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“Focar na meta final dispensa todo o resto. A meditação passa além das técnicas analíticas e terapeutas. Automaticamente dispensa o entendimento dos nossos processos mentais, sociais, conflitivos, etc.”.

 

“O mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectual – é uma iluminação subitânea, quase um êxtase. Em seguida, é certo, a inteligência analisa e a experiência confirma a intuição”  18:59... “A mente avança até o ponto onde pode chegar, mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Todas as grandes descobertas realizaram esse salto”  18:60.

Albert Einstein (1.879-1.955)

 



1. HIPNOSE

É uma eficiente técnica utilizada cada vez mais por médicos, dentistas e psicólogos, como um meio promotor de saúde através do mergulho no inconsciente pessoal, onde se escondem memórias reprimidas. Há indícios de seu uso já na Antigüidade, em regiões como o Egito, a Índia, a Pérsia, a Caldéia, a Grécia, Roma e a China. Há registros, nos papiros de Ebers, de que há cerca de 5.000 anos pessoas eram induzidas ao estado hipnótico, por sacerdotes, para aliviar a dor, nos “Templos do Sono” egípcios. Muitos fenômenos psíquicos ocorriam. No século XI, o médico e filósofo sufi Avicena (980-1.037) em seu “O Livro das Curas”, ressaltava os poderes da vontade e da imaginação humana: “a imaginação humana tem poderes e força, e só através dela se pode agir sobre o corpo humano”.

Foi redescoberta e divulgada pelo médico psiquiatra alemão Franz Anton Mesmer (1.734-1.815), que defendia a existência de energias sutis em nosso organismo, às quais, quando em desarmonia, seriam as causas das doenças físicas. Para redistribuí-las, Mesmer utilizou-se inicialmente de pequenos imãs para depois descobrir que conseguia o mesmo resultado com a imposição das mãos, uma espécie de passe que ficou conhecido como mesmerismo.

A partir de James Braid (1.795-1.860), cirurgião escocês, essa técnica passou a ser usada na neuropsiquiatria com o nome de neuro-hipnotismo e, posteriormente, hipnose. Freud (1.856-1.939) criou a psicanálise baseado em estudos e práticas com a hipnose. Na década de 1.910, Ivan Petrovitch Pavlov (1.849-1.936) afirmou que a auto-hipnose é uma resposta fisiológica do SNC ao excesso de estímulos externos. O farmacêutico Emile Coué (1.857-1.926), o pai da auto-hipnose, propunha uma auto-hipnose genérica, extremamente simples e, por isso mesmo, muito popular. Essa auto-hipnose consistia em repetir a seguinte frase: “a cada dia, sob todos os pontos de vista, estou cada vez melhor”. Segundo ele, a mera repetição dessa frase, de maneira sistemática, ao acordar e antes de dormir, é suficiente para causar mudanças para melhor, na vida de quem a exercita. O segredo residiria em introduzir um "crescendo" na freqüência vibratória da mente.

Mas foi na década de 1.920 que o médico psiquiatra americano Milton Hyland Erickson, usou técnicas de sugestão mental para recuperar os movimentos de suas perna, paralisados pela poliomielite. Ele revolucionou as sessões de terapia psicológica deixando os pacientes livres para perceberem as próprias sensações, sem interferência do terapeuta. Erickson é o pai da hipnose moderna, da psicoterapia estratégica, da psicoterapia de impactos múltiplos e o avô da Programação Neurolingüística (PNL).

"Hipnose é um estado alterado de consciência, ou é um estado de consciência no qual o conhecimento que você adquiriu durante toda sua vida e que você usa automaticamente torna-se, de repente, disponível".

Milton Hyland Erickson (1.901-1.980)

Finalmente, em 1.955 a Associação Médica da Inglaterra reconheceu a importância da hipnose como tratamento médico e aprovou o seu uso por médicos e dentistas. Atualmente a hipniatria (ato médico), hipnodontia (ato odontológico) e a hipnoterapia (uso da hipnose em psicoterapia) têm seu uso, como auxiliares terapêuticos, aprovado oficialmente. Em Odontologia, há muito tempo, utiliza-se da hipnose clínica para a diminuir a fobia pelo tratamento dentário, para prevenção do vômito, para indução de analgesia, vasoconstricção e anestesia, além do controle do bruxismo.

