A Prática é a Vida

Entrevista publicada no Diário do Nordeste em 12/03/06 – Fortaleza/CE

Humberto César

Ani Zamba: sua abordagem é não-sectária, acessível e prática para a vida diária

“A prática é a vida”

Seus ensinamentos estão focados na percepção mental como sendo a causa da felicidade e do sofrimento, e também como meio para a realização espiritual. A resposta da Mui Venerável Bhikkhuni (Ani) Zamba Chözom, que detém o título de Gelongma, ordenação plena para uma monja, é simples e sutil para a complexidade dos fenômenos psíquicos: “a vida é a prática, e a prática é a vida”. Como trazer isso para o nosso dia-a-dia é o que trata o curso “O custo das ilusões”, dirigido a estudantes e profissionais de psicologia, psiquiatria e áreas afins da promoção de saúde, saúde mental, meditação, qualidade de vida e os demais interessados na compreensão dos processos da consciência. Ani Zamba mantém estreitos laços com Fortaleza, onde tem realizado cursos e workshops.


Como o caminho do Budismo pode contribuir para que as pessoas tenham mais compaixão pelo seres humanos? E para que possamos ver as coisas que nos cercam de forma mais clara e simples, procurando sempre o benefício do próximo?

Primeiramente, temos que definir essa idéia do que seja Budismo, afinal, para várias pessoas, em todo o mundo, ele aparenta ser coisas muito diferentes: algumas vezes, é visto como uma Filosofia, outras vezes, uma Religião, outros momentos, uma Psicologia, em outras circunstâncias, uma Ciência. Assim, poderíamos dizer que cada aspecto do Budismo depende das interpretações individuais acerca dos ensinamentos, e do modo como tais ensinamentos podem fazer sentido para as vidas das pessoas que se utilizam dessas múltiplas abordagens. De fato, todas as abordagens espirituais parecem dizer respeito à construção de sentidos para o caos e a confusão. Pessoalmente, minha compreensão dos ensinamentos do Buda é mais para uma abordagem psicológica, filosófica e científica, muito embora eu perceba como eles podem ser expressos enquanto uma religião – para mim, não é de tanta ajuda vê-los como tal. Vamos, então, simplesmente, dizer que ele é “um modo de ver”, cujo foco está na mente, e, aqui, a mente também inclui a percepção… E, tão pouco conhecemos a respeito desse fenômeno chamado “mente”. Na verdade, a Ciência Ocidental vem, somente, estudando a mente há menos de 150 anos, e, geralmente, esses estudos têm baseado-se em objetos da consciência e não na consciência em si mesma, essa que é, por sua vez, a base de enfoque no pensamento Budista. O que é a mente? Como ela funciona? Qual a natureza da consciência? Essa pesquisa e seus achados têm sido desenvolvidos por mais de 2.500 anos, desde o tempo do Buda histórico, até os dias atuais. Então, agora, ao verificarmos os resultados dessa investigação extensiva, podemos ver uma análise muito profunda e ampla das implicações da “mente”, e de como ela exerce uma função importante na maneira com a qual afeta o modo de vermos a vida. A mente não é uma “coisa”, na verdade, esse fenômeno mente é integrado por diferentes fatores e condições que estão em mudança constante. Muitas vezes, essas condições em mudança agem como lentes ou filtros, que distorcem nossa percepção e impedem-nos de conectar-nos a nossa própria Natureza de Sabedoria… todavia, a medida que compreendemos os mecanismos da nossa própria mente, maior serão as nossas possibilidades de tornarmo-nos nossos próprios psicoterapeutas. Então, começamos a ver, precisa e claramente, como estamos criando nosso próprio sofrimento através do modo confuso no qual vemos a vida. Na tradição Budista, para que sejamos capazes de vivenciar a Compaixão verdadeira ou a Compaixão incondicional, é preciso termos uma base de Sabedoria, haja vista que a Compaixão verdadeira é atividade da Sabedoria, que, por sua vez, não pode ser aprendida através de livros. A Sabedoria apenas revela a si mesma quando descortinamos nossa própria Natureza essencial, que está sempre presente, muito embora, agora, esteja obscurecida por variadas formas de condicionamento mental… é isso que não nos permite ver o que está adiante: como nuvens que enturvam o sol. Trabalhando com nossa própria confusão, removemos, aos poucos, as condições que nos impedem de ver o que está diante de nós; quanto menos confusão, mais, naturalmente, podemos expressar nossa própria bondade básica. Não existem mais condições que causem o surgimento de agressão, apego, aversão, indiferença. Não há mais condições que sirvam de base para as nossas tendências e hábitos neuróticas, ou conflitos emocionais para obscurecer a maneira com a qual percebemos a vida. Começamos, então, a ver mais claramente, não apenas por meio das nossas interpretações conceituais, porém, vemos o aspecto verdadeiro ou a realidade do fenômeno. Suficientemente, de forma impressionante, é que, à medida que vemos com maior clareza, somos, também, capazes de perceber e responder às necessidades de outros, não apenas ao nível do que “pensamos” que eles precisam, porém, de fato, com o que eles realmente demandam. Em vista do suporte de Sabedoria, também desempenhamos habilidades ou técnicas para traduzir nossas ações de corpo, fala e mente em benefício dos outros… e isso emerge de maneira naturalmente espontânea, não, portanto, como algo que é fabricado e dependa, unicamente, de condições para que sintamos compaixão por alguém. O pensamento Budista não apenas fala sobre ou “a respeito da” Compaixão, mas, também, de que maneira ser compassivo – os ensinamentos são meio como um manual “de como fazer”, porém, aqui, eles são como vivenciar ou realizar o significado da compaixão enquanto um jeito de encarar como se viver a vida.

