O Confucionismo

“Riqueza e posição, eis o que as pessoas desejam; mas se não as conseguirem da maneira correta, nunca as possuirão”.

Kung Fu Tsé

Além de tradição religiosa, o confucionismo é considerado uma filosofia, ética social, ideologia política, tradição literária, sistema de educação e um modo de vida. Confúcio, forma latina de Kung Fu Tsé, filósofo chinês do século VI a.C., compila e organiza antigas tradições da sabedoria chinesa e elabora uma doutrina assumida como oficial na China por mais de 25 séculos. “Sua meta não foi apenas ensinar regras de conduta ou de moral, mas também restaurar a paz e a ordem na sociedade”. Confúcio refutava o uso da força e da lei dos realistas e também o amor incondicional dos moístas, como extremos equivocados que não levavam a nada duradouro: “Respondei ao ódio com a justiça e ao amor com a benevolência. Caso contrário, estaríeis desperdiçando vossa benevolência”.

Aprender a viver em harmonia com a Natureza e com o Céu é o objetivo do confucionismo. A doutrina está baseada na crença da transformação criativa da condição humana como ato comunitário e como resposta ao cosmo. Resulta da integração das quatro dimensões que compõem o ser humano: o eu, a comunidade, a natureza e o céu (T’ien), fonte da auto-realização definitiva.

 

“De todas as coisas pelas quais as pessoas vivem, li é a maior. Sem li não sabemos como conduzir uma adequada adoração dos espíritos do Universo; ou como estabelecer a correta condição do rei e dos ministros, do governante e dos governados, e dos anciãos e dos mais novos; ou como estabelecer o relacionamento moral entre os sexos, entre pais e filhos e entre irmãos; ou como distinguir os diferentes graus de relacionamento na família”.

 

Li é a regra de conduta pela qual o verdadeiro homem pauta todas as suas relações sociais. Enquanto li é uma regra para com o externo, jen é uma regra para com si mesmo. A observância de li visa ao comportamento correto e o desenvolvimento de jen, visa ao autodesenvolvimento, que começa com a educação e o conhecimento para a meta final Chun tzu (o Homem Superior, “plenamente realizado pela expansão infinita da compaixão e empatia”). Recorre à natureza humana como força motivadora para realizar o bem. O que li é no plano pessoal, te (poder) é no plano governamental. Te é a virtude usada para governar. Já wen era o conceito de que as artes (música, poesia e artes em geral) eram o espelho do Homem Superior, seu verdadeiro caráter.

 

“Quando se alcança o conhecimento verdadeiro, a vontade se torna sincera; quando a vontade é sincera, o coração é retificado...; quando o coração é retificado, aperfeiçoa-se a vida pessoal, a vida familiar é ajustada; quando a vida familiar é ajustada, a vida nacional é ordeira; e quando a vida nacional é ordeira, há paz neste mundo”.

Ta Hsueh

 

Como filosofia religiosa afirmava, no I Ching, que o “Grande Extremo” produziu as “Duas Figuras”, as quais criaram as “Quatro Imagens” que deram origem aos “Oito Símbolos”. Esses Oito Símbolos determinam a boa e a má fortuna, e conduzem às grandes ações. Uma corrente conhecida como neoconfucionismo, movimento que teve início no século VIII, rearranjou o confucionismo à luz das influências budistas e taoístas. Elaborou-se uma cosmovisão semelhante à budista, explicando a ética confucionista em termos metafísicos.

Confúcio compila a sabedoria chinesa em cinco obras principais: I Ching (Livro das mutações), a metafísica; Shu Ching (Livro dos documentos), sobre a organização política, Li Ching (Livro dos ritos), a visão social, Shih Ching (Livro dos versos), que traduz a visão poética, e Chun-chiu (Anais das primaveras e outonos), sobre a história. Outros livros, conhecidos como “Os Quatro Livros”, fazem parte do confucionismo: Ta Hsueh (O grande aprendizado), a base da educação, Chung Yung (A Doutrina do Meio), Lun Yu (Os Anacletos), principal fonte do pensamento confucionista e Meng-tzu (escritos do maior discípulo de Confúcio).

O I Ching é o texto sagrado chinês comparado com a Bíblia cristã ou os Vedas hindus que, com sua origem se perdendo nos tempos, influenciou toda a história cultural chinesa. Os trigramas que constituem o I Ching podem ser manipulados aleatoriamente com o objetivo de adivinhação ou previsão. Isto acontece também com as runas druídicas, descritas anteriormente.

Após sua morte, Confúcio foi deificado, canonizado como santo (492 d.C.), entronado como rei (739 d.C.), elevado à categoria de imperador (1.086 d.C.) e de “co-acessor” das deidades do céu e da Terra (1.906 d.C.), e, finalmente, combatido como reacionário durante a Revolução Cultural chinesa (1.966-1.976). O confucionismo tomou novo impulso após as recentes mudanças políticas no país nos anos 1.990.

Categoria: Órion Volume 1

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