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Wilhelm Reich (1.897-1.957), assistente de Freud, descreveu cinco medos básicos, que surgiriam até os sete anos de idade: o medo da rejeição (medo da vida no plano físico), o medo do abandono (medo da solidão), o medo da humilhação, o medo da traição e o medo da imperfeição (medo de errar). Ao lado do medo vinha a culpa, devido à sensação de falha. Essa sensação geraria uma “ferida” psicológica, que faria a criança montar uma estratégia para esconder e não “reabrir a ferida”.

 

Assim, esses medos gerariam estruturas psicológicas de defesa (dissimulação, solicitude, interrogação, esmero, etc.), as estratégias de caráter vistas no capítulo anterior, para se evitar repetir a lembrança traumática (congelada na psique como uma Imagem). Com o tempo, múltiplas Imagens formariam uma “casca” energética bloqueadora da livre circulação de energia: a doença. Acreditava que as emoções secundárias ao medo, quando reprimidas manifestavam-se também como tensões musculares e que tal armadura mental e física podia ser desfeita por meio de manipulações diretas e por um processo de conscientização.

Em 1.927, Reich defendeu, num congresso psicanalítico, a idéia de que o inconsciente humano se manifesta não somente em no discurso do paciente, mas também na forma dessa comunicação, isto é, pelos elementos não verbais do discurso. Chamou a atenção de que diversas manifestações corpóreas, como o olhar, o tom de voz, as expressões faciais, o gestual, a postura e os movimentos, são também formações do inconsciente, “expressões diretas do que não fora simbolizado”.

Para ele, o ser humano à medida que se reprime sexualmente, bloqueia energeticamente energias na área pélvica, as quais, criando “couraças musculares”, se manifestam por posturas erradas e/ou tensões musculares. A história de cada pessoa estaria registrada em seu próprio corpo. Definiu, então, crescimento como “o processo de dissolução da nossa couraça psicológica e física, o que nos tornaria, gradualmente, mais livres e aptos a gozar um orgasmo pleno e satisfatório”. A partir de 1.934, dedicou-se à disciplina que ele chamou orgonomia, ou estudo dos "orgônios", que ele descreveu como unidades de energia cósmica, dotadas da propriedade de estimular o sistema nervoso.

Um de seus seguidores mais notórios, Alexander Lowen, criou a Bioenergética, uma forma de liberar os bloqueios energéticos trabalhando com a respiração e com movimentos que permitam a livre expressão das emoções. Enquanto a psicanálise se centra no mental e no verbal, a bioenergética vê o aspecto psíquico-racional como inseparável do corpo e das emoções. Assim se apóia em três pontos básicos: a autoconsciência, que visa experimentar as sensações e os sentimentos, a livre expressão desses sentimentos e a integração desses dois aspectos (autopossessão).

Há a ênfase na necessidade de uma troca verdadeira entre o corpo e a terra que o sustenta, “estar plantado no aqui e no agora”, consciente de si e do próprio corpo, mas ao mesmo tempo à procura de um profundo relaxamento dos processos defensivos arraigados no organismo, que mantendo uma situação tensa e traumática, impedem o fluxo energético vital do organismo, ocasionando doenças. Para isso é essencial entregar-se à respiração profunda como forma de se desconectar do ego e dos medos.

Categoria: Órion Volume 2

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