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“A falta de contato físico íntimo pode privar o coração de um impulso de energia habitual e muito necessário... e o contato sensual pode ser importante para proporcionar nutrição energética e... [ajudar] a proteger o coração”  74:267.

Dr Paul Pearsall, Ph.D.

 

“Fazer amor é Aikido: ‘na união com um parceiro amado, a pessoa se torna inteira e completa’. Fazer amor no Aikido envolve respeito mútuo, serenidade de coração, técnica sutil mas vigorosa e ligação contínua de corpo e espírito”  86:84.

John Stevens

 

 

A relação entre espiritualidade e sexo sempre foi bastante controvertida, principalmente porque o sexo, admirável fonte de felicidade e prazer, devido ao fácil apego que gera, sempre foi causa também de sofrimentos e deturpações. Prostituição e exploração sexual existem desde tempos imemoriais, mas atualmente adquiriram uma dimensão tal que o sexo, associado à propaganda, estimulado pela mídia e incentivado como uma maneira de viver, desviou-se totalmente da fonte de alegria e prazer que sempre foi.

A banalização do sexo veio como conseqüência da banalização do amor. Não deveria haver problemas ou proibições religiosas, exigências de celibato ou cobranças de fidelidade, mas como se perdeu a noção do que seja amor e esse foi substituído pelo apego, gerando ciúmes, vinganças e desejos irrefreados de repetição do prazer sexual, o sexo acabou se tornando um problema a ser enfrentado e combatido.

Sempre que corpos se unem, num beijo, num abraço ou até num simples toque, ocorre uma troca energética. Se a união é sensual, num beijo ou num ato sexual, a liberação energético-informativa hormonal que ocorre estimula todas as células do corpo e torna a transferência energética muito mais intensa. A relação sexual é uma troca íntima de fluidos vitais, hormônios e energia sutil. O clímax, no orgasmo, é o ápice na formação de um vínculo energético. Cria-se uma memória energética celular comum, um evento energético que liga permanentemente os dois parceiros. Desse ponto de vista, não há sexo seguro, pois sempre há troca e vínculo energéticos que fazem com que o parceiro permaneça em nós. E esse vínculo se torna mais profundo ainda quando a relação sexual se faz durante o período menstrual feminino.

Dessa forma, como dentro da experiência sexual há uma troca química, hormonal e energética profunda, se o ato sexual é efetuado com pessoas fora de sintonia com a nossa freqüência pessoal, todo o “lixo” daquela pessoa virá como um “presente de grego”, desarmonizando a nossa vibração. Em vez disso, é preferível explorar a energia sexual através da masturbação ou simplesmente observar quando a excitação sexual surge e decidir não fazer nada com ela, ou incorporá-la através de exercícios de pranayama, como o descrito adiante.

Sem amor, porque querer nos ligar permanentemente a alguém que pouco ou nada conhecemos. O verdadeiro amor não é possessivo e não busca incessantemente o sexo, pois por si só já é desapegado e já é fonte inesgotável de prazer. Falar de amor com o coração não é falar de mim ou do outro, mas falar de nós. O coração une, o cérebro separa. Atualmente, quando se fala de amor, se fala de satisfação de carências do ego. Ama-se com o cérebro e não com o coração.

Não mais se ocupa o ser na busca de soluções existenciais ou em ações criativas ou artísticas. Não se busca mais o novo nem se vive o agora. Estamos mergulhados numa rotina oca e repetimos o que a moda dita. Ser atraente sexualmente e “livre” é a moda atual e vive-se na busca de valores sensoriais. Na falta de uma maneira mais profunda de se viver, se mergulha no prazer dos sentidos como uma fuga, e o sexo é o maior desses prazeres. A sexualidade, que deveria ser uma ponte a níveis mais elevados de consciência, perde-se no instinto e no apego sensorial, e erra o alvo correto que deveria ser a espiritualidade e a ligação espiritual entre dois seres.