Nos tem sido repassado – através dos tempos – que devemos nos conformar com a idéia de que o homem está marcado pelo sofrimento, a angústia, a dor, o horror, inclinado para a destruição de si, do outro e do planeta? Como podemos favorecer para que a natureza humana seja mais bondosa, compassiva, pacífica?

Nossa dificuldade é que não valorizamos o nosso próprio potencial humano. Para a maioria de nós, nunca, se quer, foi-nos apresentado esse tipo de idéia, ela não é parte do nosso sistema educacional formal. Para experienciar o nosso potencial humano, precisamos nos conectar à nossa própria Natureza, que são Sabedoria e Compaixão, que são bondade, prosperidade e liberdade de quaisquer condições que, mental e fisicamente, produzem confusão e sofrimento. Faz tempo que estamos apaixonados, habituados em buscar os aspectos negativos de tudo – incluindo nós mesmos –, até esquecermos, por exemplo, de que para existir o negativo, é preciso termos o positivo, e que essas idéias só podem existir, em cada momento de nossa existência, de maneira simultânea – até que sigamos além da dualidade entre o bom e o mau, o certo e o errado. Sabemos mais acerca da doença mental do que a respeito da saúde mental. O que significa, por exemplo, estar mentalmente saudável!? De que(ais) maneira(s) a saúde mental é possível? Ótima pergunta, mas quando, se quer, perguntamos isso? Se orientássemos nossas pesquisas e nossas vidas para uma direção mais positiva, iríamos constatar que uma freqüência maior de resultados positivos emergiriam, haveria menos sofrimento, uma vez que haveriam menos condições para tanto. E mesmo quando o enfoque não está no sofrimento, tendemos a focar uma maior concentração no bem-estar físico, raramente no bem-estar mental. Assim, não temos, por conseguinte, como descobrir uma resposta para a origem da felicidade ou da infelicidade, que reside na compreensão dos mecanismos da nossa própria mente, nossos próprios processos mentais. No pensamento Budista, somos introduzidos à idéia de que todo sofrimento, todos os hábitos neuróticos e tendências são, apenas, obscurecimentos temporários. Logo, o caminho ou o método, diz respeito a desvelar a nossa própria Natureza de Sabedoria, e, uma vez feito isso, todas as outra qualidades despertas revelam a si mesmas, quando, então, vivenciamos, ou realizamos, nossa própria natureza de Buda. Buda significa “Desperto”, ou seja, ver claramente, livre de todos os obscurecimentos ou condicionamentos mentais.

Um dos princípios do Budismo é conhecer a si mesmo. Em suas entrevistas, a Sra. tem colocado que não é preciso ser um budista para vivenciar este aprendizado. Qual o ponto de partida para aquele que aceitar este “convite”?

