O Hinduísmo - As Práticas e a Filosofia

AS PRÁTICAS E A FILOSOFIA

Vários rituais fazem parte da prática religiosa hindu. O ritual de imersão na água como maneira de purificação, simbolizando a renúncia à matéria e o renascimento do espírito em um corpo puro, ainda é praticado diariamente pelos hindus. Uma cerimônia com inúmeras orações sagradas acompanha o nascer de cada criança. Antes de se cortar o cordão umbilical, deve-se jogar água santa sobre a criança, colocar em sua boca uma colher de ouro com mel e manteiga e passar sal em sua língua, segundo reza as Leis de Manu. O Atharvaveda diz: “Quem não for lavado após o nascimento com água da remissão do Ganges, durante as invocações sagradas, estará sujeito a vagar pelo tempo que viveu na impureza”.

Os ascetas (sadhus) tinham como tradição, para representar a libertação do “perfeito” e sua unicidade com a Divindade, a unção com uma mistura de óleo e cinza sagrada (vibhuti) na testa na forma de traços brancos na horizontal ou na vertical, costume praticado ainda hoje na Índia. Em 1.990 contava com cerca de 700 milhões de seguidores, a maioria indiana.

O hinduísmo é liberal por excelência, pois percebe o homem como um ser em eterna evolução, não somente na vida atual, mas através de inúmeras existências (encarnações). Vê o homem como um buscador, que na maioria das vezes pensa que achou o que buscava. Dessa forma não condena nada que o homem busca em sua evolução, pois entende que essas metas são apenas etapas que devem ser atingidas, para se constatar que não são metas reais:

  1. Busca do prazer dos sentidos (hedonismo): se for o prazer que o homem quer, não se reprima, procure-o com sabedoria. Todos os que obtêm o prazer que viam como meta, constatam-no como insuficiente para preencher a sua natureza mais íntima;
  2. Busca de riqueza, fama, poder e sucesso: essas novas metas, quando atingidas, fazem o homem perceber que elas também são insuficientes em preencher o vazio interior dele. Mas, enquanto o homem necessitar de prazer e sucesso, ele deve procurá-lo com moderação e ética;
  3. Renúncias: pela constatação da insuficiência do prazer e do sucesso em saciar as ânsias mais íntimas do homem, enfim pela constatação de que são fúteis, o homem obtém a verdadeira renúncia ao prazer dos sentidos e à busca de poder e sucesso. Começa a nascer então a verdadeira religião, a transformação consciente da vontade de obter em vontade de dar, da vontade de ser servido e reconhecido em vontade de servir e reconhecer. Nasce uma nova busca;
  4. Busca do dever: como forma de obter respeito e gratidão dos semelhantes e principalmente o respeito próprio pelo dever cumprido. Mas com o tempo o buscador percebe que ainda isso não é tudo. O homem então percebe que na realidade ele quer existir, quer conhecer e quer se sentir alegre, mas infinitamente. Percebe então que ele anseia pelo infinito, anseia por se libertar de todas as finitudes da existência, da consciência e da alegria mundana;
  5. Busca da libertação (moksha): enfim entende que sua verdadeira busca é a busca pelo Infinito. Somos os únicos animais que conseguimos conceber a infinitude. O Infinito é o Absoluto, inicia-se o trilhar pela verdadeira busca, a busca da união ou unicidade com o Infinito.

O hinduísmo demonstra que o homem, devido às suas diferenças individuais, não pode seguir uma única forma para obter essa unicidade. Algumas pessoas são emotivas, outras pensadoras, outras muito ativas e outras necessitam de comprovações para poderem prosseguir. Para cada uma delas há uma forma de busca (um Yoga).

Categoria: Órion Volume 1

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