A Física da Era Quântica - O Caos

O CAOS

“Quando deixarei de me maravilhar para começar a conhecer?”

Galileu Galilei (1.564-1.642)

 

Caos (do grego Kaos: grande vazio ou grande plenitude) significa desorganização. A Lei de Entropia (a Segunda Lei da Termodinâmica), que diz que um sistema caótico, se deixado ao acaso, tende a aumentar o seu caos, impõe que deva existir um fator subjacente que explique esse problema de medição, tornando praticamente impossível jogar ao acaso a formação de nosso Universo. Em outras palavras, um sistema de baixa entropia (organizado) tenderá sempre a aumentar sua entropia, desorganizar-se caoticamente buscando um “equilíbrio”, no significado físico desse termo. Num sistema fechado a entropia nunca diminui. Então algo deveria ordenar o caos do princípio, afinal os processos vitais estão continuamente desafiando essa Lei.

Allan Sandage, astrônomo respeitado mundialmente, chegou ao desespero por não conseguir responder, só com a razão, a questão do “por que existir algo em vez de nada?” Como explicar, sob o ponto de vista dessa imprevisibilidade, a ordenação perfeita do Universo? Fred Hoyle afirma: “Uma explosão num depósito de ferro-velho não faz com que pedaços de metal se juntem numa máquina útil e funcional”. E Sarfatti diz: “...Na minha opinião, o princípio quântico envolve a mente de uma maneira essencial... a mente cria matéria”. Mas que Mente existiria à época do Big-Bang?

Frank Tipler apresenta uma versão radical de um princípio chamado de Princípio Antrópico (criada pelo renomado físico e cientista Brandon Carter em 1.973) que é a mais surpreendente teoria dos últimos tempos: o modo como o caos gera ordem e como todo o cosmo conspira a favor da vida, revelam atributos divinos como consciência e intenção. Esse princípio postula que o Universo foi criado, da maneira como o percebemos, para ser observado por criaturas inteligentes, nós mesmos, e que é essa Consciência que seleciona uma realidade concreta dentre todas as probabilidades quânticas. Essa visão é compartilhada pelos ingleses John Polkinghorne, do Departamento de Física de Cambridge, e Paul Davies, cientista, físico e matemático, autor de “A mente de Deus” (Ediouro –1.992).

O famoso físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac Newton e de Paul Dirac na prestigiada Universidade de Cambridge (um dos principais teóricos dos buracos negros) em sua obra “Uma Breve História do Tempo” reconheceu que a teoria do Big-Bang (a grande explosão que deu origem ao Universo, ordenando-o e não causando desordem, como toda explosão faz devido a Lei da entropia) exige um Ser Criador. Hawking admitiu ainda que o Universo é feito como uma mensagem enviada para o homem: “Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo ela deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então todos poderiam tomar parte na discussão sobre porque nós e o Universo existimos... Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus”.

Murray Gell-Mann postula que de fato as subpartículas são comandadas por uma ação externa capaz de dotá-la de predicados “personalísticos” como a tal “vontade própria” sugerida por Heisenberg e, mais ainda, essa ação externa não permite que os pesquisadores ajam sobre as partículas, utilizando-as à sua vontade. Daí surgiu a hipótese de que elas (as partículas) teriam por trás de sua existência uma outra forma de vida distinta da biológica e que obedeceriam a um comando (espiritual) externo estruturador, o mesmo comando que a teria formado atuando sobre a energia cósmica em expansão.

Essa novíssima física, ainda sem nome, mas conhecida como física transcendental, defende a idéia da existência de “Agentes Estruturadores”, operadores responsáveis pela elaboração das formas universais e pela condensação da energia em partículas. Considerando-se que a energia cósmica em expansão, por si só, não pode se alterar, essa nova corrente de físicos teorizou a existência desses agentes, capazes de atuar sobre a mesma, modulando-a e dando-lhe as respectivas formas. Dessa maneira, admite-se que tudo o que exista no Universo seja estruturado por algum agente, dito externo a ele, correspondente e pertencente a outro domínio distinto do energético que forma o Universo material (Cf. em "ORIGEM DO UNIVERSO").

Atualmente, a Sinergética, com os sistemas auto-organizados de H. Haken e Ilya Prigogine (1.917-2.003), comprova como a inter-relação e a interdependência geram sintropia (organização, ao contrário de entropia). Prigogine descreveu matematicamente como a Segunda Lei da Termodinâmica pode deixar de atuar em algumas situações. Segundo ele, flutuações ao acaso podem dar origem a formas mais complexas. Grandes perturbações em um sistema dão início a mudanças importantes, tornando o sistema altamente frágil. Surge então uma súbita reorganização para uma forma mais complexa. As perturbações num sistema são a chave para o crescimento. As configurações da natureza interagem com o ambiente local, “consumindo energia dele proveniente e fazendo retornar a ele os subprodutos dessa utilização de energia”. Mas a “suscetibilidade à dissolução e à morte” andam junto com esse potencial de crescimento e de aumento da complexidade. A esse sistema Prigogine deu o nome de “teoria das estruturas dissipativas” e ganhou o Nobel de Química em 1.977.

Dessa forma há um acaso ordenado na formação dos prótons e nêutrons e na junção de um elétron, um próton e um nêutron para formar o átomo primordial. A ordem e a complexidade maior de um sistema não podem surgir sem o caos. Mas esse acaso original, ordenado pela inter-relação entre o sistema e a natureza, necessita de uma explicação quanto à sua origem.

Categoria: Órion Volume 1

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