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Animais carnívoros têm intestinos curtos, para eliminar mais rapidamente a carne em digestão, que vai se decompondo durante o trânsito intestinal, saliva ácida e sem ptialina (necessária à pré-digestão de cereais) e não possuem dentes molares.

Temos 32 dentes, dos quais 20 são para mastigar cereais (molares e pré-molares), oito para cortar vegetais (incisivos) e quatro para dilacerar carnes (caninos). Temos uma saliva alcalina, com muita ptialina, e menos de um décimo do ácido gástrico que têm os carnívoros. Não fomos preparados para sermos carnívoros, mas herbívoros, e os cereais sempre foram o alimento principal do homem. O próprio trato intestinal humano não é adequado à digestão de carnes por ser longo demais, dando tempo para que as proteínas animais entrem em putrefação sob a ação das bactérias.

Mas, para Paramahansa Yogananda (1.893-1.952) não existem verdadeiros vegetarianos, pois todos nós ingerimos milhões de bactérias todos os dias 100:68. A grande crítica contra a dieta vegetariana é o rico de se contrair anemia, mas uma dieta balanceada rica em ferro de origem vegetal faz com que o organismo adquira a capacidade de processar mais eficientemente essa fonte e a vitamina B12 pode ser obtida a partir de ovos e laticínios. É verdade que a dieta carnívora é uma fonte muito mais fácil desses nutrientes, inclusive de zinco e antioxidantes valiosos, mas também traz outras impurezas, tanto físicas quanto sutis, que são motivo suficiente para que consideremos a possibilidade de empreender uma mudança de dieta.

Especialmente importantes são os denominados aminoácidos essenciais, que, uma vez que o organismo humano não os sintetiza, devem ser ingeridos diariamente: a leucina, a isoleucina, a treonina, a valina, a lisina, a histidina, a arginina, a metionina, a fenilalanina e o triptofano. Eles são abundantes na carne, mas é possível obtê-los também por meio de uma dieta vegetariana, pois algumas verduras e legumes, sobretudo a soja, contêm esses compostos em quantidades suficientes. Embora algumas substâncias, como por exemplo a tirosina, se encontrem ausentes nos vegetais, elas podem ser encontradas em sementes, como a da linhaça.

A linhaça, por exemplo, é rica em proteína, gordura e fibras dietéticas. Análises mostram uma média de 41% de gordura, 28% de fibras dietéticas, 21% de proteína, 4% de resíduos e 6% de outros carboidratos (os quais incluiriam açúcares, ácidos fenólicos, lignanas e hemicelulose). Cerca de 20 a 40% das proteínas da linhaça são a albumina e a globulina. A composição de aminoácidos encontrada na linhaça é similar à encontrada na soja, que é vista como uma das mais nutritivas proteínas vegetais. Contém todos os aminoácidos essenciais, com exceção do triptofano.

Do total de gorduras da linhaça, 57% é de ácidos graxos ômega-3, 16% de ômega-6, 18% de ácido graxo monoinsaturado e somente 9% de ácidos graxos insaturados. A predominância do ômega-3 na semente da linhaça tem sido correlacionada com a prevenção das doenças coronarianas e câncer. As fibras dietéticas, no total, respondem por cerca de 28% do peso seco de linhaça. A fração de fibra mais importante consiste de amidos resistentes, como a celulose e complexos polímeros como a lignana (um fitoestrogênio). Por isso ela exerce proteção contra certos tipos de câncer, particularmente os de mama, endométrio e próstata. Assim como a banana, a linhaça é particularmente rica em potássio, fornecendo cerca de 7 vezes mais potássio que aquela. A vitamina E está presente na linhaça primariamente como gama-tocoferol funcionando como um antioxidante biológico.

