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É através das energias emocionais, que circulam nos centros energético-informativos (os Chakras), que a ‘persona’ se conecta com a dimensão espiritual do ser. Precisamos das emoções para compreender o “não-físico”.

 

A função básica do corpo de desejo (Kama) é converter as vibrações captadas pelos órgãos físicos em sensações, de forma que o instinto básico de sobrevivência, nossa herança unicelular, possa agir em nossa autopreservação. Os centros energético-informativos do corpo etérico são os responsáveis por essa transferência energético-informativa para fins de conversão em sensações. A maioria das vibrações físicas gera sensações neutras, mas algumas delas, quando confrontadas com nosso centro etérico de sobrevivência (primeiro Chakra), geram as sensações de “agradável” ou “desagradável” no nosso corpo astral.

Ambas as sensações, “agradáveis” e “desagradáveis”, geram respostas físicas, emocionais e mentais. Uma sensação, no corpo de desejo, quando chega ao corpo mental gera uma percepção. A essa percepção dá-se o nome de “sentimento de prazer”, se for uma sensação agradável, ou “sentimento de dor”, se for desagradável. Assim, a percepção e o sentimento associado envolvem a utilização do corpo astral, e a volta energético-informativa ao Sistema Nervoso Mental e Emocional torna a percepção e o sentimento conscientes no estado de vigília.

A percepção e o sentimento de dor geram reações energéticas de raiva e de medo, sempre que a sobrevivência nos é ameaçada. Se não há ameaça à sobrevivência, a percepção e os sentimentos de dor e de prazer, com o tempo, condicionam o surgimento de energias de apego e de repulsa (o desejo de repetir a sensação e o desejo de não repetir a sensação) no corpo de desejo (Kama). Assim, os desejos (apego e repulsa) envolvem a utilização e o processamento da memória, em busca de sensações agradáveis e desagradáveis já sentidas, que vêm ao consciente através do Sistema Nervoso Mental. As energias dos sentimentos de prazer ou de dor ocasionam desejos de experimentar esse prazer novamente, ou de evitar a dor, que surgem somente após o término da experiência ou na eminência de seu início.

As energias do medo e da raiva ficam armazenadas na porção astral do primeiro Chakra, as de dor e prazer no segundo e as do desejo (apegos e repulsas) são armazenadas na porção astral de nosso terceiro Chakra. O primeiro e o segundo Chakras se relacionam com o bem-estar físico do corpo, e o terceiro Chakra com a energia necessária à busca desse bem estar. Dor, prazer, apego e repulsa, medo e raiva se mesclam. O apego aos objetos de prazer gera dor ou prazer se os perdemos ou ganhamos, respectivamente. A repulsa aos objetos de dor gera mais dor ou prazer se entramos ou não em contato com eles, respectivamente. A possibilidade, ou de perder os objetos de prazer e não reavê-los ou de encontrar objetos de dor, leva ao medo e as suas ocorrências levam à raiva.

Essas energias do medo e da raiva, energias provenientes do primeiro Chakra, inundam todos esses três centros energéticos. Já o prazer de ganhar um objeto de apego gera mais prazer e apego e a dor de entrar em contato com objetos de repulsa gera mais dor e repulsa, num ciclo vicioso que aprisiona mais e mais energia na porção astral do primeiro, segundo e terceiro Chakras.

O desejo não é uma energia negativa em si, pois traz consigo o poder de realizar. Esse poder é uma função mental que traz em si a capacidade de obter ou repelir. Quando surge o desejo por algo, o corpo mental logo se encarrega em formular estratégias para a sua obtenção. Assim se obtém experiência e diversas formas de “poder mental”, mas também de controle (Cf. adiante). O ponto-chave está na transformação, ou não, do desejo em apego, repulsa ou controle.

