Criação e comunicação

Capítulo 4 – AS ILUSÕES DO EGO

VII. Criação e comunicação

1. É claro que apesar do conteúdo de qualquer ilusão particular do ego não ter importância, a sua correção é mais útil em um contexto específico. Embora a mente seja por natureza abstrata, as ilusões do ego são bastante específicas. Parte da mente, porém, vem a ser concreta quando ela se divide. A parte concreta acredita no ego, porque o ego depende do concreto. O ego é a parte da mente que acredita que a tua existência é definida pela separação.

2. Tudo que o ego percebe é um todo separado, sem os relaciona­mentos que estão implicados no que é. O ego é assim contrário à comunicação, exceto na medida em que a usa para estabelecer o estado de separação ao invés de aboli-lo. O sistema de comunicação do ego está baseado no seu próprio sistema de pensamento, assim como tudo o mais que ele dita. Sua comunicação é controlada pela necessidade que tem de proteger-se e ele interromperá a comunicação quando experimentar ameaça. Essa interrupção é uma reação a uma ou mais pessoas específicas. A especificidade do pensamento do ego resulta então numa generalização falsa, que não é realmente nada abstrata. Meramente responde de certas formas específicas a todas as coisas que ele percebe como se estivessem relacionadas com a experiência ameaçadora.

3. O espírito, de forma contrastante, reage do mesmo modo a tudo o que ele conhece como verdadeiro e não responde absolutamente a nada mais. Ele também não faz nenhuma tentativa de estabelecer o que é verdadeiro. Tem o conhecimento de que o verdadeiro é tudo o que Deus criou. Está em comunicação completa e direta com todos os aspectos da criação, porque está em comunicação completa e direta com o seu Criador. Essa comunicação é a Vontade de Deus. Criação e comunicação são sinônimos. Deus criou cada mente comunicando a Sua Mente a ela, estabelecendo-a as­sim para sempre como um canal para a recepção da Sua Mente e Vontade. Como só seres pertencentes a uma ordem igual podem verdadeiramente comunicar-se, as Suas criações naturalmente se comunicam com Ele e como Ele. Essa comunicação é perfeitamente abstrata, já que a sua qualidade é aplicada de forma universal e não está sujeita a nenhum julgamento, nenhuma exceção e nenhuma alteração. Deus te criou através disso e para isso. A mente pode distorcer a própria função, mas não pode dotar a si mesma com funções que não lhe foram dadas. É por isso que a mente não pode perder de forma total a capacidade de comunicar-se, embora possa recusar-se a usá-la em favor do que é.

4. A existência, assim como tudo o que é, se baseia na comunica­cão.A existência, porém, é específica em relação a como, o que e com quem vale a pena empreender comunicação. Tudo o que é, é completamente destituído dessas distinções. É um estado no qual a mente está em comunicação com tudo o que é real. Na medida em que permites que esse estado seja reduzido, tu estás limitando o teu senso da tua própria realidade, que vem a ser total só pelo reconhecimento de toda a realidade no contexto glorioso do seu relacionamento real para contigo. Essa é a tua realidade. Não a profanes e não recues diante dela. Ela é o teu lar real, o teu templo real e o teu Ser real.

5. Deus, Que abrange tudo o que é, criou seres que têm tudo individualmente, mas querem compartilhar o que têm para aumentar a própria alegria. Nada que é real pode ser aumentado exceto pelo compartilhar. Essa é a razão pela qual Deus te criou. A Abstração Divina alegra-Se em compartilhar. 5E isso o que significa a criação. ”Como”, “o quê” e “com quem” são aspectos irrelevantes, porque a criação real tudo dá, pois só pode criar como ela própria. Lembra-te que no Reino não há diferença entre ter e ser como há na existência. No ser a mente dá tudo sempre.

6. A Bíblia repetidamente declara que deves louvar a Deus. Isso dificilmente significa que deverias dizer-Lhe o quão maravilhoso Ele é. Ele não tem ego que possa aceitar tal louvor, nem percepção para julgá-lo. Mas, a menos que faças a tua parte na criação, a Sua alegria não é completa porque a tua é incompleta. E isso Ele sabe. Ele sabe disso no Seu próprio Ser e na experiência dele da experiência do Seu Filho. A saída constante do Seu Amor é bloqueada quando Seus canais estão fechados e Ele é solitário quando as mentes que criou não se comunicam plenamente com Ele.

7. Deus tem mantido o teu Reino para ti, mas não pode compartilhar a Sua alegria contigo, enquanto tu não conheceres isso com toda a tua mente. A revelação não é suficiente, porque é apenas comunicação de Deus. Deus não necessita que a revelação seja restituída a Ele, o que seria claramente impossível, mas Ele quer que ela seja trazida a outros. Isso não pode ser feito com a revelação em si; seu conteúdo não pode ser expressado, porque é intensamente pessoal para a mente que a recebe. Pode, contudo, ser restituída por essa mente a outras, através das atitudes que o conhecimento resultante da revelação traz.

8. Deus é louvado sempre que qualquer mente aprende a ser totalmente útil. Isso é impossível sem que ela seja totalmente inofensiva, porque as duas crenças obrigatoriamente coexistem. Os verdadeiramente úteis são invulneráveis, porque não estão protegendo os seus egos e assim nada pode feri-los. A sua utilidade é o seu louvor a Deus e Ele restituirá esse louvor porque eles são como Ele e podem juntos regozijarem-se. Deus Se estende a eles e através deles e há grande alegria em todo o Reino. Cada mente que é mudada adiciona a essa alegria com a própria disponibilidade individual de compartilhá-la. Os verdadeiramente úteis são os trabalhadores do milagre de Deus, a quem eu dirijo até que estejamos todos unidos na alegria do Reino. Eu te dirigirei aonde tu possas ser verdadeiramente útil e a quem

 

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