O Buda histórico não foi um dito “Budista”, tanto quanto Cristo não foi um Cristão. O Buda nunca desejou que as pessoas o considerassem como um salvador, mas, tão menos, como um testemunho, ou um exemplo, sobre o quê, nós, seres humanos, podemos fazer com nossas vidas. Seu exemplo de vida e seus ensinamentos representam um caminho para que descubramos nossa própria Natureza intrínseca, nosso próprio potencial humano. Assim, não é suficiente denominarmo-nos um “Budista” sem que adotemos uma visão Budista para a vida. Por outro lado, se você tem uma visão Budista para a vida, não há qualquer necessidade de você denominar-se de qualquer coisa. Porém, enquanto seres humanos, gostamos de identificarmo-nos com algo, de pertencer a algo que nos faça sentirmo-nos seguros, como sendo diferentes de algo mais. Na verdade, o Budismo significa compreender os mecanismos da nossa própria mente e a Natureza da consciência. Não se trata, portanto, de ser um “Budista” ou ser qualquer outra coisa. Temos, todos, uma mente e um corpo, e, entre eles, existe um tipo de relação que precisamos compreender. Temos cinco sentidos que nos permitem ver, ouvir, sentir, cheirar e degustar; temos, ainda, uma consciência de ordem mental, nossa mente atribuidora de conceitos, que funciona com base em nossos condicionamentos passados. Temos emoções e sentimentos relacionados ao corpo e à mente; temos percepções, e, de um modo geral, temos componentes similares que combinados conjuntamente, criam isso que nos parece nossa idéia individual acerca da realidade. O único fator que nunca levamos em consideração é o de que a nossa maneira de ver essa ‘realidade” depende de muitas condições e, quando estas condições não estão presentes, então, a maneira como vemos também muda. Portanto, não podemos chamar isso de “realidade”. Uma definição Budista para realidade é qualquer coisa que exista por si mesma, a partir do seu próprio movimento, independente de quaisquer condições ou mediações. Conseqüentemente, na visão Budista, se qualquer coisa realmente existe, nós deveríamos, todos, vê-la da mesma maneira, uma vez que a realidade dessa coisa não depende de nós, nem de qualquer coisa – mas isso não é o caso: vemos as coisas de uma mesma maneira? Não… é por isso que temos nossas opiniões diferentes, nossos conflitos e nossas guerras, uma vez que todos vemos de maneiras peculiares e todos acreditamos que estamos certos… No pensamento Budista, somos apresentados a dois caminhos ou possibilidades de encarar as coisas ou de perceber os fenômenos: a primeira depende, ou existe em função de condições e a denominamos de “Verdade Relativa” ou “Verdade Convencional”; e a outra, não depende de qualquer condição e a chamados de “Verdade Incondicionada ou Última”. Para estarmos plenamente despertos e sermos capazes de ver do modo como um Buda vê, precisamos ser capazes de enxergar simultaneamente ambos os aspectos da verdade. Assim, não se trata de um sistema de crenças, porém um caminho que depende, inteiramente, de conhecimento experiencial – a maneira como você, pessoalmente, percebe a vida. É, também, por isso que você pode iniciar, exatamente, de onde você se encontra, no momento presente do tempo, ao examinar a maneira com a qual você percebe a sua vida… e, claro, isso não tem qualquer coisa a ver com o rótulo ou a maneira com a qual você se autodenomina.

A princípio, pensa-se que atender a este chamado significa abandonar convicções, religião, etc. Fale-nos sobre o fato de ser esta uma “possibilidade” a ser buscada por todos.

Vamos, então, dizer que estamos caminhando em direção a uma jornada, uma jornada de descoberta; nessa jornada, em particular, trata-se de uma descoberta para o potencial humano de si mesmo. Para seguir na jornada, precisamos algum tipo, qualquer tipo de abertura… geralmente, eu digo que os ensinamentos Budistas são como se fôssemos apresentados a um grande buffet psicológico, dos mesmos que participamos, seja um buffet, um banquete, um self-service… que não esperamos ser capazes de comer tudo o que nos será oferecido, então, somente comemos aquilo que somos capazes de digerir, abandonando o restante, quem sabe, para uma oportunidade seguinte. Os ensinamentos não são apresentados de uma maneira ou com uma pretensão dogmática; por exemplo, que você deva aceitar ou rejeitar o que quer que você escute. Ao contrário, são possibilidades de perceber os fenômenos, os fatos ou as coisas da vida, de maneiras diferentes. Será, portanto, você quem poderá decidir o que lhe faz mais sentido e se você deseja aplicar esse tipo de possibilidade na maneira com a qual a vida é percebida por você. Lembre-se que isso não é uma religião, é mais como sua maquiagem psicológica pessoal, isso que chamamos de “mente” e nossas percepções. O quê possibilita que as coisas aparentem existir para nossa consciência em diferentes maneiras, ao longo de diferentes vezes? Quais condições são necessárias para que experienciemos a vida dessa forma que a temos feito? Em que medida somos responsáveis por nossa própria experiência, uma vez que essas experiências dependem da maneira com a qual interpretamos o que está acontecendo, a cada momento, ao nosso redor? Se pensamos que alguma coisa é “boa”, então, parece que somos seduzidos por aquele objeto e precisamos possui-lo, afinal, acreditamos que ele é a causa ou uma causa de nossa felicidade. Se, ao contrário, pensamos que o mesmo objeto é “ruim”, ele aparenta-nos como alguma coisa, quem sabe, ameaçadora, deixando-nos com uma tendência à aversão, e, portanto, queremos livrarmo-nos dele, porquanto seja a causa ou uma causa de nossa infelicidade. Veja, o caminho inteiro é de verdade, um processo natural de aprendizado e descoberta: a medida que você tem a chance de reavaliar o modo com o qual percebe as coisas, você é capaz de abrir mão de alguns desses velhos hábitos de percepção, havendo, então, um pouco mais de abertura para introduzir uma nova maneira de ver, talvez uma maneira mais expansiva, mais lúcida, mais precisa de ver. E isso chama-se Sabedoria, você conectado à sua própria Natureza de Sabedoria.

Qual o caminho – ou caminhos – que podem nos levar a felicidade genuína? Por favor, diferencie o que vem a ser felicidade genuína e aquela que é felicidade momentânea.

