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I. OUTRAS SITUAÇÕES DO VIR-A-SER

Já aquelas consciências que alcançaram a libertação durante o “morrer” (passaram à dimensão Dharmakaya ou Sambhogakaya) poderão também ter uma necessidade de voltar à dimensão física Nirmanakaya. Enquanto ainda houver necessidade por experiências no corpo material, ou como meio de aperfeiçoamento (“nenhuma ação, nem mesmo um pensamento pecaminoso passará impune”) ou enquanto houver apego às coisas transitórias e à própria vida encarnada (Trishna em sânscrito ou Tanha em páli), a própria sede por essas experiências trará a consciência de volta ao mundo material: ela reencarnará.

Dessa forma, essa consciência, merecidamente descansada, cairá no domínio de seu Carma, se revestirá de novos Skandhas (Cf. no Capítulo III), de acordo com os campos morfogênicos deixados pelos Skandhas da existência anterior, e adentrará novamente no mundo material transitório, onde colherá o que semeou, junto aos que, por sua causa, sofreram direta ou indiretamente. É nessa hora que essa individualidade recebe sua justa retribuição da Lei de Causa e Efeito. Ela é quem sofre através de cada nova personalidade mortal formada e é a única responsável pela aparente injustiça na Terra, das pessoas, aparentemente inocentes, que sofrem durante a vida toda passando necessidades.

Ao contrário, se ele não necessitar mais desses retornos, estará definitivamente livre da roda das reencarnações (roda de Samsara), acima e além do véu de Maya (ilusão), vivendo na Verdade Eterna que não tem forma, cor ou limitação. A esta nova vida os budistas chamam de Nirvana e os hindus de Mukti ou Moksha, o Ahaba Hechal descrito no Zohar, os Campos Elíseos dos gregos e o céu ou paraíso cristão, embora não seja eterno como defende a Igreja Católica e os protestantes. Eterno e imutável, somente a Divindade oculta.

Gozam dela os “Homens Perfeitos”, os Santos, os Arhats, os Mahatmas, ou como quer que sejam chamados nas diferentes culturas e religiões esses Grandes Seres. Alcançar o Nirvana significa ser absorvido pela grande Alma Universal. Sendo essa um Estado e não um Ser, quem O alcança se torna uma parte d’O TODO sem perder a sua individualidade, uma união íntima onde: “se é uno com a Vida, e, no entanto, não se vive”.

Outra situação de vir-a-ser têm os seres que recusaram toda a luz espiritual, permanecendo com sua idolatria a todos os prazeres animais, na busca incansável de dinheiro e diversão. É o caso dos absolutamente depravados, materialistas e perversos, e o caso dos magos negros ou daqueles que vivem irremediavelmente no crime: todos eles já morreram espiritualmente ainda em vida. Esta morte da alma advém da desobediência à ordem natural das coisas, ficando morto às coisas da existência superior.

No momento de sua morte há uma enfraquecimento da ligação (Antahkarana) entre essa alma humana (Buddhi-Manas) e Kama-Manas superior. O Kama-Rupa formado, em vias de se desconectar de seus princípios superiores, não consegue permanecer no Kama-loka, nem Atma-buddhi subir ao Devachan, sendo ambos compelidos a encarnar-se imediatamente, perdendo, Atma-Buddhi, seu descanso merecido. Descartadas da consciência da Individualidade (ou Ego reencarnante Atma-Buddhi), as vibrações psíquicas (Kama-Manas superior) da agora separada personalidade são imediatamente reencarnadas na mesma Terra, numa criatura mais inferior e abjeta, um ser humano apenas em forma, amaldiçoado por tormentos cármicos durante toda sua nova vida.

Se essa personalidade persistir em seu curso perverso e criminoso, sofrerá uma longa séria de tais reencarnações imediatas, e se isso se repetir durante mais duas ou três novas vidas, e o último e desesperado esforço de Atma-Buddhi para reunir-se a esse Kama-rupa for esquecido ou negligenciado (Ez 18:21), a ligação se partirá definitivamente. Então Atma-Buddhi, isento das conseqüências cármicas dessa personalidade, ou recomeça imediatamente uma nova série de encarnações ou entra num merecido descanso nirvânico, livre de qualquer impressão dessa personalidade da qual se separou definitivamente.  

Já essa personalidade, desconectada definitivamente de seus princípios superiores, é magneticamente atraída e retida na densa matéria terrestre, e renascerá na forma de um total deficiente mental congênito, para, depois de sua morte, dissipar-se em formas inferiores, seguindo suas atrações terrestres (o elementar humano) e descendo cada vez mais baixo devido ao seu forte impulso animal. Sua aniquilação total pode ainda durar séculos para se completar, durante os quais a Lei de Causa e Efeito inicia sua atividade e segue o seu curso (Ez 18:4 e Rm 6:23), ou não acontecer se ela tornar-se bastante forte no mal.

Transforma-se, então, em um mítico demônio, uma entidade com existência independente de qualquer conexão superior, envolvido em sua maldade sem fim. Existem verdadeiros homens depravados e maus, tão altamente intelectualizados e voltados espiritualmente para o mal que podem escapar a lei final de destruição por um tempo indeterminado. Transformam-se nos "Irmãos das Trevas", Guardiões do Umbral, elementares terrestres vingativos, vampiros, espíritos necrófagos ou até aqueles refinados atores que também surgem nas sessões espíritas.

Outra situação possível é a que ocorre no dia do Juízo Final (At 17:31), quando ocorre uma mudança total na vibração do planeta em que, somente aqueles que estão vibrando na mesma freqüência conseguirão continuar a viver nele (Lc 12:37s). Os que estão fora dessa freqüência serão atraídos magneticamente para outros planetas em que suas freqüências coincidam, reencarnando neles, e ficando somente com a vaga lembrança do paraíso em que viviam e que foi perdido para sempre devido aos seus pecados (Jo 5:28s).

Categoria: Órion Volume 2