E esse apego sensorial ao sexo é tão envolvente e viciante que, se baseando na verdade de que o amor não aprisiona e afirmando que “amo a todos os seres”, muitas pessoas, que se dizem “espiritualizadas” e amorosas, aplacam a sua insaciável sede de prazer sexual e sensual. Grande auto-indulgência. Não são capazes ainda de olhar, verdadeiramente, para si mesmas, e assim justificam a sua promiscuidade e prisão aos sentidos numa aparência de “alta espiritualidade”.

Afirmam que tudo é sagrado e que a filosofia tântrica é a única verdade. Não que o sexo não seja sagrado, a intenção escondida na prática do sexo é que pode não ser. Escolhem o Tantrismo como um meio de justificar suas tendências e não como um meio de transmutá-las (Cf. em TANTRA, no Volume 1). O Tantrismo é uma senda onde todos os desejos devem ser transmutados, e não bloqueados, para que ocorra uma união com Deus. Reconhece ser necessário conhecer a nossa natureza inferior, o nosso “lado sombra”, para que possamos transcendê-lo.

Mas não é bem isso o que acontece na maioria dos casos. Não se busca a interiorização, o autoconhecimento, mas vive-se aprisionado no mundo exterior, mergulhado num ambiente repleto de agentes estressores causadores de doenças físicas, emocionais e mentais. E são esses fatores que dificultam a troca energética, mesmo na existência de um amor verdadeiro entre um casal.

A nível sexual, a disfunção erétil (impotência), a ejaculação precoce e a frigidez feminina estão cada vez mais freqüentes. A ansiedade, o medo e as culpas são as causas mais comuns desses transtornos, que bloqueiam importante quantidade de energia a nível mental e emocional. Esses sentimentos e emoções desequilibram o SNA, estimulando o simpático e inibindo o parassimpático, causando os sintomas físicos. 

Foi visto no Capítulo II que o parassimpático é o sistema responsável pela ereção dos genitais externos (pênis e clitóris) que vem com a excitação, enquanto o simpático fornece a força propulsora ao líquido seminal, durante a ejaculação. Dessa forma, a ansiedade e o estresse podem levar a uma ereção deficiente (impotência) e à ejaculação precoce. Na mulher, a frigidez é conseqüência ou da falta de desejo ou de excitação insuficiente, que podem ser provenientes de transtornos emocionais e mentais, ou não. Não podemos esquecer da possibilidade de problemas orgânicos levarem a esses distúrbios.

Esquecemos de amar como uma verdadeira veneração Àquilo de divino que há no outro. Não se contempla o outro nem há mais a união de corações. Esquecemo-nos de como admirar o outro e passamos a enfatizar o sombrio do outro, que é o mesmo sombrio nosso. A única maneira de dois corações se encontrarem é mantendo-se calados, abertos e generosos. Quando imóveis, receptivos e em silêncio, falamos a língua do sagrado e unimos nossos corações.

Para o taoísmo, as três colunas que sustentam a vida física do homem são: o sexo com amor, a alimentação e o exercício físico 27:182. Para eles, a sexualidade é importante à obtenção da longevidade (e imortalidade) e de uma vida saudável e feliz. Assim, se o ching (energia contida no esperma, no óvulo e no fluido menstrual 27:170) for redirecionado ao topo da cabeça, a longevidade pode ser alcançada. Mas como assim?! Para eles, a energia contida no óvulo e no espermatozóide, que é responsável pela geração de um novo corpo humano, se reintegrada ao organismo gera, no mínimo, a longevidade. Alguns exercícios de pranayama, descritos no próximo capítulo, têm a capacidade de gerar essa energia sexual e direcioná-la aos canais sutis, trazendo vitalidade ao corpo físico, emocional e mental.