O Conselho Federal de Medicina indica as seguintes aplicações para a hipnose científica: transtornos da ansiedade (ansiedade generalizada, estresse, estresse pós-traumático, fobias, enurese noturna, pânico, transtornos sotaformes e conversivos), transtornos do sono, transtornos do relacionamento conjugal e familiar, transtornos de personalidade, transtornos devido ao uso indevido de substâncias psicoativas, transtornos da sexualidade (frigidez e impotência psicogênicas), nas áreas da cardiologia (hipertensão arterial sistêmica), neurologia (enxaquecas e paralisias), ginecologia e obstetrícia (vaginismo, cólicas menstruais e partos sem dor, na estimulação da ovulação, recepção do esperma e fixação do embrião ao útero), na traumatologia (lesões de esforço repetitivo) e na anestesiologia, no controle da dor crônica e dos hábitos indesejáveis (gagueira, tiques e outros), como coadjuvante no tratamento de algumas doenças de pele e gastrintestinais, como auxiliar nos processos de cicatrização, regeneração e melhora imunológica e como auxiliar no trato psicológico da tensão pré-menstrual, traumas psicológicos escondidos no inconsciente, e etc., além de sugestionar o paciente à cura.

Em 1.998, uma equipe médica da Universidade de Harvard observou o comportamento cerebral durante um transe hipnótico, utilizando o eletroencefalograma (EEG) e a tomografia por emissão de posítrons (PET). Durante a indução, praticamente todo o hemisfério cerebral esquerdo é ativado. Ocorre, então, uma desativação progressiva do giro frontal superior esquerdo, que leva o ritmo cerebral ao nível alfa (com 8 a 13 ciclos/s, ao EEG) e a um aumento da aptidão ao pensamento dedutivo consciente. Isso faz com que o cérebro do indivíduo creia que a mensagem sugerida é real, respondendo a ela através de sua conduta psicossocial e orgânica.

Com o aprofundamento, que ao EEG faz surgir ondas teta (4 a 7 ciclos/s), ocorre a ativação de ambos os lobos occipitais (aumento da capacidade imaginativa) e do giro anterior do cíngulo à direita (analgesia e visões). Quando, em transe, o paciente é sugestionado a ver cores em uma foto preto-e-branco, a tomografia demonstra um aumento de atividade na área do lobo occipital responsável pela cor. Alguma parte do ser manda um sinal ao cérebro e ele passa realmente a ver colorido. O que é real? O que desencadeia essa atividade cerebral, se não há estímulo “real”?

Os efeitos físicos mais observados em estados hipnóticos são: bradicardia e bradipnéia, vasodilatação periférica, relaxamento (ou rigidez) muscular, imobilidade ou agitação psicomotora temporárias, literalismo das respostas verbais, analgesia e anestesia superficial ou profunda, amnésia parcial temporária, hipermnésia focal, distorção do tempo, regressão na idade, pseudo-orientação do tempo no futuro, progressão na idade, alucinações positivas e/ou negativas, escrita automática e sugestão pós-hipnótica, além de outros fenômenos, alguns deles semelhantes ao sonho.

Por meio da hipnose pode-se alterar consideravelmente, mediante a palavra, funções que envolvem o Sistema Nervoso Autônomo, como: aumentar a freqüência cardíaca, reduzir a pressão arterial, reduzir a salivação (sialosquiese), ou mesmo reduzir o fluxo sangüíneo arterial das extremidades, etc.. Somente um décimo da população consegue alcançar o estado mais profundo da hipnose, o estado sonambúlico, onde até cirurgias podem ser realizadas.

Trabalhos dos últimos cinco anos apontam para o fato de que a capacidade de gerar imagem interna ou externa (imaginação e alucinação hipnótica) é fundamental para que o cérebro aceite uma idéia (sugestão) como real e reaja como tal. Este elemento talvez seja o responsável pela ativação dos “IEgs” (immediates early genes). Esses mensageiros químicos (já são conhecidos mais de cem), que parecem ser produzidos já nos primeiros minutos de hipnose, orientam a expressão genética de todas as células de nosso corpo (desencadeiam a transcrição do DNA), assim como ativam o circuito neural responsável pela resposta fisiológica à sugestão, envolvendo o Sistema Nervoso Autônomo, o sistema endócrino e sistema imunológico. Dessa forma induzem à manifestação de determinado comportamento, sentimento ou estado de humor, ou mesmo a produção de determinados hormônios, neuromoduladores, neurotransmissores e enzimas.

