O Cristianismo (Catolicismo) - cont. 2 - Rumos

O Verdadeiro Rumo do Cristianismo

Seja qual for a religião do futuro, ela será a verdadeira Religião-sabedoria dos antigos. Mais alguns séculos, e não haverá mais crenças sectárias em nenhuma das grandes religiões da Humanidade. A verdadeira doutrina transmitida por Jesus Cristo, tendo como base essa Religião-sabedoria de todos os povos antigos e de todas as religiões conhecidas da humanidade, é o meio de entrarmos em contato com o reino de Deus (Lc 17:21), com o Cristo que habita em nós (Cl 1:27), nossa esperança de glória. Ela falhou quando se enredou no mundo material, na sede de expansão a todo custo e na proximidade constante com o poder secular.

Os povos antigos, e os pagãos, tinham um código religioso e um código moral. À época, o verdadeiro pecado era somente negar a existência e o poder do deus tribal ou da comunidade. A luxúria, o adultério, o assassinato, o roubo, as perversões, a apropriação indevida dos direitos e das posses alheias, etc., eram considerados ofensas à comunidade, à nação, e não ao deus. Dessa forma, o comportamento contra a moral da comunidade era punido com castigos físicos, enquanto o pecado contra o deus era punido com a morte. Acreditavam na existência da individualidade apenas na forma do corpo físico, sensível ao iníquo, ao imoral e ao pecado – aí a fonte das religiões que estimulam a autoflagelação como meio de purificação. Mais tarde, outros grandes homens afirmaram a existência de um princípio divino no homem, chamado de várias formas, mas que vamos chamar de espírito.

Mas Jesus veio lembrar a existência de um homem exterior, o corpo físico, que era constantemente tentado aos prazeres da carne (Tg 3:2), com impulsos e sensações, mortal, redutível a pó e sem importância. Também a existência de um homem interior, a individualidade, o caráter, o “eu”, a quem vamos chamar de alma, diferente do corpo físico e parcialmente ligada ao espírito, esse sim incontaminável, imortal, perfeitíssimo e divino, posto que tem origem na Consciência de Deus (“o Espírito de Deus habita em vós” (1 Cor 3:16)), morando além do pecado e da condenação – “soprado por Deus no corpo físico do homem para torná-lo uma imagem viva Dele”. Veio mostrar que todos os deveres morais do homem se consistiam num dever para com o Pai, e não somente para com a comunidade, no intuito de se formar um elo entre a alma e Deus e salvá-la, salvar ao homem interior, que Paulo mencionava como “Cristo em vós” (Cl 1:27). Aliás o mesmo Paulo, na busca desse Cristo interno era constantemente “arrebatado fora dos sentidos por Deus” (II Cor 5:13), quando ficava  “compenetrado no temor do Senhor” (II Cor 5:11), tendo chegado a um contato místico com o paraíso: “arrebatado ao 3o céu” (II Cor 12:1-4), semelhante à meditação iogue.

Ensinava secretamente, e através de suas parábolas, que era esse homem interior que cometia as violações ao verdadeiro código moral, posto que era ele quem decidia e escolhia o que o corpo físico, o homem exterior, devia fazer ante as sugestões, raciocínios e pensamentos errôneos da mente humana. Dessa forma ele se responsabilizava pelos atos e pensamentos humanos, pois já possuía um certo grau de consciência espiritual pela sua ligação com o espírito, podendo ser castigado ou recompensado em momentos futuros. Assim, nem o corpo físico mortal, sem consciência do bem e do mal, nem o espírito, que perfeitíssimo não pode cometer pecado, podem ser responsabilizados por nada. Somente o homem interior, em desenvolvimento, aquele que distingue o homem dos animais e os homens entre si, pode ser o responsável, tendo a opção de entrar no Caminho e “erguer-se em ressurreição para entrar no Reino dos Céus”. Em suma somos uma existência trina: corpo, individualidade e espírito – Mt 22:37, I Ts 5:23 e Hb 4:12 (vide Volume 2 “A Natureza Humana”).

Ensinou ainda os mistérios do Reino dos Céus, e transferiu o poder e autoridade aos seus discípulos de praticá-los (Mt 10:1, Mc 6:7-13 e Lc 9:1s) e repassá-los aos dignos (Mt 18:18 e 16:19).

