O Cristianismo (Catolicismo) - cont.

OS DOGMAS E DOUTRINAS DA IGREJA CATÓLICA ROMANA

Por dogma (doutrina), a Igreja católica nomeia todos os ensinamentos tidos como uma verdade fundamental e imutável, revelada por Deus à Igreja e da qual é impossível duvidar. No início do cristianismo, ante a diversidade religiosa existente, necessário foi determinar os princípios que norteariam a crença dos seguidores de Jesus, os princípios de fé. Assim foram criados os credos, ou profissão de fé. Considerado o mais antigo, o Credo dos Apóstolos data do século III. Posteriormente surgiram outros nos Concílios de Nicéia (325, Credo de Nicéia) e de Constantinopla (381), no século IV, e o de Santo Atanásio (293-373, Credo Atanasiano), posteriormente (veja no APÊNDICE). Muitos pontos, sem nenhuma explicação racional crível, fizeram mudar o conceito de dogma para “aquilo que devemos crer sem questionar”. O catecismo da Igreja católica cita todos os ensinamentos dogmáticos, dos quais comentaremos apenas alguns.

MARIA, MÃE DE DEUS

A idéia de Maria como Mãe de Deus vem desde 431. Em 1.090 instituiu-se o costume da reza do rosário para Maria, sendo incluída a “Ave Maria” no rosário em 1.508. Segundo São Jerônimo (347-420), Maria estabeleceu o fundamento de castidade e virgindade. Em seu texto “Contra Helvídio e sobre a virgindade perpétua de Maria”, ensinava a virgindade perpétua de Maria. A imaculada conceição de Maria, afirmada como dogma em 1.854 por Pio IX, afirma que Maria também fora concebida sem pecado original, ou seja, sua mãe também era virgem. A imaculada conceição teria sido confirmada pela própria Maria em 1.858, quando de sua aparição em Lourdes, França.

Como a Igreja aderiu, com Santo Agostinho (354-430), à idéia de que o pecado original era transmitido pelo ato sexual, Jesus, para ficar livre desse pecado, teria que ter vindo ao mundo através de uma concepção virginal. Da mesma forma a Igreja defende que Maria não sentiu as dores do parto, pois não pecara (“Em dores darás a Luz” – Gn 3), que seu hímen permaneceu intacto após o parto e que não houve delivramento da placenta. Essa noção de virgindade perpétua advém do Proto-Evangelho de Tiago, rejeitado em parte pelos teólogos por conter citações sobre os irmãos de Jesus, filhos de José de um casamento anterior. Nele se relata como a virgindade de Maria foi comprovada após o parto e os nomes de seus pais, Joaquim e Ana, que eram estéreis.

O Vaticano afirma que Maria é a nossa Mediadora por Jesus e Jesus é o nosso Mediador por Deus. Nos quatro primeiros séculos da Igreja, esta verdade era professada só implicitamente, até que no século IV foi instituída a festa da assunção de Nossa Senhora, para celebrar o mistério. Pelo fim do século V, a Assunção de Maria se encontrava já afirmada explicitamente em vários documentos até que em 1.950 foi definida solenemente. O dogma da assunção de Maria diz que a Imaculada Mãe de Deus é sempre Virgem Maria, e que terminando o seu curso de vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória Celeste (Constituição apostólica “Munnificentíssimus Deus” (M.D DE Pio XII – 01/11/1.950)). Entende-se por assunção a glorificação corporal antecipada da santíssima Virgem, em razão dos méritos do seu Filho, Jesus Cristo. Assim enquanto diz-se que Jesus ascendeu aos céus por virtude própria, sobre Maria é certo que esta teria sido assunta ao Céu, de corpo e alma, pelas virtudes e méritos de Jesus. Ela foi assim, levada, não tendo subido por si. Em 1.965 Maria foi proclamada Mãe da Igreja Católica.