Comprovada cientificamente, seus processos neurofisiológicos ainda estão sob investigação. Sabe-se que há um aumento na produção cerebral de serotonina e de noradrenalina. Enquanto aquela ocasiona uma sensação de bem-estar, combatendo fenômenos depressivos, essa fortalece o sistema imunológico. O estado hipnótico se caracteriza por um grau de sensibilidade e reação aumentados, no qual as percepções internas adquirem a mesma ou até mais importância que a realidade externa. Essa sensibilidade aumentada causa o fenômeno conhecido como hipermnésia, onde há uma exacerbação da capacidade de lembrar fatos passados e até de revivê-los. Assim consegue-se retroceder no tempo e reviver experiências passadas reprimidas, ou há muito tempo esquecidas, podendo se chegar até ao período fetal. Dessa forma é um grande aliado nos processos psicoterapêuticos (revisão de conceitos firmados e tratamento de fobias, traumas, estresse e ansiedade).

No campo externo produz analgesia e anestesia, não por retirada total da dor, mas por substituição da percepção dolorosa por outra (como formigamento) ou colocando-a em segundo plano pelo desvio da atenção do hipnotizado. Isso é plenamente possível, pois a dor é um produto da consciência, depende de nossa percepção consciente. Isso explica a diferença, de pessoa para pessoa, da sensibilidade física e psicológica à dor e de sua alteração de acordo com a atenção pessoal, estado emocional ou condicionamentos de experiências passadas.

A indução do hipnotizador e a auto-sugestão e receptividade do hipnotizado são cruciais para que a pessoa consiga ser hipnotizada. Esse mecanismo é utilizado até pelas religiões institucionalizadas. Baseado nessa prerrogativa, a psicoterapia, a publicidade, o marketing e até a Programação Neurolingüística (PNL) seriam subprodutos da hipnose, pois necessitam de um estado auto-sugestivo e receptivo para seu sucesso. A PNL, divulgada em 1.975 pelos americanos John Grinder, lingüista, e Richard Bandler, analista de sistemas, é baseada na tese de que o cérebro humano funciona como um computador, programado conforme a vontade do próprio indivíduo.

Muitas pessoas são incapazes de lembrar o que aconteceu enquanto estavam em hipnose profunda. A amnésia pós-hipnótica, como é chamada, pode resultar espontaneamente do processo ou ser provocada por sugestão do hipnotizador durante o transe. Assim consegue-se, durante o transe, lembrar de experiências reprimidas, ou há muito tempo esquecidas, contá-las com detalhes e depois mantê-las fora de sua consciência vigil. Quando esse fenômeno acontece, tanto a pessoa pode se concentrar apenas no passado (vivendo-o) como dividir sua consciência em dois níveis simultâneos: um vivendo o passado (recordando) e outro consciente no presente (sabendo que está em transe hipnótico).

Essa regressão no passado chega a tal ponto que, em alguns casos, o hipnotizado muda seu comportamento, como que assumindo uma outra personalidade. Enquanto alguns pesquisadores acham que esse fato seria a prova da existência da reencarnação, a comunidade científica aceita esse fato como sendo decorrente do acesso a memórias de nossos antepassados, impressas de alguma forma em nosso DNA e acessíveis à nossa mente inconsciente. Essa tese explicaria também a ocorrência de memórias novas, em transplantados, de fatos ocorridos na vida do doador do órgão.

Mas a forma mais simples e acessível a todos, que pode transformar a vida individual de cada um de nós, é a auto-sugestão. O homem tem a capacidade de controlar o que imagina e o que pensa. Sabe-se que os momentos logo após o acordar, ou instantes antes de adormecer, denominados zona do crepúsculo (twilight zone), são os momentos em que nossa mente inconsciente está mais aflorada e, portanto, mais propensa a aceitar sugestões. O acesso fácil ao inconsciente, a partir de um estado de consciência modificado, semelhante ao sono, mas situado entre ele e a vigília, é o trunfo principal da hipnose.

