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 As modernas pesquisas científicas evidenciam que somos seres multidimensionais, existindo simultaneamente, em vários níveis de realidade. Nossa atenção consciente, entretanto, pode estar voltada apenas para alguns deles, gerando desequilíbrio psíquico ou, no mínimo, impedindo-nos de expressar tudo aquilo que somos em potencial.

A primeira dimensão de funcionamento do ser humano, a dimensão material, expressa-se através da aparência, saúde do corpo físico e quantidade de bens de consumo que o indivíduo consegue acumular ao longo de sua existência. Nesta dimensão existencial, tudo pode ser percebido pelos cinco sentidos e quantificado, assumindo valor de realidade palpável.

A segunda dimensão existencial, a sexualidade, também pode ser percebida através de uma função biológica e quantificada pela freqüência da atividade sexual de um indivíduo e por sua capacidade reprodutiva, expressa por um determinado número de filhos trazidos ao mundo.

A terceira dimensão do ser humano, a dimensão do poder que exerce sobre outros seres humanos, pode ser identificada pela posição que ele ocupa numa pirâmide social, quer seja de uma cidade, estado, país, continente ou planeta, ainda passível de quantificação, pelo número de pessoas que lhe são subordinadas.

Estas três dimensões compõem o que chamamos de mundo tridimensional ou realidade, dimensões estas privilegiadas pela ciência clássica, desenvolvida sobre as crenças da física mecânica, considerada durante muitos séculos, como a única realidade possível.

A quarta dimensão existencial do ser humano, a afetiva, é a primeira que não está acessível aos cinco sentidos, não podendo mais ser tocada ou quantificada. Não possuímos nenhum recurso tecnológico que nos permita mensurar quanto amamos ou quanto somos amados por alguém, penetrando, assim, no campo da subjetividade humana, o qual não mais está sujeito às leis que regem o mundo da matéria. As três dimensões existenciais seguintes, o pensamento, a intuição e a capacidade de transcendência do ser humano, por serem abstratas e não quantificáveis, por força de influência da objetividade científica, que vigorou nos últimos trezentos anos, cederam lugar, na atenção do próprio homem, àqueles três aspectos mais concretos de sua existência. O culto ao dinheiro, ao corpo, ao sexo e ao poder, assumiu uma posição preponderante na mente do ser humano, absorvendo toda a sua atenção, e transformando estes três aspectos nos principais objetivos de sua vida.

Absorvido pela ilusão do mundo material como única realidade, o homem se esqueceu da transitoriedade dessas suas dimensões existenciais, enquanto Ser Eterno e dos potenciais ocultos em suas dimensões mais abstratas de funcionamento. Como um músico que tivesse um instrumento capaz de vibrar as sete notas e utilizasse apenas as três primeiras, ele torna a sua obra existencial empobrecida, expressando as notas mais densas e se esquecendo da sutileza das notas mais elevadas. Por este motivo, o ser humano, dentro desta visão reducionista da vida, vive em conflito com a sua própria espécie, ora dominando, ora sendo dominado por seu apego aos prazeres proporcionados pelo dinheiro, pelo sexo e pelo poder, aprisionado à ilusão de que eles lhe trarão a felicidade tão desejada. Insaciavelmente, busca na realidade material aquilo que somente poderia encontrar dentro de si mesmo: A plenitude existencial de expressar potenciais únicos de realização.

As modernas pesquisas sobre a mente humana afirmam que a percepção de realidade é uma função do estado de consciência em que o indivíduo se encontra, o que significa dizer que cada um de nós constrói para si um mundo particular e pessoal, constituído por tudo aquilo que ocupa o nosso pensamento e que acaba por se manifestar em nossas vidas.

Escolher se viveremos em função do nosso aperfeiçoamento como seres humanos, buscando descobrir potenciais ocultos dentro de nós mesmos ou em função de todas as coisas materiais, que poderemos acumular, para depois abandoná-las ao concluir mais uma etapa de estudos na escola da vida, é apenas resultado do estado de consciência em que nos encontramos neste momento evolutivo...

* Sueli Meirelles, Professora, Pesquisadora e Especialista em Psicologia Clínica (UGF/RJ). Bioenergeticista, Gestalt-Terapeuta e Master Practitioner em Neurolingüística. MBA em Gestão de Projetos (UNIPAZ/RJ). Gestora de Projetos Ambientais do Gaian Institute-Brasil. Consultora em Desenvolvimento Humano, Saúde Integral e Educação para a Paz. 23 anos de experiência profissional com Hipnose Ericksoniana, Regressão de Memória, Reprogramação Mental e Captação Psíquica (Apometria). Pesquisadora de fenômenos psicossomáticos e psico-espirituais, que constituem um Banco de Dados com mais de 2.100 casos clínicos catalogados. Escritora e conferecista. Coordenadora do INSTITUTO VIR A SER.