DEUS E A SANTÍSSIMA TRINDADE

Afirma a verdade de que existe uma Trindade Santíssima, composta do Pai, do Filho, Cristo Jesus, e do Espírito Santo, consubstanciais, formando o único e verdadeiro Deus, baseado na tese de Santo Atanásio – credo Atanasiano. Embora Deus seja numérica e individualmente Um, existe em três Pessoas distintas, ou seja, a essência divina é uma e a mesma no sentido absoluto e estrito, e existe em três Pessoas realmente distintas entre si, sendo cada uma realmente idêntica à mesma essência divina.

O catecismo católico romano afirma que o Pai gera eternamente o Filho e o Espírito Santo foi gerado do amor entre o Pai e o Filho, embora no livro do Gênesis as duas primeiras Pessoas citadas como existentes fossem Deus e o Espírito de Deus (que na teogonia hindu são representados como Sat e Tat – ver no capítulo II), o Espírito que paira sobre os mares (maria em latim) – citado em Gn 1:2.

No Espírito Santo pode-se ver o lado feminino da Trindade, representado por uma pomba branca (Jo 1:32). Mas uma interpretação mais completa seria a de um continuador da obra do Filho, ou o próprio Filho numa outra forma (Jo 16:7), o Espírito da Verdade (Jo 16:13), a fonte de prodígios e grandes milagres (At 8:13) vinda do Pai através do Filho (Jo 16:14s). Dessa forma o Espírito Santo, figuraria como um instrumento do Verbo, do próprio Cristo (Jo 1:14), continuando a Sua missão (Jo 16:12-15) de anunciar a Graça e a Verdade (Jo 1:17). Nessa interpretação a figura feminina se voltaria para a Virgem Mãe de Deus, completando a Santíssima Trindade.

INFALIBILIDADE PAPAL

Dogma divinamente revelado, instituído no Concílio Vaticano I (1.869-1.870), válido apenas quando o papa se pronuncia sobre questões doutrinárias:

 

“... que o Romano Pontífice, quando fala ´ex cathedra´, ou seja no desempenho do ministério de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica alguma doutrina referente à fé e à moral para toda a Igreja, em virtude da assistência divina prometida a ele na pessoa de São Pedro, goza daquela infalibilidade com a qual Cristo quis munir a sua Igreja quando define alguma doutrina sobre a fé e a moral; e que, portanto, tais declarações do Romano Pontífice são por si mesmas, e não apenas em virtude do consenso da Igreja, irreformáveis”.

 

O PECADO

É a transgressão livre e deliberada da lei de Deus, sendo considerado pecaminoso todo ato em que a vontade humana se opuser à vontade divina, como tal conhecida pela consciência. Os teólogos cristãos distinguem diferentes formas de pecado: em oposição ao “original”, herdado como conseqüência da desobediência de Adão e Eva às determinações de Deus, todos os outros são “atuais”. O pecado original se transmite à criança devido a sua concepção ser levada a efeito através do prazer carnal e da sensualidade, considerados pecados.

Entre os pecados atuais existe o “mortal”, ofensa grave a Deus, cometida deliberadamente apesar de advertido previamente, que mata espiritualmente o homem (por exemplo o assassinato, o furto ou a blasfêmia) e o “venial”, que por ser leve não faz perder a graça. Entre esses há o de “omissão”, que se comete ao deixar de fazer o que estava preceituado, o “habitual”, que macula continuamente a consciência do homem, até ser perdoado, e os pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça), que não propriamente pecados, mas tendências da natureza humana e origem de todos os demais. Esses últimos só foram enumerados e agrupados no século VI pelo Papa Gregório I Magno (590-604). A Igreja medieval contrapunha sete virtudes aos sete pecados capitais (caput, cabeça): humildade, generosidade, castidade, paciência, temperança, caridade e disciplina, respectivamente.