A nível físico, o Sistema Nervoso Mental capta, traz à consciência e integra os vários sinais sutis, provindos do terceiro Chakra astral e relacionados com o desejo, comparando-os com os registros prévios da memória, também resgatados à consciência, usando, para isso, as fibras de associação secundárias (raciocínio lógico) e terciárias (raciocínio abstrato e ordenação dos pensamentos). Desse processamento consciente, a nível físico, e inconsciente, a nível mental, surgem a nível astral as emoções (captadas pelo Sistema Nervoso Emocional) e as ações relacionadas de comportamento emocional e social (gerenciadas pela área pré-frontal cerebral).

As emoções são um amálgama das energias sutis dos desejos com o intelecto e com o pensamento, as quais se tornam conscientes quando captados pelo Sistema Nervoso Mental, ou seja, a emoção é a conscientização do desejo. A emoção propriamente dita é incontrolável. Para se ter algum controle sobre as emoções, é imprescindível a análise dos caminhos tortuosos que a provocaram. É observar conscientemente, com o Sistema Nervoso Mental, o Sistema Nervoso Emocional: os fatores provocadores e as respectivas reações emocionais conscientes.

Decorre daí a importância fundamental das emoções e dos sentimentos na evolução espiritual do ser humano. A mente pode ser controlada, mas os sentimentos e emoções não. No máximo podem ser escondidas, ou seja, terem a sua captação suprimida pelo Sistema Nervoso Emocional. Em geral, somente as mulheres têm o terceiro Chakra (das emoções) receptivo e funcionante, no sentido de se estar aberto aos sentimentos. A energia dos homens sobe do primeiro para o segundo Chakra e pára. Está estagnada no Chakra da sexualidade e não sobe ao Chakra dos sentimentos e emoções. O desafio dos homens é se abrirem aos sentimentos e emoções.

Não é fugindo do prazer e da dor que obteremos o domínio dessa nossa natureza inferior. Somente quando enfrentarmos essas sensações, sentimentos, desejos e emoções, com suas tensões e pressões associadas, é que obteremos os mecanismos necessários ao seu domínio consciente. Muitas vezes será necessária uma fuga estratégica para recuperar nossas forças, mas quando conseguirmos desenvolver a paciência, a serenidade e a calma diante de situações difíceis, a nossa natureza inferior será finalmente subjugada. Não será reprimindo-os à força que eles serão subjugados, pois eles facilmente passarão à mente subconsciente, daí dando origem a diversos transtornos psicológicos aos quais a psicologia chama “complexos”, de onde continuarão comandando, veladamente, o comportamento pessoal.

Quando a energia do desejo se transforma em apego ou repulsa, outras formas energéticas podem surgir. A forma intelectualizada do apego é o amor humano (Eros), e a da repulsa é o ódio humano. São a mesma forma de energia com polarizações diferentes. O amor é o uso integrativo da energia, une e atrai, enquanto o ódio é o uso desintegrativo, que separa e repele. Ambas as formas ficam armazenadas no terceiro Chakra etérico e nesse centro ódio e amor podem gerar três tipos de comportamento emocionais (e/ou sociais) cada um, de acordo com as relações sociais (de um superior para um inferior, de um inferior para um superior ou entre iguais) existentes.

O amor que olha para baixo é a benevolência e o que olha para cima é a veneração, a fé e a devoção. O amor entre iguais, socialmente falando, gera ternura mútua, confiança, respeito, prazer em ajudar com doçura. O ódio ao inferior gera o menosprezo, enquanto o ódio entre iguais gera raiva, cólera, insolência, agressividade e violência. Já o ódio ao superior gera o receio que pode tornar-se medo. A ansiedade seria uma reação normal do indivíduo a todas essas emoções, geradas pelas circunstâncias sociais ou familiares que ele tenta dominar desde a infância.

Todas essas formas de amor e de ódio podem gerar ansiedades que buscam contentamento e prazer, que quando obtidos, ou não, geram mais ansiedades. A ansiedade é inseparável do medo, energia contrária ao amor. Quando essa energia da ansiedade aumenta, e chega a um certo nível crítico, surgem emoções mais ativas, como as neuroses e os estresses, ou emoções passivas, como a melancolia e a depressão. Todas essas energias acumulam-se, então, no quarto Chakra e se retro-alimentam, aumentando a si próprias: a teia do medo chega ao coração.

