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Os resíduos sólidos da alimentação seguem caminho pelo trato intestinal de forma a serem excretados, em média, 24 a 48 horas após a ingestão. Nesse trajeto, devido à ação bacteriana, os resíduos vão se deteriorando progressivamente, de forma que, quanto maior o tempo que passa dentro do trato intestinal, maior a quantidade de toxinas formada.

Em pacientes com dificuldade de evacuação das fezes, essas toxinas “estocadas” funcionam como irritantes locais, podendo causar doenças inflamatórias e até câncer, e terminam por serem reabsorvidas indo sobrecarregar o sistema urinário excretor e todo o organismo de uma maneira geral. Essa ação irritante aumenta em pacientes com trânsito intestinal lento e a reabsorção tóxica aumenta substancialmente em períodos de jejum prolongado, de forma que antes de qualquer esquema de jejum deve-se praticar algumas técnicas de purificação mecânicas (que a filosofia Shânkia hindu chama de kriyas) como fazer raspagem da língua, lavagens nasais, lavagens gástricas e lavagens intestinais.

Conhecido da filosofia perene a milhares de anos, o abster-se de alimentos sempre foi uma forma de tratamento de várias doenças. Ademais, a primeira alteração que ocorre quando adoecemos é a anorexia: a falta de apetite. Antes de ser indesejável é um mecanismo eficaz do organismo que quer centrar sua atenção na cura orgânica. Para o Dr. Mark Mattson, neurobiólogo do Instituto Nacional de Envelhecimento (EUA), a ingestão de um nível ultra-reduzido de calorias seria a única maneira de se reduzir a produção de radicais livres.

Nas primeiras décadas do século passado, Paramahansa Yogananda (1.893-1.952) já afirmava que comer demais e alimentar-se inadequadamente criavam excesso de toxinas no organismo, que causariam um efeito negativo na mente, tornando-a preguiçosa e irritável. Ele dizia que um jejum ocasional com suco de uvas, ou de laranjas, tinha um efeito depurativo sobre o organismo, revitalizando, por sua vez, o cérebro: “Os jejuns feitos um dia por semana ou, ocasionalmente, durante três dias seguidos, são um tratamento eficaz para manter o corpo devidamente livre de impurezas. Jejuar por mais de três dias seguidos deve contar com a supervisão de alguém bem treinado na ciência do jejum” 100:76.

Os jejuns de somente um dia se iniciam ao nascer do sol, evitando-se comer em excesso ou após as 20 horas da véspera. Pessoas portadoras de qualquer doença não devem jejuar sem ingerir água. Recomenda-se, nesse caso, água com limão, sucos de frutas ou de legumes. E devem terminar ao nascer do sol do dia seguinte com a ingestão de água com limão e uma pitada de sal seguido de um a café da manhã com frutas e iogurte. Sri Sri A’nandamu’rti (1.921-1.990) recomendava jejum entre duas a quatro vezes por mês, dependendo da disposição e da necessidade individual 91:74. Os melhores dias para essa prática seriam os dias de lua cheia ou lua nova, como forma de contrabalançar os efeitos perturbadores de sua atração.

Para a medicina ayurvédica, o jejum tem como finalidade dar um descanso ao sistema digestivo por 24 horas, e não promover uma perda de peso. Por isso ela recomenda que o jejum seja com a ingestão somente de alimentos líquidos, mas ricos em nutrientes. Dá-se preferência a sucos de frutas e de verduras, leite, iogurtes ou sopas cremosas. A freqüência de seus jejuns é dada de acordo com o dosha de cada pessoa (Cf. em ”MEDICINA AYURVÉDICA”, no início desse capítulo). Para quem é Kapha (água e terra) é recomendado um jejum semanal, para os Pitta (fogo e água) um jejum quinzenal e para os Vata (ar e terra) um jejum mensal.

Mas, mais do que um método para a saúde do corpo físico, o jejum orientado espiritualmente produz um efeito de expansão da consciência que é de suma importância na prática meditativa e na evolução espiritual.

Categoria: Órion Volume 2

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