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1.  Qual a abordagem central de sua palestra "Além desta vida", que será ministrada na Semana Chico Xavier?

R: Vou me referir, inicialmente, aos casos de pessoas que passaram pela Experiência de Quase Morte (EQM), ou seja, que estiveram clinicamente mortas e voltaram à vida com o auxílio de aparelhos especiais, relatando tudo o que viram e sentiram durante esse período em que estiveram no limiar da morte. São milhares de pessoas que descreveram aos pesquisadores, em geral médicos e psicólogos, a existência de um corpo mais leve, com o qual se apresentavam em uma outra dimensão, para onde foram, atravessando túneis, e onde puderam encontrar familiares, amigos e mestres de luz, guardando lembrança nítida de tudo quanto viram.

Depois de falar sobre essas pesquisas e o que as pessoas viram no limiar da morte, faço a ligação com uma outra pesquisa, feita pela Associação Médico-Espírita de S. Paulo com as mensagens recebidas por Chico Xavier e que foi publicada no livro  – A Vida Triunfa -  de autoria do meu irmão Paulo Rossi Severino. Ampliei o estudo dessas 45  iniciais para mais de 500 mensagens recebidas por Chico Xavier aos familiares, nas quais os comunicantes não só falam a mesma coisa que os ressuscitados da morte na EQM, como ampliam muito mais a visão da vida no além. De acordo com as descrições deles, falo sobre a travessia deste mundo para outro, as doenças e tratamentos médicos no além, as escolas e atividades, bem como sobre as repercussões espirituais entre encarnados e desencarnados. É de uma riqueza incalculável o legado que Chico Xavier nos deixou. E ao final, uma só certeza: ninguém morre. 

2. Quando começou seu envolvimento com a doutrina espírita?

Sou espírita desde o berço. Aos 11 anos, fiz um pequeno discurso representando a mocidade espírita de S. José do Rio Preto. Mais tarde, quando cursei medicina em Uberaba, envolvi-me mais diretamente com os trabalhos do movimento espírita.

3. Como ocorreu a aproximação com Chico Xavier?

Em outubro de 1958, às vésperas de mudar-se para Uberaba, o que ocorreu em janeiro de 1959, Chico Xavier esteve em Uberaba e pediu ao Waldo Vieira, meu colega de faculdade, que me levasse até ele, porque precisava conversar comigo. Durante a entrevista, como não o conhecia, apenas havia lido suas obras,  fiquei muito admirada com o convite que me fez, o de trabalhar com ele nas sessões públicas da Comunhão Espírita Cristã, a partir de janeiro, quando ele já estaria instalado definitivamente em Uberaba. E foi o que aconteceu. Durante cerca de 4 anos: de janeiro de 1959 a dezembro de 1962, trabalhei com ele, dando minha pequena parcela de contribuição  na interpretação dos textos de O Livro dos Espíritos e de O Evangelho Segundo o Espiritismo, obras que eram estudadas nos dias de sessão pública. Mesmo mudando-me para S.Paulo, em 1963, nossa amizade permaneceu sempre a mesma, até a sua desencarnação, em 2002. E perdurará, tenho certeza, pela eternidade, porque somos imortais.

4. Qe trabalhos vocês desenvolveram juntos?

Como eu disse, fazia os comentários sobre as lições da noite, enquanto Chico e Waldo psicografavam receitas e mensagens dos Mentores Espirituais; por minha vez, também recebia mensagens psicográficas nessas reuniões, a convite do Chico. Tínhamos juntos a distribuição de gêneros alimentícios aos mais carentes da periferia de Uberaba, aos sábados. Participei também do programa radiofônico – Ondas de Luz, que fazia parte das atividades da Comunhão àquela época.

5. Há algum fato que tenha lhe marcado durante o tempo de convivência com ele?

Fui profundamente marcada por sua bondade, por sua humildade genuína. Por isso mesmo, reconheço a enorme distância que nos separa do ponto de vista espiritual e a grande responsabilidade que assumi por ter trabalhado com ele e tomado conhecimento de sua obra.

6. Você chegou a receber mensagens psicografadas dele?

Psicografadas não, mas me deu vários recados de grande precisão através da vidência.