Ou seja, com o prosseguir da existência, aquelas reações (neuroses, estresses, depressões e ansiedades), frutos do desejo (apego ou repulsa) de coisas impermanentes, chegam a um ponto em que o acúmulo da energia do medo nos Chakras fica crítico, fruto de um ciclo vicioso pernicioso (astral, etérico e físico) que só pode ser rompido com o uso de energias superiores (mentais).

Aí ou se deixa, por ignorância e/ou comodidade (lei do hábito), a autopreservação agir (usando a energia do medo e da raiva acumuladas) e se reprimem as emoções, com conseqüências imprevisíveis e inúteis, ou se abre o coração (quarto Chakra) para novas alternativas de transcendência: o não agir (o wu-wei dos taoístas). A primeira alternativa gera a resposta de “lutar ou fugir” e a segunda leva a nos “fingirmos de morto”. Então podemos escolher como usar as energias acumuladas nos três primeiros Chakras e quais tipos de energia acumular no quarto Chakra: a tristeza e a depressão, com sua teia do medo, ou a alegria e a felicidade com a sua teia do amor.

A priori, não há nada de errado em nenhuma das opções. O problema é o perigo de se ficar preso na teia do medo, pois se escolhermos a primeira opção (lutar ou fugir) e reprimirmos as emoções, gerar-se-ão tensões musculares, transtornos cardíacos, respiratórios e endócrino-metabólicos, que trazem mais dor e sofrimento. O aumento do sofrimento aumenta a ilusão da separatividade pelo reforço da percepção do “sujeito sofredor” (“eu” estou sofrendo). Negar as emoções, como se fossem “coisas feias”, as joga ao subconsciente para reforçar a nossa Sombra. Mas se não houver repressão emocional, o medo e a raiva serão apenas sinais de alerta que apontam para algum fato que deve ser resolvido conscientemente.

Já com a segunda opção (o não agir), transcende-se a dor e o prazer na unidade deles. Mas como isso se dá? Esse não agir implica num processo mental de se observar conscientemente tudo o que está se passando nos planos físico, etérico e astral (sensações, sentimentos, desejos e emoções) e entender o seu mecanismo (gerar conhecimento) auto-suficiente e automático, regido pela lei do hábito (Cf. em AUTOCONHECIMENTO, no capítulo anterior). Observar o que se passa traz, necessariamente, uma desidentificação com os nossos corpos físico-etérico e astral. Entendemos, finalmente, que não somos todos aqueles processos descritos de sensações, sentimentos, desejos e emoções, e ficamos prontos para transcendê-los. Percebemos, enfim, que não somos as nossas sensações e sentimento nem nossos desejos e emoções, mas que eles surgem e permanecem em nós, num ciclo vicioso, devido a causas bem definidas.

Onde houver tristeza devemos procurar o apego por trás dela. Através da busca do desapego aos objetos de desejo, pela eliminação do véu da ignorância (a percepção de outro nível de realidade sujeito/objeto, inseparáveis e unos) é possível essa transcendência. Mas dois fatores são imprescindíveis nesse processo: a existência do amor e de um sentido à vida. Cura alguma será completa a menos que o homem se sinta amado e assim encontre uma motivação, uma razão para prosseguir.

Para se poder transcender esse ciclo vicioso (astral e físico-etérico) é necessário se usar o poder da vontade no intuito de quebrar os hábitos provenientes de emoções negativas (do ódio) e desenvolver novos hábitos baseados no amor e não no medo. Vê-se, então, que o centro do poder da vontade realmente está num nível acima do plano astral (das emoções), pois pode atuar sobre ele transformando-o.

"Somos o que fazemos repetidamente. Logo, a excelência não é um ato, mas um hábito".

Aristóteles (384-322 a.C.)

