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A dieta ayurvédica (Ahara) é um dos mais importantes itens no programa de tratamento da medicina ayurvédica. Seu princípio é indicar o uso de alimentos que reduzam o que está em excesso ou incrementem o que esteja em deficiência. Para isso, leva-se em conta o dosha predominante da pessoa (Cf. em “MEDICINA AYURVÉDICA” no início desse capítulo) e o raza (sabor ou emoção) do alimento.

 

A alimentação ayurvédica se baseia na existência de seis tipos de raza: amargo, doce, picante, salgado, ácido e adstringente (esse mais ligado à sensação de se mastigar um alimento pastoso que provoque estalos na boca, como uma maçã). Os alimentos doces nutrem e formam os tecidos do corpo, os amargos têm efeitos antiinflamatórios e desintoxicantes, os salgados são sedativos, os ácidos estimulam o apetite, os picantes estimulam o metabolismo, limpam, evitam a congestão e, como os salgados e os ácidos, também auxiliam na digestão, e por fim os adstringentes secam e compactam os alimentos, facilitando a formação do bolo fecal.

O sabor amargo é benéfico para o fígado e para a vesícula biliar, tendo também uma ação inibidora da função do estômago e do sistema baço-pâncreas, e, naturalmente, se transforma no organismo em sabor doce. O sabor doce é benéfico para o coração e para o intestino delgado, inibe a função dos pulmões e do intestino grosso, mas transforma-se em sabor picante no sangue. O sabor picante é útil para o estômago, para o pâncreas e o baço, inibe a função dos rins e da bexiga e transforma-se em sabor ácido ou adstringente no organismo. O sabor ácido/adstringente é favorável aos pulmões e ao intestino grosso, inibe a função do fígado e da vesícula biliar e transforma-se em sabor salgado. O sabor salgado favorece a função dos rins e da bexiga, inibe a função cardíaca e do intestino delgado e transforma-se no sabor amargo no sangue, fechando o ciclo.

O excesso de comidas amargas prejudica a função do fígado, promovendo a ira e reduzindo a compaixão, e a da vesícula biliar e é perigoso para o estômago ou o pâncreas. Em grande excesso, produz uma alegria patológica anormal (o riso estranho e sádico do furioso). O excesso de açúcar prejudica o intestino delgado (provoca a fermentação) e o coração (viscosidade sangüínea) e é perigoso para os pulmões e o intestino grosso. Produzem alegria e reduzem a tristeza, mas em grande excesso, porém, estes alimentos tornam as pessoas muito deprimidas.

O excesso de sabor picante é danoso para o estômago e para o pâncreas e perigoso para os rins. O excesso de sabor ácido ou adstringente prejudica os pulmões e o intestino grosso, sendo perigoso para o fígado e a vesícula. Produzem uma sensação de tristeza e também inibem a ira, mas em grande excesso geram um medo patológico anormal. Já o excesso de alimentos salgados prejudica os rins e a bexiga e é perigoso para o coração (provoca a retenção de líquidos e eleva a pressão arterial) e o intestino delgado. Produzem medo, inibem a alegria e, em grande excesso, produzem uma ira patológica.

Assim, a medicina ayurvédica é capaz de combater o medo excessivo por meio de uma dieta carregada em alimentos picantes e tratar uma pessoa de temperamento raivoso ou um caso agudo de ira com uma dieta carregada em alimentos ácidos. Da mesma maneira, poderia tratar uma melancolia profunda ministrando a um paciente depressivo uma dieta doce, e etc..

São exemplos de alimentos doces: a carne, o leite e o queijo branco, as massas em geral, batata doce, cenoura, grãos, granola, nozes, castanhas, arroz, canela azeite e frutas como a manga, o melão, a banana, o pêssego, o abacate e o morango. Os amargos são os vegetais verdes e amarelos, a berinjela, o espinafre, o café, a rúcula e o agrião. Os ácidos são as frutas cítricas (laranja, limão e tangerina), o abacaxi, o tomate, o vinagre, o iogurte e os queijos amarelos. Os picantes são o gengibre, a cebola, o alho, as pimentas, a mostarda e os condimentos em geral. E por fim, os adstringentes são a soja e derivados, o feijão, a lentilha, o milho, o alface, a batata inglesa, o repolho, a couve-flor, os brócolis e frutas como a maça, a pêra, a romã, a uva e também a banana.

Assim, quem for Pitta (fogo e água) se beneficiará dos alimentos doces, amargos e adstringentes. Deve abster-se de comer pimenta, amendoim e alimentos quentes e cozidos. Quem é Vata (ar e éter) deve preferir os doces, salgados e ácidos, cozidos e deve evitar frutas secas, cereais e alimentos crus. Já o indivíduo Kapha (água e terra) precisa de alimentos picantes, amargos e adstringentes e evitar comidas frias, gordurosas e “pesadas”. Uma boa dieta seria a combinação correta de alimentos, em proporções adequadas, que consigam suprir elementos vitais para o bem-estar geral e para a nutrição da mente.

Categoria: Órion Volume 2

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