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“Os males de que estamos sofrendo tiveram sua base na própria criação do pensamento humano”  74:234

Pierre Teilhard de Chardin (1.881-1.955)

 

A evocação da memória, do raciocínio, da consciência e do pensamento, são as funções principais desse sistema nervoso de função eminentemente subjetiva. A memória recente se acha intimamente relacionada com o sistema límbico, mais precisamente com o hipocampo e com o corpo amigdalóide, estruturas associadas com as emoções (Cf. adiante). O hipocampo está intimamente relacionado com o processamento e assimilação de novas informações, envolvido em memórias instantâneas ou episódicas. Lesões hipocampais incapacitam a recordação de coisas acontecidas há poucos minutos.

Mas a memória remota, que, mais estável, permanece inalterada mesmo após graves danos cerebrais, não está associada com nenhuma estrutura encefálica em particular. Essa memória estaria gravada por todo o neocórtex (tipo de córtex presente em 90% do cérebro, à exceção do hipocampo, úncus e giro para-hipocampal, o arquicórtex e o paleocórtex, ligados à olfação e ao sistema límbico), provavelmente de maneira semelhante a um holograma.

“A memória... humana não depende de nenhuma estrutura nervosa isolada, mas da intensa interação entre elas” (SCIAM 17:102)

Iván Izquierdo

Coordenador do Centro de Memória do Departamento de Bioquímica da UFRGS.

A distribuição temporal (recente e remota) da memória mostra que as emoções estão intimamente ligadas com memórias recentes e ambas tendem a desaparecer com o tempo, se não forem realimentadas até se registrarem na memória remota. Para esquecer uma dor emocional o melhor remédio é nos afastarmos de seu agente causador por algum tempo. Mais ainda, há indícios que apontam para uma memória distribuída por todo o corpo e em tudo e o coração parece ter uma função tão importante quanto o cérebro na formação e recuperação da memória (Cf. adiante).

Psicólogos cognitivos, atualmente, aceitam um sistema chamado “Modelo Modal” de memória, que cita três tipos de memória: a memória sensorial, que armazena temporariamente informações captadas pelos cinco sentidos, a memória de curto prazo, que guarda informações por um “período quantum” (sete mais dois ou menos dois segundos) 74:175, limitados a sete itens, e a memória de longo prazo, que pode guardar grandes volumes de informação por muito tempo. Esse esquema se aplica à memória do sistema nervoso. Hoje a cardioenergética propõe a existência de uma memória energético-informativa que armazena a energia informativa contida em cada pessoa, lugar ou objeto na forma de uma profunda memória celular, e que o coração tem um papel central como criador e recuperador de memórias celulares.

A atividade mental cortical envolve a interpretação dos sinais elétricos provenientes dos receptores sensitivos do corpo. Essa interpretação envolve, de uma maneira imprescindível, a memória, pois o sistema nervoso mental usa as fibras de associação do córtex para comparar a informação que chega com informações gravadas na memória, e, assim, chegar àquela interpretação. Essa comparação entre sensações percebidas e registros de sensações na memória se processa em determinadas áreas corticais chamadas de áreas de associação secundárias, e configura o nosso raciocínio lógico.

A consciência de coisas passadas envolve, fundamentalmente, o uso do sistema nervoso mental no processo de resgate da memória. Os déficits de evocação da memória consciente (os “brancos”), ocorrem em associação com estresse crônico ou ansiedade excessiva ou pela ação de gligocorticóides no hipocampo ou no corpo amigdalóide. Tanto o glutamato (presente no tempero da comida chinesa) como o aspartato (adoçante artificial) também são capazes de interferir no mecanismo de formação da memória.

Somos conscientes daquilo que nos lembramos, ou seja, a consciência gera uma memória consciente, facilmente resgatável. Dessa forma podemos dizer que temos uma consciência vigil, uma consciência onírica, etc., pois, por exemplo, enquanto estamos sonhando, algumas vezes nos lembramos de que já tivemos aquele sonho, e ao acordarmos não nos lembramos do sonho, mas temos certeza de que aquele sonho teve semelhanças com outro(s) sonho(s). Podemos assim afirmar que inconsciência gera memória inconsciente.

Já a consciência das coisas do presente envolve a plena atenção, a qual está relacionada com a área pré-frontal do sistema límbico, área responsável também pela ordenação dos pensamentos. O pensamento envolve a integração de todas as informações sensoriais já processadas pelas áreas de associação secundárias, ordenando-as com o fim de elaborar estratégias de comportamento (social e emocional). Essas áreas, conhecidas como áreas de associação terciárias, regulam o nosso pensamento abstrato, nossos processos simbólicos, nossa percepção espacial e nossas emoções. São a área pré-frontal, o sistema límbico e a área têmporo-parietal, todas com conexão com a formação reticular do tronco encefálico. Os dois primeiros fazem parte também do nosso sistema nervoso emocional, sendo descritos no próximo tópico.

A área têmporo-parietal situa-se entre as áreas de associação secundárias auditiva, visual e sensitiva periférica, dessa forma integrando as informações dessas três áreas. Essa área especial é a responsável pela percepção das partes do corpo e pelas relações espaciais entre este e o “espaço” extracorporal. É a nossa parte que nos dá a noção aparente de um “eu” separado do Universo.

Ademais, as funções corticais são diferentes de acordo com o hemisfério em consideração. O neurofisiologista Roger W. Sperry, prêmio Nobel de Medicina em 1.981, descobriu que o cérebro era “dividido” 33:250. O hemisfério cerebral esquerdo é mais importante quando se trata da linguagem objetiva e do raciocínio lógico e matemático, está “interessado” em palavras e pensamentos: o que se chama de “capacidade verbal”. Por outro lado, o direito é dominante no aspecto simbólico da linguagem, no raciocínio abstrato, trato das artes (música e pintura, por exemplo), percepção de relações espaciais, contemplação e reconhecimento fisionômico. Está “interessado” em sensações e intuição.

O pensamento humano, no último milênio, desenvolveu e aprimorou uma forma analítica de processar as coisas observadas. O que na Antigüidade constituía uma visão integral e sistêmica, na atualidade se reduziu a uma visão compartimentalizada e reducionista. Antes se dava ênfase ao sentimento, à compreensão intuitiva (insights), à consciência, e hoje se privilegia o conhecimento, a lógica, a formação conceitual, as sensações e as explicações.

Mas nem tudo o que percebemos pode ser explicado. Nem tudo o que sentimos é lógico e pode ser conceituado. Algumas compreensões se fazem sem explicações. A intuição independe do pensamento. Há momentos que o tempo é fluido e percebemos causa e efeito. Há momentos em que percebemos a relatividade do tempo e a sincronicidade das coisas. Existem incertezas e existem precisões. A plenitude humana está em desenvolver equilibradamente esses nossos processos mentais sintéticos e analíticos, integrando-os. Do contrário se ficará unilateral e desequilibrado.

Categoria: Órion Volume 2

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