Esse processo de desidentificação é primordial para que possamos observar nossos corpos inferiores em suas ações e reações. Somente após o entendimento dessas ações e reações, mantidas devido ao hábito, é que poderemos usar de nossa vontade para mudá-las. Esse processo de dissociação requer introspecção, recolhimento e paciência, uma vigilância contínua de nosso “eu inferior”, visando reconhecer padrões antigos e substituí-los por novos, através de longo esforço e prática constante. É estar consciente no presente, através do exercício da atenção.

Após conhecermos os mecanismos que levam à gênese do desejo, passamos a compreender que não há problema em sentir prazer, não podemos é nos apegarmos aos fatores que o provocam. Já a dor sempre trará estímulos para nosso progresso pessoal. Ela é inerente à existência física, mas sempre será temporária de forma que não precisamos mais fugir dela. Além do mais, já que todo o universo está interligado, todos os objetos de dor e de prazer fazem parte de nosso ser e não preciso querê-los nem evitá-los.

Quando não mais tivermos medo de perder qualquer objeto de prazer e quando não mais tivermos medo de encontrar qualquer objeto de dor, pelo simples conhecimento, através de cada átomo de nossa persona, de que ambos esses objetos (de prazer e de dor) não estão separados da própria persona, outra porta se abrirá para a nossa existência. Passamos a ver, no nosso íntimo, objetos de dor que não nos dão mais repulsa e objetos de prazer que não nos dão mais apego. A Luz e a Sombra (Cf. no capítulo anterior), presentes em nosso interior, finalmente não mais se repelem.

É necessário que surja o caos para que nossas estruturas se organizem num nível de complexidade superior. É necessário o apego para que aprendamos a nos desapegar. O caos é fonte da evolução quando utilizado adequadamente. Toda semente, por mais feia, murcha e pequena, pode estar escondendo uma bela flor, uma frondosa fruteira ou uma grande árvore. Caos, dificuldades e estresses, paradoxalmente, são necessários à ordem, à evolução e à paz (Cf. no próximo capítulo, em “MEDITAÇÃO/CONTEMPLAÇÃO"). O prazer sensual é a semente da qual germina o amor entre marido e mulher, que desabrocha no cuidado com a família, floresce no serviço à pátria e à humanidade, até que se torna indistinguível da Vontade Superior.

Desapegar-se é ser no mundo e não ser do mundo. Desapegar-se acontece naturalmente quando eliminamos os véus da ignorância e passamos a viver no presente, em plena atenção (Cf. no próximo capítulo, em MEDITAÇÃO). Mas viver desapegado, ser no mundo, traz em si a transformação dos desejos materiais e, logicamente, das suas emoções. Uma grande, e quase insuportável, sensação de vazio existencial, inevitavelmente, nasce nessa situação. Viver num mundo sem prazeres, dores, desejos e emoções parece-nos não poder ser chamado de viver. Mas é somente mais um hábito que está sendo mudado, o hábito de se viver com prazeres, dores, desejos e emoções. Sempre que nossa vida chega a situações tristes e desoladas, sentimos algo parecido com esse vazio. Pensamos que estamos em franco declínio, mas a vida logo mostra que estamos sendo transformados, preenchidos com algo novo.

Ver nossa Luz e nossa Sombra, sem desejos e julgamentos, capacita-nos a ver a Luz e a Sombra dos outros também sem desejos ou julgamentos. Passamos a nos ver nas “outras” pessoas, coisas e idéias, numa unidade indissolúvel. Essa consciência de nós mesmos, e a consciência de unidade com tudo e todos, é a chave da autotransformação, descrita no capítulo passado. Com nosso corpo físico-etérico purificado e nosso corpo astral idem, nosso eu inferior passa a desenvolver emoções superiores (simpatia, reverência, devoção, compaixão, desejo de servir, etc.), que nada mais são que reflexos do “Eu superior”. O eu inferior, tornado puro, não mais age. Resignado, responde inteiramente à Vontade do “Eu superior”, como um bom servo do plano divino.

“não mais eu, mas Cristo vive em mim...”

