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“Se você entende os princípios do Aikido você também agradecerá por estar vivo, e receberá cada dia com grande alegria”  86:16.

Morihei Ueshiba (1.883-1.969)

Fundador do Aikido

 

“À medida que me aproprio, a cada momento, do que me cabe, faço a minha parte, e fazendo-a estarei contribuindo para a evolução planetária. Sendo responsável por mim, sou responsável pelo todo”.

Lika Queiroz (psicóloga transpessoal)

 

Enfim, quando surge a vida? Em que momento um conjunto de subpartículas passa a ser animado pelo sopro vital e passa a abrigar uma alma. Controvérsias à parte (Cf. no Capítulo I), se a vida é uma propriedade do universo, ligada a tudo e a todos, pois todos os corpos são processos vivos compartilhados, a vida e a consciência devem estar de alguma forma escondidas no mundo quântico. Tudo o que existe é Vida e Consciência.

Então, de alguma forma, a energia informativa da Vida e da Consciência (Atma-Buddhi) se diferencia, formando um núcleo individualizado de consciência: uma alma (Manas). Esse núcleo é apenas uma manifestação vibratória mais densa daquela Vida e Consciência, e nesse processo de densificação, apreende outros padrões vibratórios (o Carma próprio, armazenado no Ovo Áurico – Cf. Epílogo à Parte II), alguns harmônicos e outros dissonantes, formando, em conjunto, um campo vibratório próprio. Esses padrões dissonantes são padrões que devem ser harmonizados e para isso, por vezes, faz-se necessária a densificação extrema: a encarnação em um corpo físico.

Essa densificação é um processo de lentificar a própria freqüência vibratória e dar origem a “corpos” mais densos, de uma forma tal que os aspectos elevados são continuamente irradiados, desde o próprio plano da alma até o plano físico. E assim, para a maioria das tradições, no momento da concepção, quando o óvulo e o espermatozóide se unem numa só célula, há uma instantânea ligação energética com uma alma humana e a formação de um “útero etérico” que protege a alma encarnante de influências externas à mãe. Pela reverberação harmônica que ocorre entre si, o campo vibratório do núcleo individualizado de consciência se une com o campo biológico do zigoto, surge, na terceira semana, uma estrutura física no embrião conhecida como notocórdio (que dá a orientação à formação física do embrião) e inicia-se a formação do corpo astral, intermediário entre a alma e o embrião.

Essa alma, paulatinamente, vai se inebriando com o processo material de desenvolvimento do ser (zigoto-embrião-feto) e vai perdendo consciência do plano de onde veio, da mesma forma que esquecemos os nossos sonhos à medida que vamos ficando mais acordados. Mesmo inconsciente, é essa ligação com algo superior que dá o direcionamento à formação da máquina orgânica de maior complexidade conhecida por nós. Presente como campos vibracionais morfogênicos, essa influência interfere no despertar das qualidades celulares e faz com que elas se especializem e formem os diferentes órgãos e tecidos. Desde a seleção do espermatozóide, entre milhares, até a formação do notocórdio, e conseqüente orientação espacial do corpo físico, tudo é orientado por energias superiores, provindas daquele núcleo individualizado de consciência e dos padrões energéticos apreendidos no processo de densificação (os núcleos de potenciação).

Ela possui uma assinatura energética espiritual única no universo, reconhecida pelo seu padrão vibratório. Esse padrão vibratório, somatório da própria freqüência da alma com a freqüência dos núcleos de potenciação, estimula alguns centros energéticos mais que outros, dando origem às diferenças hormonais e corporais, tendências psicológicas e mentais vistas na criança recém-nascida. E é nesse padrão vibratório onde se escondem, também, as diretrizes que ela deve executar, sua missão a desempenhar no mundo, sua raça, sua cultura e a família onde nascer. Dessa forma, assim como a família, os amigos, o ambiente de trabalho, os cônjuges, os filhos e tudo o mais, aparecerão durante a vida encarnada movidos pela lei de concordância harmônica: semelhante atrai semelhante.

A alma já vem com toda a sabedoria milenar que levou o ser humano a ser como ele é agora. E ela revive todo o seu processo evolutivo, desde a fase unicelular, vegetativa, animal até se tornar um feto humano.  Os três Nadis principais e os Chakras se formam por volta da oitava semana 21:102, sendo o Nadi central e o Chakra umbilical os primeiros 21:148 a se formarem e essa ligação, da alma com o corpo físico, vai se fazendo cada vez maior até que um “vigoroso lampejo de energia consciente” desce ao feto e esse esboça o seu primeiro movimento voluntário. O Gyu-zhi (livro de medicina tibetano) descreve como gradativamente a consciência entra no feto, e que, por exemplo, a partir do sexto mês o embrião começa a sentir emoções como a tristeza e a felicidade.

A alma perde a consciência do mundo espiritual e “acorda” no mundo material, mas sentindo-se totalmente integrada e não-separada daquele. E aí se desenvolve e reage aos sons e movimentos externos até que, numa ocasião que é única para ele, ocorre o nascimento e o feto, sem o útero etérico protetor, se sujeita às vibrações de todo o cosmos e influencia-o, como um novo padrão energético que emerge no mundo físico. Ao nascer, a criança já possui todos os seus corpos sutis definidos e inseparavelmente ligados à alma (corpo causal). Já está embutido todo o conjunto de memórias emocionais e mentais próprios e de seu passado enquanto civilização humana: uma herança filogenética, um inconsciente coletivo ou de vidas anteriores.