O gasto energético na produção do fluido seminal já foi demonstrado cientificamente. Wayne van Voorthies, doutor da Universidade do Arizona, publicou em 1.992 um estudo com minhocas, em que minhocas que não produziam esperma e podiam copular viveram cerca de 80% a mais (14 dias) do que minhocas que podiam copular e emitir esperma (8,1 dias): “gerar esperma é muito mais difícil do que os cientistas imaginavam. Isso requer um desvio de recursos que pode vir a prejudicar a saúde masculina a longo prazo”.

Já dissemos antes que, para a grande maioria da humanidade, a energia sexual, descarregada no momento do orgasmo, revitaliza e limpa o organismo, desfazendo bloqueios e tensões. Dessa forma, ela é importante para o bem estar físico. Quando o ato sexual é feito, não como modo de satisfazer a libido, mas como uma comunhão profunda, um dar e receber mútuo, com o tempo se consegue experimentar a unidade. É uma experiência sagrada, onde ocorre o casamento dos aspectos físicos e espirituais do casal. Necessária àqueles que ainda não experimentaram essa unidade com o Universo, essa descarga energética não é mais necessária ao bem-estar pessoal àqueles já em unicidade com o Todo.

Dessa forma, a ejaculação não é o problema, mas o número é que deve ser observado. Com 20 anos a freqüência de emissão de esperma deveria ser no máximo a cada quatro dias. Com 30 anos a cada oito dias, com 40 a cada dez dias, com 50 a cada 20 e com sessenta se recomenda não mais ejacular (no máximo uma vez por mês). Isso não é uma limitação para o ato sexual, mas para a emissão de esperma.

Muitas disciplinas espirituais utilizam a meditação/concentração para conter, transformar e dirigir essa energia ao longo da espinha dorsal, como forma de se transformar essa energia em energia espiritual superior. Entre elas está o taoísmo chinês e a filosofia tântrica hindu. As técnicas se baseiam em conceitos fisiológicos do sistema nervoso autônomo (SNA) e em conceitos metafísicos da manipulação de energias nos corpos sutis.

A respiração abdominal, que estimula o sistema nervoso parassimpático (nervo vago) e inibe o simpático (diminui a adrenalina e o cortisol), além de estimular a ereção e facilitar o surgimento da energia da excitação, diminui a ansiedade e inibe a ejaculação precoce e pode conter a saída do líquido seminal. É a base fisiológica sobre a qual se assenta a prática taoísta e tântrica do sexo: a respiração correta.

A forma mais fácil de gerar essa energia é tendo pensamentos eróticos ou contatos corporais com o sexo oposto (como numa dança). Outra forma é concentrar-se na região do períneo (primeiro Chakra) e contrair o músculo pubococcígeo (o músculo responsável por “prender a urina”) e o próprio esfíncter externo do ânus (o músculo responsável por “prender as fezes”), enquanto se expira. Na inspiração se relaxa a musculatura perineal e se observa o abdome expandir-se. Esse exercício traz uma sensação de calor no períneo.

Alguns exercícios de pranayama podem então levar essa energia ao corpo todo. A partir do períneo deve-se mentalizar a subida dessa energia ao abdome inferior, mais exatamente ao tan-t’ien. Nesse local, com o tempo de prática, passa-se a sentir um calor, que nada mais é do que a transformação do ching em Ch’i (Circulação Celeste Menor do taoísmo). Logo que isso acontece, ela deve ser circulada, mentalmente, de volta ao períneo e ascendida posteriormente pela coluna vertebral, “inundando” todos os canais sutis (Circulação Celeste Maior do taoísmo), levando vitalidade ao corpo e gerando uma força conhecida como “força interior” (shen), uma forma de “magnetismo pessoal” 27:170.

Essa energia deve ser transformada, pois ela não pode ser armazenada. O acúmulo de energia sexual, no homem, geralmente é usada na produção de sêmen e descarregada na forma de polução noturna, a emissão de sêmen geralmente associada a sonhos eróticos, ou ejaculação no ato sexual, que os taoístas chamam de lu-tan (verter o elixir) 27:177. Assim, muitos monges taoístas abstêm-se de praticar sexo, sentam-se e evitam dormir à noite com medo de perder essa energia. Na mulher essa energia é descarregada na forma da ejaculação feminina (um líquido viscoso e inodoro, de composição semelhante ao fluido prostático masculino) e do fluxo menstrual.