Paulo de Tarso (Gl 2:20)

Passamos a amar incondicionalmente e a viver a compaixão, da maneira como o Cristo e o Buda nos recomendaram. Essa maravilhosa energia do amor incondicional inunda o quarto Chakra e se irradia, naturalmente, por toda a circunvizinhança. Viver sem apegos não é viver sem amor. E é esse amor, por tudo e por todos, que traz a “paz que ultrapassa o entendimento”, que brilha em nossa mente de forma a percebermos os problemas da vida de uma forma apropriada, sem ilusões, apegos ou julgamentos. É a essa paz que o Cristo chamou Bem-aventurança, nossa Auto-realização.

Em conseqüência desse livre fluxo energético, passamos a nos expressar livremente, sem medos, pois estamos em harmonia com o nosso lado Sombra. Nesse momento nosso quinto Chakra funciona plenamente vivificado. Nossa Sombra já não mais nos assusta nem entra em erupção nos momentos estressantes. Aprendemos a nos ver por completo, sem mais apegos, e assim nos aceitar. Aceitar o que estamos sendo gera a unificação de nosso ser, a nossa transcendência e o desbloqueio de energias antes presas em nosso inconsciente (Cf. em “A NATUREZA HUMANA”, no capítulo anterior). A aceitação plena de si mesmo é a única forma de perdoarmos a todos, de desfazermos todas as mágoas e arrependimentos que nos prendem ao passado. O perdão é a chave para se viver o presente, abrir-se à renovação, esquecer-se do velho eu, virar semente e “morrer para germinar”.

As mulheres, geralmente abertas aos sentimentos e emoções, em geral têm a sua energia estagnada no quarto Chakra, muitas vezes perdidas nos próprios sentimentos e emoções. E quando conseguem “destravar” essas energias, elas não sobem ao quinto Chakra: estão com um ‘nó na garganta’ porque concordaram em se manter em silêncio e serem dominadas sob a atual sociedade patriarcal. Enquanto o desafio dos homens é se abrirem aos sentimentos e emoções, o desafio das mulheres é abrir o Chakra da comunicação sem “se tornarem homens”, fechando o seu terceiro Chakra dos sentimentos.

Somente através do trabalho conjunto e contínuo de energização de todos os centros energético-informativos, da purificação de nosso corpo astral e da vinda de energias de planos superiores (Mental superior e Búdico – Buddhi), é que surgirão o verdadeiro autoconhecimento, o amor próprio, a livre expressão, o perdão de si mesmo e a compreensão de verdades espirituais. A compreensão, por exemplo, da verdade da unidade da vida, resultado do trabalho evolutivo de nossos corpos causal e intuicional, gera o sentido de fraternidade e compaixão. Todos esses fatores são pré-requisitos ao amor e perdão incondicionais (amor espiritual), à compaixão plena e à renovação pessoal.

O AMOR

“Nós fomos criados para amar e ser amados... 12:112 O amor tudo aceita e tudo dá. O amor deve ser tão natural quanto viver e respirar... 12:118”.

Madre Teresa de Calcutá (1.910-1.997)

 

“Amemo-nos, uns aos outros... Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”

I João 4:7s

 

O inimigo real do amor é o medo. “As pessoas geralmente acham que o amor e o ódio são opostos.... O amor e o ódio são a mesma energia, amor-ódio é uma energia. O amor pode se tornar ódio, o ódio pode se tornar amor; eles são conversíveis. ... A oposição real é entre o amor e o medo. ... O medo não pode ser convertido em amor, o amor não pode ser convertido em medo; eles não são conversíveis” 72:113.

Mohan Chandra Rajneesh – o Osho (1.931-1.990)

 

O amor é o sangue da alma, sem ele está-se morto. Será que existe mais doce sensação? Qual palavra abrange mais significados do que o amor? Já há registros arqueológicos de mais de 3.000 anos de antigas canções de amor egípcias, em que metáforas poéticas são belamente utilizadas para comparar partes do corpo do ser amado com pedras preciosas, ervas aromáticas, frutas e flores. Até nas Escrituras religiosas o amor entre o homem e a mulher é tratado como algo sagrado, como vemos no taoísmo, no cristianismo (no Antigo Testamento – Cântico dos Cânticos) e no tantrismo, por exemplo. Todo relacionamento a dois envolve quatro tipos de ligação: a paixão, o compromisso, a intimidade e a ligação espiritual.