A repetição silenciosa ou mental de frases de efeito ou pensamentos inspiradores, visualizar imagens felizes e evitar pensamentos negativos de raiva e pessimismo, por exemplo, podem causar efeitos muito positivos na psique e no sistema imunológico pessoal, causadores de felicidade, paz e saúde.

A maior fonte de auto-sugestões positivas é a prática do altruísmo e da compaixão, prescritos pelas diversas tradições filosóficas e religiosas dignas desse nome, e todas elas incentivam os estudos e a meditação/contemplação (visualizações criativas) como forma de se obter autoconhecimento, sabedoria e paz interior.


2. MEDITAÇÃO/CONTEMPLAÇÃO

 “Sem a oração, a reflexão, a meditação, quem nos estimulará a amar este Senhor [Jesus Cristo]”  92:49.

Santa Teresa d’Ávila (1.515-1.582)

 

“Sentar e esquecer: abandona-se o corpo e elimina-se a audição e a visão. Evitam-se as formas e a experiência. É como penetrar num lugar imenso”  27:24.

Chuang Tsé

 

É a arte de se viver no presente: a arte da plena atenção. A qualificação mínima à meditação é ter um corpo humano. Meditar, muito simplificadamente falando, começa com o concentrar da mente (Manas inferior) em algo, ação física desempenhada principalmente pela área pré-frontal do cérebro humano. Aqui vemos o conceito necessário e imprescindível a qualquer caminho psicológico/espiritual: a atenção. Divagar e deixar os pensamentos se sucederem desordenadamente não é meditar. Meditação implica abstração: focar a concentração em um único objeto (que pode ser qualquer coisa) e retirar, abstrair a sua essência ideativa, o seu significado mais profundo. Mas a verdadeira meditação, como veremos, tanto começa como se estende para além desse ponto.

Meditação (ou contemplação) não é o mesmo que o Quietismo (Cf. no Volume 1, nas “DOUTRINAS CONSIDERADAS HERÉTICAS À IGREJA CATÓLICA ROMANA”), doutrina defendida por Miguel de Molinos (1.640-1.696), que pregava a negação de toda a atividade mental, emocional e física. Normalmente, não se consegue passar mais de três segundos e meio com um único foco de pensamento 84:61. Só quem tenta concentrar a mente em um só ponto, por pelo menos doze segundos, ou não pensar em nada, sabe que é necessário um imenso esforço da mente, da vontade e do corpo para isso. Para Satyananda, mestre da Yoga Integral, a verdadeira concentração (dharana) ocorre quando há uma contínua percepção de um objeto por doze segundos. Para ele, meditação (dhyana) ocorre quando a percepção permanece por doze vezes doze segundos, o Sabija Samadhi em doze vezes doze vezes doze segundos e o Nirbija Samadhi em doze vezes doze vezes doze vezes doze segundos, ou seja 5h:46m:36s.

Vimos Einstein afirmando que o conhecimento humano é fruto de um salto da consciência para uma região desconhecida, para uma dimensão intuitiva, de onde ela retira uma tese que pode ser analisada e experimentada. Essa dimensão intuitiva é facilmente atingida por algumas pessoas, mas é duramente buscada por outras. Pode-se dizer que toda busca místico/religiosa é uma busca dessa dimensão, como passo inicial para se atingir o divino. Mas essa busca não deve demandar esforço excessivo, nem uso da vontade de uma forma autoritária, forçando a busca, sob o risco de se deparar com perturbações físicas e mentais.

“Não deixe a mente esquecer-se de seu trabalho, mas deixe que isso ocorra de modo natural”  27:76.

Meng-tzu (século VI a.C.)

Hoje em dia as pessoas estão procurando a meditação como uma forma de obtenção de saúde física e bem estar psicológico, emocional e mental. A felicidade, como meta da humanidade, está sendo, cada vez mais, buscada no local certo: dentro de si mesmo e não nas coisas exteriores. O conselho do Cristo está sendo cada vez mais seguido: “Não ajunteis tesouros na Terra... mas ajuntei tesouros no céu” (Mt 6:19s). Para os budistas atingir o céu é chegar ao Nirvana, e o Nirvana é um estado mental. O céu está dentro da nossa mente.

