Os Indianos

A origem do Hinduísmo se perde no tempo e a sua fundação é atribuída a três personalidades: Shiva, Rama (16.000 anos atrás) e Krishna (6.000 anos atrás), sendo os dois últimos considerados encarnações de Vishnu.

Órion: Filosofia, Religião e Ciência (Volume 1)

Na época Védica, antes de Krishna, poderes místicos foram associados a forças da Natureza, como o fogo, o vento, etc., mas posteriormente os rishis (sábios videntes que escreveram os Vedas) acharam melhor transformá-los em deidades com figuras humanas e animais para tornar os ensinamentos acessíveis a um maior número de pessoas, rompendo a barreira das limitadas mentes dos homens da época, através de um profundo simbolismo (por exemplo, a vaca é considerada um símbolo da Natureza fecunda e útil).

O vedismo cultuava Varuna, deus supremo, rei do Universo, dos deuses e dos homens. Também cultuava Surya, o deus-sol, mais tarde substituído por Vishnu, outro deus solar, e Rudra, deus da tempestade, que dominou mais tarde com o nome de Shiva. A despeito do vasto número de deuses e deusas (que se afirma serem milhões, cujas encarnações e proezas constituem o tema de lendas fantásticas), e da adoração a animais sagrados (como a vaca, o macaco, o crocodilo e a cobra), os iniciados sabem que todos os deuses são criações da mente para representar múltiplas facetas da Realidade última, veículos de transmissão das doutrinas da filosofia mística hindu.

As figuras dos seus deuses mostram apenas uma pequena parte do que esses Princípios Divinos realmente representam. Talvez até por ciúme de seus conhecimentos superiores, os brâmanes tenham escondido sob um panteão de “deuses” sua verdadeira teogonia, levando milhões de pessoas à idolatria e quase ao fetichismo.

Seus livros sagrados relatam tempos de grande opulência e esplendor, de feitos heróicos e de nobres conquistas: “Esses senhores do mundo que, prontos e ardentes em combater, desenvolvem o seu vigor na batalha, sem nunca voltarem o rosto, sobem diretamente ao céu após a sua morte” (Mánava-Darma-Xastra).

Nos ensinamentos dessa religião, o amor, o perdão, a devoção, o serviço a Deus, a reencarnação, a imortalidade do Espírito, a vida em todos os aspectos da Natureza e a meditação como meio de se unir ao Divino Espírito, encontramos as verdades milenares que influenciaram todas as outras religiões. O incentivo à austeridade, à disciplina, à perseverança e ao estudo e auto-entrega a Brahman pelo amor, são uma constante. Ensinamentos válidos para o autoconhecimento.

Os textos lançam-nos a épocas remotas, como a de Rama e Ravana. No Rigveda vemos a inspiração para a versão dos dez mandamentos de Moisés. Ele conta a história de Rama, legislador, deus e herói, que numa antigüidade remota conduziu seu povo através da Ásia até a Índia, fazendo surgir fontes no deserto, alimentando-os com uma espécie de maná e curando as epidemias com uma bebida sagrada, o soma. Conquistou a Índia e o Ceilão, a terra prometida, invocando uma chuva de fogo contra o rei local. Atingiu o Ceilão atravessando o mar a pé seco, na maré baixa, através de um banco de areia, em uma localidade chamada até hoje “ponte de Rama”.

Após eles, houve uma outra época, em que havia duas categorias de cultos: um culto ao Sol e outro à Lua. Àquele voltavam-se os que buscavam a ciência pura do fogo sagrado e a adoração ao Deus Supremo e honra aos antepassados, por meio de orações. E ao último acorriam os que seguiam a idolatria, a tirania, as paixões cegas, a magia negra. O primeiro dava a Deus a masculinidade e o último continha a noção de Deusa (a Natureza). Aqueles, os filhos do Sol, e os últimos, os filhos da Lua, entram em embate com vitória parcial dos filhos da Lua, época negra idólatra, até que aparece um reformador, Krishna, que dá uma nova visão do Supremo, dos “deuses” e do homem. Encerra-se a “época Védica”.

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