Veja, o Caminho Budista é a nossa própria confusão… se não fôssemos confusos, não haveria necessidade de um caminho. Então, primeiro de tudo, precisamos descobrir o que significa estar confuso e quais são as implicações ou os efeitos dessa confusão mental. De maneira similar, para irmos a um clínico, precisamos, antes de tudo, estarmos, em algum nível, convencidos de que estamos doentes, que precisamos de alguma espécie de ajuda – de outra maneira, não há razão para ir ao médico. Em primeiro lugar, precisamos acreditar que estamos doentes, pois se não for assim, não haverão, certamente, motivos para seguir a prescrição ou tomar o medicamento sugerido pelo médico. Então, aqui, precisamos, de início, ver de que maneira nossas mentes estão confusas, como a nossa percepção está sendo distorcida, e de como nós, constantemente, estamos recriando as condições para mais e mais confusão, mais e mais sofrimento em nossas vidas. É através desse processo que começamos, gradualmente, a ver que estamos aprisionados em um círculo de confusão e de sofrimento. Desavisados, acreditamos que nossas ações irão trazer os ansiados resultados da felicidade que buscamos, quando, na verdade, a futilidade dessas ações nunca chegam a um final – e, mesmo assim, não estabelecemos um basta. Então, apresenta-se como um círculo sem fim de futilidades, não restando mais as causas e condições que acabam por produzir mais causas e mais condições semelhantes. Até, quem sabe, o momento quando se é preciso atentar para o fato de que isso tudo é um processo insatisfatório, frustrante, de que nunca somos capazes de premiarmo-nos com os resultados de uma felicidade genuína… na maioria das vezes, chega como um alívio temporário para nosso desagrado corriqueiro. Contudo, esse alívio temporário é o que, agora, consideramos ser a felicidade… nossas idéias sobre felicidade sempre dependem de condições específicas e só podem surgir quando certas condições estão presentes, e, se essas condições mudam, ou não estão presentes da maneira que desejamos, então isso se torna a causa da nossa infelicidade. Logo, a nossa idéia corrente sobre felicidade é uma aposta completa nas condições que a vida nos trará, como jogar um dado e pensar que, se cair o número 6, serei perfeitamente feliz – mas, isso significa que se aparecer do 1 ao 5, então, será a causa da minha miséria. Nossa felicidade, assim, parece durar tanto quanto persistam certas condições e quando essas condições mudam, então, voltamos para a frustração, a insatisfação e a infelicidade. Por exemplo, se conseguimos coisas que gostamos, estamos felizes, se as perdemos, então, estamos tristes; se conseguimos alguma forma de prazer de qualquer estímulo sensorial que estamos envolvidos, então, estamos felizes, se recebemos algum desprazer ou desconforto, estamos tristes, se somos elogiados por alguém, ficamos felizes, se formos criticados ou menosprezados por algo, ficamos tristes; se estamos com uma posição social, somos felizes, se a perdemos, somos tristes, e assim por diante. Então, parece que precisamos de condições ilimitadas para mantermo-nos felizes, quando, todos sabemos, não ser possível ter sempre o que queremos, na forma como o queremos… então, significa dizer que deveríamos ser infelizes ou depressivos ou melancólicos porque não temos o que queremos? À medida que refletimos acerca disso, nas condições de nossa vida presente, podemos iniciar uma busca por um caminho que nos leve para fora… começamos, por exemplo, a perguntar: existe, por aí, alguma possibilidade de uma Felicidade Genuína? De onde ela viria? Como eu a consigo? Felicidade Genuína é dita genuína porquanto não dependa de qualquer outra condição, estando sempre presente se pudermos reconhecer esse tal estado de ser. A princípio, precisamos desenvolver uma Sabedoria através da escuta dos ensinamentos… então, desenvolver Sabedoria através da contemplação dos ensinamentos, até que eles façam-nos algum sentido, em um nível intelectual… e, finalmente, familiarizar nossas mentes com o significado para além das palavras, utilizando, para isso, técnicas meditativas profundas que nos facilitam perceber os mecanismos de funcionamento da nossa mente. Através da observação do nosso processo mental, aos poucos surgem mudanças e nossos hábitos de percepção enfraquecem, bem como nossas tendências de comportamento decorrentes desses hábitos. Finalmente, através do treino, prática e familiarização, vemos, naturalmente, de uma maneira mais e mais desperta, livre de fabricações, interpretações mentais. Vemos, então, a realidade de todos os fenômenos, a sua natureza intrínseca. Isso é o significado de Liberação ou Iluminação. Isso é Felicidade Genuína.

Que tipo (s) de comportamento ou atitudes provocam e favorecem o sofrimento físico e mental tão comum em nossos dias?

