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Desde que Edwin Powell Hubble (1.889-1.953) e Milton Humason anunciaram, em 1.929, a expansão cósmica, poucos cosmólogos pensaram nas implicações que isso traria à sobrevivência da vida inteligente num universo sem estrelas, até que em 1.979, Freeman Dyson, do Institute for Advanced Study (Princeton – New Jersey), publicou um artigo clássico em que discutia as fontes de energias possíveis, em um Universo se expandindo a uma taxa acelerada, que seres inteligentes poderiam se servir.

 

Passeando por buracos negros, supercordas cósmicas e vácuo quântico, como fontes de energia na ausência futura de estrelas, e tendo o conhecimento de que, matematicamente, os seres vivos só podem acumular um número finito de energia no tempo, a solução óbvia, discutida ineditamente por Dyson, é que os seres vivos têm que se adaptar a viver com um menor consumo de energia. Para isso teria-se que diminuir a temperatura corporal até um limite no qual o sangue não congelasse. A partir desse ponto seria necessário abandonar totalmente o corpo físico!?

 Nenhuma dificuldade fundamental, pois a maioria dos filósofos e cientistas modernos considera que a consciência não está vinculada a um conjunto particular de moléculas orgânicas, mas que pode ser incorporada em inúmeras formas diferentes, desde cyborgs e computadores, até em nuvens estelares. Embora futurista, pois ainda teríamos cerca de 100 trilhões de anos antes que a última estrela apagasse, e bilhões de anos para planejar novos corpos em que pudéssemos transferir, um dia, nossas consciências, essa possibilidade faz supor que algo semelhante já exista no nosso universo que já se encontra com mais de 10 bilhões de anos.

Dyson segue postulando que mesmo assim, num Universo de escassíssimas fontes de energia, nenhum organismo, por mais aperfeiçoado que fosse, não conseguiria reduzir indefinidamente a sua temperatura sem diminuir concomitantemente sua complexidade. Concebeu então a estratégia da hibernação, em que os seres vivos passariam apenas uma pequena parte do tempo acordados e a maior parte dormindo. Com um metabolismo mais baixo, poderiam alcançar uma temperatura média decrescente, consumir uma quantidade finita de energia e, apesar disso, existir para sempre tendo um número infinito de pensamentos.

Mas um esquema desse esbarra nos limites quânticos de um despertador, biológico ou não, que funcione confiavelmente durante períodos cada vez mais longos e com cada vez menos energia, e esbarra no limite teórico da menor temperatura efetiva, medida na dependência da existência de uma constante cosmológica que esteja acelerando o Universo: 10-29 graus Kelvin. No final dos tempos haveria um estágio final de hibernação eterna (repouso eterno), ou de extinção da vida pela absoluta falta de energia, a não ser que a vida pudesse evitar os limites quânticos e cosmológicos postulados.

Toda essa postulação científica está caminhando de braços dados com a filosofia perene contida em todas as tradições filosófico-religiosas: a Religião-sabedoria. Ela afirma que, da mesma forma que o homem, o planeta, o sistema solar e todo o Universo têm períodos alternados de atividade e repouso (morte aparente): o período após o nascimento e após a morte do homem, as atividades e os pralayas cósmicos, e os dias e as noites de Brahman. Seriam formas de “recompor as energias”, mas no final tudo retornaria a Deus: “Deus inicia a criação e depois a repete, e no fim para Ele voltareis...” – Alcorão 30:11.

Categoria: Órion Volume 2