O cristianismo real e primitivo era, antes de tudo, uma forma de vida ensinada por Jesus Cristo, à qual muito poucos aderiram, como ele próprio profetizou (Mt 22:14). Se a maior religião do mundo, fosse realmente vivida, em sua íntegra, a verdadeira Religião-sabedoria já teria transformado a Terra num paraíso e não no aparente inferno que vemos à nossa volta. Algumas organizações foram criadas paulatinamente, como forma de conservar e praticar esses verdadeiros ensinamentos religiosos de Jesus, como a ordem semi-monástica do Martinismo.

Mas uma luz já brilha em meio às trevas (“À época atual, a par de muitas luzes, apresenta também muitas sombras” – Tertio Millennio Adveniente 36). A tão proferida nova era, no novo milênio, já nos deixa antever o futuro provável que nos espera, nas tentativas de paz no tão sofrido Oriente Médio, entre árabes e judeus, e na mudança de conduta da Santa Igreja Católica, antes obediente à tendência de ocultar suas falhas e esconder-se atrás de aparências (veja o juramento papal em “OS PAPAS E ANTIPAPAS”, no apêndice).

Em 1.948, 147 igrejas protestantes se reuniram com o fim de criar uma organização mundial que desse “orientação e oportunidade de colaboração em assuntos comuns”. A Igreja Católica recusou ao convite na época. Hoje com cerca de 230 comunidades ortodoxas e protestantes, o Conselho Mundial de Igrejas, com sede em Genebra, conta também com observadores da Igreja Católica em suas assembléias.

Em 1.959 foi fundada a Conferência das Igrejas Européias, que agrupou Igrejas protestantes, anglicanas e ortodoxas do Ocidente e do Leste europeu, que passou a trabalhar conjuntamente com o Conselho das Conferências Episcopais Européias, entidade católica. Juntas promoveram reuniões deliberativas acerca do ecumenismo na Europa: 1.989 em Basiléia e 1.997 em Graz.

Num gesto despretensioso, senão corajoso e inesperado, em 1978 o novo Papa eleito, Karol Woityla, assume o nome de João Paulo II, nega-se a proferir o juramento papal e inicia uma grandiosa peregrinação mundial difundindo o âmago da doutrina cristã. Continuou a linha de pensamento de seu antecessor Papa João XXIII, no Concílio Vaticano II, que, na realidade, já vinha de muito antes: “As principais cisões, que durante este milênio ‘ferem a túnica inconsútil de Cristo’, são o cisma entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente no início do milênio e, no Ocidente, quatro séculos depois, a laceração causada pelos acontecimentos comumente conhecidos com o nome de Reforma” (UR 13 – Concílio Vaticano II). Iniciou a expulsão do anticristo de dentro da Igreja.

Visitou quase todos os grandes chefes de estado, acentuando a defesa imprescindível dos direitos do homem e do trabalhador e da igualdade social no mundo, não os separando da espiritualidade. Começou a tentar, na prática, a unificação de todos os cristãos com laços fraternais, lembrando o seu objetivo único: praticar os ensinamentos de seu fundador, Jesus Cristo. Os cristãos, então, deveriam tomar para si a tarefa de levar toda a humanidade a viver os ensinamentos de Jesus Cristo, não à base da força, não tentando vencer pela intelectualidade os outros credos, mas simplesmente vivendo o cristianismo e dando o exemplo. E esse viver tem que começar na própria família cristã, católicos, protestantes e ortodoxos, perdoando-se mutuamente. “Perdoar significa esquecer tudo, apagar, e começar uma nova e virtuosa vida, ressuscitar para uma nova glória”.