Na visão Budista, tudo e qualquer coisa que venhamos a experienciar em nossa vida, seja de uma maneira positiva ou negativa, é o resultado do modo com o qual interpretamos o que está acontecendo, um exemplo: a dor pode ser vista através de uma mentalidade vitimizante, quando, então, tudo acontece comigo, “sou o pobrezinho, a vítima da dor, e não posso fazer nada sobre isso…”. Mas, pode também ser, por exemplo, vista de uma maneira diferente, quando a dor pode ser utilizada de um modo que gere compaixão, onde, quem sabe, possamos considerar outros que tenham experiências similares, talvez piores do que a nossa, e do mesmo modo que não desejamos sofrer, eles também não desejam sofrer. Esse tipo de atitude é capaz de abrir nossos corações para as dificuldades e dores dos outros, de maneira, então, que a nossa dor e nossas aflições tornem-se menos exageradas, sendo incorporadas em nosso processo de aprendizado nesse caminho de descoberta. Constantemente surgem novas oportunidades para vermos o aspecto real do fenômeno, por exemplo, o que é, na verdade, isso que chamamos dor e como isso funciona em relação à nossa mente e corpo… Poderíamos buscar novas maneiras de lidar com o nosso sofrimento, à medida que comecemos a vê-lo como algo não tão sólido quanto supomos que ele seja… e esse tipo de postura far-nos-á mais confiantes, mais fortes, especialmente se tentarmos mudar nossa atitude com relação a isso, sem tentar, continuamente, possui-lo como “meu sofrimento”, mas, talvez, perguntando-se acerca do “sofrimento”, ou das condições para o sofrimento. Quem sabe, assim, poderemos olhar para as suas raízes, e, não apenas, para os seus sintomas… Talvez, à partir de sua fonte, possamos, então, extrair a raiz da aflição, de maneira que ela não mais retorne. No Budismo, somos informados que existe um fim meramente temporário para o sofrimento, e, logo em seguida, oferecem-nos uma caminho bem definido, muito bem trilhado, sobre como proporcionar um final para isso, de uma vez por todas. Sobre isso, o Buda concedeu seu primeiro ensinamento, logo após a sua Iluminação – esse ensinamento foi chamado de “As Quatro Nobre Verdades”. A primeira Nobre Verdade diz que a maneira como relacionamo-nos com a vida, agora, é a condição para nossa experiência de sofrimento e insatisfação. A segunda Nobre Verdade inquire por quê? Qual a causa para esse modo pelo qual experienciamos a vida, tal insatisfação e sofrimento? A terceira Nobre Verdade discorre acerca de um fim para isso porquanto seja, apenas, temporário, como as nuvens que chegam e vão, impedindo-nos de ver o sol. A quarta Nobre Verdade explicita o caminho para a cessão ou o fim do sofrimento, bem como todos os métodos de prática, hábeis e profundos, que podem definitivamente eliminar todas as condições que produzem sofrimento físico e mental. Ao longo de sua vida, o Buda concedeu 84 mil diferentes ensinamentos, apropriados para todos os tipos de capacidades mentais. Tais ensinamentos estão divididos entre os enfoques de uma das Quatro Nobre Verdades. Então, tratam-se de verdadeiras “boas-novas”, se pudermos compreender esses ensinamentos, a grandiosidade do maior tesouro que jamais nos foi dado: um caminho para além do sofrimento e da confusão.

Qual o papel exercido pelos educadores, psicólogos, pais que lidam, diretamente, com a formação de novos comportamentos? Como preparar nossas crianças para que sejam mais generosas, bondosas e positivas em relação ao mundo que as cercam?