Uma metáfora satisfatória para explicar esse processo diz que essa energia é como o vapor d’água que, uma vez gerado, se não for feito circular e assim gerar energia para a locomotiva andar, será condensado e se transformará em água que será jogada fora, pois além de não ter utilidade, não poderá ser armazenada na locomotiva.

Da mesma forma, se a prática for abandonada, o Ch’i produzido dessa forma se transformará novamente em líquido. A única maneira de não se perder essa energia sexual é transformá-la em shen (espírito), a fim de se alcançar a meta suprema da auto-realização. Assim, o taoísmo diz que quando se mentaliza a chegada, na inspiração, desse Ch’i no topo da cabeça (sétimo Chakra), ele se transforma em shen. Quando ele desce pelo canal sutil anterior (Jen Mo) ele se transforma em shu (vazio) e, na boca, se transforma em saliva que deve ser deglutida novamente, para retornar, energeticamente, ao abdome (Cf. no próximo capítulo em “RESPIRAÇÃO INTERNA”) 27:181.

Vimos no início do capítulo que cada ser humano tem uma identidade como freqüência, que é a resultante de todas energias do corpo físico, emocional, mental e espiritual. A sexualidade envolve a produção de energia e a partilha dela pela troca de fluidos, quando dois seres energéticos unem fisicamente suas freqüências eletromagnéticas, e por conseguinte suas energias emocionais, mentais e espirituais. Dessa união de freqüências, vibrando em nome do amor, coisas incríveis podem acontecer: “porque, onde estiverem... reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18:20).

Tanto a filosofia tântrica quanto a taoísta dão ênfase a um tipo de meditação a dois, praticada pelo homem e pela mulher conjuntamente, ou uma meditação individual onde os aspectos masculino e feminino do indivíduo se unem no interior do corpo, em meditação. Essa prática consiste em, conjuntamente, se gerar energia sexual sem perdê-la numa ejaculação, ou ter orgasmos sem ejacular. Isso é possível através de técnicas milenares desenvolvidas por mestres taoístas chineses e tântricos hindus.

A prática deve se iniciar com uma meditação individual, à meia luz durante cerca de trinta minutos, onde se reduz ao mínimo a freqüência respiratória e a cardíaca. Depois se vira, um de frente para o outro, e simplesmente se observam durante algum tempo. Esse observar é quase um venerar, usando a energia do coração. Cada um passa a venerar a Deus, residente no templo corporal do parceiro, e mentalmente pede-se permissão para tocá-lo. Somente depois é que se inicia o toque do corpo do parceiro, as “preliminares”, alternadamente ou conjuntamente. Para o tantra hindu, o homem se transforma em Shiva e a mulher em Shakti.

Isso envolve beijos, abraços, carícias leves, o uso das unhas (arranhando levemente) ou de beliscões e mordidas por todo o corpo, acompanhando os trajetos dos canais sutis, ou diretamente em zonas conhecidas como erógenas: o limite entre regiões densamente pilosas e parcamente pilosas presente na face, atrás da orelha e na nuca, sobrancelhas, axilas, púbis, virilha e períneo, a região dos olhos, lábios, pescoço, mamilos, umbigo, todas as dobras cutâneas, a face interna das coxas e dos braços e a lateral do corpo. Nessa etapa, vivida sem pressa, de forma concentrada e com movimentos lentos, deve-se evitar os genitais.

Toda a ação deve ser feita sem se alterar a freqüência respiratória nem a cardíaca, mantendo-as na mesma freqüência do início. A próxima etapa seria a exploração propriamente dita dos genitais, onde inúmeras técnicas, com as mãos e com a boca, são descritas pormenorizadamente, em livros como o Su nu ching (Livro da Garota Imaculada) chinês, escrito pelo Imperador Amarelo Huang Ti (aproximadamente em 2.700 a.C.), ou o Vatsyayana Kama Sutra hindu, escrito por Vatsyayana.