Outro tipo de pecado, que não tem perdão, é o pecado contra o Espírito Santo (Mt 12:31, Mc 3:29 e Lc 12:10), que é cometido quando se atribui ao “espírito mau” feitos realizados pelo Espírito Santo. Os teólogos medievais enumeraram seis pecados desse tipo: desesperar da própria salvação, confiar presunçosamente na misericórdia de Deus, atacar as verdades aceitas pela Igreja, invejar o bem espiritual dos outros, permanecer em pecado mortal e a impenitência final, pois endurecem o pecador contra o auxílio do Espírito Santo e tornam difícil o arrependimento.

A doutrina cristã afirma que o sacrifício de Jesus representou a redenção da humanidade, a perda de seu caráter eminentemente pecador. Mediante o arrependimento e a reconciliação com Deus, a humanidade pôde libertar-se do pecado e aceder à graça divina.

OS SACRAMENTOS

Os atos sagrados, ou sacramentos, são uma forma de vitalizar os laços entre o homem e Deus e reforçar a comunhão com o divino. É a maneira pela qual Deus permite a aproximação do homem. O catolicismo reconhece sete sacramentos:

  1. Batismo: com água, é o meio pelo qual o homem entra na graça divina, sendo-lhe perdoado o pecado original.
  2. Confirmação: também conhecida como crisma, é uma cerimônia em que o adolescente, após conhecer toda a doutrina, confirma crer e continuar professando a fé católica. Uma unção com óleo é realizada.
  3. Eucaristia: é a cerimônia em que se dá graças à revelação dada por Jesus, que se ofereceu em corpo e sangue por toda a humanidade. Nela se usa o pão e o vinho como ingredientes cerimoniais. Acredita-se na transubstanciação, ou seja na transformação real do pão e do vinho no corpo e sangue de Jesus.
  4. Penitência: consiste no arrependimento e confissão de pecados a um sacerdote, que serve de intermediador, transmitindo o perdão, vindo de Deus, e ditando um ato de contrição.
  5. Unção dos enfermos: consiste na unção com óleo dos enfermos, como forma de dar força espiritual durante enfermidades.
  6. Ordem: é a ordenação de sacerdotes para o serviço da Igreja, com plenos poderes de administrar os outros sacramentos.
  7. Matrimônio: onde os nubentes se unem “para se tornar apenas um corpo”, vivendo em comunhão divina e prometendo educar os filhos na fé.

 Existem também meios de implorar as bênçãos divinas, os sacramentais. Estes podem ser objetos consagrados (abençoados), símbolos ou cerimônias que despertariam a devoção do crente, tendo seu poder decorrente da fé individual.

O DEMÔNIO

A história do pecado original, relatada em Gênesis, demonstra a existência de uma força contrária ao Criador, embora a própria Bíblia afirme que toda a criação tenha sido boa (Gn 1:31). Então de onde vem o mal? Como surgiu a serpente, símbolo que representa as forças do mal no livro?

Belzebu, termo hebraico derivado de “Baalzebub”, o deus Baal fenício e cananeu, é para os cristãos o príncipe do mal. Conhecido também como Lúcifer (portador de Luz), em Ez 28 o profeta Ezequiel fala do rei de Tiro como um querubim de perfeito esplendor, o maior deles, que pela soberba e iniqüidade foi atirado à Terra desfeito em cinzas. As aspirações de Lúcifer a ser igual ao Altíssimo podem ser vistas em Is 14:13s. Em Jd 6 vemos que vários anjos se juntaram a ele (um terço dos anjos que moravam no céu), “abandonando os seus tronos”, em uma rebelião, descrita em Ap 12:7-9. Esse trecho descreve uma luta entre Miguel e seus anjos contra o Dragão (Lúcifer) e seus anjos, em que Miguel vence e Lúcifer e seus anjos são precipitados na Terra (também visto em Lc 10:18), onde tentaram continuar a batalha com o Reino dos Céus. Como não conseguira mais atingir aos anjos de Deus, Lúcifer voltou-se “cheio de grande ira” aos habitantes da “terra e do mar” (Ap 12:12).

