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“Não podemos conhecer Deus por meio do pensamento, e sim por meio do amor... [O] processo de contemplação... [é] uma experiência de amor... Meditação é amor”  94:31.

Dom Laurence Freeman

Monge beneditino

 

“Não penso, logo existo”.

Harbans Lal Arora – Ph.D. em física

 

Mais do que uma arma contra o estresse diário da vida, a meditação é uma forma de transcender a vida e a morte, manter nossa saúde física, emocional e mental, e uma forma de atingirmos a nossa utopia (a perfeição). Meditar é a única forma de interiorização que conduz ao autoconhecimento, autotransformação e auto-realização, e assim podemos dizer que meditar não é um caminho alienante, mas é um estado de comunicação, um caminho que leva à informação. E informação é energia: é Luz.

 “Pensar na vida!” Quantas vezes em nossa rotina diária paramos para simplesmente “pensar na vida”? O contato com o nosso íntimo é essencial, principalmente hoje em dia, como forma de nos ligar com a nossa fonte interna de paz, alegria e amor. Segundo o monge beneditino Dom Laurence Freeman, conhecer-se verdadeiramente, é conhecer a Deus. Isso concorda com o ensinamento de todas as tradições religiosas que afirmam que o autoconhecimento profundo é a única prática que conduz à paz e à alegria interior.

Desde que Sigmund Freud (1.856-1.939) criou a psicoterapia pela fala, mais e mais pessoas têm procurado os divãs de psicanalistas, psicólogos e terapeutas como forma de entrar em contato com seus problemas emocionais, com as suas mais íntimas verdades, escondidas da consciência como forma de proteção. É um processo dificílimo, já que nos leva a encarar todos os nossos medos, nossos traumas e o nosso lado sombra. Mas trazer o nosso lado sombra à luz da consciência o transforma em luz. Para isso é fundamental o poder da vontade. Mas esse processo de autoconhecimento psicanalítico/terapêutico ainda é superficial. É apenas a forma de desfazer os primeiros véus que nos escondem da nossa divindade, nosso Eu.

Junto com esse poder da vontade, dois outros aspectos são também fundamentais. Sobre o tripé vontade, amor incondicional e sabedoria, se apóia o crescimento interior humano. Esse amor incondicional inclui a compaixão, a caridade, a tolerância e todas as qualidades nobres do coração, e a sabedoria inclui todas as qualidades nobres da mente. A perfeição só pode ser atingida com porções exatamente iguais de cada uma. Pouca sabedoria leva a construção de um bobo de bom coração e pouco amor leva a um intelectual frio e insensível e o preguiçoso não consegue vencer a sua inércia e evoluir.

Esses três primeiros aspectos constituem o fundamento da conduta ética do Caminho Óctuplo de Buda (Cf. no Volume 1). É a base necessária para iniciar-se a observação da nossa inquieta mente (Manas inferior). Entregue à inércia de múltiplos pensamentos, um puxando o outro, a mente recusa-se a cessá-los. Com truques e desculpas ela nos engana e resiste a nossas tentativas de “domá-la”. O primeiro passo, nesse desenvolvimento mental, é o desenvolvimento da concentração. Concentrar-se é centrar-se num único objetivo, parar a torrente de sensações, pensamentos e emoções que viajam pela mente: acalmá-la.

“Podes purificar tua contemplação, mantendo-a livre da turbulência”.

Tao Te Ching X

 

Diferentemente de nosso corpo emocional que pode sentir mais de uma emoção simultaneamente, o nosso corpo mental é incapaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Os pensamentos vêm um após o outro, não havendo simultaneidade deles. Assim, o primeiro passo para controlar nosso corpo mental é exercitá-lo a permanecer com um único pensamento, criar o hábito de fazer tudo de forma concentrada, sem distrações, evitando o dispersar da mente. É um exercício importantíssimo e vital para que se consiga centrar a mente durante a meditação.

O objetivo final da verdadeira meditação ou contemplação, na linguagem das religiões, é o pangree africano, o Samadhi hindu, o Sanmai (grande fixação) zen-budista, o nirvana ou jhana budista, o Daat judeu hassídico, o êxtase contemplativo cristão (contemplação infusa), o fana muçulmano, a percepção transcendental da meditação transcendental, a turiya da Kundalini-yoga, a superconsciência de Sri Aurobindo (1.872-1.950) e de Paramahansa Yogananda (1.893-1.952), a Grande Imobilidade dos taoístas, etc.. Nomes diferentes para a comunhão com o “Eu Superior”.

“Quando sua alegria na meditação e na comunhão for maior que qualquer outra, você terá encontrado Deus”.

Swami Sri Yukteswar (1.855-1.936)

Mas ninguém pode procurar Deus a não ser que já tenha iniciado a encontrá-Lo, ou encontrá-Lo sem que já tenha sido encontrado por Ele. Para alcançar esse objetivo final, inicialmente, se faz uso de várias técnicas e caminhos possíveis. Em geral se utilizam técnicas de concentração, com repetições, orações e visualizações, diversas maneiras para se silenciar a mente de seu barulho. Essas técnicas são de utilidade para se procurar a nossa paz interior, o nosso “Eu superior”, oculto sob o nosso barulho mental e emocional. Então advém a verdadeira meditação. A verdadeira meditação acontece quando a “casa está em ordem” e a mente silenciosa. É a mente silenciosa, e não a mente silenciada por uma prática qualquer, que experimenta a meditação.

A partir de então, com a mente livre, nenhum método utilizado tem alguma utilidade, pois todos visavam a libertação da mente (Cf. em “AUTO-REALIZAÇÃO” no Capítulo I). Surge o não-método, o não-agir (wu-wei), amplamente defendido por Jiddu Krishnamurti (1.895-1.986), onde uma mente desejosa de aprender é o único requisito: a meditação no vazio. Todos os métodos antes conhecidos são empecilhos dogmáticos a serem esquecidos, pois todos eles visavam a silenciar a mente, e a mente já está silenciosa. Dá-se início a um processo totalmente individual e único que visa se transcender a individualidade e se atingir a consciência da unidade com o Cosmos e com o Nada: origem e final do Cosmos.

Vimos no Capítulo I que a tradição hindu ensina que existem cinco estágios prévios de Samadhi (Samprajnata-vitarka Samadhi, Samprajnata-vicara Samadhi, Samprajnata-sananda Samadhi, Samprajnata-sasmita Samadhi, Nirbija Samadhi), até se chegar ao mais alto grau: Dharma-megha Samadhi. O processo meditativo, na realidade, seria um mecanismo de desenvolvimento de uma energia escondida na base de nossa coluna vertebral, a Kundalini, de modo que essa energia atinja o nosso cérebro. Nessa ascensão, à medida que ela atinge e faz girar cada um de nossos Chakras etéricos (Cf. no capítulo anterior), experimentamos algum grau de Samadhi.

“Eternidade e eu, um só raio unido. Pequenina bolha de riso, eu me converti no próprio Mar de Alegria”  101:163.

Paramahansa Yogananda (1.893-1.952)

Categoria: Órion Volume 2

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