Algumas técnicas foram desenvolvidas cientificamente para se aumentar a qualidade do orgasmo e transformá-lo em múltiplos. Uma delas utiliza a manipulação de pontos chaves, como o descoberto pelo ginecologista Ernst Gräfenberg: o ponto “G”. Descoberto em 1.950, se localiza na parede anterior da vagina, há cerca de três centímetros após o clitóris, após uma região rugosa da mucosa vaginal. O ponto “G” masculino se localiza na próstata e pode ser manipulado na região perineal ou na parede anterior da mucosa retal.

Somente então deve ocorrer a penetração, a divina união de dois templos corporais que se tornam um através da união de seus órgãos genitais. Inúmeras outras obras orientais versam sobre o mesmo assunto, e dão origem à expressão “fazer amor”. “Fazer amor” significa não ter pressa, significa que o alvo da prática é o presente, onde se vive cada momento como se fosse eterno. Geralmente o orgasmo rápido é uma fuga da vivência amorosa, uma forma de se acabar logo com algo que nos oprime de alguma forma. Para a mulher, que naturalmente consegue viver e sentir esse amor (em geral ela somente se envolve com alguém se houver uma ligação emocional profunda), prolongar a chegada do orgasmo é facilmente conseguido, mas para o homem isso é um pouco mais difícil.

Nesse estágio há uma aceleração na freqüência cardíaca com o aumento na troca energética entre os dois corações. Focar a atenção no coração enquanto se respira com o diafragma sincronizadamente com os movimentos corporais, sem pressa, sem julgamentos, vivendo o momento presente, é transformar o ato sexual num ato meditativo de amor, respeito e devoção. Essa movimentação deve ser controlada voluntariamente no início.

Durante a penetração, o iniciante na prática deve fazer uma seqüência de dois movimentos curtos e um profundo, mas pode chegar a até nove curtos para um profundo. Não se aconselham, aos iniciantes, posições em que os movimentos profundos sejam freqüentes, pois eles facilmente levam à iminência do orgasmo de ambos. Ademais, cada movimento profundo deve ser direcionado para uma direção distinta, alternadamente, de forma a massagear toda a vagina e todo o pênis. Como um holograma, nesses dois órgãos estão representados todo o organismo e assim se massageia todo o corpo.

O homem que quer retardar o seu orgasmo deve centrar sua atenção, como numa meditação, principalmente na respiração. Essa deve ser abdominal e se manter lenta e profunda. Assim se podem passar horas, com o único fator limitante sendo o cansaço físico. Mohan Chandra Rajneesh – o Osho (1.931-1.990) afirma que se for possível manter a prática por uma hora ou mais, uma verdadeira corrente de energia alimentará e eletrizará todos os dois corpos. Haverá vários momentos em que o homem chegará à iminência de ejacular. Nesses momentos várias técnicas podem ser realizadas para evitar a ejaculação.

Antes que se chegue a um ponto sem retorno, o homem deve identificar a aproximação do orgasmo e contar com a cumplicidade de sua companheira. A técnica mais simples é retirar o pênis por alguns segundos, enquanto se concentra na respiração (técnica do cadeado). Outra possibilidade é se pressionar a uretra bulbar (localizado na base do pênis, próximo ao períneo) ou apertar circularmente a base do pênis, enquanto se cessam os movimentos e se concentra na respiração. Nessa hora, focalizar a atenção na região genital provocará o orgasmo fora da parceira e encerrará o ritual, o que não deve ocorrer.