Para os gregos, cinco formas básicas de amar seriam possíveis, às quais eles davam nomes diferentes: porneia, storgé, philia, eros e ágape. Porneia seria o amor à matéria e aos sentidos, presente e saudável na criança que deseja consumir e satisfazer sua fome e sua sede, sentir prazer no ter como forma de ancoragem para apoderar-se de sua nova existência terrena. O problema ocorre quando porneia permanece após a primeira infância levando-nos a uma sede e fome consumistas, uma compulsão a ter e sentir.

Stortem o sentido de amor entre consangüíneos, entre seres de uma mesma família de origem. O amor materno, o amor paterno, o amor entre irmãos, etc., numa intensidade proporcional ao grau de consangüinidade e de contato diário. Um amor que dispensa afinidades e que serve de elo oculto para manter juntos seres que têm problemas a resolver. Um laboratório para o crescimento individual, um teste para a boa convivência social.

Philia é usado para descrever a profunda afinidade existente entre verdadeiros amigos, aquela forma de amor que se sente como afeição mútua e como grande alegria em encontrar, conversar, partilhar, ajudar e abraçar. Aqueles encontros entre amigos afins, onde, entre brincadeiras e risos, somos invadidos por uma satisfação profunda, algo vago que nos toca o coração de uma forma amena e prazerosa. Uma intensa troca entre seres que partilham afinidades e por isso são chamados de “segunda família”.

Philia é o amor maduro que já não espera que o outro possa preencher todas as nossas expectativas, a mais elevada forma de amor que o homem comum pode experimentar. Compreende-se que a felicidade pessoal brota de nosso interior e independe do outro e assim não se exige mais dele que preencha a nossa ânsia pelo Infinito. Do termo philia vem as palavras filosofia (amor à sabedoria) e filantropia (amor ao homem). Está-se a um passo de ágape.

eros é a face do amor que, geralmente, é conhecida por outro nome: paixão. Derivada do latim passio, a palavra paixão denota a conexão inevitável entre o amor e o sofrimento: “o sofrer por amor”. Por isso a expressão “Sexta-Feira da Paixão”, onde Jesus sofre e morre por amor à humanidade. Dor e prazer estão intimamente conectados em eros, um estado psiconeurobioquímico amplamente investigado pela ciência desde a década de 1.960. Sabe-se hoje que eros mexe com toda a química do organismo, causando aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, insônia e perda de apetite (pelo aumento da dopamina e da noradrenalina), só para dar exemplos de algumas alterações físicas.

Mas essa revolução química não perdura por toda a vida. Em média, uma paixão dura de dois a três anos, no máximo. Eros é representado na mitologia grega como uma divindade brincalhona que passa o tempo todo flechando o coração das pessoas, fazendo-as, contra a vontade consciente e o raciocínio lógico, se sentirem irremediavelmente atraídas por alguém de seu convívio. Os franceses chamam essa paixão incontrolável de amour fou (amor louco), sentimento que derruba todas as barreiras e convenções para se fazer presente entre pessoas que, geralmente, satisfazem um conjunto de expectativas nossas, semeadas durante a infância e construídas ao longo da vida.

É uma das mais poderosas forças da existência, é uma aventura, um legítimo impulso de doação e afeição que traz embutido um desejo intenso de estar com o outro, conhecê-lo mais profundamente e de unir-se com ele. Enquanto se suspeitar haver algo novo para ser conhecido no outro, eros permanecerá e se manterá ativo. No momento em que se acreditar que já se conhece tudo sobre o outro a paixão se dissolverá. Esse é o grande e simples segredo de se manter sempre apaixonado: constatar que o outro sempre será um desconhecido. Manter eros aceso numa relação é manter um contínuo revelar-se para o outro. E para esse contínuo revelar-se é imprescindível um contínuo autoconhecer-se. Juntos no processo de se autoconhecer, juntos no processo de revelar-se um ao outro, ajudarem-se mutuamente e purificarem-se conjuntamente.