Bem, talvez você não queira ouvir essa resposta, mas é preciso ser um exemplo vivo daquilo que ensinamos para as nossas crianças ou o que prescrevemos para os nossos pacientes. Nesse momento, tendemos a compartilhar muito de nossa própria confusão entre aqueles que estão ao nosso redor, uma vez que tal é o modo com o qual vemos a vida. Não é intencional, apenas depende de como percebemos os fenômenos, a maneira com a qual experienciamos o que está acontecendo. Se vemos de uma maneira distorcida, então, ainda assim, ela é a nossa realidade e será o que compartilharemos com os outros. Se víssemos de uma maneira clara, aberta e precisa, seria isso que, sem esforços, compartilharíamos com todos ao nosso redor, por ser nossa maneira de perceber a vida. Porém, estamos, agora, condicionados por certos valores que nos fazem julgar as coisas dentro de certos parâmetros – temos os nossos gostos, desgostos, todas as nossas várias idéias acerca das coisas que gostaríamos de compartilhar com nossas crianças e aqueles ao nosso redor… entretanto, quando foi que, realmente, examinamos nossas idéias profundamente, de sobremaneira aquelas a respeito de tudo que consideramos como sucesso e felicidade, e que estamos lutando para conseguir em nossas vidas… será que isso vai, de fato, trazer-nos os resultados que esperamos? Para estarmos numa posição de liderança, é preciso ter a Sabedoria de liderar os outros… de fato, enquanto pais e educadores, ou aqueles em profissões médicas ou da saúde, deveriam considerar que isso que estamos oferecendo aos outros são, apenas, as ferramentas e o modo com o qual eles poderão valer-se de tais recursos para ajudarem a si mesmos… não é tão benéfico tornar os outros dependentes de você na maneira como eles enxergam a vida, mas, ao contrário, provê-los com as condições de sustentarem-se por seus próprios pés, elegendo suas próprias decisões e escolhas de um modo claro e preciso… se você tiver a habilidade necessária, você poderá, ainda, ajudar o outro para conectar-se à sua própria Natureza de Sabedoria, de modo que sejam capazes de enxergar com uma qualidade mais aberta e espaçosa, e isso é a Compaixão… precisamos de uma habilidade maior para ver e agir através da equanimidade, ou uma visão imparcial, sem depender de certas condições para sentir compaixão pelos outros, por exemplo: eu tenho alguma compaixão por você porque você é pobre, está doente, ou porque a sua esposa abandonou-lhe. Mas, quando você tiver algum dinheiro, talvez muito dinheiro, ou ficar melhor ou encontrar uma nova namorada, então, você não será mais merecedor da minha compaixão… isso é uma expressão muito relativa de compaixão, sendo dependente, e, portanto, relativa a certas condições. Tudo bem quanto a isso, mas, ainda assim, é limitado, mas é preciso que sigamos para além disso, e é por isso que precisamos de Sabedoria. Da minha experiência, sinto que é de maior ajuda introduzir um modo de ver que abranja muitos pontos de vista, não apenas que esse seja certo e aquele errado… mas, quem sabe, ajudando para que outros assumam a responsabilidade para o modo como vêem e sentem, por exemplo, “nesse momento, no modo como vejo, eu penso que não seja muito apropriado, talvez seja danoso, quem sabe, depois, minha opinião irá mudar… mas, agora, eu vejo nessa perspectiva, e, portanto, estou agindo dessa forma”. Quando educarmos as jovens crianças, talvez seja de ajuda não dizer a elas que isso “é” uma mesa, mas que tal coisa é “chamada” ou denominada de mesa, que a esse objeto foi dado o nome mesa, e que temos nomes para diferentes coisas… será, então, de grande ajuda quando, no futuro da vida, essa pessoa compreender que o mundo objetivo depende dos nomes e rótulos mentais e que tais nomes são, apenas, um meio para se identificar as coisas, porquanto as coisas, em si mesmas, não são seus nomes. Considere, apenas, o que está ocupando uma posição de grande responsabilidade para conduzir outros para fora da confusão, então, nós, para nós mesmos, precisamos ter uma visão mais clara da vida de modo que possamos fazer isso comos outros. De outro feito, há um dito popular… que um cego guiando outro cego… enfim, não chegaremos, simplesmente, muito longe.

Como a prática da meditação pode ser uma possibilidade no sentido de amenizar a dor física e mental? Qual a importância do conhecimento (e formação) nessa prática para os profissionais de saúde que lidam diretamente com a dor?

A meditação ajuda-nos a sermos mais desprendidos das sensações corpóreas e dos processos mentais, para que sejamos capazes de ver de um modo mais claro. Ela ajuda-nos a relaxar mais e descarregar a tensão de nossa mente e do corpo que, por sua vez, reduzem a dor. Então, quando, utilizamos métodos muito simples, como, por exemplo, ter a mente alerta ou focada na respiração, vendo como é possível lidar com a dor e trabalhá-la de uma maneira positiva… com a prática, a dor pode ser dissociada e para alguns, poderá, inclusive, transformar-se em uma experiência de graça, a medida que experiencie níveis mais sutis de energia. Precisamos entender que estamos trabalhando com um complexo mente-corpo, e, não, apenas, o corpo está associado à dor… a mente desempenha uma grande parcela nessa experiência, ao criar o imaginário que está associado à dor, por exemplo, “essa é a pior dor que eu poderia ter, se, pelo menos, não fosse desse jeito…” Existe, então, uma historinha como pano-de-fundo, que se processa ao lado das sensações físicas de dor e que poderá, realmente, exagerá-la, tornando-a sólida e não trabalhável. Nesse sentido, a dor é uma experiência relativa: temos uma dor terrível, então, ao experienciar qualquer coisa ainda pior, nossa experiência anterior torna-se, imediatamente, menos intensa, menos dolorosa. Quando visualizamos como apresentar para as pessoas que a dor é uma sensação física, podemos ajudá-las a ver a dor como dor e não como a “minha dor”. Essa atitude cria um espaço mental maior para dissolver a solidez da experiência, e, então, podemos enxergar, por exemplo, que a experiência está mudando constantemente. Podemos, então, relaxar mais, à medida que ela nos parece menos sólida e mais trabalhável. Temos, ainda, sentimentos que denominamos de dor, baseados na mente, por exemplo, expressos através dos nossos conflitos emocionais. Ao iniciarmos o refinamento de nossa percepção, através dos métodos de meditação, começamos, também, a perceber a natureza impermanente, em mudança, dos processos mentais e suas condições, que estão surgindo e passando, constantemente… quando vemos que a maneira como criamos o objeto mental ou a base necessária para o surgimento de emoções, aparentam-se menos sólidos, daí, conseqüentemente, reduzimos as condições para os conflitos emocionais. Para termos uma emoção é preciso ter-se criado um objeto mental sólido, por exemplo, “você é mau”… e daí? Não parece suficiente… precisamos de mais “justificativas”, então… “você é mau porque você, naquele dia especial, me disse coisas horríveis… que eu jamais esperava, vindo de alguém tão educado… você me ignora, você é muito rude, você nunca escuta o que eu te falo… e por isso, isso e aquilo mais…” É assim que formamos um objeto mais sólido em nossas mentes, que, então, irá parecer-nos assustador. O passo seguinte é termos a necessidade de destruí-lo, uma vez que sentimo-nos inseguros em sua presença, ameaçados por esse objeto que nós criamos. Dessa insegurança surgem as emoções. Como se vê, pode ser útil compreender mais acerca dos mecanismos que fazem das nossas experiências algo puculiar. Se você consegue ver como isso funciona, você descobrirá como trabalhar com isso.