Essa bagagem mental e emocional prévia, fruto daqueles núcleos de potenciação apreendidos pela alma em sua densificação, é o instrumento com o qual a criança irá interagir com o meio e formar a sua personalidade. É por isso que filhos de mesmos pais reagem, desde a mais tenra idade, de forma diferente a um mesmo estímulo, e isso é claro até com gêmeos univitelinos. Se essa programação prévia fosse um mero inconsciente coletivo, seria o mesmo para ambos, e eles teriam as mesmas reações. Mas não as têm.

A psicologia, desde Freud, também admite esses registros prévios inconscientes 99:106, que trazem embutidos a sabedoria e experiência, dores, sofrimentos, perdas, alegrias e conquistas que foram reunidos previamente e registrados na alma (no Ovo Áurico). Isso explica os inúmeros exemplos de dons inexplicáveis em crianças. Nascida incapaz de sentir e perceber-se separada do mundo (e de sua mãe), a criança vai se “aterrando” progressivamente, buscando resignificar o seu novo estado. Assim, o reconhecimento do próprio corpo físico como algo individualizado, diferente do ambiente ao redor, só surge por volta de 4 a 6 meses, e a diferenciação entre o “eu” e o “não-eu” surge por volta de 15 a 18 meses de idade 99:30. Para isso, a alma utiliza componentes psicofísicos prévios, conhecidos pelo budismo como Skandhas ou agregados, que, em conjunto, constituem a individualidade física e mental conhecida como ser humano.

O primeiro Skandha é Rupa, a forma física que traz a noção de uma existência separada dividindo a experiência entre sujeito e objeto. Da aparente existência de um mundo externo o ser reage ao seu redor utilizando-se do segundo Skandha (as suas sensações: Vedana) e do terceiro Skandha (as suas percepções: Sanna). O quarto Skandha (as formações mentais ou conceitos: Samkhara) inclui a atividade intelectual e emocional da interpretação que se segue à percepção e o quinto Skandha (a consciência física: Vinnana) combina todas as percepções sensoriais e mentais. Algumas correntes budistas citam outros Skandhas: Vichikicheha, a dúvida, Sakkayaditthi, a “ilusão da separatividade”, Attavada, “a doutrina do eu”, Skandhas  esses que geram Silabbataparamasa: a crença na eficácia de ritos e cerimônias, orações e intercessões divinas.

Em conseqüência, pode-se dizer que o desenvolvimento da criança não depende exclusivamente dos pais e do meio, mas esses acionam processos internos latentes presentes na alma, e esses processos independem dos pais e do meio. A criança nasce naquele meio, filha daqueles pais justamente para desencadear esses processos e curá-los. Cabe aos pais detectar os problemas e ajudar a criança a solucioná-los, dando espaço para que ela dê uma boa direção ao processo de constante mudança dos Skandhas.

As crianças chegam através dos pais para executar sua missão, e cabe a eles o amor, o acolhimento, a atenção e a orientação necessárias para servir de limite à criança, como as margens de um rio “dando limites para que a vida da criança se conduza com fluidez até o vasto oceano da existência”. A primeira necessidade da criança, em seu novo ambiente, é a busca de dar um novo significado à vida, e isso necessita do reconhecimento de novos parâmetros confiáveis, nessa nova dimensão: um processo de se reconhecer como um ser espiritual num corpo material.

Esse novo parâmetro, ou aterramento, é vital para esse novo ser. Energeticamente, significa fazer uma ligação sutil com a “Mãe Terra”, enraizar-se, ligação essa prejudicada por não haver contato do bebê com o solo. No adulto essa ligação se faz através dos meridianos dos membros inferiores. No recém-nascido se faz, principalmente, através do olhar. O ato de amamentar, que supre o organismo de alimento material, também valida a existência física através do reconhecimento no olhar mútuo. O acolhimento, o gesto de boas-vindas, o carinho e a atenção são percebidos pela criança através, principalmente, do olhar: “o elo privilegiado do relacionamento” 5:35. Mas apoiar os pés e tocar a palma das mãos, fazendo com que ele segure nosso dedo, também tem importância energética crucial para a autoconfiança do recém-nascido no “admirável mundo novo”.

Muito importante também é mantê-lo numa posição de conforto natural. Essa posição de conforto é conhecida como posição fetal, em que a cabeça e a bacia se dobram, uma em direção à outra, pela contração da musculatura do pescoço, do abdômen e do períneo, com os braços e pernas ficando próximos. Qualquer outra posição, em geral, causa desconforto, procurando, o bebê, sua posição natural que, por si só, dá segurança e pode servir para diminuir um eventual mal-estar e aquietar o choro 5:19.

É a partir dessa posição natural que a criança olha as próprias mãos, relaciona-se com os outros, e com o mundo exterior, endireita-se para sentar e para ficar de pé com apoio. Em qualquer distúrbio, mental, psico-emocional ou físico, o tônus muscular normal se altera, ocorrendo um relaxamento da musculatura flexora, fazendo com que a criança tenda à posição contrária à fetal, a qual normalmente se acentua durante o choro: a posição de desconforto.

“É preciso lembrar que o recém-nascido ‘se constrói’ como unidade psicomotora, através dos movimentos que faz... [e] toda organização motora, psicomotora e relacional é orientada ‘para a frente’ 5:53... Deitá-la de costas ou de lado são as posições mais favoráveis para a futura organização de todo o desenvolvimento”   5:54.

Marie-Madeleine Béziers

Categoria: Órion Volume 2

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