Movido por essa enchente neuroquímica, o cérebro decide racionalmente a conveniência de uma ligação de proximidade a curto, médio ou longo prazo. Desse compromisso assumido, toma força uma energia de ligação mais forte e sutil: a intimidade. A intimidade leva a laços mais fortes de relacionamento, união e integração, através da energia do amor. A experiência erótica, ou paixão, muitas vezes é confundida com o desejo sexual. Mas sexo é independente de eros, embora intimamente interligados. Pode-se ter desejo sexual sem paixão e podemos nos apaixonar sem desejo sexual, embora amiúde um leve ao outro. Mas eros é muito mais importante no sentido de ser o primeiro contato de alguns com o legítimo impulso de doação e afeição por um ser semelhante, que de outra forma nunca experimentariam. O mais vil criminoso, quando apaixonado, experimenta doação e afeição.

É o sentimento mais próximo de ágape, o amor totalmente desinteressado, que uma alma pouco evoluída pode experimentar. O sexo puro, sem ágape e sem eros somente existe nas plantas e nos animais, e em humanos que se comportam como tal. Eros surge no reino humano e, no homem desenvolvido espiritualmente, coexiste harmoniosamente com o desejo sexual e com ágape. Eros é uma força divina que intervém na vida humana servindo de ponte para se experimentar ágape, mas que precisa ser orientada pela inteligência, sob pena da alma entrar em sofrimento. Além disso, a sexualidade nos liga à freqüência do êxtase e assim pode nos unir novamente à fonte divina de êxtase e bem-aventurança.

A relação sexual deveria ser encarada unicamente como uma expressão desse amor mais profundo. Mas esse amor mais profundo pode, é claro, se expressar sexualmente ou não. Só vai depender das pessoas, de seus relacionamentos e das circunstâncias, mas é, em si mesmo, uma comunicação espiritual que vai além do emocional e do intelectual, pois o Amor não pode ser expresso em termos emocionais ou intelectuais. A relação sexual entre aqueles que se amam é um dos caminhos mais humanos à contemplação espiritual (Cf. adiante no Epílogo à Parte I) e como tal deve ser sempre encarado.

A relação sexual sela, energeticamente, uma união entre duas pessoas, independentemente da existência de um amor real. Essa união, quando há amor, cumplicidade e entrega, se torna mais forte e se fixa firmemente, unindo o casal através dos Chakras epigástrico, cardíaco, laríngeo e frontal. A conexão epigástrica se dá pelo desejo, a cardíaca pelo amor incondicional, a laríngea pela madura assimilação de que não se é dependente do outro e a frontal pela união espiritual dos dois corpos.

A dor da separação de um casal ocorre, em grande parte, pelo rompimento desse forte vínculo energético, dor que dura, em média, dois anos para curar. Esse é o tempo necessário ao fechamento do canal energético que ficou aberto. Quando se fala de um coração partido se fala de uma conexão energética interrompida ou da transferência de energias negativas através das ligações ainda íntegras no coração. Quanto mais forte a atração, mais forte será a repulsão. Então o cérebro físico concluirá, erradamente, que todos os vínculos se romperam.

“Todavia, se estabelecermos contato com o código do coração, verificaremos que a energia de nosso parceiro ou parceira está permanentemente dentro de nós, como uma memória celular sagrada e que as ondas de energia dele ou dela não são menos reais que as partículas físicas que o/a representavam”  74:263.

Dr. Paul Pearsall, Ph.D.

cardiologista

 

O que o cérebro interpreta como sofrimento na verdade é um rompimento da ligação de prazer e desejo e uma alteração energético-informativa da ligação entre os Chakras cardíacos. Conectar-se com essa energia do coração nos faz perceber que a promessa feita de amor eterno é realmente verdadeira, pois amar não é uma característica romântica do cérebro, mas uma ligação energética permanente entre dois corpos sutis.