7. De que forma a doutrina espírita pode ajudar no exercício da medicina?

A contribuição do Espiritismo à medicina é enorme. Primeiramente, ele muda a visão do mundo e do ser humano. Quando o médico espírita examina o paciente, sabe que tem diante de si uma alma imortal que está transitando, por alguns anos na Terra, envergando um corpo físico e  envoltórios espirituais, que vem sendo construídos ao longo de bilhões de anos e que adoecem segundo a lei de ação e reação. O médico sabe, portanto, que as doenças, em sua esmagadora maioria, estão relacionadas às imperfeições da alma e à lei do carma. E, principalmente, está consciente de que tem nos seus pacientes irmãos em humanidade aos quais compete servir, segundo os sentimentos de fraternidade exemplificados pelo Médico dos Médicos – nosso Mestre Jesus.

8. O que diferencia o "médico espírita" de um que não segue a doutrina?

Como eu disse, o Espiritismo dá uma visão integral do ser humano: Alma-mente-corpo e estimula o exercício da solidariedade entre todas as criaturas humanas.O que deveria diferenciar o médico espírita em relação aos seus colegas, seria o exercício da humildade e da caridade,  o  compromisso de estudar e aprimorar-se sempre, sem colocar-se como superior a quem quer que seja. Sabemos, no entanto, que existem médicos sem religião, que são seres humanos maravilhosos e que nos dão grande exemplo de solidariedade humana.

9. Você é presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e da Associação Médico-Espírita Internacional. Quais os objetivos dessas duas entidades?

A Associação Médico-Espírita do Brasil foi fundada em 1995 e hoje congrega 33 Associações e tem mais 10 núcleos em vias de formação. Resumidamente  podemos dizer que ela tem por finalidade levar a alma à Medicina em seu duplo sentido: levar as pesquisas científicas, as investigações, e os estudos que demonstrem a presença da alma no comando do corpo físico e a alma no sentido de calor humano, bondade, solidariedade. A AME é uma das instituições que visa fortalecer o aspecto científico da Doutrina Espírita. Mas, sobretudo, tem uma preocupação ética. Com o avanço tecnológico das ciências da vida, tem de estar atenta aos aspectos bioéticos que envolvem a aplicação prática desses novos conhecimentos.

A Associação Médico-Espírita Internacional foi fundada em 1999 e tem os mesmos objetivos.

10. Você também edita o jornal Folha Espírita. Do que trata exatamente a publicação? É uma forma de atrair novos adeptos para o Espiritismo?

O jornal Folha Espírita foi lançado por meu marido Freitas Nobre, digno cearense, em 18 de abril de 1974, portanto, está completando 35 anos. Visa interpretar os acontecimentos comuns do nosso tempo à luz dos ensinamentos espíritas. A intenção é mostrar que o Espiritismo tem resposta para tudo o que acontece no mundo, a cada dia, oferecendo campo para fortalecer a nossa fé, tornando-a cada vez mais forte e raciocinada.

11. Outra atividade exercida por você é a de diretora da creche Lar do Arvorecer. Em que aspectos a doutrina espírita pode ser associada à educação?

O Grupo Espírita Cairbar Schutel , do qual sou presidente, tem vários departamentos, dentre estes, o Lar do Alvorecer, com 220 crianças carentes, em regime de semi-internato, mas também cuida de centenas de adolescentes, e dá amparo a 1.200 famílias necessitadas. Há 45 anos vem desenvolvendo essas tarefas, que tem se ampliado ao longo do tempo. Quero deixar claro que consideramos este trabalho como simples obrigação, uma vez que temos recebido muitas bênçãos da Bondade Divina e é nosso dever reparti-las.  Hoje, em nosso campo assistencial, estamos mais empenhados na questão educacional, uma vez que o período de maior penúria material já passou em nossa esfera de ação, em Diadema. E desejamos vincular-nos, cada vez mais, a esse campo, justamente porque a Doutrina Espírita tem raízes profundas na educação moral.

Por nossa vez, estamos esperando que o Brasil entre, finalmente, na etapa educacional verdadeira. Por enquanto, só temos tido arremedos e intenções débeis. Abençoado será o dirigente que somente fale, respire e trabalhe em ritmo de educação. Oxalá ele surja de algum lado, porque sem o choque da educação o nosso país não sairá do subdesenvolvimento.

  

12. No trabalho como escritora, você escreveu "Lições de Sabedoria - entrevistas do médium Chico Xavier". Quais as temáticas presentes nas entrevistas?

O livro “Lições de Sabedoria” contem as entrevistas dadas por Chico Xavier ao jornal Folha Espírita, durante 23 anos. Dividi-as por assuntos de modo que é  um livro de consulta no qual se tem a opinião do querido médium sobre os mais diferentes temas: amor ao próximo; imortalidade da alma; reencarnação; drogas, fumo e malefícios para corpo e alma; aborto, vida familiar; missão do Brasil, etc.