Revelou, então, ao homem, o Conhecimento oculto, simbolizado pela assimilação do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 3:5), e está presente em toda a Bíblia, como que pervertendo o homem ao mal. Esse discernimento teria sido apenas o resultado do conhecimento humano, conseqüência de seu pensamento reflexivo.

Também chamado de “a Besta”, Asmodeu (deus persa da tempestade), Belial ou Azazel, a Igreja continua a ver o Demônio (do grego daemon, sábio ou conhecedor) como um ser que concentra o Mal e que induz o homem, de uma forma às vezes sutil, a se afastar de Deus, mas a quem ninguém, nem mesmo o arcanjo Miguel, ousou repreender: “Que o próprio Senhor te repreenda!” (Jd 9). Lúcifer é a personalização do demônio dos maniqueístas.

Segundo Santo Agostinho (354-430), citando o pensamento pagão à época, “os deuses ocupam as regiões elevadas, os homens as baixas, os demônios a intermediária... têm a imortalidade do corpo, mas as paixões da mente em comum com os homens”.


DOUTRINAS CONSIDERADAS HERÉTICAS À IGREJA CATÓLICA ROMANA


1. Ateísmo

Relacionado com o eclipse de Deus, em uma série de fenômenos negativos como a indiferença religiosa, a difusa ausência do sentido transcendente da vida humana, um clima de secularismo e relativismo ético, a negação do direito à vida da criança não nascida e a indiferença perante o grito dos pobres. Foi pormenorizada quando se falou dos cismas do cristianismo.

 

2. Adopcionismo

Cristo seria Filho adotivo e não por natureza. Propagado em Roma no século II negava a divindade do Verbo, 2a Pessoa da Santíssima Trindade cristã. No século VIII, na Espanha, os bispos Elipando de Toledo e Félix de Urgeu o renovaram, admitindo a divindade do Verbo, Filho de Deus segundo a natureza divina, mas Cristo, em sua natureza humana, deveria ser chamado Filho adotivo de Deus.

 

3. Albigensianismo

Renovou a doutrina dos maniqueus, segundo a qual a criação seria obra de dois princípios opostos, uma divindade boa e outra má, tendo esta criado o mundo material e aquela o espiritual. Rejeitavam o batismo das crianças, dizendo-o inútil, e negavam o casamento e a procriação. Tinham seu próprio clero, celibatário. Negavam a transubstanciação, a Trindade, o nascimento virginal, o inferno e o purgatório. Condenado pelo Concílio de Albi, só foi controlado após uma Cruzada que findou em 1.227. Veja Catarismo.

 

4. Anglicanismo

Cisma da Inglaterra, adotada por Henrique VIII, introduziu um novo ritual, proscrevendo o Missal e o Breviário. Aceitam a Trindade, Encarnação e a Redenção, negam o purgatório, reduzem os sacramentos a dois e pregam a justificação pela fé.

 

5. Anabaptismo

Provindo do Luteranismo, exigia um novo batismo, para os batizados na infância. Criado por volta de 1.521, na Saxônia, ensinava a igualdade completa de todos os homens e uma distribuição utópica de todos os bens materiais.

 

6. Arianismo

Vindo de Ário, sacerdote de Alexandria, se refere à natureza da divindade de Jesus Cristo, que não seria co-eterno e da mesma substância do Pai, mas que foi gerado ou criado por Ele não sendo homousios, mas apenas homoiousios, não tendo existência anterior. O Filho tem um começo mas Deus não. Rejeitada em 325 em Nicéia, propagou-se, sendo condenada novamente em 381 em Constantinopla, o que não impediu que continuasse a ter adeptos: germânicos ostrogodos, visigodos e burgúndios.

 

7. Batistas

Seita protestante segundo a qual só os adultos crentes podem ser batizados e por imersão completa, originada na Inglaterra, por volta de 1.600 como ramo do Calvinismo.

 

8. Bogomilos

Seita que negava os sacramentos, a Santíssima Trindade, o culto a Maria e aos santos, e afirmava que o mundo visível e material tinha sido criado pelo demônio. Surgidos na Trácia e nos Balcãs do século X ao XV.