Entre 1.988 e 1.999 durante encontros e sessões plenárias da Comissão Teológica Internacional (CTI), em Roma, saiu o texto “Memória e Reconciliação: A Igreja e as Culpas do Passado”, com o fito de “purificar a memória”, considerada como fator indispensável para “viver com maior intensidade a insigne graça do jubileu”. Esta purificação da memória, segundo o presidente da CTI, Cardeal J. Ratzinger, consiste no processo destinado a libertar a consciência pessoal e coletiva de todas as formas de ressentimento ou violência que a herança de culpas do passado possa haver deixado, reconhecendo as culpas e abrindo um caminho real à reconciliação. “Um ato de coragem e humildade para reconhecer as faltas cometidas por quantos tiveram e têm o nome de cristãos. Por causa daquele vínculo que nos une uns aos outros no corpo místico, todos nós, não tendo embora responsabilidade pessoal por isso e sem nos substituirmos ao juízo de Deus (o único que conhece os corações), carregamos o peso dos erros e culpas dos que nos precederam”.

“Como sucessor de Pedro, peço que... a Igreja... se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos. Façam-no sem nada pedir em troca, animados apenas pelo amor de Deus, que foi derramado em nossos corações” (Rm 5:5).

João Paulo II

Segundo a mesma Comissão, em seu documento de 16 de março de 1.998, intitulado “Noi ricordiamo: una riflessione sulla Shoah”, chama aos judeus de “nossos irmãos mais velhos” e interroga “se a perseguição do nazismo, nos confrontos com os judeus, não foi facilitada por preconceitos anti-judaicos presentes nas mentes e corações de alguns cristãos...”, e finaliza com “um apelo à consciência de todos os cristãos, hoje, exigindo um ato de arrependimento”.

E quanto àqueles que negam a Deus, de múltiplas maneiras teóricas ou práticas, processo surgido no mundo Ocidental, a CTI cita, em seu documento sobre a reconciliação, palavras escritas na “Gaudium et spes”: “Com efeito, o ateísmo considerado no seu conjunto... resulta de várias causas, entre as quais se consta também a reação crítica contra as religiões e, em alguns países, principalmente contra a religião cristã”.

Mas a obra é grandiosa, pois todos os credos também adoram ao mesmo Deus, e todos somos “da mesma casta, a casta da humanidade”. Em 27 de outubro de 1.986, na basílica de São Francisco em Assis, João Paulo II presidiu um encontro histórico, por ocasião da primeira cúpula inter-religiosa, durante a qual as relações com as religiões não-cristãs foram aproximadas. Foi acusado de herege pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre pela iniciativa. Voltou à cidade em 1.993, com representantes do mundo ortodoxo e islâmico para rezar em favor da paz nos Balcãs. Em 6 de maio de 2.001 o Papa João Paulo II faz a primeira visita oficial de um Papa a uma mesquita muçulmana, em Damasco, na Síria. Pregando a igualdade dos dois credos na adoração ao Deus único ele exortou a mútua compreensão entre os seguidores de ambas as fés.

Em 24 de janeiro de 2.002 o Papa voltou a presidir duas cerimônias em Assis, pela paz do mundo, repudiando o terrorismo e a guerra. Participaram cerca de 200 religiões, incluindo líderes das onze maiores religiões do mundo: 20 patriarcas ortodoxos, uma dezena de rabinos judeus, cerca de 30 muftis, xeques e personalidades islâmicas, 20 representantes dos cristãos não católicos do Ocidente, monges budistas e xintoístas, representantes hindus, de religiões tradicionais africanas e dos seguidores de Zoroastro.

“Nunca mais a violência, nunca mais a guerra, nunca mais o terrorismo, que toda a religião leve em nome de Deus a justiça e a paz, o perdão, a vida e o amor à Terra”... “a jornada de oração pela paz, em Assis, não quer gerar o sincretismo religioso. O que une os participantes é a certeza de que a paz é um dom de Deus”.

João Paulo II

 Grandiosa obra, já que os mais sábios filósofos e mestres hindus admitem hoje os ensinamentos de Jesus Cristo e O vêem como um grande Ser, a própria encarnação do Amor. Toda a humanidade, com seus milhares de credos, e principalmente o catolicismo, o protestantismo, os ortodoxos, os judeus, os hindus e quem mais quiser se unir, partiremos, finalmente unidos no Cristo, para construir uma nova humanidade, ressuscitada das trevas para a Luz.

Pois: “A Verdade não se impõe de outro modo senão pela sua própria força, que penetra nos espíritos de modo ao mesmo tempo suave e forte” (Dignitatis Humanae 1).

Categoria: Órion Volume 1

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