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Por Cláudio Azevedo

Extraído de Azevedo, Cláudio; A Caminho no Ser: Uma Visão Transpessoal

da Psicologia no Yoga S?tra de Pat?ñjal?, Editora Órion, Fortaleza, 2.007

Para melhor visualização faça o download das fontes usadas no site: tahoma, tahoma bold, sanskrit98, sanskrit2003

Pat?ñjal? enumera vários métodos de serenizar a mente, agitada pelas distrações, mas alerta que se deve escolher um único método ou técnica para praticar YS 1:32, com firmeza de propósito, fé inabalável, dedicação, disposição, clareza de percepção, ânimo e firmeza.

 

A Caminho no Ser

Quando as distrações forem sentimentos felizes (sukha), dolorosos (du?kha), virtuosos (pu?ya) ou impuros (apu?ya), para serenizar a mente Pat?ñjal?recomenda cultivar um estado mental de simples cordialidade (maitr?), compaixão (karu??), alegria (mudita) e equanimidade (upek??), respectivamente YS 1:33. Em qualquer situação, principalmente se houver, como sintoma, perturbações no estado respiratório, a expiração profunda, seguida de retenção expiratória, também tem o poder de cessar a distração YS I:34 e recuperar a serenidade da mente.

Outra forma de serenizar a mente, perturbada por distrações, é simplesmente focar a atenção ininterruptamente (prav?tti) em qualquer objeto percebido (vi?aya), sem ativar a faculdade discriminativa da mente YS I:35, principalmente se esse objeto for interno YS I:36. Essa forma de serenização da mente é tão eficiente que se constituiu como um ramo separado de práticas, conhecido como Laya Yoga.

Laya Yogaconsiste em se eleger as sensações sutis, experimentadas por pr??amaya? ko?a(invólucro que nada mais é que vida) ou por manomaya? ko?a (invólucro que nada mais é que mente), como objeto (vi?aya) de concentração com vistas à serenização da mente. Essas sensações, geralmente sensações visuais luminosas ou sons superfísicos percebidos em alguns pontos do corpo, incondicionalmente têm o poder de trazer uma sensação de completa paz e tranqüilidade, mas não se deve dar importância exagerada a essas experiências de paz e tranqüilidade por si mesmas (experiências essas ainda geradoras de modificações mentais – citta-v?ttis), pois isso pode se constituir um grande obstáculo no caminho de ‘Busca do Eu’.

A percepção sutil mais comum é a forte sensação de zumbido presente dentro do crânio, geralmente percebida como se fosse atrás e acima da cabeça, que nada mais é que a manifestação do som cósmico da criação, que os hindus denominam O?, vibrando no próprio corpo físico e vital. Com o tempo, a prática permitirá discriminar os diversos tipos de vibração percebidas, provenientes dos diversos centros vitais do corpo (cakras).

Outra forma de serenização é focar a atenção sobre a imagem de alguma alma livre de apegos (v?tar?ga?) YS I:37. Aqui, Pat?ñjal?legitima o uso devocional de imagens mentais de seres, alguns deles considerados Encarnações Divinas, que incorporaram em sua vida alguma virtude abstrata. A associação entre uma personalidade amada e uma virtude, como um objeto de atenção mental, tem o incrível poder de serenizar a mente vítima de distrações e desenvolver a virtude associada.

Por fim, com o aprofundamento da prática de interiorização, poderá surgir, como distração, um estado onde poderão surgir imagens oníricas caóticas (svapna), ou até o vazio do estado de sono sem sonhos (nidr?). Aqui, a serenização da mente será alcançada se escolhendo algum conhecimento (ou memória) provindo dessas experiências sutis e o utilizando como objeto de concentração. Pat?ñjal?afirma que essas mesmas experiências, registradas na memória, poderão ser usadas sempre que se estiver vítima de distrações YS I:38.

Mas a informação mais importante para se reter na memória (sm?ti) é a convicção de que todas essas técnicas são apenas técnicas para se obter a serenização da mente, perturbada por alguma distração, e não um fim em si mesmas. É por isso que Pat?ñjal?também afirma que qualquer técnica, mesmo que não seja nenhuma dessas, será válida YS I:39.

Enfim, com a mente trazida de volta ao estado de serenidade da qual foi tirada devido às distrações que foram causadas pelos obstáculos, fica-se apto a lidar com os próprios obstáculos e retornar para a interiorização. Pat?ñjal?dá uma única técnica para esse fim YS I:27-28: a constante repetição (japa?) mental do símbolo verbal místico (v?caka?) continuamente novo (pra?ava?), junto com a evocação mental (bh?vana?) de seu (tad) significado objetivo (artha). Ou seja, repetir mentalmente o som O? mentalizando ??vara é a única forma comentada por ele para se superar os obstáculos mentais à interiorização.

Nesse contexto, ??vara é uma energia espiritual elevadíssima (Puru?a-vi?e?a) que age totalmente sem desejo (ni?k?ma karma) e está incólume a aflições (kle?as). Nele está a fonte, no grau mais elevado (nirati?aya?), da semente (b?ja) da Onisciência (sarvajña) YS I:24-25. É o Pai, citado por Jesus no Novo Testamento.

 

BIBLIOGRAFIA

  • As referências bibliográficas acham-se assim indicadas: xx:yy, onde ‘xx’ é o número da referência contido na BIBLIOGRAFIA (no final do livro) e ‘yy’ é a página onde se encontra.

  • Quando precedendo ‘xx’ estiver escrito YS, a obra referenciada é o Yoga S?tra de Pat?ñjal?, BG quando for Bhagavad G?t?, VC quando for o Viveka Ch?d?mani, TB quando for o Tattvabodha? e SS quando a obra referenciada for o ?iva S?tra (obra de referência no ?ivaísmo de Cachemira). Nesses casos ‘xx’ é o capítulo e ‘yy’ é o s?tra.

 

Categoria: A Caminho no Ser

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