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Então, o que procuramos ao viver com o coração é chegar a um ritmo de vida que reserve tempo para a renovação no contato com a natureza: tempo para andar à toa, para sentar em paz, para ouvir os sons da vida que nos cerca, os sons do corpo, os do coração.

 

A meditação nos ensina esta arte pelo simples ato de acompanhar o ar que entra e sai dos pulmões, até sentir o ritmo da vida presente em nosso corpo. A meditação cultiva a arte da sagrada atenção. É uma oração que não pede nada, mas nos abre para ouvir "Não a minha vontade, mas a Sua": uma oração que se ouve com todo o ser.

Quando agimos com o Coração, respeitamos os outros e a nós mesmos em qualquer Situação. Trabalhar o coração, encontrar tempo para escutar, valorizar o que temos, amar - tudo isso faz parte da nossa contribuição para o mundo. É a coragem interior que nos desperta para a maior capacidade da vida humana, a única verdadeira liberdade: amar, apesar de tudo.

Viktor Frankl, psiquiatra  que viveu durante o holocausto, contou:

"Quem viveu em campo de concentração lembra de algumas pessoas que iam de alojamento em alojamento levando conforto, às vezes doando seu último pedaço de pão. Eram poucas, mas conseguiam provar que se pode tirar tudo de um ser humano, menos a última das liberdades - a de decidir que atitude tomar em cada circunstância."

O coração tem um enorme poder de transformação. Para alguns, a jornada até a generosidade do coração pode ser longa e árdua, mas mesmo os que sofreram abusos e maus-tratos na infância são capazes de superar os traumas sofridos e se tornarem belos seres humanos.

Em meu trabalho, volta e meia encontro casos assim, Esses adultos traumatizados sempre se lembram de alguém - professor, avô, amigo - que lhes dava atenção, cuidava deles, amava-os, mesmo em meio a tanto sofrimento. Foi sobre essa base de amor que construíram sua cura.

A força do coração está na capacidade de apoiar e incentivar toda a beleza que existe na vida humana. Exige de nós uma dose maciça de solidariedade e de perdão. Em vez de julgar, debruçar-se com ternura e compaixão sobre a dor alheia e procurar entender para perdoar.

Quando falo em perdão, não quero dizer que devemos aceitar o que causa dor em quem quer que seja. Perdoar é simplesmente decidir não expulsar ninguém do nosso coração. É querer desapegar-se e recomeçar sobre uma base de amor.

Conta-se a historia de dois combatentes que foram aprisionados e, anos depois de terminada a guerra, se reencontraram. Um pergunta ao outro: "Você perdoou os seus agressores ?" O segundo respondeu : "Não, nunca!" O primeiro, então, disse: "Ah, quer dizer que eles continuam aprisionando-o? "

Então, o trabalho do coração consiste simplesmente em compaixão - por nós e pelos outros. Isso é tão natural para nós quanto respirar. É o que somos essencialmente.

Veja o que disse Thomas Merton:

 

"Foi como se eu enxergasse de repente a beleza secreta de seus corações, o âmago de seus corações, onde nem o pecado nem as experiências conseguem atingir a essência de sua realidade, a pessoa tal como Deus a vê, Se pudéssemos nos ver como realmente somos não haveria mais necessidade de ódio nem guerras, crueldade ou cobiça. Tudo o que teríamos que fazer seria nos rendermos e venerarmos uns aos outros."

 

Este é o trabalho do coração. Vem do desejo de ouvir, de parar para sentir o ritmo da nossa respiração, as batidas do coração, para observar o movimento das nuvens, a mudança das estações. Pergunte ao seu coração: "Se eu puder ter uma vida um pouco mais longa, como quero viver, o que é mais importante, a que dou mais valor?"

Se nos habituarmos a ouvir o coração, a agir e falar com o coração, acabaremos descobrindo que o amor transforma o nosso Universo. E é contagioso. O poder dessa generosidade amorosa, dos que colocam o coração em suas ações, faz as armas e a tecnologia parecerem brincadeira de criança. Pois é a força do coração que cria a vida que circula em nós. Nunca é tarde demais para atingir essa fonte.

Procure intensamente encontrar tempo para ouvir, para que a fonte do amor inunde a sua vida.

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