 

9. Calvinismo

Ensinava que a natureza humana, após o pecado original, está totalmente desviada do bem e é odiada e abominável a Deus. A vontade do homem não é livre e a graça de Deus é irresistível, portanto estamos destinados à salvação ou à condenação, não porque Deus prevê nossos méritos ou deméritos, mas somente porque assim quer sua vontade. Somente a fé justifica e os sacramentos são canais de graça somente para os eleitos. O sacerdócio hierárquico é rejeitado.

 

10. Catarismo

Revivescência medieval da heresia dualista dos maniqueus – um princípio bom e outro mau. Um grupo de cátaros cria que os dois eram iguais, dos quais se originaram os albigenses (1.175), e outro afirmava que o princípio bom era superior. Afirmavam o matrimônio como um mal, repudiavam a procriação, defendendo a anticoncepção, afirmavam a migração das almas, negavam a autoridade estatal e defendiam a liceidade do suicídio. Condenado em 1.179 no Concílio de Latrão III.

 

11. Congregacionalismo

Seita protestante fundada por Robert Browne (1.550-1.630), dissidente anglicano. Ensinava a independência de cada congregação ou igreja local. Os evangelhos são aceitos como regra única de fé, sendo um calvinismo modificado.

 

12. Donatismo

Desencadeado no século IV pelo bispo Donato de Cartago, foi um movimento africano que acusou o cristianismo romano de ser uma religião dos detentores do poder e da riqueza.

 

13. Gnosticismo

Seu princípio fundamental é que nas religiões há uma crença comum, patrimônio dos fiéis, e um conhecimento mais alto, apanágio de uns pouco instruídos. Esse conhecimento superior dá uma explicação filosófica da crença comum do povo (veja anteriormente na religiosidade grega).

 

14. Hussismo

Defendida pelo pregador Jan Hus (1.373-1.415), checo, que questionava a autoridade papal. Principal antecedente da Reforma protestante na Europa central.

 

15. Iconoclastas

Nome dados aos que condenavam o culto das imagens. Uma proclamação do imperador Leão em 726 precipitou esse movimento e a propagação de sua doutrina. Condenada pelo segundo Concílio de Nicéia.

 

16. Jansenismo

Seria uma falsa interpretação, dada por Cornelius Otto Jansen (1.585-1.638), bispo de Ypres, à doutrina de Santo Agostinho (354-430) sobre a graça, a predestinação e o livre arbítrio. Apareceu em 1.640. Negava o livre arbítrio em aceitar ou rejeitar a graça divina, defendendo que mesmo o justo não pode guardar alguns mandamentos, que a penitência pública era necessária e em seu crucifixo os braços estavam elevados, simbolizando que Cristo não morreu por todos e sim por alguns escolhidos. Seu efeito se exerceu mais fortemente na recepção dos sacramentos, pois requeriam para a confissão e comunhão uma longa e severa preparação, pois a comunhão era mais uma recompensa por uma vida boa do que um auxílio para a prática das virtudes.

 

17. Indiferentismo

Ensina que podemos conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que nos amoldemos à norma do reto e honesto.

 

18. Liberdade de consciência e de imprensa

Condenada através da Carta Encíclica Mirari Vos, em 1.832, onde diz que a liberdade de imprensa “nunca foi condenada suficientemente, se por ela se entende o direito de trazer à baila toda a espécie de escritos. ... há de se lutar com todas as nossas forças... para exterminar a mortífera praga de tais livros, pois o erro sempre procurará onde se fomentar”.

 

19. Luteranismo

Ensinada por Martinho Lutero (1.483-1.546), cujas crenças fundamentais incluíam: a invencibilidade da concupiscência no homem desde a queda de Adão, a salvação se faz só pela fé, sem as obras, a Bíblia é a única fonte de revelação, excluindo a Tradição e o magistério eclesiástico, a consubstanciação (a substância do pão e o vinho coexistem com a substância do corpo e do sangue de Jesus Cristo), em vez da transubstanciação, na Eucaristia e a interpretação privada da Bíblia.