Uma outra técnica é a contração voluntária do músculo pubococcígeo. Ele pode ser utilizado pelos homens para evitar a ejaculação durante o orgasmo ou até retardar o orgasmo. Alguns segundos antes do orgasmo o homem deve parar os movimentos e contrair o músculo pubococcígeo, o esfíncter anal e toda a musculatura dos glúteos com vigor. Se for necessário, os principiantes, ou a companheira, podem pressionar o períneo firmemente enquanto contraem a musculatura perineal e glútea.

Essas duas últimas técnicas direcionam a mente do praticante, do órgão sexual, em direção ao períneo, de onde se deve, mentalmente, redirecionar essa energia para cima, acompanhando a coluna vertebral (seguindo-se o Nadi Sushumna, ou canal Tu Mo, taoísta), até chegar ao Chakra coronário (no topo da cabeça). Firma-se a concentração nesse ponto por alguns instantes e, com a língua encostada no céu da boca, faz-se essa energia descer pela região anterior do corpo (o canal Jen Mo, taoísta) até retornar ao abdome. Só então se relaxa a contração muscular perineal, lentamente e concentrado na respiração. Com o tempo, isso leva a orgasmos mais intensos e múltiplos, para ambos os parceiros, e no homem sempre sem ejaculação (sem perda de energia vital).

Mas normalmente, nessa última etapa, geralmente ocorre um descontrole dos movimentos do corpo, vontade de falar, de gritar e de se mover sem coordenação. Geralmente isso ocorre pelo alto fluxo energético no corpo físico, que não deve ser contido. Para o homem esse fluxo deve ser coordenado com a respiração, no intuito de retardar a chegada do orgasmo, mas para a mulher isso não é necessário. Então ela pode se mover, falar e gritar.

Então se chega a um orgasmo totalmente diferente, muito intenso, vibrante e sentido por todo o corpo e não apenas no nível genital. Mais uma vez, aqui é importante saborear o momento, se concentrar nele, observar todas as sensações que ocorrerem, e detalhadamente viver esse eterno presente. E então descansar, sem se separar do parceiro, sem retirar o pênis de dentro da parceira. Exauridos, a mente normalmente se esvazia e se pode experimentar uma grande paz. Não há pressa em se separar. Pressa nunca. Haverá a hora em que espontaneamente a separação ocorre. Então um deve se voltar ao outro numa profunda veneração e novamente meditarem, orando e agradecendo a Deus.

Com essa técnica, o orgasmo do homem às vezes será sem ejaculação. Sexo é devoção a Deus, mais uma forma de nos aproximarmos dele, através de um estado ampliado de consciência. Mas uma vez por semana é o suficiente, contanto que não se tenha pressa. Com a pressa as energias sutis não circulam e nada de divino acontece.

“Se você estiver se movendo no Tantra, então nenhum outro amor deve ser permitido, do contrário ele dissipa a energia. Mas sempre que vocês quiserem fazer amor, tenham certeza de que têm tempo suficiente. Não deve ser com pressa. Não deve ser como trabalho. É um jogo, brincadeira, e estas energias são tão sutis que, se vocês estiverem com pressa, nada acontece. O Tantra não é um fragmento. Você não pode praticá-lo a menos que crie a situação. Ele é como uma flor...[deve-se] jogar a semente, cuidar da planta, regá-la e estar continuamente atento a ela, sendo cuidadoso, protetor. Então, um dia, de repente, a flor do Tantra irá acontecer”.

Mohan Chandra Rajneesh – Osho (1.931-1.990)

Com o passar do tempo, não conseguiremos mais nos aproximar de eventuais parceiros que não estejam operando na mesma vibração energética, simplesmente porque não ficará mais confortável: as vibrações não serão harmônicas. Tanto faz se a aproximação seja um simples toque, um abraço, beijo ou uma relação sexual. Com a prática, sempre com o mesmo parceiro evolutivo, os orgasmos vão ficando cada vez mais longos e intensos, porque o corpo físico começará a suportar, cada vez mais, as altas freqüências energéticas geradas, até que, em alguma ocasião, se experimentará um êxtase divino: encontrar-se-á a Deus.

Categoria: Órion Volume 2

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