“Aqueles com quem temos um relacionamento íntimo e com quem compartilhamos [energias sutis] intensamente sempre nos proporcionarão grande paz e grande sofrimento, e nós faremos o mesmo em relação a eles. Quando se trata de energia afetiva, deleite e aversão nunca estarão longe um do outro. Negar esse fato é um sinal de que o nosso cérebro romântico está dominando o coração amoroso e mais sábio” 74:265.

Dr. Paul Pearsall, Ph.D.

Para Platão, eros, que se manifesta primeiro como amor por um físico bonito, deve ascender intelectualmente e espiritualmente para algo superior. Em sua obra “O Banquete”, Platão defende que o verdadeiro amor seria a afeição elevada a um plano ideal que transcende o contato físico, mas não o exclui. Esse é o ideal platônico de amor, comumente e erroneamente interpretado como um amor impossível, afeição sem contato físico. Ágape, o amor totalmente desinteressado, de doação sem espera de recompensa, é o amor divino, muito relacionado com os conceitos de compaixão e caridade. Compaixão não no sentido de se sentir dó e pena do companheiro, mas no sentido de se colocar no lugar dele e entendê-lo como uma alma em evolução humana, igual a nós mesmos. Caridade no sentido de doar e doar-se sem esperar nada em troca. Ver o outro como uma expressão de Deus.

Para Osho, para se atingir o amor é necessário se estar no “aqui e no agora” (viver no presente), transformar os próprios venenos em mel (negatividades em positividades), compartilhar as positividades (a vida e tudo o que se tem) e se tornar um nada, pois no momento em que se acredita ser alguém, se pára e o amor deixa de fluir. Ser nada é ser sem ego: “amor e ego não podem existir juntos... sendo nada, você alcançará tudo... nada é Deus” 72:91. O amor humano é a única forma de encontrar Deus através do outro.

O amor é a atração entre um fragmento de Deus e os outros fragmentos, ou entre um fragmento e o próprio TODO, ao qual esses fragmentos pertencem. Dessa forma, o amor é a força contrária à força que a ilusão da separatividade gera. A real finalidade da união entre duas almas é capacitá-las a se auto-revelarem mutuamente e assim se revelarem a Deus: uma partícula de Deus se revelando a outra partícula Dele mesmo. Ágape é o amor entre aspectos do mesmo e incognoscível Deus:

Quando se atinge esse nível de consciência passa-se a compreender que amante, amado e amor são apenas formas ilusórias de apresentação do Amor, que se mostram àqueles ligados ao mundo físico ilusório. Em ágape não somos nós que amamos, mas um Outro que ama através de nós. Enquanto o amor porneia é o amor somático (de soma) à matéria, eros o amor emocional (de psique) para com o outro, storgé o amor mental (de psique) para com os parentes e philia o amor noético (de Nous) que se volta ao próprio interior, ágape é o amor pneumático (de pneuma), trans-humano e transpessoal, o amor que transcende o homem pois é o amor da Vida por Ela mesma: o amor divino.

Embora tenhamos falado muito em utilizar a paixão e o prazer como forma de se chegar ao Amor divino, muitas pessoas, obcecadas pelo tema do amor, procuram apenas uma outra pessoa que preencha o vazio energético que existe em suas vidas, esquecidas que estão de sua fonte interna de amor. E quando não têm esse “amor-tampão” ficam irritados e depressivos.

O prazer gerado por esse preenchimento de um vazio interior, gera confusão e medo. Ele tem uma raiz profunda em nosso instinto de sobrevivência, como personalidade, em que sentimos dor, como reação sensitiva àquilo que nos ameaça a sobrevivência, e prazer, àquilo que facilita a sobrevivência. E é esse prazer, que nos faz querer ficar junto do instrumento que nos preenche e usar a nossa mente racional lógica para descobrir meios de obter o intento de nossa persona. É a origem de nossas estratégias de caráter: mecanismos psicológicos que vampirizam energia dos outros nos relacionamentos (Cf. adiante).

Categoria: Órion Volume 2

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