Meditação, segundo Brigitte Kashtan, é um “retorno em direção ao centro do nosso ser” (“itari in medio”, como sugerido por Jean-Yves Leloup). Esse retorno ao centro implica um caminho que deveria começar na periferia do ser, habitada pelas preocupações diárias, pensamentos, sentimentos, projeções… É desse conceito de meditação que a Sra. refere-se?

Perdão, mas, talvez, eu não tenha entendido, corretamente, sua pergunta, uma vez que nunca li qualquer trabalho do Jean-Yves Leloup. De todo modo, gostaria de pontuar que, ao compreendermos sobre a mente, nós também compreenderemos que não existe o dentro ou o fora, tempo ou espaço, que isso são, apenas, conceitos que nos limitam a certas formas de padrões de pensamentos. A mente, em si mesma, cria toda nossa experiência, não importa como você queira denominá-la: do mundano ao espiritual, até mesmo nossa idéia de paraíso ou de inferno, o que quer que aconteça, é uma interpretação… Ao deixarmos partir todas as nossas idéias, conceitos ou julgamentos de valores, não quer dizer que nada existe, mas, apenas, que não existe da maneira como pensamentos que o fenômeno exista. Quando, realmente, examinamos esse conceito de “eu”, ou “ego”, vemos que ele é apenas uma ilusão criada por nossas idéias, um outro pensamento sem qualquer substância própria, uma realidade inerente sem qualquer base. Mas, porque temos essa idéia de “eu” que acreditamos ser uma entidade é preciso que tenhamos, também, uma outra idéia que nos pareça, igualmente, uma entidade com a qual o “eu” possa relacionar-se… isso, então, continua a ser expresso como sujeito e objeto, mantendo uma dimensão de dualidade. Precisamos descobrir que não existem entidades fixas, que as aparências surgem para os nossos sentidos como resultado de condições, muito como na metáfora do filme e do projetor: o filme depende do projetor, a exemplo do mundo e de nossas idéias do eu são, apenas, como a projeção de condições da nossa mente. Ao desligarmos, ou darmos pausa em nossos processos mentais, começamos a perceber de uma maneira diferente, além dessas limitações de uma fixação dualística. Isso é a Sabedoria.

Por favor, cite exemplos de países e locais – principalmente no Brasil – onde os diferentes tipos de meditação são empregados no contexto clínico e hospitalar?

