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As histórias que fazem parte do chamado "ciclo do Graal" foram redigidas de 1.180 até 1.230. A primeira referência literária ao Graal é “O Conto do Graal” , do francês Chrétien de Troyes, em 1.190. Todo o mito - e uma série interminável de canções, livros e filmes - sobre o rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda tiveram seu início ali. Tratava-se de um poema inacabado de 9 mil versos que relata a busca do Graal, da qual Arthur nunca participou diretamente, e que acaba suspensa.

Em José de Arimatéia, Robert de Boron diz que "Jesus Cristo ensinou a José de Arimatéia as palavras secretas que ninguém pode contar nem escrever sem ter lido o Grande Livro no qual elas estão consignadas, as palavras que são pronunciadas no momento da consagração do Graal". De fato, em Le Grand Graal, continuação da obra de Boron por um autor anônimo, o Graal é associado - ou realmente é - um livro escrito por Jesus, o qual a leitura só pode entender - ou iluminar - quem está nas graças de Deus.

Toda a história é mudada quando contada pelo alemão Wolfram Von Eschenbach. Em Parzifal, Eschenbach coloca na mão dos Templários a guarda do Graal que não é uma taça, mas sim uma pedra: “ Sobre uma verde esmeralda,/ Ela trazia o desejo do Paraíso:/ Era objeto que se chamava o Graal!” Para Eschenbach, o Graal era realmente uma pedra preciosa, pedra de luz trazida do céu pelos anjos neutros. Ele imprime ao nome do Graal uma estreita dependência com as força cósmicas. A pedra é chamada Exillis ou Lapis exillis, Lapis ex coelis, que significa "pedra caída do céu". É a referência à esmeralda na testa de Lúcifer, que representava seu Terceiro Olho. Quando Lúcifer, o anjo de Luz, se rebelou e desceu aos mundos inferiores, a esmeralda partiu-se pois sua visão passou a ser prejudicada. Uma dos três pedaços ficou em sua testa, dando-lhe a visão deformada que foi a única coisa que lhe restou. Durante a rebelião, outro pedaço foi trazido à Terra pelos anjos que permaneceram neutros, pelo caminho do meio.        

A história do Graal, segundo essa versão – e essa é apenas uma versão -, conta que o Rei do Graal era um jovem encantador, mas não tinha lutado para conseguir aquela posição. E o Graal representa a realização das mais altas potencialidades espirituais da consciência humana. Um dia, ele, sai à cavalo do Castelo, soltando o seu grito de guerra: “Amor!” E enquanto cavalgava, guerreiro pagão, sai da floresta e cada um aponta sua lança para o outro e cavalgam em direção ao outro. E a lança do Rei do Graal mata o homem, que antes, consegue castrar o Rei do Graal.

O significado disso é a separação feita pelos teóricos do cristianismo de então, entre matéria e espírito, entre o dinamismo da vida e o plano espiritual, entre a graça natural e a graça sobrenatural, castrou a natureza. E com isso, a mente européia perdeu o vigor, a verdadeira espiritualidade que tinha nascido ali, foi morta. E o que representa  o  homem  pagão? Era uma pessoa vinda dos subúrbios do Éden, um homem da natureza e na ponta de sua lança estava escrito a palavra Graal. Isto é, a natureza se direciona para o Graal. A vida espiritual é o perfume que emana da vida natural, e não como algo sobrenatural imposto. Os impulsos da natureza são o que dão autenticidade à vida e não a obediência às regras de uma autoridade sobrenatural. Esse é o sentido do Graal. O Graal torna-se aquilo que é alcançado e realizado pelas pessoas que viveram suas próprias vidas.Uma nova união daquilo que foi dividido. O Graal é o símbolo de uma vida autêntica, vivida de acordo com sua própria vontade. De acordo com seus próprios impulsos. Que carrega em si os pares de opostos. Wolfram começa com um pequeno poema: “Cada ato tem resultados bons e maus”. Cada ação na vida resulta em pares de opostos. O melhor que podemos fazer é ir em direção à luz. E o que é a luz? É a luz das relações harmoniosas, que vem da compaixão, do sofrimento, da compreensão da outra pessoa. Esse é o sentido do Graal.

Categoria: Jane Eyre de Melo

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