 

20. Materialismo

Sistema filosófico que considera a matéria como a única realidade e todos os acontecimentos como sua evolução. Nega a existência da alma e de Deus. A inteligência humana seria a ação de matéria organizada, e os fenômenos físicos e psíquicos conseqüências da lei da conservação da energia. Admite uma forma de matéria superior (vida, consciência, pensamento) e uma inferior (reações químicas e fenômenos físicos).

 

21. Macedonianismo

Doutrina que negava a divindade do Espírito Santo. Criada por Macedônio, bispo de Constantinopla entre 360 e 364.

 

22. Metodismo

Doutrina de John Wesley (1.703-1.791), ministro anglicano, reagindo contra o racionalismo da época: a fé sozinha é a base da justificação, sendo a Bíblia a única regra de fé, e a graça divina conserta o defeito do pecado original, mas é necessária a colaboração humana. Rejeita a predestinação calvinista, o purgatório e a veneração dos santos. Aceita o Batismo e a Eucaristia.

 

23. Modernismo

Coleção de erros do início do século XX no sentido de amoldar a teologia e a moral às ciências e idéias modernas. Condenada por Pio X consistia nos seguintes pontos: é impossível provar a existência de um Deus distinto do mundo, a “revelação” é apenas um produto natural do subconsciente e “dogma” é apenas uma expressão deste, sujeito a contínua evolução, a Bíblia não é um livro inspirado por Deus, não há necessidade pessoal de reconciliar a ciência e a fé, a divindade de Cristo não foi ensinada nos evangelhos mas é um produto da evolução do pensamento cristão, a idéia do valor redentor de Cristo originou-se com São Paulo, e Cristo não instituiu a Igreja nem o primado de Pedro, sendo esses apenas uma contingência histórica, que poderia mudar completamente. Os modernistas queriam dar às teses tradicionais da doutrina católica um novo significado racional.

 

24. Monofisismo

Doutrina do século V, declarava que só havia em Jesus uma natureza, a humana. Defendida pelos seguidores de Eutiques (378-454) e Dióscoro (falecido em 454), patriarca de Alexandria. Encontrou apoio por ocasião do Concílio ilegal de Éfeso (449). Foi condenada no Concílio de Calcedônia (451). Os monofisistas de hoje são continuadores de Severo de Antioquia (512-518), que afirmava a unidade das pessoas no Cristo sem negar a persistência da humanidade em sua integridade individual.

 

25. Montanismo

Ensinada por Montano da Frígia (160 d.C.), exigia um maior fervor religioso e uma observância ascética mais rigorosa, negando à Igreja o poder de perdoar os pecados. Dizia Montano que havia recebido novas revelações do Espírito Santo, que vinham complementar as trazidas por Cristo, estando a sua volta iminente.

 

26. Monotelismo

Professava haver em Cristo uma única vontade, a divina, que absorvia a humana.

 

27. Mormonismo

Fundada nos Estados Unidos por Joseph Smith Junior, em 1.830, que dizia ter recebido de um espírito celeste a revelação completa feita por Cristo após a sua ressurreição. Essa revelação teria sido escrita por Mórmon, profeta que teria habitado a América antes da chegada de Colombo (o Livro de Mórmon). Acreditam em Deus Pai, em Jesus Cristo Seu Filho, feito expiação por todos os pecados, e no Espírito Santo como pessoas distintas. Criam também na possibilidade dos seguidores atingirem o estado de divindade. Dizia Smith que Deus teria ordenado a re-introdução da poligamia, que foi abandonada em 1.891 por pressão das leis civis. Têm um culto aberto e outro secreto, baseado na maçonaria.

