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(por Brant Jackson)·

The Quest (set-out de 2002 p.175)

Tradução- Maria Beth Oliveira 

            No ano de 313 aD., o Imperador Constantino necessitava de uma nova religião estatal para prover ao seu novo império unido, com unidade religiosa e estabilidade, pois o antigo foi, de modo geral, desacreditado durante as lutas pela sucessão imperial. Constantino escolheu uma versão do Cristianismo (chamada “Católico,” significando “universal”) entre as muitas seitas cristãs competidoras, para revitalizar e trazer estabilidade ao império, e fez uma proclamação (o “Edito de Milão”) que prometia tolerância. Para os bispos católicos, que estavam sendo perseguidos até ao recente 311 aD., o favor do imperador foi um milagre de Deus. Eles tinham agora poder político assim como religioso, e descobriram cedo que havia um preço a pagar pelo privilégio.

            Considerem-se as imensas mudanças necessárias para ir de uma igreja composta de congregações pequenas, homogêneas, para uma igreja que suprisse as necessidades de todo o império Romano, uma coleção de pessoas e religiões sem precedentes, em tamanho e diversidade. Mais ainda, a cristandade inicial não tinha uma única posição “ortodoxa” ou oficial antes de 325 aD., quando Constantino reuniu o Concílio de Nicéa para acertar alguns pontos em disputa sobre fé. O principal deles era se Cristo era de fato Deus ou era mais que humano e menos que divino.

            Antes do Concílio de Nicéa, cada seita cristã tinha sido relativamente homogênea e livre para compreender Jesus e Cristo de vários modos. A tolerância entre facções divergentes era a regra no cristianismo inicial, pois nenhum único grupo tinha o poder político e militar necessário para suprimir as interpretações contrárias. Após 325aD., entretanto, essa tolerância inestimável mudou. Aos bispos católicos, favorecidos pelo imperador, foi dado o poder de definir um corpo de crenças, princípios básicos e dogmas sobre Jesus, que seria aceito como “ortodoxo”.

            Em 381 aD., outro concílio se deu em Constantinopla, no qual a ortodoxia foi longamente definida, e à Igreja Católica foi dado o mandato de suprimir todas as fés não católicas, especialmente a Gnose Cristã. Com a ajuda do estado Romano, particularmente seus, exército e polícia, a fim de reforçar seus dizeres, a Igreja estabelecida oficialmente suprimiu ou destruiu as religiões contrárias dentro do império, estabeleceu a caçada a heresia em seus próprios quadros num período de cem anos.

            Talvez a mudança mais profunda que seguiu a 381 aD., foi na definição de experiência essencial cristã. A nova religião de Jesus pode ser caracterizada como aquela, da antiga tradição sabedoria.- H. P. Blavatsky assegura que Jesus ensinava uma variedade de teosofia. Nesta tradição, uma pessoa podia, através do trabalho e estudo, lutar pela meta de autopurificação e autotransformação, intuindo o próprio exemplo de Jesus como um iniciado.

            A Cristandade Católica, entretanto, após a sua elevação como religião estatal do império Romano, desenvolveu uma nova experiência e ritual de cristandade aceita pelos imperadores romanos e os diversos povos de seu vasto império. Para levar adiante seu mandato, a fé em Jesus foi substituída pela autotransformação de Jesus. Os quatrocentos séculos da tradição-sabedoria cristã, a teosofia, ensinada por Jesus, foi abandonada por um ritual externo baseado na profissão de fé, numa nova religião de dogmas e credos sobre Jesus.

A adoção do Cristianismo como uma religião estatal, realizada por Constantino, e o que foi pedido à Igreja Católica como paga, marcou, de acordo com H.P. Blavatsky, o “ponto de mudança” (virada) maior na história do cristianismo. Ela o caracterizou como, o ponto no qual a nova religião-estado “substituiu” a antiga religião de Jesus (Doutrina Secreta 1:xliv). Marcou a demissão histórica do Cristianismo esotérico, que Blavatsky equaciona com teosofia, e o subseqüente despontar, do que ela e outros, no século dezenove, chamaram de “Igrejismo”. Foi neste ponto que a Igreja Cristã perdeu as chaves para a sua antiga tradição-sabedoria, chaves que Blavatsky propôs que a moderna Teosofia, uma vez mais, apresentasse ao mundo após 1500 anos.


· Brant Jackson é membro do quadro de diretores da Sociedade Teosófica na América, um advogado em Atlanta, Geórgia, e um estudante de história antiga cristã.

Categoria: Escola Esotérica

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