenas 21 vezes mais brilhante que o Sol, aparece como a estrela mais luminosa vista da terra por estar apenas há 8,6 anos luz do nosso sistema solar. A Sírio era conhecida do mundo egípcio, assim como sua companheira menor, a Sírio B. Contudo, a Sírio B, uma estrela do tipo anã branca, só foi identificada pela astronomia ocidental há bem pouco tempo. Ela é muito densa, cerca de 27 mil vezes mais que o Sol, emite pouca luz e fica escondida pela Sírio A que é aproximadamente 10 mil vezes maior que ela. A profusão de detalhes astronômicos que os dogon possuem é assustadora. Eles já sabem dessa densidade, totalmente desproporcional ao seu reduzido tamanho e acreditam que isso se deva a presença do sagala, um metal extremamente denso e duro desconhecido na terra. Continuam descrevendo que as órbitas compartilhadas da Sírio A e da Sírio B, em forma um elipse, com a Sírio A localizada em um dos seus focos: uma idéia que a astronomia ocidental só considerou no inicio do século XVII, quando Johannes Kepler propôs que os corpos celestes não se moviam em círculos. Os dogon dizem que a Sírio B demora 50 ambos para completar uma órbita em torno de Sírio A, a astronomia moderna estabeleceu que o seu período orbital é de 50,4 anos. Igualmente intrigante é a afirmação de que Sírio B gira em torno do seu próprio eixo e que demora um ano terrestre para terminar o movimento. Alguns astrônomos afirmam que isso é possível, enquanto outros discordam. 

Mas o que é realmente assustador é o conhecimento do terceiro astro do sistema Sírio, ainda não descoberto pelos astrônomos. Os dogon chamam esse terceiro corpo de “mulher sorgo” um cereal, e dizem que é uma pequena estrela com um planeta apenas na sua órbita ou um grande planeta com um grande satélite. Os modernos intérpretes dessa tradição chamam de Sírio C, ainda não se tem prova de sua existência. 

Pesquisadores concluem que os conhecimentos do sistema Sírio dos dogon possuem milhares de anos de idade e podem ter a seu favor as provas históricas. Supõem que os dogon são remotos descendentes dos gregos que colonizaram a parte da África que atualmente constitui a Líbia. Tem ainda os correspondentes egípcios. Onde Sírio era conhecida como Sothis. Seu ano começava com “os dias do Cão” quando a estrela da constelação de Cão maior surgia por volta do dia 23 de julho. Aparentemente também conheciam a Sírio B porque, nas suas tradições religiosas, a deusa Ísis era o Símbolo de Sírio A e Osíris, seu consorte, era associado à sua escura companheira. Os antigos rituais vinculam Isis à Sírio. A câmara do ano novo do templo de Denhera foi construída de forma que a luz da Sírio é canalizada por um corredor até o interior da câmara. Isso é um antecedente da cerimônia Sigui que os dogon celebram quando Sírio pode ser vista pela fresta de uma rocha da aldeia. Devido a Osíris ser adorado como senhor da vida após a morte e as “lendas” dos antigos egípcios falarem de almas que voavam uma mansão imortal junto aos deuses é possível que considerassem que essa “mansão”estava localizada na Sírio B. 

Então de onde vêm os conhecimentos dos dogons? Os seus vínculos com as antigas civilizações do Oriente Médio dependem da teoria de que seus antepassados viajaram até o sul, a afirmação de que seres descreveram-lhe os sistema estelar também é cogitada. Talvez algum dia, a astronomia possa explorar as chaves da tradição dos dogon. Até agora, a forma como eles adquiriram seus extraordinários conhecimentos continuará sendo um mistério.

Categoria: Jane Eyre de Melo