 

28. Naturalismo

Ensina que a perfeição dos governos e o progresso civil exigem imperiosamente que a sociedade humana se constitua e se governe sem se preocupar em nada com a religião, ou pelo menos, sem fazer distinção nenhuma entre a verdadeira e as falsas.

 

29. Nestorianismo

Ensinada por Nestório (380-451), patriarca de Constantinopla, afirmava que em Jesus Cristo havia duas pessoas – a humana e a divina – unidas moralmente; a divina habitando a humana, como num templo. Logo somente a pessoa humana de Jesus Cristo morreu na cruz, e Maria não seria a mãe de Deus, mas da pessoa humana, Jesus. Condenada em Éfeso – 431.

 

30. Panteísmo

Doutrina que remonta à filosofia indiana, em que tudo o que existe ou é parte de Deus ou é o mesmo Deus, negando a diferença infinita entre o Criador e as criaturas. Condenada por Pio IX no Concílio Vaticano I.

 

31. Pelagianismo

Negava a graça, admitindo ser possível ao homem, pelas suas virtudes e forças e sem a graça de Deus, alcançar o Céu pela observância de todas as leis. Negava o pecado original, negando assim a necessidade do Batismo. Afirmava que a concupiscência não era um mal, e que Adão, antes de pecar, não estava isento dela.

 

32. Quietismo

Doutrina mística que propunha a completa inatividade da inteligência e da vontade, permitindo a Deus realizar sua vontade na alma, não sendo necessária a preocupação com atos de virtude, resistência às tentações, com o pecado ou com a própria salvação. Ensinada por Miguel de Molinos (1.640-1.696), foi condenada por Inocêncio XI.

 

33. Quiliasmo

Doutrina segundo a qual Cristo terá um reino temporal durante mil anos antes do fim do mundo, baseada numa interpretação do capítulo 20 do Apocalipse. Foi professada por alguns padres católicos e revivida pelos protestantes adventistas.

 

34. Racionalismo

Afirmava que a razão estava acima da fé e dos dogmas.

 

35. Semipelagianismo

Afirmava que o homem, sem a graça de Deus, podia merecer, certamente, os primeiros começos da fé. Elaborada para tentar corrigir as veementes refutações de Santo Agostinho (354-430) contra o pelagianismo, onde parecera que o livre-arbítrio teria sido subestimado.

 

36. Swedenborgianismo

Chamada de Igreja da Jerusalém Celeste, inspirou-se nos livros de Swendenborg (1.688-1.772), que rejeitava os livros de São Paulo e os Atos como epístolas “sem sentido angélico”, aplicando o capítulo 3 do Apocalipse (a besta) aos demais protestantes e os capítulos 17 e 18 (a meretriz de Babilônia) à Igreja Católica. Rejeitava o pecado original e a ressurreição dos mortos.

 

37. Unitarismo

Rejeita a existência de três pessoas na Trindade, sustenta a unidade pessoal de Deus. Aparece no tempo da Reforma (século XVI). Modernamente dão muita importância ao aspecto doutrinário, pregando uma atitude espiritual resumida nos dois mandamentos de Jesus: amor a Deus e ao próximo.

 

38. Universalismo

Doutrina segundo a qual não há inferno e todos se salvarão.

 

39. Valdensianismo

Reagindo contra o luxo existente no fim do século XII, Pedro de Valdo, de Lion, contratou tradutores e chegou à conclusão que todos os cristãos deviam abster-se da posse de propriedades, como os apóstolos. Recusavam a autoridade do Papa, acreditavam na inexistência do purgatório, na nulidade das indulgências e orações pelos mortos, não acreditavam na transubstanciação, viam todo juramento e toda mentira como pecaminosos, assim como toda guerra e derramamento de sangue humano.

40. Heresia de Wycleff

John Wycleff (1.324-1.384) afirmava que Cristo estava presente apenas sacramentalmente na Hóstia consagrada, que os clérigos perdiam a autoridade espiritual pelo pecado e que a Igreja Romana não tinha autoridade alguma sobre as outras igrejas.

 
Categoria: Órion Volume 1