Eu gostaria de poder informá-la de lugares específicos, no Brasil, que estão utilizando meditação em seus programas de tratamento, todavia, eu realmente não sei muito acerca das instituições por aqui. Definitivamente, mais e mais psicoterapeutas e psicólogos clínicos estão, hoje, aplicando muitas das técnicas que têm sido utilizadas, há mais de vinte e cinco séculos, na tradição Budista, não apenas para ajudar os seus pacientes, mas, também, como ferramentas de pesquisa. Eu penso que a metodologia Budista, ao lidar diretamente com os processos da consciência está tornando-se mais conhecida, na medida em que vários campos do saber descobrem o quão profundo é tal abordagem. Universidades em Hong Kong, Tailândia, França, Reino Unido e outros lugares na Europa, como a Dinamarca, incluindo importantes departamentos nas tradicionais Universidades de Oxford e Cambridge, oferecem cursos relacionados a estudos budistas. Ao longo das Américas, por exemplo em Massachusetts, Wisconsin, Berkeley, Stanford, Santa Bárbara, Colorado, dentre outros nos Estados Unidos, têm programas de estudo, pesquisa e intervenção clínica relacionados à abordagem Budista. Eu, mesma, tenho vários estudantes, espalhados no Brasil e no mundo, que trabalham em hospitais, clínicas, universidades e outros espaços de aprendizagem, muitos, dos quais, advindos da linha-dura científica, como biólogos, físicos, neurocientistas, astrônomos, engenheiros, botânicos, além de cientistas políticos e sociais, diplomatas. Muitos são psicólogos ou médicos nas várias áreas da ciência médica, pessoas com bases em diferentes raças, culturas… Então, o Budismo não está confinado ao ser ou dizer-se Budista, como havia comentado – é mais uma maneira de olhar para a vida. Sua Santidade, o Dalai Lama, durante as últimas duas décadas, tem mobilizado-se para reunir e inspirar alguns dos mais respeitados cientistas de todo mundo com o objetivo de discutir acerca das diferentes maneiras de ver os fenômenos. Ele tem ouvido, com grande interesse, a maneira que essas pessoas, consideradas as melhores em seus campos de estudo e pesquisa, explicam-no sobre os resultados de suas investigações, estabelecendo, com eles, longos diálogos, em várias direções. Algumas vezes, sugere-lhes possibilidades de pesquisa, ou formas de ampliação e refinamento de suas visões de mundo, para que possam compreender o que é o aspecto verdadeiro ou a realidade do fenômeno, distinguindo entre o que é ilusório, em termos de uma interpretação mental, e guiando-os na direção do significado de Felicidade Genuína. Por fim, um modelo de referência na utilização da meditação no contexto clínico, é o Programa de Redução do Estresse na Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos, coordenado pelo médico Ph.D., Jon Kabat-Zinn, há mais de 25 anos. Inúmeros congressos científicos e publicações, ao longo desses anos, têm divulgado os resultados brilhantes que essas práticas proporcionam para seus pacientes, com as mais diversas enfermidades, atendidos naquele programa americano. No Brasil, o médico Norvan Martino Leite idealizou, para o Hospital do Servidor Municipal de São Paulo, uma sala de meditação, convidando duas monjas budistas, para em 2001, treinarem, inicialmente, uma equipe de 24 médicos, que, por sua vez, passaram a ensinar práticas meditativas para os seus pacientes. No caso de Fortaleza, tenho conhecimento do nome do Prof. Harbans Lal Arora, Ph.D., muito respeitado na facilitação da meditação em grupos no Hospital Geral de Fortaleza e no Hospital César Cals.

Existem fortes laços que a conectam com Fortaleza e com os que aqui vivem? Fale-nos sobre esta sua proximidade… e por Fortaleza ser um terreno fértil e acolhedor para compartilhar idéias e ensinamentos? Quais os frutos dessa união/parceria?

Eu tenho vindo para Fortaleza já por um número de anos, e estabeleci uma conexão muito próxima com algumas pessoas daqui. Existe um professor e um grupo de estudantes na Universidade de Fortaleza – UNIFOR que, particularmente, estão abertos para ouvir e discutir acerca de outras abordagens culturais ou caminhos de percepção que podem ser de benefício para outras pessoas. Eles integram a Rede Lusófona de Estudos da Felicidade (RELUS), que está sendo conduzida pelo professor Francisco Silva Cavalcante Jr., Ph.D., com o objetivo de expandir o conhecimento e a prática de uma Psicologia cujo enfoque esteja na promoção do bem-estar e da saúde mental. Esse trabalho do professor Cavalcante vem sendo muito bem recebido em Fortaleza, e os resultados de suas pesquisas começam a ser divulgados em eventos científicos internacionais, como por exemplo, a sua apresentação, em maio próximo, no primeiro Congresso da Sociedade Transcultural de Meditação Clínica, criada pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Waseda, no Japão, sediado, este ano, na Universidade Chinesa de Hong Kong, para uma platéia de renomados psicólogos. Esse tipo de abertura constitui, naturalmente, um campo fértil de aprendizagem e educação transcultural. E os resultados dessas parcerias expressam-se por si mesmos, na habilidade das pessoas em verem mais claramente, não apenas como tornar as suas vidas benéficas para si mesmas, mas também, para o benefício de outros. Para ampliar esses estudos estarei conduzindo em Fortaleza, ao longo de 2006, um curso de introdução à psicologia budista, denominado “O Custo das Ilusões”, com um total de 100 horas/aula, quando estaremos aprofundando algumas idéias que, nestes últimos anos, tenho discutido. Trata-se de uma análise, muito criteriosa, das estratégias que a ego-psicologia vale-se na construção disso que experienciamos como realidade. Esse curso é uma promoção do Centro de Budismo Tibetano de Fortaleza que está focado na descoberta dos efeitos de uma motivação positiva para a vida e no significado da Felicidade Genuína, que além desta, desenvolve outras atividades promovidas diariamente. Esperamos expandir esses benefícios entre a comunidade que nos entorna, através de programas sociais, educacionais e na área da saúde, numa parceria entre instituições interessadas e a Associação Visão de Dipamkara, da qual sou presidente. Aos poucos, portanto, estamos estabelecendo diálogos e novas alternativas para a redução do sofrimento humano e a identificação de suas causas.

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