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ENTREVISTA COM ROGER WOOLGER
 

(*) Marlos Alves Bezerra é psicólogo
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Roger Woolger  é psicólogo pela Oxford University e PhD em Psicologia e Religiões Comparadas pela Universidade de Londres. É analista junguiano pelo Instituto de Zurique. Woolger foi professor da Vermont University, nos Estados Unidos, e desenvolveu o sistema de terapia regressiva integral. Escreveu os livros "A deusa interior" e "As várias vidas da alma".

  1. Roger, quando falamos em meditação vem a cabeça um negócio distante, uma prática dos orientais, algo até um pouco exótico. Como a meditação pode se encaixar no modo de vida ocidental?

    Bem, se uma batata foi produzida na América do Sul não significa que eu não deva comprá-la e comê-la. Comecei a meditar aos 17 anos com o meu professor e descobri que meditar era algo simples, que deve ser integrado à vida cotidiana como um hábito de higiene qualquer. Veja bem, do mesmo modo que se você não escova os dentes está sujeito às cáries, a meditação também é um hábito de higienização mental.

  2. Qual a relação entre a prática oriental da meditação e a prática ocidental da oração?

    A diferença entre ambos é o propósito. A prece tem uma intencionalidade e pode ser direcionada para o perdão, a cura, a paz, etc. Já a meditação busca aquietar a mente seja através de imagens, palavras ou respiração. Na tradição cristã, há práticas muito semelhantes às práticas meditativas do Oriente. Vejamos a oração da Igreja Ortodoxa russa, eles repetem "Lord Jesus Christ, son of God, have mercy of me"( Senhor JC filho de Deus, tenha misericórdia de mim). Isso no Oriente se chama mantra: palavras ou frases repetidas durante o ato de meditação. Outros exemplos seriam o terço católico, a Ave Maria...

  3. Na oração, podemos mentalizar uma ação positiva em favor de alguém. E Na meditação?

    As duas coisas podem ser associadas, feitas concomitantemente. Meditação, no sentido puro, não teria outro sentido a não ser aquietar a mente.

  4. Seria essa a sua definição de meditação? O que você quer dizer com aquietar a mente? 

    Uma pessoa indisciplinada quando fecha os olhos, surgem diálogos mentais que a distraem, e a pessoa fica em contato com os sentimentos que a perturbam. Outros vão se queixar da posição do corpo, que isso a incomodam. A prática vai levando, pouco a pouco, a um estado de calma para além disso. Alguns dispositivos podem ser utilizados nesse mister: focar uma parte do corpo, até que ele relaxe por completo, fixar a atenção em objetos como velas, ou paisagens, etc. Tudo isso são meios e não fins, são meios para alcançar o que os místicos chamam de o centro tranqüilo. O TAO TE CHING chama esse estado de o centro no meio de todas as condições, condições entendidas como fenômenos. Há um ponto de stillness in the heart of everything.
     

  5. Fale sobre a relação entre meditação e Psicologia.

    Há professores budistas, por exemplo, em hospitais americanos que trabalham em conjunto com psicólogos e médicos, e há registros de aumento  na saúde das pessoas. Pessoas estressadas, podem também se beneficiar da meditação, há psicólogos por exemplo trabalhando, com biofeedback em que o cliente aprende a relaxar e controlar seu estresse. Na Inglaterra tem uma escola(não estou recordando o nome) que ensina a Meditação Transcendental aos seus alunos e que tem altos resultados nos exames vestibulares na Inglaterra.

  6. Como vem sendo vista a meditação nas Universidades?

    O que posso dizer é os centros tradicionais como Oxford ainda são muito conservadores. Por Outro lado, cresce em todo mundo o número de multiversidades, as universidades alternativas.

  7. Há alguma relação entre meditação e estados alterados de consciência?

    De maneira geral, podemos dizer que meditação começa no estado alfa das ondas cerebrais, e que vai até o teta. Sabemos que o estado hipnótico começa em alfa, então podemos dizer que a meditação começa na auto-hipnose. Há pesquisadores nos Estado Unidos com estudos consistentes sobre o assunto. { Ele não citou, mas há os trabalhos de Stanislav Grof, Ken Wilber e outros pesquisadores da Psicologia Transpessoal}. Ainda sobre os ritmos alfa, sabemos que Pavlov pesquisou o reflexo condicionado. As reações dos animais a um perigo potencial desencadeia um estado de alerta. Se um coelho está comendo e repentinamente percebe uma alteração no ambiente, então ele se prepara para lutar ou fugir. Só que instantes antes ele entra no ritmo alfa, ou seja, fica em alerta{O estímulo externo faz com que ele fique de prontidão primeiro, e depois desencadeie o mecanismo de lutar ou fugir}. É estar atento, mas uma atenção sem conteúdo. O sino que toca nos mosteiros budistas, acredito, é para colocar os monges nesse estado de attention, awakeness(alerta).Entenda: é um estado de alerta, de prontidão, sem processamento de conteúdos mentais. È um estado de profunda atenção sem conteúdo. A professora Simone Weil ensinou-me que meditar é concentrar-se no desconhecido. Segundo ela em estar esperando, nós nos assenhoramos de nossa alma. Os budistas utilizam-se de Koans, trata-se de problemas que desafiam a lógica. Um dos mais famosos é qual o som das palmas produzidas por uma única mão? {Outro: Coloca-se um ovo de ganso dentro de uma garrafa. Como se tirará de lá o futuro animal sem matar o ganso ou quebrar a garrafa? Resposta = O ganso voa livre} O objetivo desses problemas é desenvolver um estado de prontidão, de alerta. O interessante é que a mesma coisa pode ser conseguida através de problemas matemáticos. Problemas matemáticos podem ser utilizados com as crianças e jovens para focar a atenção e desenvolver esse estado de alerta.

Categoria: Psicologia

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