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Começo essa matéria, dizendo que, quando uma tese religiosa não é aceita por um grupo de indivíduos, isso não significa que esse grupo herege considere como sendo ignorantes os que se lhe antepõem. E o mundo atual tende para o pluralismo religioso, ou seja, a mistura geral das religiões. Aliás, todas elas têm verdades essenciais idênticas. E as pessoas estão ficando cada vez mais independentes dos seus líderes religiosos no seu modo de pensar. Assim, se herege é aquele que tem opinião, há uma tendência geral para as heresias.
Se, no Concílio Ecumênico de Trento (1545 a 1563), no lugar da Transubstanciação, tese teológica de São Tomás de Aquino baseada nos postulados filosóficos de Aristóteles, a contraproposta da Consubstanciação tivesse sido vitoriosa, como o queria uma parte dos bispos daquela época, a Igreja estaria livre, hoje, da grande dor de cabeça que ela tem com relação a esse seu mais polêmico dogma da Transubstanciação. O citado concílio é conhecido também como sendo o Concílio da Contra-Reforma da Igreja à Reforma de Lutero. Ele durou 18 anos, o que demonstra que houve muitas polêmicas antes que os bispos chegassem a um entendimento.
 
Como 90 % dos católicos, mesmo eruditos, ignoram a diferença que há entre Transubstanciação e Consubstanciação e os que sabem evitam falar nisso, farei uma síntese de ambas. A tese teológica da Consubstanciação, de um grupo de bispos católicos mais tolerantes com relação à teologia protestante do século 16, consistia em que a Hóstia, depois de consagrada, continua sendo farinha de trigo, mas que, metafisicamente, traz ao seu lado o Corpo de Jesus, e o Vinho, após a sua Consagração, continua sendo vinho, porém, metafisicamente, traz ao seu lado o Sangue de Jesus.

Já a da Transubstanciação afirma que, depois da Hóstia Consagrada, ela transforma-se ou transmuta-se no Corpo real de Jesus, e que o Vinho consagrado transforma-se ou transmuta-se no Sangue real de Jesus. Apesar de ter prevalecido a Transubstanciação, a maioria dos católicos pensa que a Igreja adota a Consubstanciação, a qual seria razoável perante a física moderna de Einstein e dos físicos quânticos, pois seria o metafísico ou a presença espiritual de Jesus, a qual não pode ser examinada em laboratório, ao lado do físico ou das espécies materiais do Pão e do Vinho consagrados, que podem, esses sim, subordinar-se a exames laboratoriais. Quem crê na Consubstanciação, é herege, às vezes sem o saber. É que a maioria dos católicos confunde de fato a teologia da Transubstanciação com a da Consubstanciação!

Muitos padres e bispos católicos têm suas dúvidas sobre a Transubstanciação, porém mantêm-nas em segredo. Daí eles não gostarem de abordar esse assunto em público, embora entre eles seja um tema quente, porém com a advertência na cabeça de que quem não aceitar esse e outros dogmas católicos não pode ser padre e menos ainda bispo ou, se já o for, não pode continuar sendo.

E assim, muitos deles aceitam a Transubstanciação porque são católicos, mas não são católicos porque crêem nela!
Categoria: José Reis Chaves

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