Existem diferentes tipos de contemplação/meditação. A devocional, presente em todas as religiões devocionais (Bhakti-yoga), consiste em concentrar-se na recitação de preces sagradas (como os Salmos bíblicos ou o terço católico, a Shahada muçulmana ou os mantras budistas e hindus) ou na entoação de cânticos de louvor (os sankirtans dos hindus). A recomendação rabínica (como de todas as outras tradições) a esse respeito é que a Shema, ou qualquer outra oração judia, deve ser recitada tendo-se em mente a kavanah, a intenção.

A contemplação/meditação analítica usa o poder de concentração para resolver problemas racionais insolúveis (como nos koans da meditação Zen), contemplar e refletir sobre as verdades universais e leis espirituais (como na Jnana-yoga ou na Teosofia), ou analisar nossos pensamentos, sentimentos e atitudes (como no Pathwork). Há também a contemplação/meditação em imagens visuais imaginadas ou visualizadas fisicamente (as visualizações criativas), a contemplação/meditação na ação (Karma-yoga e Bushido), a meditação que visa à total entrega e passividade do ego, anulando-o como forma de que o Divino flua livremente e a contemplação/meditação no vazio interior.

A vida interior contemplativa sempre esteve presente em todas as tradições. Na tradição judaica, a meditação é ensinada a muito poucos sendo inacessível para a maioria, segundo explica o rabino Jonathan Omer-Man, de Los Angeles. Na história da Igreja Católica ficou relegada ao segundo plano, ficando restrita à vida das freiras, monges e padres (principalmente os franciscanos, jesuítas, carmelitas e dominicanos), enquanto ao povo restou a oração devocional. Mas a oração devocional é apenas uma das práticas contida no conjunto de práticas e exercícios contemplativos. O Novo Testamento cita evidências claras de que a vida meditativa era uma regra no início do cristianismo: “compenetrado no temor do Senhor” (II Cor 5:11), “arrebatados fora dos sentidos por Deus” (II Cor 5:13)..., “arrebatado ao 3o céu..., arrebatado ao paraíso, e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir” (II Cor 12:1-4).

Os “Exercícios Espirituais” de Santo Inácio de Loyola (1.491-1.556) são um exemplo de exercício meditativo cristão dividido em quatro semanas, ou séries reflexivas 56:11. A parte correspondente à primeira semana trata da purificação dos pecados, bem como da morte e do julgamento dos homens. Os exercícios da segunda e terceira semanas referem-se à profunda contemplação da existência, tendo sempre como modelo a vida de Cristo. A última representa a busca de uma íntima união com Cristo. Na meditação franciscana a devoção é o ponto principal. São Francisco diariamente entrava na madrugada murmurando: “Meu Deus e meu Tudo”. Tomás de Kempis (1.380-1.471) já se referia a essa prática como “exercícios de piedade” (IC II: 1-7), meditação ou contemplação.

Essa prática milenar está sendo reintegrada à vida cristã leiga. Desde que o monge beneditino inglês John Main (1.926-1.982) criou a célula inicial da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã, seu atual instrutor espiritual, o também monge beneditino Laurence Freeman, está divulgando pelo mundo as vantagens da vida meditativa como maneira de promover a paz. Cada pessoa é uma representação da humanidade e, dessa forma, pela interdependência entre todos nós, cada mudança individual leva à mudança do todo.

“Primeiro conserva-te em paz, e depois poderás pacificar os outros. ...Tem, pois, principalmente zelo de ti, e depois o terás, com direito, do teu próximo”.

Tomás de Kempis (IC II,3:1)

Para o budismo, a meditação é a forma de desenvolver uma visão interior que livre o praticante de todos os condicionamentos, levando-o a ver todas as coisas na sua verdadeira natureza, sem nome, sem rótulos, sem conceitos, enfim, sem apegos. É a forma de alcançar a perfeição em vida, através da purificação e compreensão do que é Real, do que é a Verdade. Pela meditação, o homem consegue livrar-se da relatividade dos fatos e compreender a verdadeira natureza da existência, ficando livre de todas as ilusões.

Categoria: Órion Volume 2

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