13. Uma outra temática abordada por você nos livros foi o aborto.  A legislação brasileira permite essa prática em alguns casos, como o da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto em Alagoas. Você concorda com a legislação referente ao assunto?

A miséria moral está profundamente vinculada à miséria espiritual e ambas devem ser combatidas com a instrução e a educação mais abrangente, dirigida ao ser humano integral, corpo-espírito. Nós sabemos que nos povos mais desenvolvidos o estupro também está presente, mas é muito maior em países como o nosso, onde a educação é relegada a um plano secundário. Por falta de educação geral e irrestrita do nosso povo, a miséria moral está profundamente agravada, como temos visto nos casos de estupro e pedofilia. Para os Espíritos Superiores, o aborto só é cabível em uma situação: quando a vida da gestante está em perigo de morte iminente. Isto porque a intenção não é matar o feto, mas salvar a vida da mãe. Por exemplo, a gestante sofreu um acidente ou foi atingida por um projétil e tem hemorragia grave, o que se tem de fazer é salvá-la, estancando a perda de sangue. Se o feto vier a falecer, a intenção não foi essa. Creio que só poderíamos opinar no caso da menina em foco se conhecêssemos em detalhes a situação clínica da gravidez. A internação e o acompanhamento da gestação  por mais tempo nos permitiria opinar com segurança.

 



14. Após a morte de Chico Xavier em 2002, muito se fala a respeito dos rumos do Espiritismo no Brasil. Para você, qual a situação atual da doutrina?

Chico Xavier nunca se julgou importante dentro do movimento espírita. Nós sabemos o quanto ele o foi, inclusive dividindo a história do Espiritismo em antes e depois dele, sobretudo, quando deu as duas entrevistas memoráveis no “Pinga-fogo”. Mas, na verdade, ele sempre se julgou grama e como dizia: “grama nasce em qualquer parte; morre uma, nasce outra”. Creio que o Espiritismo será o que nós, os humanos, fizermos dele. É muito difícil julgar qualquer situação na qual estamos inseridos. Acredito que muita coisa tem sido feita por elementos de boa vontade, em toda parte. Somente, porém, o distanciamento no tempo dirá se nós os espíritas atuais estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para a vivência e a divulgação do seus princípios.

15. O Espiritismo necessita de grandes referências em atividade para se manter atuante?

Certa vez, Chico Xavier disse que Jesus só nos pedia uma coisa, que nos amássemos uns aos outros. O ser que ama é um expoente da religião que professa. Em torno do homem de bem forma-se naturalmente um ponto de expansão da luz e da misericórdia. O maior testemunho que podemos dar do Espiritismo e do vigor de seus ensinamentos é a vivência dos seus postulados. 

16. Atualmente, há alguma pessoa que seja vista como referência pela doutrina como foi Chico Xavier?

Acredito que Chico Xavier, por se julgar grama e não ter pretensão alguma em deter posição de destaque no movimento, ensinou-nos o caminho da simplicidade e do espírito de serviço, sem personalismos. Nossa referência é essa.

Naturalmente, existem grandes trabalhadores da Doutrina em nosso país e fora dele, que se destacam pelo trabalho, servindo-nos de estímulo à luta e que merecem todo o nosso respeito e amor.Todavia é sempre bom recordar Kardec quando afirma que o Espiritismo não é obra de um homem; ninguém pode, assim, dizer-se seu criador. Seria muito interessante que assimilássemos este ensinamento, convencendo-nos de que todos somos chamados a servir nos caminhos da Doutrina Consoladora, contribuindo com a nossa parcela de serviço, por menor que ela seja. 

17. Em meio aos preparativos para o centenário de Chico Xavier, quais as principais lições do mestre que devem ser lembradas?
Sem dúvida, a bondade e a humildade, em uma palavra :a caridade.
Creio que  Chico gostaria de ser lembrado em um grande movimento nacional de auxílio aos mais carentes, tanto da alma quanto do corpo. O movimento em sua homenagem, que o deixaria imensamente alegre e feliz  seria aquele em que se levasse consolação aos enfermos, aos carentes de toda sorte, aos presidiários, aos deficientes, enfim, aos irmãos do caminho que Jesus nos ensinou a buscar para derramar sobre eles a bênção da solidariedade.

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