Todos os grãos e cereais integrais (como o arroz, o trigo, a aveia e o centeio e seus derivados) têm em sua composição fibras, vitamina B1, B2, B6 e niacina. Alguns têm ferro e cálcio (como a aveia), vitamina E (trigo), colina e vitamina B5 (como o arroz), mas quando processados perdem muito deles. O ideal é ingeri-los na sua forma integral, sem nenhum processo de refinamento, pois é em suas cascas e películas protetoras que reside a maior concentração de minerais, vitaminas e fibras. A granola, mistura de grãos e frutas secas, combina diversos produtos integrais.

Até a década de 1.970, a parte não digerível dos cereais era descartada, até que os médicos ingleses Hugh Trowell e Denis Burkitt descobriram a relação entre as doenças inflamatórias intestinais e a ausência de fibras de cereais na dieta. Como a maioria delas não é absorvida (o organismo humano não tem como digeri-las), são fermentadas pelas bactérias intestinais e funcionam como solutos que absorvem água, e por isso aumentam o volume e o peso do bolo fecal.

Esse bolo fecal aumentado estimula mecanicamente as paredes intestinais a se contraírem para expeli-lo e regulariza a freqüência de evacuações, que passa a ser diária, diminuindo o tempo de permanência do bolo no trato intestinal em cerca de dezoito horas (de 48 horas para 30 horas, em média). Esse tempo menor diminui a irritação na parede intestinal e a formação e reabsorção de toxinas, inclusive metais. A constipação intestinal facilita a absorção de substâncias nocivas, muitas se depositando nas articulações (artrites), e, recobrindo as vilosidades da mucosa intestinal, as fezes retidas dificultam a correta absorção de nutrientes. E, além disso, está comprovado que a presença das fibras digeríveis na corrente sangüínea diminui a concentração do colesterol e da glicose no sangue.

Há dois tipos de fibras: as solúveis em água e as insolúveis. A presença dessas, forma um bolo fecal e a daquelas aumenta em volume esse bolo. As fibras solúveis são encontradas, por exemplo, nas frutas cítricas, na maçã, no morango e na aveia e as insolúveis no farelo de trigo (e nos farelos em geral) e nos cereais integrais. Nas leguminosas encontramos ambos os tipos de fibra.

“Numa alimentação pobre em fibras, a colonização das bactérias benéficas é prejudicada e a tendência é o aumento das bactérias putrefativas, que se multiplicam com muita rapidez e expõem a mucosa do cólon às suas toxinas... Hoje não há mais dúvidas de que a proteção contra o câncer de cólon está diretamente ligada às fibras e também à qualidade da flora intestinal” 77:166.

Dr. Hélion Póvoa

A ingestão de 20 a 30 gramas por dia de fibras (uma porção de frutas e legumes) impede a absorção do colesterol ingerido na alimentação, e pode quelar minerais tóxicos como o chumbo e o mercúrio incluindo-os no bolo fecal para eliminação. Ainda mais, a presença de fibras reforça a imunidade, pela multiplicação das bactérias benéficas no cólon, e sua fermentação, pelas próprias bactérias intestinais, produz o ácido butírico, importante fonte energética para as células do cólon 77:167.

Não podemos nos esquecer de que a alimentação vegetariana, com os métodos de cultivo industrializados, nos traz perigos reais quanto ao uso de aditivos químicos, fertilizantes sintéticos e agrotóxicos. É extremamente difícil se encontrar tomates, morangos ou figos livres de agrotóxicos. O tomate é um dos alimentos mais contaminados por mercúrio. O teor nutricional de qualquer vegetal espelha a riqueza existente no solo cultivado. Aqui a grande armadilha é se deixar enganar pela aparência, cor, forma e tamanho dos vegetais. Na maioria das vezes essa aparência é resultante do uso abusivo daquelas substâncias nocivas à saúde.

Deve-se dar preferência aos alimentos orgânicos, cultivados sem nenhum adubo ou aditivo químico, usando-se apenas folhas, húmus de minhoca e outros elementos da própria natureza. Outro perigo é a ingestão em excesso de fibras porque podem impedir a absorção do zinco pelo intestino. Os sinais mais claros da deficiência de zinco são as manchas brancas nas unhas.

Categoria: Órion Volume 2

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