Origem do Universo - As Estâncias de Dzyan

AS ESTÂNCIAS DE DZYAN

“No princípio era o Caos. Quando surgiu o Logos surgiu o Cosmos”.

Juan Viñas

 

No Tibete, em poder dos Lamas Gelugpa, propriedade especial do Panchen Lama, estão os chamados Comentários dos sete livros de Kiu-ti. Embora nunca descoberto historicamente, alguns especialistas do idioma tibetano defendem que os livros de Kiu-ti devem ter sido extraídos de certas obras tibetanas, conhecidas como Ensinamento Kalachakra. A doutrina tibetana afirma que o Kalachakra veio diretamente da cidade divina de Shambhala (veja adiante). São 14 volumes, de antigüidade desconhecida, escritos em sensar (língua sacerdotal secreta), língua onde cada símbolo representa uma palavra inteira. Além destes, acham-se também 35 volumes para fins “exotéricos” e leigos editados no último milênio. O primeiro livro dos Comentários é chamado de “As Estâncias de Dzyan”, a base da Teosofia (Theosophia – sabedoria divina) de Helena Blavatsky (1.831-1.891).

As Estâncias dizem que O TODO, um Princípio Onipresente, Sem Limites, Eterno e Imutável, sobre o qual nada se pode especular, apresenta ciclos de repouso e atividade (“Deus inicia a criação e depois a repete, e no fim para Ele voltareis...” – Alcorão 30:11) que duram cerca de 311 trilhões de anos (vide adiante). Em seu repouso não há o tempo, só um eterno presente, não há uma mente universal, pois não há seres para contê-la, somente as trevas enchem todo o espaço ilimitado (como em Gn 1:1s). Os três são um só – pai, mãe e filho são O TODO. Espírito, substância e cosmo; tempo, espaço e movimento; Mônada, Ego e pessoa. Nada mais existe.

Essa Energia Primordial, que parece ser uma parte diminuta de algo surpreendentemente maior, está constantemente “se descobrindo” como resultado de uma outra criação e está em constante processo de auto-descobrimento e conscientização. Com o aparente propósito de se auto-explorar e se auto-expressar, ele necessita de ciclos de expansão de sua Consciência, de dentro para fora, como um botão de lótus, a qual cria o nosso Universo, alternando com ciclos de retração do mesmo, em que assimila e “aprende” com as informações obtidas.

Como resultado daquela expansão, as Estâncias afirmam que surge, então, o 1o Logos Subjetivo, a unidade homogênea com toda a diferenciação em potencial, o Não Manifestado, a Causa Primeira. Então duas facetas d’O TODO, contidas no 1o Logos, emanam e se tornam o 2o Logos Subjetivo, a vida dual que se manifesta no espírito e na matéria (Purusha e Prakriti), o “Espírito do Universo”. Esse “dual dentro da unidade” produz a “Ideação Cósmica”, a base inteligente da Natureza, seu pensamento, a “Alma do Mundo”, o 3o Logos Subjetivo. A vibração cósmica, que é esse pensamento d’O TODO, se alastra por toda a parte e se condensa em “centelhas vitais vibrantes”, a força vital. Essas centelhas são a Palavra de Deus (o Verbo criador), o Fohat dos ocultistas, a forma por meio da qual o pensamento divino imprime seu desejo sobre a Substância Cósmica emanada d’O TODO. Então o 3o Logos Subjetivo se torna o 1o Logos Objetivo Criador, a “Mente Universal”, e dá origem ao tempo e ao espaço. Esse emana o 2o Logos Objetivo que emana o 3o Logos Objetivo (aspectos Criador, Preservador e Destruidor d’O TODO). 

 Vemos novamente a noção de uma trindade subjetiva, emanada do Incognoscível, três mas ao mesmo tempo um. Na realidade não há uma criação, mas uma transformação contínua no rumo da materialização.

Aquelas centelhas vitais vibrantes se manifestam no plano físico na forma de partículas subatômicas, do mesmo modo que essas partículas manifestam-se na forma de átomos. Em decorrência dos movimentos desses átomos, as trevas irradiam luz sobre o abismo-mãe (Gn 1:3ss). Já não mais existem trevas. As Estâncias dizem, enigmaticamente, que então “os três caem nos quatro” e surgem os Sete Espíritos Criadores, que emanam d’O TODO (os “exércitos de Deus” – Gn 2:1 ou os Amshapands do Zend-Avesta persa). Esses Sete Espíritos Criadores emanam ou deixam fluir por Eles energias divinas, conhecidas como os sete “Grandes Raios Cósmicos”. Cada Espírito Criador pode presidir milhões e milhões de sistemas solares, usando o seu próprio Raio. Dessa forma cada sistema solar é presidido por apenas um desses Raios, que por sua vez se dividem em mais sete tipos de energia, mais sete Raios (Vide o Volume 3), responsáveis por toda a criação.

Essa “eletricidade cósmica”, vinda dos Sete Espíritos, energiza a manifestação física das centelhas vitais vibrantes, o átomo. E a matéria-energia (pensamento) se forma pela reunião desses átomos nas nuvens gasosas. A “eletricidade cósmica” gera então o primeiro (espírito) e o segundo (inteligência) princípios, e o primeiro é agora o segundo, e os primeiros átomos refletem-se neste. Dizem então as Estâncias que “os sete se transformam em trinta”, as hierarquias, as hostes e as multidões espirituais se formam sob Seu pensamento e para o Seu desígnio. Cada passo é dirigido, controlado e animado por séries quase infinitas de hierarquias de seres, cada uma delas encarregada de executar uma missão, variando infinitamente nos seus graus de consciências e inteligência. Em Gênesis 1:6s, 1:14-18, 1:20s, 1:24s e 1:26s vemos um “Deus” ordenando e um “Deus” obedecendo às ordens.

 Assim surgiram os Dhyan Chohans (as hierarquias angelicais cristãs), arquitetos do Mundo visível: os grandes Sóis Centrais, os Veladores Silenciosos (de nossa galáxia, de nosso sistema solar e de nosso planeta), os Logos (solar e planetário), os Elohins, etc., todos animados pela força vital, manifestação do poder inexaurível da Consciência, centelhas dos pensamentos criativos da Inteligência Infinita – O TODO. E todas as formas cósmicas, os cometas, sóis e planetas, nascem por intermédio dos Elohins, dirigidas pelos Logos através da “eletricidade cósmica”.

Segundo o Dalai Lama, antigos textos budistas dizem ser, uma galáxia, formada de um bilhão de sistemas solares, e que um bilhão de galáxias forma uma supergaláxia. Assim, a um bilhão de supergaláxias dá-se o nome de supergaláxia número um, a um bilhão dessas denomina-se uma supergaláxia número dois, e a um bilhão dessas últimas o nome de supergaláxia número três. Ainda dizem mais. Dizem que o número de supergaláxias número três é de tal ordem que não é possível contá-las...

Categoria: Órion Volume 1